quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Conto - O Internato




Ano: 1933. A menina segurava a mão do pai às portas do colégio interno, implorando-lhe:

-Pai, não me deixe aqui! Eu quero ir para casa com você!

O pai, pesaroso, respondeu:

-Mas eu não posso tomar conta de você, filha! Desde que sua mãe morreu, tem sido muito difícil para mim. Mas olha, aqui você será bem tratada. Não será como nas outras casas, e eu prometo que venho sempre visitá-la. Você vai ficar bem, e terá uma porção de amiguinhas para brincar com você.

A menina chorou, e chorou mais ainda quando, de mãos dadas com Irmã Malvina, viu o pai afastar-se e sair pelo portão do colégio. Irmã Malvina levou-a para o dormitório e apresentou-a às outras meninas. Logo, ela fez uma boa amiga, uma menina negra com quem as outras meninas não brincavam. A menina pegou-a pela mão, dizendo:

-Você vai ver, aqui não é tão ruim. Temos uns gatos no porão, e temos a horta, que a gente pode ajudar a cuidar, e tem também teatrinho no Dia das Mães. Você gosta de teatrinho?

Ao ouvir a palavra 'mãe,' a menina entristeceu-se:

-Eu não tenho mãe.

A colega consolou-a:

-Muitas aqui não tem. Eu tenho mãe, mas ela mora em outra cidade, trabalha em casa de família,e nem sempre pode vir visitar-me. Aquela ali, a Neusa, não tem mãe nem pai. Viu? Não fique triste!

E puxando-a pela mão, levou-a até o porão, para conhecer os gatos.

Na manhã seguinte, às cinco e trinta, elas foram despertadas pelo sinal da escola, enquanto Irmã Dulcina entrou no dormitório, anunciando:

-Ponham seus camisolões de banho, meninas!

-As garotas ainda sonolentas, vestiram seus camisolões de banho. Já no banheiro, a menina perguntou:

-Por que a gente tem que tomar banho de roupa?
-Porque é pecado ficar nua na frente dos outros, ora!

A menina aguardou, até que chegasse sua vez de usar um dos chuveiros, e teve um choque ao constatar que a água que saía deles era gelada! Imaginem só, tomar banho às cinco e trinta da manhã, no inverno, de camisolão e água gelada! Mas com o tempo, ela acabaria se acostumando, embora jamais viesse a gostar.

As aulas começavam pontualmente às sete, e iam até o meio-dia. Depois, elas iam almoçar no enorme refeitório. Cada menina tinha direito a apenas um prato raso de comida, e ninguém podia repetir. À tarde, tinham aulas de datilografia e trabalhos manuais. Às três, era servido um lanche que constava de uma caneca de café preto bem ralo e um pedaço de pão; quando tinham sorte, ganhavam também uma banana ou laranja. Nos finais de semana, cada menina tinha direito a um pedaço de goiabada. 

Às cinco da tarde, jantavam, e só voltariam a comer novamente, na manhã seguinte.

A maioria das freiras eram rígidas. Algumas delas, eram até mesmo cruéis, como Irmã Malvina. Se alguma menina a desobedecesse, ou fizesse algo que ela não aprovava, ia para a frente da sala de aula e tomava 'bolos:' com uma palmatória, Irmã Malvina batia várias vezes na palma da mão da menina considerada 'travessa' ou 'preguiçosa.'

Havia também os sermões, onde as freiras ensinavam o que era e o que não era pecado - mas a primeira lista era sempre infinitamente maior que a segunda. Tinham que tomar muito cuidado, pois Deus via tudo, até mesmo, o que elas faziam no banheiro quando pensavam que estavam sozinhas. Deus era um punidor implacável, que todas deveriam respeitar e temer muito!

Havia missas aos domingos, e elas tinham que estar de pé bem cedo e colocar seus uniformes de gala. Era uma ocasião feliz, pois podiam assistir aos sermões do Padre Pedro, que era jovem e  muito bonito. Mas... até mesmo aquele pensamento era pecaminoso, e quando ela disse à uma das amigas que achava o Padre bonito, Irmã Malvina, que ia passando, a ouviu. Puniu-a com cinco 'bolos' na mão, dizendo que toda vez que tivessem pensamentos como aquele - segundo uma das freiras - deveriam rezar, ajoelhadas sobre o milho, dez Padre Nossos e Dez Ave-Marias! Ela não conseguia entender por que achar alguém bonito era pecado.

