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Mostrando postagens de Março, 2012

Aventuras em Minas

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Há muitos anos - tantos, que nem me lembro se foi em 2004 ou 2007, quem sabe, um pouco antes ou depois - meu marido e eu saímos em uma aventura pelas cidades históricas de Minas Gerais. Foi durante o mês de inverno mais frio, ou seja, junho. Tínhamos planejado apenas o nosso quartel general, que ficaria localizado em Tiradentes. O resto, deixamos ao acaso. Não tínhamos roteiro.



Foi uma viagem e tanto! Acho que a melhor que eu já fiz na vida. Fomos de carro, parando quando tínhamos vontade, e virando as curvas que desejávamos. Nada de planejamentos e horários.



Bem, ao chegarmos em Tiradentes, em pleno Festival de Inverno, achamos a cidadezinha lotada. Ainda bem que tínhamos feito reservas! E nossas reservas, feitas por telefone, foram em uma pequena pensão, uma das poucas que restavam que ainda tinha quartos vagos: a Pensão Uélerson. Isso mesmo, Uélerson!



Chegamos já no final da tarde de sábado, cansados e com fome. O lugar era extremamente simples, e meu marido coçou a cabeça ao ver…

A PASSAGEM DO TEMPO SOBRE AS COISAS - CORDEL

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A PASSAGEM DO TEMPO SOBRE AS COISAS
Tem coisas que o tempo apaga,  E outras que o tempo aviva... Ao mesmo tempo que apaga, Deixa sempre uma lembrança, E ao mesmo tempo que aviva, Varre da memória ativa Muita história já vivida Levando toda a esperança!
Tem coisas que o tempo mata, E outras que ressucita, Mas quando mata, ainda sobra Um resto que 'inda se agita E aquilo que ressucita Nunca traz tudo de volta, Deixa um fio de saudade No peito, ânsia que grita.
Tem coisas que o tempo apaga,  E outras que o tempo aviva... Da paixão, apaga o fogo Do amor, aviva a chama, E o coração de quem ama Permanece sempre aceso Enquanto da paixão pura Depois do incêndio na cama Sobra um carvão de loucura.
Tem coisas que o tempo apaga, E outras que o tempo aviva... Aviva um reencontrar-se, Apaga uma despedida... Mas deixa sempre uma história De chegadas e partidas, E no livro da memória Enfileirada em palavras  Uma dor lida e relida...
Tem coisas que o tempo apaga E outras que o tempo aviva... Apa…

FRAUDE

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Psychosocial I did my time, and I want out!  Cumpri minha pena, e quero sair So effusive fate,                          Destino tão efusivo It doesn't cut, this soul is not so vibrant. Não corta, esta alma não é tão vibrante The reckoning, the sickening.  A estimativa, o doentio Packaging, subversion.             Embalagem, subversão Pseudo-sacrosanct perversion      perversão pseudo-sacrossanta Go drill your deserts, go dig your graves! Vá furar seus desertos, cavar sua sepultura! Then fill your mouth with all the money you will save. E encher sua boca com todo o dinheiro que guardar Sinking in, getting smaller again.   Afundando, diminuindo outra vez I'm done! It has begun, I'm not the only one!  Terminei! Começou, não sou o único!
And the rain will kill us all.    E a chuva matará todos nós We throw ourselves against the wall.       Nos jogamos contra a parede But no one else can see.     Mas ninguém mais pode ver The preservation of the martyr in me.   A preservação…

A ANSIEDADE DO QUERER

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Muitas pessoas perdem tudo por desejarem ansiosamente. É como o homem que armou uma arapuca para pegar um pássaro, e quando o pássaro se aproximava, não pode conter sua ansiedade e saiu desembestado de trás da moita aonde se escondia, espantando o pássaro. Sei que é uma imagem cruel, mas é a melhor que consegui para ilustrar o que penso.
Acho que precisamos aprender a controlar a nossa ansiedade, e a jamais depositarmos a nossa felicidade na realização de alguma coisa. Antes de obtermos o que queremos, precisamos estar felizes e tranquilos. Então, e só então, estaremos prontos para colher o que plantamos. Agora veio-me uma outra idéia que li em algum texto, não me lembro de quem: a menininha que, na ansiedade de ver brotar a semente que tinha plantado, todos os dias tirava-a do vaso. Resultado: a planta não crescia nunca!
Eu acredito que o segredo está em:
1) Definir, com certeza, aquilo que se quer. Ninguém terá alguma coisa se, secretamente, luta contra ela! Muitos querem ter algum…

