domingo, 25 de março de 2012

Mulheres Afegãs



Elas varrem a poeira
Que se deita sobre as coisas
E que se gruda, em camadas,
Nas mobílias e vassouras.



A poeira sempre volta,
Vem nos ventos e sapatos,
Nas palavras e nos atos
Seculares, imutáveis...


Elas cortam as cebolas
Que provocam sempre o choro
Por aquilo que não foram
E jamais virão a ser.


Elas parem muitos filhos,
Elas calam e consentem
Já nem sabem o que sentem,
Não desejam, jamais brilham...


São dadas em casamento
A quem elas jamais amam,
A quem nunca há de amá-las
Com total indiferença...


Pois uma mulher não pensa,
Não opina, não contesta,
Com os olhos baixos, varrem
A poeira, após a festa.



Não conhecem a esperança,
Dormem sempre um sono leve
Que fará com que despertem
A qualquer sinal de sonho.


Não conhecem outra vida,
Todas são cópias exatas,
São mulheres xerocadas,
E em série produzidas.










7 comentários:

  1. Porém, com elas estão,
    o enigma (parte?)
    da vida.
    Abraço,
    Ana.
    Wilson Correia.

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  2. São Mulheres submissas.Quando será que vão tomar uma atitude e fazer uma abertura como nós anos 70.Sou revoltada com o prcedimento.Parabéns uma belo alerta.Bjus\Flor*

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  3. Gostei muito de como trouxe esta realidade, de sua perspectiva, de sua visão crítica em relação a esta realidade. Sem dúvida muito contraditória ao que vivemos e me lamenta saber que há ainda tantas repressões e obrigações no mundo oriental. Ficou bonita e sincera.

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  4. São diferentes e são iguais. Sabe Ana, já vi cada foto de mulheres afegãs: lindas mulheres. Sei lá o que se passa na cabeça delas! Um dia, eu bêbado, cantei uma mulher iraniana no Cristo Redentor. Eu era solteiro na época. Quase fui... chegaram seguranças. Coisa horrível! Mas segurei a mão e vi o lindo sorriso sem burca. Coisas de minha breve e arriscada história. rsrs... Linda poesia. Ah, e são lindas as mulheres afegãs! Marcelo Braga.

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  5. Um poema corajoso, autêntico, indignado, cons-truído para a travessia de sentimentos humanos. Visa a deleitar, sim, porém consegue também despertar, mobilizar, transformar o locutário.
    Até quando o Mundo vai assistir, passivo, con-formado, a essa situação inaceitável, essa condição degradante? Será que não se pode fazer mesmo na-da?! - Duvido...
    Essa motivação dos interlocutores ao lê-lo ad-vém do talento da escritora em expor os fatos, as a-berrações sociais, primitivas, odiosas.
    A catarse se transfigura em repulsa a esse “sta-tus quo”, a essa vida sem horizontes, sem quaisquer desejos que não sejam do "seu homem". (Ao diabo com esse "seu homem"! - um explorador dos gestos e atos femininos!)
    Nossa ira de leitores não surge do nada - mas da página repleta e completa de denúncias bem escri-tas, inteligente e sensivelmente elaboradas em sua versão literária.
    A literatura que toca, que mexe, que faz falar e agir, concordar e discordar, protestar e apedrejar...
    Viva a liberdade ocidental!

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Mandrágora

Teu Nome – raiz de mandrágora Perpassando o meu caminho, Me fazendo tropeçar... Um dragão adormecido Em isolada cave...