As visitas eram a cada quinze dias, e seu pai sempre ia visitá-la. Algumas meninas nunca recebiam visitas. A menina tinha que dividir os doces que o pai levava com algumas de suas coleguinhas, por ordem das Irmãs, e muitas vezes, quando não dava tempo de esconder algum doce, ficava quase sem nada.

Ela sempre perguntava ao pai quando a levaria embora com ele. Mal sabia que teria de viver ali até completar dezoito anos!

Certa vez, ela riu de uma brincadeira que uma das colegas tinha feito durante uma aula de gramática. Foi apenas um riso abafado, acompanhado pelo riso de outras meninas, mas Irmã Malvina calhou de estar olhando logo para ela! Chamou-a à frente da classe, e depois de puni-la com dez 'bolos,' olhou-a bem dentro dos olhos e esbravejou:

-Você está aqui porque lá fora, ninguém mais a quis. Trate de comportar-se, ou irá direto para o inferno quando morrer!

Aquela frase ficaria marcada em sua memória e em seu coração enquanto a menina vivesse: 'Ninguém mais a quis!' E durante toda a sua vida, ela nunca conseguiria acreditar que era amada.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Não Vês?...




Sinta essa brisa que atravessa o tempo,
Levando com ela cada tentativa
De conter o momento!
Não vês? - Vamos com ela,
E a qualquer momento,
Um rodopio, um desatino,
E ela torna-se tormenta!

Não use as unhas
Para arranhar as almas,
Nem as palavras
Transformem-se em tijolos
Entre ti
E aqueles a quem tu amas - ou não amas?

Não vês as dores que provocas,
Não sentes o quanto, a cada dia,
Trancas os outros em tocas
Separadas umas das outras?

Melhor seria se pudesses
Respirar mais devagar,
E mais profundamente,
Dando espaço para que cresçam
As sementes
Que tentas sufocar!

Não vês?  A vida é um cliché,
A vida é curta, 
A vida é uma só,
A vida é um mistério,
A vida 
É tudo aquilo que ainda não aprendeste!

Inclina a dureza
Do teu pescoço
E veja,
Com um pouco mais de clareza
Aquilo que o teu orgulho
Transforma em tristeza!
Antes que seja tarde,
Enquanto ainda há tempo...






Distâncias & Silêncios




Os silêncios formam rios entre as vidas,
Rios cheios de distâncias e naufrágios
Cujas superfícies
Jamais são agitadas
Por qualquer vento.
E os corações transbordam histórias,
Memórias e adeuses,
Desaguam ressentimentos
Que tornam estes rios cada vez mais densos...
Os silêncios não tem barcos,
E mil coisas naufragadas
Permanecem, para sempre, no fundo negro
E inatingível,
Aumentando as distâncias.

Não chegam mais os cantos dos pássaros,
Os risos das crianças,
As tardes encantadas, onde à volta de uma mesa,
Derramavam-se lembranças...
E as ondinas, caladas,
Choram sobre as pedras
Pela vida tão displicentemente desprezada,
Como se não tivesse sido nada,
Como se fossemos todos estranhos,
Como se não tivessem havido momentos!

Alguns caminhos se fecham
Entre os rios e os silêncios,
E nunca mais, em nenhum tempo,
As distâncias poderão ser alcançadas!...
Mas na outra margem, alguém sentado
Segura ainda um fio de esperança
Por tudo o que foi vivido
E que pode ser lembrado...
E embora o fio seja frágil,
A ele este alguém se agarra,
Pois não lhe resta mais nada.

E passam, uma a uma, as estações,
Do caloroso verão ao frio inverno,
Até que não reste mais nenhum sinal
Do rio, do silêncio, da distância
Dos náufragos e dos sobreviventes
Ou daquele fio de esperança...
Mesmo assim, um sentimento sempre terno
Há de permanecer no âmago 
Daquelas águas estagnadas.
Um dia, alguém há de se lembrar
E um suspiro, apenas, será o selo
Sobre cada arrependimento
Por mais que tardio,
Por tudo que ficou naquele rio.

*

DIAMANTES - SONETO







As gotas preciosas sobre a folha
Chovidas de dois olhos marejantes
Em emoção tocante, suave, tácita
As gotas derramadas... diamantes!