A ESPERANÇA

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A esperança teceu sua longa trança Cuidadosamente, aos fios dos meus cabelos. Por muito tempo, te confesso, adormeci Tendo esta trança enrodilhada entre meus dedos.
Atrás de mim a arrastei pelos caminhos, E vez ou outra, ela prendia-se entre espinhos, E por mais dor que me causasse a minha andança, Estava eu sempre a arrastar a esperança!
Dela eu vivia, adormecia, despertava, Sem perceber quão lentamente eu caminhava! Devido ao peso da esperança alimentada, Presos meus passos à esperança que arrastava!
Até que um dia, a esperança enfim, morreu. Tornei-me livre, muito mais leve, bem mais eu!


anabailune

O QUE ANDO FAZENDO?

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Bem, tenho tido um pouco mais de tempo livre, e a fim de ocupá-lo de maneira adequada, decidi aprender coisas novas. Por exemplo: dia desses, achei que seria legal e divertido aprender a fazer PPS - aqueles slides com musiquinha e mensagens edificantes que a gente manda por email. Fiquei a tarde toda no power point e na net, buscando informações e fazendo experiências. Após algumas horas, fotos, escolha de música, textos e alguns palavrões, terminei meu primeiro PPS.

Apertei lá: "exibir slides."

A surpresa que eu esperava não aconteceu. O troço ficou preso no primeiro slide, e a musiquinha só tocou após uns dois minutos. Como a coisa não andava, resolvi clicar para ver o próximo slide, e a cada clique e mudança de slide, a música recomeçava do zero. Apaguei tudo, e vou tentar de novo mais tarde. Muito mais tarde. Mas não vou desistir!

Sábado passado, decidi que ia aprender a formatar o computador, e que nunca mais encheria a paciência dos meus pobres sobrinhos para virem aq…

CAFÉ COM O DIABO

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CAFÉ COM O DIABO




Bateram à porta, em uma tarde de quinta-feira, logo após o almoço. Estava pronta para tirar uma soneca na rede da varanda, e a batida incomodou-me. Fingi não estar em casa, mas a criatura do outro lado da porta insistiu. Já estava quase aos socos, quando eu abri a porta, pronta a dar uma bronca daquelas, e deparei com aquele ser bizarro; desarmei-me, diante de tanta peculiaridade:


Ele era marrom-esverdeado, e tinha um par de chifres pequeninos na testa. Cabelos curtos e crespos, avermelhados. Dentes pontiagudos e língua bipartida. Os olhos eram verde-esmeralda, as pupilas, finas como as de uma cobra. Os pés – exatamente como na Divina Comédia de Dante – terminavam em cascos. As mãos eram peludas, dedos e unhas compridos. 


Ele segurava a cauda pontuda em uma das mãos, fazendo-a rodopiar, e com o outro braço, apoiava-se no tridente, de maneira relaxada e displicente.


Eu tinha a impressão de que já nos encontráramos antes, mas não conseguia me lembrar de onde, exatament…

VOO INFINITO

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VOO INFINITO


Ah, pobre pássaro afoito!
Deixou-se seduzir pelo azul mortiço
De um céu que era teto,
E não infinito...
daquele breve voo,
Só restou a saudade,
Pois um voo de liberdade,
Não é feito só de asas!...

É preciso o vento,
Passando entre as penas,
E uma vontade firme
Que una o pássaro ao voo.
E que tudo se dê
Em uma manhã serena,
Culmine ao meio-dia,
E sobreviva ao por do sol.

À noite, há de se ter um ninho,
Que sirva de abrigo
Até o momento certo,
O do voo infinito...



APELO

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Um segredo escondido No canto da tarde, Num canto sofrido, Réquiem de estrelas Em meus ouvidos, Uma súplica caída Do Vale dos Esquecidos
Dizendo: "Lembrai de nós, Pois não somos mais ouvidos, Desmancha-se a nossa voz! E no pó que nos tornamos Resta aquilo que já fomos, O que ficou de nós...
Sob a pedra que nos guarda Haverá sempre um resquício, E o silêncio onde gritamos Chora a ausência do que fomos Sobre os sonhos já morridos Que nos foram arrancados Por esse sono forçado, Por esse corte dorido!"

