sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Esconde-esconde








Brinca de esconde-esconde
Olha-me de trás da cerca,
Sobe a montanha e escorrega
Para cada vez mais longe...

Fica por trás da cortina,
Queda-se dentro de um livro,
Ou pendura-se às palavras
Em busca de um abrigo.

Visita-me em noites insones,
Dorme aos pés da minha cama,
Mas desperta sempre antes
Que a manhã nos encontre.

Caprichoso e tão mimado,
Ele me olha, calado,
Nos mais impróprios momentos
Querendo ser escutado!...

Se não o ouço, ele foge,
Desembesta pela mata
Ou voa para as estrelas
E de lá, ele me olha...

Acorda-me nas noites frias
Arranhando a minha porta,
Uivando desesperado
Pelas minhas horas mortas.

Mas quando eu o chamo, ele vem,
E aconchega-se, feliz
Na barra da minha saia;
Não o perco por um triz!

Pega minha mão, paciente
Descrevendo alguma cena,
Nos recônditos da mente
Renascendo em um poema.


4 comentários:

  1. O coração Ana, prega partidas, por um lado mas também nos pode encaminhar para um poema de encantar, como é o caso.
    Beijos

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  2. Que lindo, Ana!
    Ele vive em sua alma inquieta e inspiradíssima.

    Adorei!

    Beijo.

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  3. E que coisa mais linda este poema renascendo em tua mão.
    ELE é um grande amigo, com certeza!
    Um abraço

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