O tempo traz em si continuidade,
 Ao mesmo tempo, a dor e a saudade...
As gotas diamantinas sobre a folha
São símbolos do amor de quem foi antes.



São gotas preciosas, transparentes,
Mas a tristeza é o brilho que reflete
A imagem triste de alguém que chora.



Os diamantes falam da ausência
A cada dia, assim, mais evidente
De seres que eu amei, e foram embora.



Cena de Um Filme




Noite dessas estava eu procurando o restinho de sono que me faltava para 'apagar' de vez, e liguei a TV. Peguei um filme no finalzinho. Não sei o título, mas pelo que pude compreender, uma mulher havia tido dois filhos - um casal de gêmeos. Mas a menina tinha Síndrome de Dawn, e por este motivo, o pai (que era médico) afastou-a da mãe e do restante da família. Não sei se ele disse a ela que a menina tinha morrido; esta parte, eu perdi. Mas ele afastou a menina  porque ele tivera uma irmã gêmea com a mesma síndrome, e que morrera muito cedo, ainda criança, o que fez com que sua mãe ficasse arrasada.

Tentando poupar a esposa do mesmo sofrimento de sua mãe, ele  mandou a filha para ser criada por uma outra mulher. Mas muitos anos depois  ele morreu, e vasculhando os documentos dele, a sua esposa e seu filho acharam provas de que a menina estaria viva.

Foram a procura dela, e encontraram a casa onde ela morava com a mãe adotiva; a mulher apresentou-se, e a mãe adotiva foi chamar a menina, dizendo a ela que aquela era sua verdadeira mãe, a que a tinha carregado na barriga. Daí, uma cena de suspense, na qual a menina parece tentar entender a informação que acabara de receber, olhando ora para uma, ora para a outra mãe, que lhe apresenta também o seu irmão gêmeo.

A menina, que segurava um ramo de flores, divide-o ao meio, e entrega metade para cada uma das mulheres, dizendo que então ela agora tinha duas mães, e sorrindo, segura o irmão pela mão, dizendo: "Vamos lá conhecer o meu quarto!"

Fiquei encantada com a simplicidade com que a menina encarou e aceitou a situação. Somente alguém muito puro e sem qualquer maldade faria algo assim! Fiquei pensando: "Ah, se fosse um de nós, 'normais'! Provavelmente, ficaríamos debatendo o assunto por meses, odiaríamos uma das mães ou o pai, não quereríamos conhecer o irmão... quem sabe, até nós nos tornássemos traumatizados para o resto da vida, colocando a culpa de nossa miséria em nossos pais?"

A vida não é tão complicada assim, quando aceitamos os fatos.



Bom é Ser...





Bom é ser 
Somente ser
Aquilo que se é,
Sem precisar de justificativas.

Bom é ter
Somente ter
Aquilo que se ama
Sem competir com a vontade da vida.

E só sendo
Aquilo que se é,
E só tendo
Aquilo que se quer,
A vida fica mais leve,
E o caminho se estende naturalmente...



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Quando apagas...





Toda vez que tu apagas
Uma palavra de carinho,
Uma voz,
Uma letra,
Num gesto frio e mesquinho,
Apagas também uma trilha,
Apagas de um rosto
Um sorriso, 
Apagas um caminho!...

Não é preciso
Abrir as portas
A quem não gostas,
Melhor trancá-las,
Melhor não deixar
Que o viajante
Pegue a estrada,
E se empenhe 
Num gesto
Indesejado
Que não dará em nada!

E que seja, então deixado
Com esse gosto amargo
E indigesto
De passos apagados,
Sorrisos costurados,
Braços fechados...
Melhor a sinceridade,
Melhor a verdade,
A essa pura e e indiferente
Maldade!

*


...E o que Dói Menos?





Ninguém está preparado para enfrentar a perda de alguém que ama.

Dia desses, eu conversava com minha irmã, e ela me dizia que sentia muita falta de nossa mãe - eram muito ligadas - mas que sentia-se consolada, pois ela já estava bastante idosa quando morreu; mas que jamais se consolava pela perda de seu filho - meu sobrinho - tão jovem, e cheio de planos.

Também conversei com meu marido sobre o assunto, e falamos em ocasiões nas quais ficamos sabendo de mortes repentinas na família ou de amigos, de pessoas jovens ou não, e de mortes pré-anunciadas, de pessoas jovens ou não. Em nenhuma das ocasiões, pudemos comparar os fatos e chegar a uma conclusão sobre qual maneira de se perder alguém é menos dolorosa: se de repente ou aos poucos.

