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sexta-feira, 19 de julho de 2013

DIAS DE VENTO







Libra é um signo do ar. Eu sou de libra, portanto, amo o vento. Gosto de sentar-me no jardim em dias de vento e conversar com ele, que me responde através dos sons de meus sinos de vento.
Ontem - terça feira - foi meu dia de faxina. Enquanto varria, aspirava, tirava o pó e esfregava, abri todas as janelas e portas da casa e pedi ao vento que me ajudasse. Eu limpava a sujeira física, e ele percorria os cantos, sacudindo as cortinas e banindo energias negativas acumuladas, ocasionais espíritos das trevas e maus pensamentos. 
Pus cobertores, almofadas, edredons e travesseiros ao sol, na varanda, e o vento sacudiu-lhes a poeira e os prováveis ácaros.
Ele passava assoviando, levando consigo para bem longe todas as impurezas. Eu cantava, e ele respondia. Ficamos nessa pareceria por toda a tarde. 
Quando finalmente terminamos, acendi alguns incensos pela casa e pelo jardim, e ele soprou o cheiro pelos quatro cantos, ajudando a perfumar tudo e acalmar as energias. 
Agradeci ao vento pela grande ajuda, enquanto ia fechando as portas e janelas, cerrando algumas cortinas e chamando São Jorge e meu Anjo Guardião para que Eles reenergizassem a casa toda.
O sol já ia se despedindo, e dentro da casa limpa e refrescada, paz e silêncio. Tomei uma chuveirada bem quente, coloquei uma roupa limpa e agradeci a todos os meus ajudantes.
Em resposta, o vento assoviou de leve pela greta da janela.



AVENTURAS EM PORTUGAL






Texto inspirado nas dificuldades e diferenças linguísticas entre o português falado no Brasil e o português falado em Portugal.




Entramos naquele restaurante maravilhoso – eu e meu amigo português. Uma garçonete mal-humorada aproximou-se de nossa mesa, estendendo-me o cardápio. Dentre tantas variedades de pratos, achei melhor que ela sugerisse alguma coisa. Franzindo o cenho, ela respondeu:
- Sugiro a punheta.
Olhei-a, sem acreditar no que acabara de ouvir! Meu amigo permanecia impassível, olhando o cardápio. Tentando não criar um caso, decidi:
-Vou comer uma bacalhoada.
Enquanto isso, meu amigo decidiu:
- De entrada, traga-nos cacetes amanteigados. Para beber, um sumo de laranja. Eu vou ficar com a punheta.
Aos berros, a garçonete faz o pedido:
-Dois cacetes amanteigados e sumo de laranja para a mesa oito! Uma bacalhoada e uma punheta!
Senti-me corar. Meu amigo percebeu, e achando que eu estava chocada pela maneira escandalosa da garçonete, ele comentou, rindo:
-Não te preocupes! Ela deve estar com histórias... com licença, vou ali cumprimentar meu amigo banheiro um minutinho e já volto.
Enquanto eu esperava a refeição, o celular do homem na mesa à esquerda tocou, e ao atendê-lo, ele disse: “Está lá?”
Naquele momento, entra no restaurante um grupo de crianças barulhentas, acompanhadas dos avós, supus, e o homem ao telefone diz:
-Como? O que disseste? Fala mais alto, pois acaba de adentrar uns canalhas barulhentos!
Fiquei escandalizada pela maneira como ele se referiu às crianças. Meu amigo voltou, e não querendo ser indiscreta, não comentei o assunto. Fizemos nossa refeição, que estava deliciosa, e chamando a garçonete, meu amigo pediu duas bicas. Também perguntou-lhe se ela sabia aonde ficava a paragem de autocarro mais próxima, o que ela nos informou entre grunhidos.
Deixamos o restaurante. Meu amigo perguntou-me se eu não gostaria de olhar as montras, e sem graça, eu respondi que não (não tinha a menor ideia sobre o que ele estava sugerindo que eu olhasse). Então, ele pediu-me licença, dizendo que precisava ir comprar fita-cola para sua esposa, e eu sorri, pois sabia exatamente o que aquilo significava. Orgulhosa pela minha inteligência, afirmei, caprichando no sotaque de Portugal:
-Entendi! Vais comprar durex!
Meu amigo me olhou como se eu fosse de outro planeta, corando muito, e respondeu-me:
-Não! Já disse, vou comprar fita-cola! Enquanto isso, fique lá naquela bicha a guardar nosso lugar!
Olhei para o lugar que ele estava apontando, e vi um homem afeminado parado em um ponto de ônibus. Pensei no quanto seria preconceituoso referir-se a um gay daquela maneira no Brasil! Indignada, perguntei:
-Onde queres que eu fique?
E meu amigo, já impaciente:
-Ali, naquela bicha, junto ao paneleiro!
Olhei, mas não vi panela alguma... mesmo assim, fui até o lugar que ele me indicou, e dez minutos depois, meu amigo estava de volta. Estendeu-me uma caixa de goma de mascar, oferecendo:
-Queres uma pastilha elástica?
Por via das dúvidas, agradeci e recusei. Naquele momento, nosso ônibus chegou. Acho que devido à longa viagem e a tudo o que havia ingerido no restaurante, comecei a sentir-me um pouco enjoada. Meu amigo sugeriu que fôssemos a uma farmácia para que eu tomasse uma pica digestiva.
Agradeci novamente, e disse que já me sentia bem melhor.
Ele comentou:
-Antes tivesses comido a punheta!
Concordei com ele, só para não perder o amigo.


