Quando Tudo Era Lindo







Quando Tudo Era Lindo


Será o piano tocando,
Música de fundo do meu dia?
Só sei que de repente,
Me veio uma tristeza,
Ao pensar que antes
Era tudo mais lindo...

Acordar bem cedo,
Os pais conversando na cozinha,
Sons abafados
De quem ainda estava dormindo...
Lá fora, os passarinhos,
Um galo cantando ao longe
E a certeza de que eu era querida
E estava sempre
Protegida.

Hoje, somos todos tão sozinhos!
Criamos tantos abismos,
Mas nos esquecemos das pontes.
Não criamos asas,
Há paredes demais nas casas...

Nos esquecemos de que um dia,
Secam todas as fontes
Quando abandonadas,
Quebram-se as calçadas, fazendo gretas,
Por onde a chuva escorre,
Gastando caminhos.

Deixamos, no chão,
Apenas as pegadas
De uma estrada perdida, esquecida,
Por onde não passa mais nada.

Sim, talvez seja o piano...

Mas é que hoje eu me lembrei
De tantas coisas que passaram,
De tantos rostos sorridentes,
Das histórias que contei
E das que um dia, me contaram...

Olho para fora; nuvem cinzenta sobre as casas,
Com rasgos de azul aqui e ali.
Parece que o ceú desenha uma esperança,
Como quem ensaia, numa dança,
Os passos de um ressurgir.

Acho que é o piano... talvez seja mesmo.
E agora, esse violino... 


Comentários

  1. O teu Poema/Desabafo é uma visão até talvez muito soft do que terão gerações vindouras deste universo que teimamos em destruir com o nosso egoísmo.

    Sim, ANA, talvez reste um PIANO, talvez também venha um VIOLINO...
    E quem os usará ?
    Restará ALGUÉM ?

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  2. Ana, descobri este seu 2º blog e vim conhecer...
    Sempre há esperança e a música alegra, renova e clareia nosso coração e mente!
    "Parece que o céu desenha uma esperança, como quem ensaia numa dança, os passos de um ressurgir."

    Do Céu sempre vem ESPERANÇA e os conflitos são dissipados!!

    Beijos


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  3. As flores já foram uma linda poesia pra mim, e o poema lindo tbém.

    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  4. Ana Bailune

    O poema é lindo, mas muito voltado para o passado. Claro que é interessante recordar o passado, mas sempre com olhos postos no futuro.
    Beijos

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  5. O violino tornou o céu da minha
    boca azul
    os versos eram notas na boca
    de uma tuba
    que recitava doces de caramelos

    que belos versos

    Luiz Alfredo - poeta

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  6. É tudo lindo quando a comunicação flui e o sorriso aberto impera. Sem pensar, somos nós que levantamos os muros. E sentimos saudade do espaço dos pátios. Bjs.

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  7. Os sons abafados, os cheiros, as cores, os lugares enormes... No nosso imaginário, recordamos a infância e adolescência como um local protegido, onde, verdadeiramente, nada de grave ou irremediável podia acontecer.
    Estes seus versos fizeram-me lembrar um Fado (género musical português, cantado principalmente em Lisboa e, também em Coimbra, mas estes último com características algo diferentes. Deixo-lhe aqui a letra e o link para ouvir o Fado

    É tão bom ser pequenino (2)
    Letra: Carlos Conde
    Música: Popular
    Repertório: Alfredo Marceneiro
    Notas: Fado Corrido
    “É TÃO BOM SER PEQUENINO”

    É tão bom ser pequenino
    Ter pai, ter mãe, ter avós
    Ter esperança no destino
    E ter quem goste de nós

    A velhice traz revés
    Mas depois da meninice
    Há quem adore a velhice
    Para ser menino outra vez
    Ser menino que altivez
    De optimismo e desatino
    Ver tudo bom e divino
    Tudo esperança, tudo fé
    Enquanto a vida assim é
    É tão bom ser pequenino


    Ver tudo com alegria
    Sem delongas sem demoras
    Viver a vida numa hora
    Eternidade num dia
    Ter na mente a fantasia
    Dum bem que ninguém supôs
    Ter crença sonhar a sós
    Com a grandeza deste mundo
    E para bem mais profundo
    Ter pai, ter mãe, ter avós

    Ter muito elevo a sonhar
    Acordar e ter carinho
    Ter este Mundo inteirinho
    No brilho do nosso olhar
    Viver alheio ao penar
    Deste orbe torpe ferino
    Julgar-se eterno menino
    Supor-se eterna criança
    E num destino sem esperança
    Ter esperança no destino

    Oh! Desventura, Oh! Saudade
    Causas da minha inconstância
    Dai-me pedaços de infância
    Retalhos de mocidade
    Dai-me a doce claridade
    Roubando-a ao tempo atroz
    Eu queria ter a minha voz
    Para cantar o meu passado
    E é tão bom cantar o fado
    E ter quem goste de nós.

    http://www.portaldofado.net/component/option,com_jmovies/Itemid,336/task,detail/id,1233/

    - Link para ouvir o fado cantado por Alfredo Marceneiro, já falecido há muitos anos, que foi umaa das "vozes mais marcantes do Fado de Lisboa.

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