O fato, é que perder alguém, dói. E sempre doerá. É uma dor imensurável, que ninguém pode consolar, a não ser o Senhor Tempo. A vida urge ser vivida, os dias urgem voltar a ser contados (quando alguém morre, perde-se toda a noção, inclusive, a do tempo).

Mas um dia (isso sempre acontece), acordamos nos sentindo melhor. Já não dói tanto. Aos poucos, já conseguimos falar sobre aquela pessoa e rir muito de certos acontecimentos que vivemos juntos. Conseguimos lembrar dela com uma saudade boa, não mais tão dolorida. E esse tempo é diferente para cada um que passa por uma perda. Pode durar meses ou anos até que se chegue a esse estágio. Talvez, seja preciso procurar ajuda profissional, e isso, é cada um que determina. Para alguns, a religião e / ou a fé podem ajudar.

Às vezes, vem à cabeça daquele que perdeu alguém o seguinte pensamento: "Fiz tudo o que eu poderia ter feito? E se eu tivesse feito diferente? E se eu tivesse procurado um outro médico? E se eu tivesse passado mais tempo com ele (a)? E se... e se... e se..."). Mas  acho importante saber que esses questionamentos são normais, e que jamais devemos nos sentir culpados; no fundo, a gente sempre faz o melhor que pode, sempre, e mesmo que tenhamos cometido algum erro em relação à pessoa que se foi em algum momento, não foi de propósito. Nessas horas, acho importante fazer as pazes consigo mesmo e com a pessoa. Bem, eu rezo, converso, e isso me faz sentir melhor.

Exercitar o desprendimento e a aceitação dos fatos pode ser a parte mais difícil; não queremos aceitar. Nos perguntamos: "Como isso pode ter acontecido comigo / com ele(a)?"  De nada adianta revoltar-se diante do inevitável, e quanto mais cedo compreendermos este fato, melhor. E a coisa mais certa de todas as coisas na vida, é a morte. Um dia, chegará a nossa vez, e enquanto isto não acontece, se eu estou aqui ainda, é porque ainda há bons motivos para isso. E eu quero viver, eu quero ser feliz e aproveitar tudo o que eu puder, e aprender, e me machucar se necessário, e apostar, e vencer, e perder.

É isso aí.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

É Na Alma





É só na alma, 
Na branca paz da alma,
Na calma,
Ou na calda quente,
Fervente da alma,
Que desabrocham,
Ascendem,
Revelam-se...


É só no sangue,
No vermelho mais rubro,
No escuro,
Na luz viva
E ativa
Da alma, 
Que eu me desaguo...

Não é o número
Dos meus passos,
Ou de minhas sílabas
Que determinam
O que me determina!
É só a alma,
Aquela parte de mim
Que está entre o ir
E o ficar,
O dizer
E o calar,
O morrer
E o viver,
O acordar
E o sonhar!...


Sempre no meio,
Um pé no chão,
Outro na lua,
Um pensamento cúbico,
Outro pensamento súbito,
Uma nesga de treva
E outra nesga de luz!
E tudo vem da alma,
Esse lago que não seca,
Que não seca jamais!

É de lá que eles vem:
Os meus poemas,
E de nenhum outro lugar
Que tu ou qualquer um
Queiram nomear!


*

Velhas Fotos de Família - e Põe Velhas Nisso...

Meu avô por parte de mãe, Rogério Agostinho (Brasil) ou Rezier D'Agostinni (Itália)


Tia Rosa - sentada; as outras, não sei quem são, mas devem ser tias ou primas.


Foto de casamento dos meus pais
Eu, bem pequena. Tinha uns quatro anos, acho.

De cinto branco, minha mãe, sua prima Dalila e uma senhora que eu não sei quem é.



Uma festa de aniversário na casa de algum vizinho, acho. Eu estou no colo de minha mãe. Meu pai ao lado, mãos nos ombros de minha irmã Ester A de franja, cabelos escuros, no canto direito da foto, é minha irmã Dalila.




Meus pais e meus irmãos mais velhos, Dalila e Ronaldo. Eu nem era nascida.
Foto muito antiga de família! Um dos rapazes com topetes deve ser o Tio João, que morreu aos 104 anos! A Italianada:  Meu avô (no canto direito da foto) ao lado dele, a Tia Rosa sua irmã, e vários outros irmãos e primos cujos nomes não sei mais.



