terça-feira, 2 de julho de 2013

In memoriam






Sob o teu nome, eu li: "In Memoriam." Lembrei-me do teu riso solto e fácil. Coisas boas me vieram à cabeça, e também, as piores coisas.

Lembrei-me de você pequeno, correndo pela casa com seus primos, andando de bicicleta no quintal, fazendo manha, gargalhando. Lembrei-me de você com o uniforme da escola, e nas festinhas de aniversário. Revi fotografias onde ficou guardado o teu sorriso, e a tua presença entre os amigos. Era sempre tão difícil encontrar uma foto na qual você estava só!

Lembrei-me de você durante as suas aulas de inglês, aos sábados de manhã, quando você e a Dani vinham juntos, e das conversas depois da aula, quando descíamos a rua à pé, falando dos planos para um futuro que não aconteceu.

As coisas boas de se lembrar logo foram sendo substituidas pelo que vivemos nos teus últimos dias.

Lembrei-me daquele último ano novo, do quanto foi difícil festejar, tentar encontrar algum motivo para sorrir, sabendo que aquele era o teu último ano novo. Lembrei-me daquele telefonema, o último que você me fez, numa sexta-feira de manhã, aos prantos: "Tia, eu não estou bem. Estou com muita raiva." Eu, daqui, não sabia o que dizer para te consolar, então, eu disse: "Chore, coloque tudo isso para fora. Soque um travesseiro, mas não guarde essa raiva." E você respondeu, já rindo: "Mas tia, eu já estou todo ferrado, e se eu for socar um travesseiro e me ferrar mais ainda?" 

Desliguei o telefone rindo, mas só Deus sabe como eu me sentia.

Vi a mim mesma agarrada àquele par de muletas, na recepção do hospital, chorando em público como eu jamais havia feito na vida. Ouvi novamente o toque do telefone naquela terça-feira de janeiro, a pior de minha vida. Ouvi os passos do meu marido descendo devagar as escadas, e parando antes de chegar ao final. Ouvi-o chamar meu nome, e ao olhar nos olhos dele, eu soube.

Vi teus amigos escrevendo mensagens de adeus com tinta branca sobre a madeira escura. 

Voltei agora ao teu nome, escrito no trabalho de faculdade que teus amigos vieram trazer para mostrar à sua mãe, tanto tempo depois. Sob, está escrito: "In Memoriam." E mesmo depois de tanto tempo, eles não te esqueceram; vieram de tão longe para entregar este presente à sua mãe. Com certeza, eles sabem do quanto este trabalho foi importante para você. A pesquisa foi aceita por uma universidade dos Estados Unidos! E você terá seu nome nele para sempre, junto aos nomes de seus amigos.

O trabalho agora está aqui comigo, em minha casa, para que eu o traduza. Mas toda vez que abro o envelope, eu me lembro. Um dia, talvez eu consiga traduzi-lo. 




E já que você adorava O Senhor dos Anéis...


May It Be
May it be an evening star
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road
Oh!How far you are from home

Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you know

May it be the shadows call
Will fly away
May it be your journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun

Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

A promise lives within you now






Que Seja
Que uma estrela do anoitecer
Brilhe sobre você
Que quando a escuridão cair
Seu coração seja verdadeiro
Você caminha por uma estrada solitária
Oh! Como você está longe de casa

Mornie utúlië (a escuridão veio)
Acredite e encontrará seu caminho
Mornie alantië (a escuridão caiu)
Uma promessa vive dentro de você agora

Que o chamado das sombras
Fuja
Que sua jornada continue
Para iluminar o dia
Quando a noite for superada
Você poderá se erguer para encontrar o sol

Mornie utúlië (a escuridão veio)
Acredite e encontrará seu caminho
Mornie alantië (a escuridão caiu)
Uma promessa vive dentro de você agora

Uma promessa vive dentro de você agora



6 comentários:

  1. Boa noite amiga Ana, li todo o texto, é mesmo muito difícil dizer adeus, a sensação é de que viverão eternamente em nossas mentes, em nossos corações com certeza viverão, com certeza!
    Pessoas queridas que fizeram parte de nossas vidas!
    Linda homenagem minha amiga, acredito que seu sobrinho está vendo isso!
    Beijos!

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  2. Olá, querida Ana
    Amor de tia é bem singular... sofri muito por causa de um sobrinho órfão e ele já está bem agora... com filhas gêmeas e feliz...
    O seu está no Céu e nos Braços de Deus, sendo assim: melhor do que todos nós, certamente!!!
    Porém, a gente está na carne ainda e a saudade arrebenta o nosso coração de tia... Perdi uma sobrinha mas aos três mesinhos, era linda e se parecia uma bonequinha...
    "Seu" menino é lindo também!!! (não deixou de ser)...
    Parabéns pela partilha tão pessoal e embargada na emoção... senti daqui...
    Bjm de pesar e solidariedade

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  3. Ana, estou aqui um tempão parada diante da tela sem saber o que dizer(...)
    ¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨¨*¨¨*¨*

    "Voltei agora ao teu nome, escrito no trabalho de faculdade que teus amigos vieram trazer para mostrar à sua mãe, tanto tempo depois. Sob, está escrito: "In Memoriam." E mesmo depois de tanto tempo, eles não te esqueceram; vieram de tão longe para entregar este presente à sua mãe. Com certeza, eles sabem do quanto este trabalho foi importante para você. A pesquisa foi aceita por uma universidade dos Estados Unidos! E você terá seu nome nele para sempre, junto aos nomes de seus amigos."
    (...)
    ¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨**¨*¨*¨*¨*¨*¨*

    Fique bem Ana!
    LU

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  4. Oi Ana, emocionante poste. A morte faz parte da vida mas não aceitamos e quando ele é precoce, mais anda . feliz de quem deixa um lindo sorriso de lembrança. Com certeza, hoje ele é uma estrala no céu.
    Abraços, uma linda noite.

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  5. Amiga, toda perda é espessamente traumática. Bem, não sei em que acreditas. Entretanto, vou lhe dizer uma coisa, eu não acredito na morte. Nunca acreditei! Vejo a morte sinceramente como um rito de passagem, ou seja, saímos da dimensão Terra, em que vivemos, e passamos a uma outra dimensão. Completamente imperceptível a maioria dos mortais... (continuo por e-mail). Fraterno abraço, Marco.

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  6. Ana..muito triste tudo isto,emocionante também e a maneira com que você relata o fato nos faz ficar sem palavras para comentar.São fatos da vida que jamais entenderemos os porques.Só a fé em algo Superior a nós poderá dar algum consolo.Agora li o comentário do Marco Rocca acima e concordo com ele..há,com certeza,uma outra dimensão,eu sem querer já recebi prova disso.

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