Glossário


punheta: bacalhau cru desfiado
cacetes: paezinhos
estra com histórias: ficar menstruada
banheiro - salva-vidas
Está lá? - alô?
canalhas - grupo de crianças
bica - cafezinho
paragem de autocarro - ponto de ônibus
montra - vitrine
fita-cola - durex
durex - camisinha
bicha - fila
paneleiro - gay
pastilha elástica - goma de mascar
pica - injeção

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sobre Passar Roupas




Sobre Passar Roupas


Quando não gostamos de fazer alguma coisa, existem técnicas neurolinguísticas avançadas, nacionais e importadas, para nos ajudar a fazer com que elas tornem-se suportáveis - ou quem sabe, agradáveis. Uma vez, li em um livro zen que todo mundo deveria fazer, todos os dias, alguma coisa da qual não gosta, como disciplina de espírito. 

Bem, depende da coisa! Imaginem só, se um heterossexual convicto decide disciplinar o espírito cedendo aos domínios da carne como se fosse um homossexual, ou vice-versa? Não daria certo... Ou se a sogra decide fazer faxina na casa da nora todo final de semana, apenas pela disciplina espiritual? As delegacias andariam ainda mais cheias!

Bem, mas vamos voltar a falar das coisas simples, pois nem toda frase de efeito é necessariamente prática. Quais são, afinal, as vantagens de se passar roupas?

1) A roupa fica passada, e a gente não fica andando por aí feito um maltrapilha.

2) Podemos exercitar o braço direito. É bom trocar de vez em quando, para exercitar o braço esquerdo também.

3) Podemos aproveitar para ouvir um pouco de música; basta pegar o CD portátil e tentar relaxar... de repente, podemos cantar junto! E bem alto! Quem canta, seus males espanta, e quem sabe, alguém escuta e se oferece para passar a roupa no nosso lugar, contanto que paremos de cantar?

4) Quando a gente termina e põe tudo arrumadinho no armário, fica tudo bonitinho e cheiroso, e por algum tempo, se houver visitas intrometidas na casa, elas elogiarão a sua organização.

5) A gente tem tempo para pensar nas coisas. Bem, nem sempre isso será positivo... se você estiver meio-brigada com o cara-metade, pode sentir-se tentada a queimar aquela camisa caríssima, favorita dele... OK, só um pouquinho, ali nas costas. Ele vai vestir e nem vai perceber (só os outros).

Pensando bem, passar roupa até que é bom... não é não?


Punhal





PUNHAL





Havia um punhal na bainha,
Acomodado à cintura,
Um punhal bem afiado,
Brilhando na noite escura...

Havia um punhal, e eu o via,
Mas não soube, ninguém disse
Se ele ali estava, em riste,
Para cortar os nós da corda
Ou da concórdia, os laços...

Mas sei que senti sua presença
No meio daquele abraço...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Batendo um Bolo





BATENDO UM BOLO

Hoje acordei com vontade de comer bolo. Não aqueles bolos maravilhosos que compramos na padaria, embalados em saquinhos plásticos e cheirando a pecado. Não; queria um bolo simples. Um bolo-família, como os da Tia Rosa.

