segunda-feira, 3 de setembro de 2012

o que vejo





As gotas de chuva são como pó
Purpurinas molhadas
Nas asas das borboletas.
O musgo do tronco, veludo molhado
Por onde caminha a lagarta
Sonhando com o futuro.



Pios de pássaros, afoitos bicos
Despedaçam cantos inteiros
Em fragmentos musicais
Que cabem melhor nos ouvidos...



Nuvens cinzentas e tão pesadas
Pairam sobre o nosso mundo,
Chovendo as gotas brilhantes
Que fazem a grama crescer tanto!...



Há um canto em meu jardim,
De onde eu observo o mundo
Diminuto que me cerca,
Onde pousam borboletas,
Joaninhas displicentes
De presença tão fugaz...



Quero ficar por aqui, entre o silêncio
Destes muros cobertos de hera...
Quero estar entre estas criaturas,
Feitas de asas e de pó,
De magia e de renda de espírito...
Quero fitar-me nas poças,
E enxergar, por trás, o céu.

Isto é o que vejo...


5 comentários:

  1. Bom dia, Ana. A sua visão é maravilhosa, repleta de encantamentos, que somente uma alma tão leve e pura poderia enxergar tanta magia e beleza!
    A Natureza favorece o nosso espírito e encore nossas tristezas!
    Excelente visão, parabéns!
    Beijos na alma!

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  2. Que bom se todos tivessem a tranquilidade de enxergar a beleza de um cantinho dentro de seu mundo!

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  3. kibom que tem o prazer de ver o belo... me remeteu ao contraste da sua visão com a visão de um favelado, de um que vive num lixão e a lembrança de que nesse nosso mundo existem os privilégios, mas também a lembrança que colhe-se o que se planta, seja qual época se planta, seja qual época se colhe e não há motivo para dor ou revolta e sim aceitação e a chance de plantar grão sadio. kibom que tem o prazer de ver o belo... me remeteu ao contraste da sua visão com a visão de um favelado, de um que vive num lixão e a lembrança de que nesse nosso mundo existem os privilégios, mas também a lembrança que colhe-se o que se planta, seja qual época se planta, seja qual época se colhe e não há motivo para dor ou revolta e sim aceitação e a chance de plantar grão sadio. Assim aprendi. Mas, não deixa de nos trazer certa nostalgia... muito bonito bjuuu

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  4. Olá que poesia maravilhosa, se permitir a seguirei! abraços

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  5. Oi Ana! como sempre, lindas poesias e versos. Quantas vezes nuvens pesadas pairam o nosso jardim e temos que ser fortes afastar essas nuvens e continuar na buca da tão sonhada felicidade. Obrigada pela visita, uma linda noite. Bjuss

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