quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ASSIM É A VIDA



Torturo-te devagar
Para que não morras 
De dor extrema.
Dou-te um pouco de cor,
Dou-te um poema.

Vou ceifando laços
Do que não mais serve
E não quer ficar.
Deixo-te uma cena
Bucólica, amena,
Um braço de mar.

Torturo-te decepo
Ligações forçadas,
Forjadas no ninho;
Nos tocos doridos
Faço com que surjam
Novos caminhos.

E a graça de tudo
São as luzes que eu penduro
Por entre a escuridão
Que eu mesma provoco
Sempre que eu te toco
Com minha fria mão.

Torturo-te aos poucos
Com vários requintes
De doce crueldade,
Pois quero que saibas
Na ponta da espada
O que é realidade.

Se há um motivo,
Ninguém jamais disse,
Mas cumpro minha sina
De morder e assoprar,
De dar-te e tomar-te.
Assim é a vida.

4 comentários:

  1. Boa tarde, Ana. Maravilha de poema! Como traduz o que fazemos conosco, com as pessoas nessa jornada que chamamos de vida.
    Beijamos, deixamos de beijar, alegramos e causamos dor conscientes do que estamos fazendo.
    Somos nós os responsáveis por essas dualidades tão estranhas residentes em nos!
    Beijos na alma e fique na paz!

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  2. Não é somente um sexteto
    muito bem feito
    mui belo
    é uma dose de alcaloide
    que penetra no nosso ser
    é muito mais
    uma lição de vida
    poeticamente falando
    é curar uma profunda ferida
    com um poema
    com uma forma antiga
    com ritmo de uma cítara
    uma bela cantiga
    mui bela de amor

    Luiz Alfredo - poeta

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  3. A vida é cheia de '''graça'''. Essa é a nossa graça!


    bjsMeus

    Catita

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  4. Ana Minha querida, suas poesias são divinas, voc~e escreve realmente com a alma. Parabéns!! Obrigada pela visita e por deixar lindos comentários. Sua comtribuição tem sido muito valiosa. Uma linda noite e um final de semana na paz de Deus.

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