Minha mãe e a prima Yolanda, no Parque Cremerie. Ela adorava esta prima!



Meu avô Heitor, por parte de pai. Não o conheci. O menino, meu primo Laércio., acho.

Meu pai no exército. Até que ele era bonitão... tinha uns dezenove anos.

Minha avó por parte de mãe, Vicência. Não a conheci. Ela morreu quando minha mãe tinha quatro anos de idade. Esta é a única imagem dela que ainda existe.
Minha bisavó por parte de mãe, à porta da casa onde eu e meus irmãos, mais tarde, nascemos e nos criamos. Esta foto deve ter uns cento e trinta anos.
Meus bisavós por parte de mãe - jamais os conheci
Minha mãe e meu avô Rogério
Minha mãe (loirinha) e uma prima, a Lea. Deve ter sido em mil novecentos e trinta e poucos...









domingo, 27 de janeiro de 2013

Partilha & Compartilhamentos






Cada um só pode partilhar aquilo que tem dentro do coração.

Isto não significa que todos sempre teremos apenas algo bom a partilhar... mas eu acho - e gosto de achar - que poderíamos partilhar, na maioria das vezes, apenas o que existir de bom em nós. Porque o mundo já está cheio de coisas ruins e negativas. E se por um acaso eu tiver que partilhar alguma coisa ruim - para salvar minha alma ou alguma outra alma que necessite de ajuda- que eu o faça com / por amor. Algumas vezes, partilhei textos contra maus tratos a animais, acompanhados de fotos, porque elas me revoltaram, e por achar que, de algum modo, partilhando-as, eu poderia estar ajudando para que coisas assim fossem denunciadas. Mas por que partilhar o ódio pelo ódio? A grosseria pela grosseria?


Minha caixa de e-mails amanheceu cheia de compartilhamentos grosseiros e feios. Mais de cinquenta fotos absolutamente ridículas, com conotações sexuais, sem mensagem alguma, e as que continham mensagens, eram textos que diziam coisas como 'compartilhe isto' ou 'Se não gostou, azar o seu.'   Fotografias que nada de bom tinham a mostrar, a maioria, sem mensagens, apenas as fotos grosseiras que denotavam a má educação de quem as partilhou. Muitas vezes, uma fotografia com imagens 'pouco convencionais' pode ser justificável pela mensagem que a acompanha, mas quando não existe sequer um contexto - ou um texto - que as justifique, considero apenas puro mau gosto e grosseria de quem as envia.

Por este motivo, usei os recursos de compartilhamento do Google+ a fim de bloquear tal mensageira. E se um dia alguém sentir-se aborrecido pelas poucas mensagens e compartilhamentos que faço diariamente, basta usar o mesmo recurso. Não precisa ser grosseiro.

Um mundo melhor começa na frente do  portão de nossas casas.


sábado, 26 de janeiro de 2013

Se Assim Não Fosse...













Se Assim Não Fosse...



O mundo não é
Exatamente
Como tu imaginas!
Nem sempre, o amargo,
Nem sempre, o doce,
Pois se assim fosse,
Já nos bastaria
Escolher uma trilha!

Mas ah, não nos basta!...
Pois em cada esquina,
Há uma surpresa,
Há uma armadilha,
E a qualquer momento,
Tu podes ser ave,
Ou podes ser presa!

Sob o azul do céu
Tão belo, tão puro,
Escondem-se monstros
Por trás dos muros,
E apesar das flores,
De toda beleza,
A vida tem dores!

E se assim não fosse,
Qual graça seria
A de se viver,
Como aprenderias
A ser de verdade,
Como aprenderias
A morrer?

A vida não é sal,
A vida não é doce,
Mas é agridoce
A trama da vida,
E eu não gostaria


Se assim não fosse...


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Frases de Efeito Mais ou Menos Duradouro






"Quem bate às portas do inferno, não pode reclamar quando o diabo as abre!"


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"Quem convida o diabo para um café, não pode reclamar pelos seus maus modos!"


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"Quem aceita um convite do diabo, não tem direito a reclamar do calor do inferno!"



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"Quem venera outro ser humano, a fim de agradar e obter atenção, diminui a si mesmo!"


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"Quando o circo pega fogo, o palhaço esconde o fósforo... na gaveta do pierrot!"