Lembrei-me da época em que ela nos fazia suas visitas, trazendo sempre um saco de maçãs. Conversa vai, conversa vem... quatro horas da tarde. Boa hora para tomar um café. Café com bolo. Ela dizia:
"Ruth (minha mãe), pega os ingredientes que eu vou bater um bolo." E minha irmã e eu ficávamos sentadas à mesa da cozinha perto dela, enquanto nossa mãe untava a forma e batia as claras em neve à mão, pois não tínhamos batedeira. Tia Rosa colocava as gemas e o açúcar, misturava bem, formando uma farofa, depois acrescentava a manteiga, o leite, e finalmente, o trigo. Batia vigorosamente. Batia também nas nossas mãos ansiosas por enfiar o dedo na massa: "Assim desanda a massa", ela dizia, fingindo que estava zangada.

Enquanto isso, o sol de final de tarde entrava pela janela da cozinha.
Depois, ela acrescentava o fermento, as claras em neve e esquentava o forno. Derramava a massa na forma untada, picava maçãs por cima... e minha mãe preparava o café no coador de pano.

Se uma de nós abrisse a porta da cozinha, ela ralhava, dizendo: "Fecha a porta, ou o bolo embucha! Não se abre porta em cima de forno quente, menina!"

Os bolos da Tia Rosa tinham sempre uma fofura que até hoje, não consegui copiar. Hoje de manhã, tentei seguir os mesmos passos que ela, rigorosamente, mas cometi um pequeno erro, eu acho: usei a batedeira. Ao invés de maçãs, bananas. Esquentei o forno, derramei a massa na forma untada. Após dez minutos, o cheiro já começava a se espalhar pela casa. O tempo todo, parecia que ela estava de pé atrás de mim, dizendo: "As claras ainda não estão no ponto. Pique as bananas mais fininhas. Unte bem a forma."

Sempre há um pouco de ansiedade nos segundos que antecedem a retirada de uma forma de bolo do forno. Estará murcho? Graças a Deus, saiu uma cuca de bananas quase perfeita. Só seria perfeita se a Tia Rosa a tivesse feito. Coei o café (na cafeteira elétrica, filtro de papel) e comecei meu dia com uma grossa fatia de bolo.





Afazeres






AFAZERES


O dia nasce, impreterivelmente, desbancando o sono e o cansaço. Olho da janela e vejo que o quintal precisa ser varrido, e a grama, limpa. Os pássaros comeram todas as bananas, e a água dos colibris deve ser trocada.

Preparo o café, enquanto ligo o computador e checo meus e-mails. Logo depois, vou lá para fora, dar o lanchinho dos cães, o remédio, o bom dia. Carinho matinal. Tomo meu café, e nisso, chegam os pedreiros. 

Ligar para minha irmã, ver se ela está bem. Lavar a louça da preguiça noturna. Preparar o almoço, varrer a casa, fazer a cama. Roupas para passar... tudo de novo! Quanto mais as passo, mais a pilha cresce...

Bom dia ao vizinho; como ele está de saúde? Recupera-se? Sim, agora está tudo bem. Mais um dia. 

Devo limpar os armários da cozinha e espalhar neles alguns cravos, contra as formiguinhas. Não é que funciona mesmo? Coloquei dois no açucareiro, e os sucos e cafés ficam com um gostinho ao fundo... ainda bem que gosto de cravos. 

Muitos afazeres... toda uma semana deixada para trás, quando quase nada foi feito, limpo ou arrumado. Ainda preciso preparar a aula da noite. Encomendar a ração dos cães... Nossa, quanta poeira sobre a mesinha da sala! Vamos limpando!

Água. Sabão. Colocar os panos de limpeza de molho no alvejante. Sou - volto a ser - uma dona de casa. Meus tempos de heroína acabaram.



ENYA




Eithne Ní Bhraonáin, conhecida como Enya, (Gaoth Dobhair, 17 de maio de 1961) é uma catora, instrumentista e compositora irlandesa. Enya é uma transliteração aproximada de como Eithne é pronunciado na língua Irlandesa.


Começou sua carreira musical em 1980, e se juntou rapidamente à banda Clannad, de sua família, antes de sair para prosseguir com sua carreira solo. Através de seu álbum Watermark, que foi lançado em 1988, obteve reconhecimento internacional, e Enya ficou conhecida por seu som único, que foi caracterizado por camadas de voz, melodias folk, cenários sintetizados e reverberações etéreas.





