sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ENFERMARIA






Em volta,
Ossos quebrados,
Sonhos quebrados
E interrompidos,
Gemidos de dor.

Uma longa  e dorida espera,
Que, todos os dias, 
Tenta virar esperança
Ou desespero,
Metamorfoseando-se
Conforme nasce e morre
Cada dia.

À noite, a dor desperta,
E eles anseiam pela resposta
Às preces não ouvidas
Dirigidas a deuses egoístas.

A senhorinha reclama,
Sente saudades de casa,
Dos cães, das panelas,
Dos canteiros de ervas
Por ela plantadas...
O filho anda longe,
Não tem tempo,
Deixou todo o tempo que tinha
Naquela cama, com ela,
E o tempo ficou, não passa...

A outra, aguarda
Há dois meses, por uma cirurgia,
Enquanto quem deveria
Providenciá-la com urgência,
Conta a maldade nas notas que desviou.
Para cada nota, um milênio
Que com certeza, tal pessoa
Há de passar no inferno.

E o inferno é aqui,
Onde jazem, imóveis,
Por dias, por meses,
Enquanto os ossos soldam-se tortos...

Paraíso? Distante!
Palavra vaga e fria,
Rolando nas pupilas 
De cada paciente
Da enfermaria.

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