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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Suavidade





As nuvens amanheceram qual um leve glacé cinzento que encobre o céu. Da minha janela, vejo a grama crescida, que precisa ser aparada... percebo a crítica que aparece espontaneamente - "Que precisa ser aparada" - e estraga um momento que poderia ser apenas lindo. 

Um casal de Cambaxirras vasculha o gramado a procura de comida, e para eles, a grama está perfeita assim.

No quintal do vizinho, as cores suaves da cerejeira. Um Bem-te-vi faz um voo rasante sobre a água da piscina. Silêncio.

Nós e nossas inúteis preocupações ... todas elas, sem razão de ser. Pois o que está consumado, é fato; o que se consumará, é destino.

Quisera ser como os pássaros, e receber cada manhã como uma dádiva, sem questionamentos, sem julgamentos e sem ansiedades. Eu às vezes consigo fazê-lo, e quando consigo, é tão bom, e o dia, perfeito! Mesmo que alguma coisa dê errado.

Abro a mão, e solto as rédeas do dia. Hoje.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Só Sofre Quem é Mau!




Esta é a nova máxima que roda pela internet: "Só sofre quem é mau!" Os que são bons - como todos já estão cansados de saber - só experimentam coisas boas na vida:

-Eles jamais perdem o emprego ou tem dificuldades financeiras.

-Não ficam doentes; tem tanta saúde, que podem até mesmo expor-se a perigos que seriam mortais aos pobres mortais!

-Seus entes queridos jamais adoecem ou morrem, nem mesmo quando envelhecem. Vivem para sempre!

-Não existem desgraças em volta deles; suas cidades não sofrem catástrofes em épocas de chuva, não tem violência (podem dormir de portas abertas durante a noite, pois Deus sempre os protege), os políticos são todos honestos, os vizinhos são perfeitos e maravilhosos.

-Jamais foram ou serão traídos, pois afinal de contas, quem ousaria trair alguém perfeito?

-Não erram; e se por um acaso, alguém insinua que eles também cometem erros, eles ficam furiosos!

-Podem falar em nome de Deus, e até mesmo oferecer explicações para qualquer tristeza que ocorra na casa de seu vizinho - e a explicação é sempre a mesma: "Você está passando por isso porque é mau! Se fosse bom como eu, jamais sofreria!"

-Falam mal da liberdade - ou seja - da Liberdade de Expressão alheia, mas se esquecem de que para falar mal do outro, também estão, eles próprios, desfrutando da sua Liberdade - ou seja, liberdade de expressão!

-Julgam-se sempre vítimas da inveja alheia, e nem percebem que propagam tais coisas apenas para sentirem-se melhores que os outros. Principalmente, porque na visão deles, só quem é invejado,  tem talento. Disfarçam sua falta de talento através da fofoca e da intriga, dizendo-se vítimas alheias, quando na verdade, são algozes de si mesmos!

Ah, meu Deus, livrai-me de fazer parte dessa lista de gente que não sofre, que não tem sangue nas veias, que não se emociona, que não tem senso de humor e acha que dar risada é coisa de gente sem classe, e que está isenta das vicissitudes da vida! Livrai-me, Senhor, de ficar arrotando hipocrisia e maldade pelos cantos! Livrai-me, Senhor, de viver de insinuações; quando eu realmente  precisar ser grosseira, que eu o faça claramente, com todas as letras, para que fique tudo bem explicado e bem entendido! Livrai-me da covardia de tecer insinuações apenas para evitar confrontos! Antes, fazei com que jamais me falte coragem e ombridade para dizer o que penso, se eu achar necessário, à pessoa em questão, e não à torcida do Flamengo!

Enfim, Senhor, livrai-me dessa gente sem espinha dorsal, sem gosto e sem sal. Livrai-me do mal, ou seja, do Mal!

Invariável






Ainda há pouco, eu estava vasculhando as páginas de um livro sobre saúde, procurando por dicas de alimentos que facilitem a cicatrização. Não achei o que procurava, mas achei algumas folhas em papel-carta de seda, dobradas no meio do livro. Ao abri-las, constatei que tinham sido escritas pela minha mãe - não me lembro quando ela as escreveu, ou quando ela as deu para mim, mas sei que com certeza, estão dentro deste livro há muitos anos. Por mero acaso (?) eu as encontrei agora.