Enya continuou fazendo sucesso constante durante os anos 1990 e 2000. Seu álbum de 2000, A Day Without Rain, obteve vendas recordes (mais de 15 milhões) e foi o álbum mais vendido por uma artista feminina em 2001. Enya é a artista solo que mais vende e, do país, é oficialmente a segunda maior exportadora musical, depois da banda U2. Ao todo, Enya vendeu mais de 75 milhões de discos. Seu trabalho lhe rendeu, entre outras coisas, uma indicação ao Oscar. Ela é conhecida por ter cantado em 10 línguas diferentes durante sua carreira até agora. Enya é uma das artistas femininas que mais vendeu álbuns nos Estados Unidos, com mais de 26 milhões de cópias no país. Em 2005, lançou o bem recebido disco Amarantine, cantando algumas músicas na língua Loxian, desenvolvida pelo casal Ryan.





 Em 2008, lançou o disco And Winter Came, cujos temas principais são o Natal e o Inverno. Enya é uma das musicistas mais talentosas e originais da atualidade, preferindo o sucesso musical à mera fama. Disse em uma entrevista: "Eu tenho uma vida muito privada. É muito importante para a música, eu penso que a razão porque consigo ter uma vida privada, é porque a música é maior que eu. Alguns artistas são maiores que a música".



Enya ama gatos. Em uma entrevista publicada em 1988, quando indagada sobre animais de estimação, respondeu: "Eu tenho um gato. Amo gatos, houve uma época que possuía doze. São uma grande felicidade. Eles ficam deitados ao sol e quando vêem a mim sobem em meu pescoço."

O compositor de clássico favorito de Enya é Sergei Rachmaninoff.



Os hobbies de Enya incluem assistir a filmes de romance em preto e branco, colecionar artwork (ilustrações: desenhos e fotografias que são preparados para serem incluídos em um livro ou em propaganda), ler e pintar.







Fonte: Wikepedia



A tristeza Fecha as Janelas



A tristeza fecha as janelas,
Todas elas.

Deixa no ar um som de lamento,
Causa uma dor que olha para fora
Da escuridão que está
Do lado de  dentro.

A tristeza pode não dar nenhum momento de paz,
Nenhum  momento!...

Pinta de negro as cores de um dia,
Renega tentativas
De qualquer paz, qualquer alegria,
A tristeza não perdoa,
E quando dói, é dor fremente,
Doa a quem doer...

A tristeza recolhe-se em si mesma,
Planta gavinhas no coração,
Que se agarram cada vez mais.

A tristeza não perdoa:
Faz chorar qualquer sorriso...

Mas a tristeza, quando vem,
Traz sempre consigo uma mensagem,
Que se encontra no final
De uma estrada escura, e talvez, longa,
Mas somente quem a cruza,
Sem negação, vencendo o medo,
Poderá reencontrar 
Sua alegria, e a si mesmo.





terça-feira, 16 de julho de 2013

Colagem




Ponha ali, bem à esquerda, 
Um pedacinho de azul,
Mas que seja bem clarinho,
Como o céu num final de tarde.

Deixe que a chuva caia
E espalhe pelo dia
Um cheiro de terra molhada,
Formando poças de espelhos
Para refletir o céu.

Coloque do outro lado,
Roseiras e margaridas
Flores em rosa e lilás,
E uma poltrona macia
Para eu ver o por do sol.

Lá longe, ponha eucaliptos,
Pinheiros, cedros, ipês,
Fruteiras, um jacarandá
E um salgueiro chorão
Para ser meu companheiro.

Coloque no centro de tudo,
As lembranças mais bonitas,
Aquelas, que trazem-nos vozes,
E imagens coloridas.

Escolha uma trilha sonora
Para cada movimento,
Salpique estrelas de prata,
Deixe o luar branco e redondo
Bem no centro.

Cubra tudo com beijo de vento,
E perfume de café;
Emoldure com cuidado,
Pois esta,
É a minha vida,
É...


A Morte Não é Nada - Santo Agostinho




Santo Agostinho: A morte não é nada.





A morte não é nada. 
Eu somente passei 
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, 
eu continuarei sendo.

Me deem o nome 
que vocês sempre me deram, 
falem comigo 
como vocês sempre fizeram.



Vocês continuam vivendo 
no mundo das criaturas, 
eu estou vivendo 
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene 
ou triste, continuem a rir 
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi, 
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.