SANDÁLIAS - um conto

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Sandálias




O coração dele disparou ao vê-la aproximar-se. Não era como as outras meninas que chegavam, interessadas nas pulseiras, colares e sandálias que ele fabricava. Já trabalhava naquele canto de praia há vários anos, montando sua barraca todas as manhãs e desmontando-a no final do dia. Estava acostumado à rotina de lindos corpos bronzeados, e por isso, sabia que não era apenas pela beleza do corpo, nem pelas cores deslumbrantes do florão da canga que ela trazia enrolada à cintura.
Talvez fosse a maneira como os cabelos castanho dourados se agitavam sinuosamente com o vento do mar... ou as esmeraldas que ele percebeu nos olhos dela.
Não era só aquilo; era exatamente aquela coisa que acontece e que é indefinível. Pronto: estava perdido, irremediavelmente perdido.
Pegar seus pertences e ir trabalhar todas as manhãs tornou-se um acontecimento diferente, bem longe da rotina que ele cumpria há anos; pois agora, ela estava lá. Sempre no mesmo horário, passava por ele sem notá-lo. Pas…

A MAGIA DE ESCREVER

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Acho que tenho passado tempo demais escrevendo... mas é uma das coisas que eu mais adoro fazer. 
As palavras e idéias vão surgindo e se entrelaçando... as frases se formam. Adiciono alguma imagem, que eu mesma fotografo e edito, e pronto: nasce mais uma crônica, poema, pensamento ou conto. E quando termino, fico como uma mãe coruja, contemplando meu bebê recém-nascido, mas isso não dura muito, pois logo vem a vontade de escrever mais um.
É um vício: até quando eu ando pela rua, tudo me faz ter mais uma idéia para uma crônica, poema, pensamento... acho que ando obcecada.
Sem contar com os benefícios psicológicos que o ato de escrever traz a todos nós. A gente fica se autoconhecendo (isso, quando não tentamos mascarar sentimentos e mentir para nós mesmos), e até a vida muda. Os relacionamentos, as interações. escrever, para mim, é vital. Gostaria muito de viver disso, nunca mais precisando fazer outra coisa para ganhar a vida.
Acho que viver é uma experiência riquíssima, e não consigo …

A FELICIDADE É VIRA-LATA

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Não, não se trata de briga; esses dois aí na foto fazem parte de uma turminha de cães abandonados que ficam sempre nos arredores da Praça D. Pedro, aqui em Petrópolis. Protegidos pelos motoristas de taxi do local e por algumas senhoras que os alimentam, eles já fazem parte da paisagem.
Já é costume das pessoas, parar para observá-los brincando sobre o gramado da praça. Às vezes, alguém lhes joga uma garrafa plástica, e a festa dura horas... pessoas param e sentam-se nos bancos da praça, enquanto algumas (como eu) resolvem tirar uma foto.
Ser cachorro de rua não deve ser fácil... nem sempre, o dia está bonito, e nem sempre seus 'protetores' estão por perto. O inverno Petropolitano pode ser duro, e na época das chuvas, é preciso encontrar um abrigo. Sem falar nas pessoas maldosas, que lhes atropelam ou envenenam. Felizmente, elas são a minoria absoluta!
Mas eu gosto de parar para observar estes cães, porque eles deixam o coração leve... não sabem quando será sua próxima refeiçã…

Rápida Crônica Nascida da Bruma

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Leve e rápida como a névoa que se dissipa sob os primeiros raios da manhã, assim deverá ser esta crônica. Ela ainda cheira a café recém-coado, e espreme-se, ansiosa, entre a vontade de nascer e a lida do dia, que me aguarda. Uma crônica de significados sutis.
Queria falar da beleza do acordar e sentir sob os pés os fios molhados de grama, em uma temperatura matinal de apenas onze graus. Ver-me refletida nos olhos amados de minha cadelinha Latifa, e poder tocar seu pelo macio e receber sua alegria como o segundo presente do dia.
Alguém me disse há alguns dias: "Viver bem e agradecer, é isto o que nos resta!" É isto que estou fazendo, a cada manhã e a cada fim de noite.
O sol agora já engoliu quase toda a neblina, e as gotas de orvalho brilham, enquanto morrem sobre o gramado, voltando ao lugar de onde vieram - o céu, em nuvens de vapor. Será que conosco?... Não; prometi que esta seria uma crônica leve.
E nasce esta crônica simples, feita da matéria etérea dos meus pensamento…

MAR DE SANGUE

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Já não posso navegar Por esse mar de sangue Cujas águas são tão densas, Que quebraram-se meus remos...