Trata-se de um poema. Eu o postarei aqui exatamente como o encontrei.




Invariável  - autor: J.J. Nunes Libre
Segundo lugar no concurso de poesias em Mauá



Seguir na vida sem memórias
Perder a lucidez como as certezas
Quando a noite vem,
Deixar que o tempo leve
Em verões e primaveras
Em brisas e tempestades
Aquilo que a ventura trouxe.
De que nos valem a raiva ou a ira,
Se o mundo impiedoso nos tira
A tudo em sua hora?

Primeiro vão
O ósseo e a ilusão
Dos mais remotos dias
A seguir, o romance pérfido e traiçoeiro
Das muitas auroras
De um mesmo dia.
Mais tarde, vão-se
As crenças, as memórias, os motivos...
É quando por fim, se vai a esperança,
E se apaga o brilho do olhar,
(mesmo que em pranto)
E se fecha o sorriso
(mesmo o de amargor);
E é nesse preciso momento
Que o caminho se divide em dois: por uma trilha 

É a hora em que o último suspiro de crepúsculo se rompe
E a nós, suspensos no nada
Mas absoluto e infinito,
Resta o espetáculo:
Vemos o pano cair,
A noite chegar,
E com ela levar
Uma carcaça vazia,
Sem sonhos, sem ilusões,
Sem esperanças, sem iras,
E sem mais nada...

O outro rumo,
Por tão estreito,
Por tantos ignorado,
Esse nos traz uma brisa morna,
O sopro de algum deus esquecido,
Talvez amor, talvez parecido,
E nele o ocaso é diverso:
O céu é limpo,
E o vermelho é excesso
Num misto de fantasia e de susto.
A noite vem, mais lenta,
Dando forma e brilho,
Ao sonho perdido:
Uma estrela!
E não mais sozinho
Se percorre o indevassável caminho dos pensamentos...

Mas não se iluda!
A poucos são destinados esses momentos
E a menos ainda,
Sua ventura,
Pois no meio da noite escura
A ventania arromba portas
E destrói janelas,
para com elas
Saciar o sádico capricho
De restituir a perda e o dano
Para quem como louco e insano
Sem coordenar os próprios desejos,
Por esse resgate impossível
Grite o grito inconcebível
Dos animais, dilacerando o peito
E grandes jazer sem mais segredos, sem credos,
E sem tudo de novo,
A de espalhar por toda parte
O inverno aos descontentes
E o terror por toda parte.

E assim finda sempre
A humana sorte:
Ou a loucura te entregas
Ou te entregas à morte!



Desculpas...





Ah, as desculpas que inventamos para não fazermos as coisas que precisam ser feitas!... E nem me venha dizendo que sempre faz tudo o que é preciso, pois se você é um ser humano normal, não faz mesmo! Pense bem: quem foi que nunca...

-Cancelou um compromisso porque a cama estava quentinha de manhã?

-Deu uma desculpa esfarrapada para não ir a uma festa, após aceitar o convite, simplesmente porque estava com preguiça ou tinha alguma coisa melhor para fazer?

-Adiou o início de algo importante, como um curso que representaria um progresso profissional, apenas porque teria que acordar uma hora mais cedo, ou chegar em casa duas hora mais tarde?

-Deixou a dieta para segunda feira, e depois, segunda feira que vem, e que vem, e que vem ... e nunca chega? (Ai, eu que o diga!...).

Bem, eu acho que não tem nada de errado em sermos humanos! O problema, é quando a gente começa a sabotar os nossos planos devido à preguiça, pura e simplesmente... uma vez eu li em algum lugar que o nosso maior medo, não é o de fracassar, mas de obter sucesso. Aquilo me fez pensar em todas as vezes em que eu poderia ter sido bem sucedida em alguma coisa, mas não fui forte o suficiente para assumir a responsabilidade. Porque aceitar o sucesso é muito mais difícil que aceitar o fracasso! Bem, isto não parece muito óbvio dito assim, mas é  a mais pura verdade...

Às vezes, aceitar o sucesso pode  significar afastar-se das pessoas que nos dão conforto e que acreditamos serem nossas amigas, mas que na hora em que você sobe um degrauzinho que seja acima delas, elas viram as costas para você e começam a fofocar sobre o quanto você ficou 'besta' de repente. Mas quando você fracassa, ah, lá estarão elas, para dar-lhe todo o apoio naquela hora tão difícil! Eu acho que é por isso que muitas vezes a gente se auto-sabota sem perceber. Além da preguiça, é claro.