A vida significa tudo 
o que ela sempre significou, 
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora 
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora 
de suas vistas?

Eu não estou longe, 
apenas estou 
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Partidas Sem Chegadas





Partidas Sem Chegadas


Naquele braço de rio,
Um barco tão esperado
Que nunca, jamais chegou...
E o braço fica esticado,
Desenhando no horizonte
A esperança malograda.

Tarde esquecida, noite parda,
Sem luar e sem estrelas...
Nas águas do rio, mágoas,
Sono agitado na esteira.

Naquele braço de rio
Não houve barcos ou águas
Que trouxessem algum alento,
Que lavassem tantas mágoas!...

E a distância anunciada
Pelo silêncio total
Dos barcos que se perderam
Em mil portos diferentes
Que anunciam só partidas,
Mas partidas sem chegadas...

domingo, 14 de julho de 2013

Dias






Dias



Um a um, qual gotas esparsas,
Perfume de nuvem branca
Nas asas das garças
Que passam,
Penas que caem
Até que estanque o voo.

Pétalas roxas
Caídas do vaso de violetas.
Lagarta passando, lentamente,
Corpo em ondas sinuosas
E de repente,
-Passou!

Colar de contas enfileiradas,
Como os passos calculados
De uma jornada...

-Arrebenta,
Caem as contas,
Espalham-se,
Fio pendurado
Pendendo no vazio.

Nenhum sinal,
Nenhum aviso,
A brisa soprada que ergue a pluma
Arrancada
De uma asa que há muito
Não mais existe,
Mas fica a pena
(Da asa e da vida).

sábado, 13 de julho de 2013

Na Ilha Por Vezes Habitada





Poema do Romantismo


Autor: Manuel Antônio de Almeida






Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


Manuel Antônio de Almeida





Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII  na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.

Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.

O termo romântico refere-se ao movimento estético ou, em um sentido mais lato, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.

O Romantismo é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais. 



O culto à natureza e à imaginação já havia começado com os escoceses no século XIII, quando surgiram as primeiras histórias de cavaleiros e donzelas em verso. Nessa época, as narrativas eram chamadas de romance, palavra que deriva do advérbio latino romanice, que significa "na língua de Roma".

A origem do que viria a ser conhecido como "Romantismo", no entanto, fora plantada no século XVII, quando o "espírito clássico" começaria a ser contestado na Grã Bretanha

O Romantismo surgiu na Europa em uma época em que o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política, caíam sistemas de governo despóticos e surgia o liberalismo político(não confundir com o liberalismo econômico do Século XX). No campo social imperava o inconformismo. No campo artístico, o repúdio às regras. A Revolução Francesa é o clímax desse século de oposição.

Alguns autores neoclássicos já nutriam um sentimento mais tarde dito romântico antes de seu nascimento de fato, sendo assim chamados pré-românticos. Nesta classificação encaixam-se Francisco Goya e Bocage.

O Romantismo surge inicialmente naquela que futuramente seria a Alemanha e na Inglaterra. Na Alemanha, o Romantismo, teria, inclusive, fundamental importância na unificação germânica com o movimento Sturm und drang.

O Romantismo viria a se manifestar de forma bastante variada nas diferentes artes e marcaria, sobretudo, a literatura e a música (embora ele só venha a se manifestar realmente aqui mais tarde do que em outras artes). À medida que a escola foi sendo explorada, foram surgindo críticos à sua demasiada idealização da realidade. Destes críticos surgiu o movimento que daria forma ao Realismo.

No Brasil, o romantismo coincidiu com a Independência política do Brasil em 1822, com o Primeiro Reinado, com a Guerra do Paraguai e com a Campanha Abolicionista.

Fonte: Wikipedia


Quando Tudo Era Lindo







Quando Tudo Era Lindo


Será o piano tocando,
Música de fundo do meu dia?
Só sei que de repente,
Me veio uma tristeza,
Ao pensar que antes
Era tudo mais lindo...

Acordar bem cedo,
Os pais conversando na cozinha,
Sons abafados
De quem ainda estava dormindo...
Lá fora, os passarinhos,
Um galo cantando ao longe
E a certeza de que eu era querida
E estava sempre
Protegida.

Hoje, somos todos tão sozinhos!
Criamos tantos abismos,
Mas nos esquecemos das pontes.
Não criamos asas,
Há paredes demais nas casas...