E a ilha que eu desejo Fica sempre mais distante! Já não posso navegar Por esse mar de sangue!

O meu barco, antes sereno, Hoje teme o abissal De onde nascem tantos monstros... (Todos de água e de sal?...)

Já não posso navegar Por esse mar de sangue, Minhas velas se rasgaram, Nem o vento a me levar...

Já não há nem mesmo um porto, Um cais para onde voltar, Estou só e sem guarida Bem no meio desse mar!

Talvez haja uma saída Se eu me deixar afundar,  Pois sobre esse mar de sangue, Já não posso navegar!


Para o povo do Afeganistão, que navega há tanto tempo entre o sangue, o medo e os monstros.

CEM MIL

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Cem Mil

Havia cem mil, Dos quais cinquenta Não tinham face, Uma falácia... Destes cem mil, Cinquenta mil no éter De uma falsa existência, A façanha de viver Múltiplas vidas  Mortas em uma...
Entre os cem mil,  apenas cinquenta Eram de verdade.
Aplausos!!! Risos...

Palavras

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Para um bom entendedor Meia palavra não basta... A metade de uma letra Jamais forma uma palavra.
Pelo crivo que me passas De mim, quase nada resta, E no fim da tua festa Meu champanhe se estraga.
A metade de uma boca Jamais diz alguma coisa Que nos seja inteligível Que nos faça algum sentido...
A palavra, se cortada, Só dirá meias verdades, Palavras despedaçadas Em algum texto ilegível.
Que a beleza sobreviva, Que a verdade seja dita, E, que de cabeça erguida, Caminhemos nessa lida!...



Mulheres Afegãs

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Elas varrem a poeira Que se deita sobre as coisas E que se gruda, em camadas, Nas mobílias e vassouras.


A poeira sempre volta, Vem nos ventos e sapatos, Nas palavras e nos atos Seculares, imutáveis...

Elas cortam as cebolas Que provocam sempre o choro Por aquilo que não foram E jamais virão a ser.

Elas parem muitos filhos, Elas calam e consentem Já nem sabem o que sentem, Não desejam, jamais brilham...

São dadas em casamento A quem elas jamais amam, A quem nunca há de amá-las Com total indiferença...

Pois uma mulher não pensa, Não opina, não contesta, Com os olhos baixos, varrem A poeira, após a festa.


Não conhecem a esperança, Dormem sempre um sono leve Que fará com que despertem A qualquer sinal de sonho.

Não conhecem outra vida, Todas são cópias exatas, São mulheres xerocadas, E em série produzidas.









ESTÁTUA ENTERRADA

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No meio da lama, a face Encovada. Dura, rígida, de pedra, Órbitas vazias, Face rachada.

Era a face de um santo, Mas não sei qual santo era, Tinha as palmas bem unidas, E um semblante de fera.

Desenterrei, com as mãos, O resto da estátua. Meu sangue pingou no chão Pela fé desenganada...

Santo, santo, se ao menos Eu soubesse teu nome, Quem sabe, falava contigo Sobre a minha fome...



Jamais Peço Perdão!

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Jamais peço perdão
Se não estou errada,
Não embarco por escolha
Em canoa furada,
Não calo a minha voz,
Não entro em contra-mão,
Não deixo o eu por nós,
Eu não peço perdão!



Não costumo voltar
Pra onde não me querem,
Não choro por aquilo
Que já não mais me serve...
Meu viver é tranquilo,
Eu não me aborreço
Mas eu sou toda ouvidos
Para perdoar seu erro!



Só não venha pedir-me
Para que eu me desculpe,
Pois nada fiz de mal
Para que alguém me culpe!
Jamais peço perdão
Se eu não estou errada,
E nem sou de chorar 
Por água derramada!



Existem sempre aquele
Que aponte e que me julgue,
Sem tentar compreender
Os meus reais motivos..
Existe uma coisinha
Que muito me atrapalha:
Acima da saudade
Coloco a dignidade!



Não, eu não peço perdão
A alguém que me destrata,
Me pisa, me escurraça,
Depois, diz que me ama...
Mentira eu não aprovo,
Não quero fazer drama,
Qual cobra, eu me renovo
Me solto dessa trama!



Não sou de me arrastar
Por onde não me querem,
Andar por entre sombras
Ter a boca tapada!
Eu não …