Mas somos sempre muito criativos ao inventarmos as nossas desculpas; por exemplo, inventamos histórias mirabolantes sobre coisas urgentemente inadiáveis que nos fazem ter que - aparentemente contritos de dor e de culpa - desistirmos dos nossos compromissos realmente urgentes e inadiáveis. Somos criaturas tão curiosas... fico imaginando um ser de outro planeta, nos assistindo pela TV, e vendo os bastidores de nossas vidas - como as outras pessoas que nos veem não podem enxergar - e sabendo de todos os nossos motivos para inventarmos motivos! Este ET deve ficar um tanto intrigado com nossas reações.

Na verdade, somos todos maus exemplos a serem seguidos. E como seguimos os maus exemplos uns dos outros com afinco!



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Moça da Foto






A moça da foto hoje está longe,
E aguarda seu amanhecer
Plácida, de olhos bem fechados,
Navega o barco de Caronte.
A moça da foto, em seus dias,
Foi triste e feliz, anã gigante
Que flutuava em fantasia
E que perdia-se no Antes.
A moça da foto teve sonhos,
Alguns felizes, realizados
E a maioria,  esquecidos
Aos pés da vida, amarelados.
A moça da foto teve medos,
Segredos que não revelava
Desgostos muitos, que chorava,
E que a seguiam pela estrada.
A moça da foto perdeu muito,
Tanto, que logo se esquecia,
Ficava à espera de outro dia
Que lhe apagasse suas tristezas.
A moça da foto não foi rica,
Não pertenceu à realeza,
Foi só uma vida como tantas
Que se perdeu na correnteza.
A moça da foto já foi triste,
Mas encontrou a alegria
Nas coisas mais simples do dia,
Na natureza, na beleza.
A moça da foto apaixonou-se
E também desapaixonou-se
Teve no peito um amor lacrado
Que ficou sempre bem guardado.
A moça da foto amava a vida,
A natureza, a dança, o riso,
Via a beleza numa flor
E reaprendeu o que é amor.
A moça da foto envelheceu,
E viu secarem seus jardins
Na agonia e na amargura
Dos corações que não se abriram.





Cortinas








As cortinas servem não apenas para enfeitar as janelas, mas para oferecer privacidade aos moradores da casa, e cortar um pouco a luz em certas horas do dia. Podem ser feitas de vários materiais, mas pessoalmente, não aprecio as cortinas pesadas e com muito pano. Gosto das fluidas, leves, esvoaçantes cortinas de voil e seda, com suas transparências, que levantam suas saias toda vez que o vento sopra, como se estivessem dançando um suave balé. Acho que tenho algum grau de claustrofobia, pois janelas fechadas e cômodos abafados e escuros demais me deixam muito desconfortável. Os blackouts, então... eu simplesmente os detesto! Aquelas coisas horrorosas de pano ou plástico que enegrecem o dia, pesando nas janelas... ah, como eu odeio os blackouts!
Uma casa precisa de luz. Precisa respirar!
Minha irmã sabe fazer cortinas muito bem. Lembro-me de que era moda, há alguns anos, cortinas cheias de pano, com sanefas de cores diferentes, bandôs encimando as janelas, enfim, uma parafernália de coisas que só servem para acumular poeira e deixar o ambiente escuro e abafado. Quando nos mudamos para a casa nova, ela fez para mim umas cortininhas curtas, para o quarto de hóspedes, e desculpou-se pois utilizara sobras de voil e de um outro tecido caríssimo que usou para debruar as cortinas , e achava que tinham ficado ‘pobres’ demais. Mas eu as adorei, e estão lá até hoje! E todo mundo que dorme naquele quarto, adora as cortinas.
Cortinas sugerem mistério, algo escondido... mas também revelam paisagens, e se abrem para os espetáculos dos palcos dos teatros. Quando alguém morre, podemos dizer que as cortinas se fecharam. Todos nos lembramos dos tempos das ‘cortinas de ferro.’ Por trás das cortinas, escolhemos as máscaras que usaremos durante o dia. E à noite, sentimo-nos seguros para tirá-las, quando fechamos as cortinas.



Mandrágora

Teu Nome – raiz de mandrágora Perpassando o meu caminho, Me fazendo tropeçar... Um dragão adormecido Em isolada cave...