Nos esquecemos de que um dia,
Secam todas as fontes
Quando abandonadas,
Quebram-se as calçadas, fazendo gretas,
Por onde a chuva escorre,
Gastando caminhos.

Deixamos, no chão,
Apenas as pegadas
De uma estrada perdida, esquecida,
Por onde não passa mais nada.

Sim, talvez seja o piano...

Mas é que hoje eu me lembrei
De tantas coisas que passaram,
De tantos rostos sorridentes,
Das histórias que contei
E das que um dia, me contaram...

Olho para fora; nuvem cinzenta sobre as casas,
Com rasgos de azul aqui e ali.
Parece que o ceú desenha uma esperança,
Como quem ensaia, numa dança,
Os passos de um ressurgir.

Acho que é o piano... talvez seja mesmo.
E agora, esse violino... 


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre Culpar os Pais






Sobre Culpar os Pais


É sempre complicado assumir a responsabilidade pelos nossos próprios erros e atrasos na vida. Quando muito jovens, alguns tendem a culpar os pais pela maioria de seus desacertos - e durante algum tempo, a psicologia vem contribuindo para que isto aconteça. Apesar de jamais desconsiderar a importância da psicologia no processo de autoconhecimento, acredito que inúmeras vezes ela tem criado rótulos que em nada o facilitam. 

Durante a infância, as impressões que vão ficando marcadas em nós podem ser muito importantes para ajudar a definir que tipo de adultos nós seremos; mas a qualquer momento, cada um deve ter a responsabilidade de escolher o próprio caminho e segui-lo sem a necessidade de culpar os pais, a escola, a sociedade ou as condições de vida pelo seu insucesso.

Vemos, muitas vezes, irmãos que foram criados sob as mesmas condições de vida (favoráveis ou não); enquanto alguns obtém sucesso e atingem seus objetivos, outros entregam-se ao exercício da lamentação e passam a responsabilizar os pais e as condições de vida por suas frustrações. Ora, se foram criados sob as mesmas condições, por que um deles atingiu o sucesso e o outro não? Não seria uma questão de esforço pessoal e dedicação?

Quando os filhos utilizam-se dos erros dos pais a fim de justificar os próprios erros, não percebem que, além de estarem sendo desrespeitosos em relação aos seres humanos que os pais são - pois sendo humano, quem não comete erros? -, na verdade, eles (os filhos) sabotam a si mesmos. Usam como desculpa para a inação o fato de que não tiveram bons exemplos a seguir; ora, exatamente por estarem conscientes deste fato, não teriam os filhos mais motivos para tentarem usar o que chamam de "a má vida dos pais" como um exemplo para melhorarem as próprias vidas?

Culpar os outros pelo seu próprio fracasso é como culpar a Deus porque choveu no dia do pic-nic. Não faz sentido. Apesar de muitas vezes, a convivência com os outros afetar as nossa vidas, somos nós quem temos a responsabilidade de fazer as nossas escolhas. E o tempo passa; se deixarmos para mais tarde, estaremos perdendo um tempo precioso! 

Ninguém vem para a vida com a intenção de errar. Todos nascemos e vivemos desejando fazer escolhas certas e sermos felizes, e acho que mesmo quando nós erramos, temos o direito de refazer o caminho, consertarmos nossos erros e seguir em frente. Acredito que uma das coisas mais tristes para um pai ou uma mãe, é quando um filho os despreza, apontando os erros que eles cometeram (e dos quais tentam poupar o filho ingrato), e escutam-no dizer em tom de condenação: "Mas quem é você para julgar-me?"

Se eu fosse a mãe, responderia:

"Eu sou sua mãe! Sou a pessoa por quem você deveria mostrar consideração e respeito, a pessoa que mais deseja a sua felicidade nesse mundo, e que jamais, em qualquer ocasião, seria capaz de agir de forma a desejar-lhe qualquer mal. Eu sou a mulher que o trouxe ao mundo, e quando eu deixá-lo, quero ter a certeza de que você será capaz de viver bem sem a minha presença, sabendo que eu o encaminhei bem na vida, e que contribuí para que você fosse uma pessoa de bem. Uma pessoa muito mais feliz e capaz do que eu mesma fui. Uma pessoa bem melhor do que eu."


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sobre a Dedicação



DEDICAÇÃO - por Simone Castilho



Ser dedicado é um ponto fundamental para alcançar o sucesso em qualquer coisa que fazemos, mas é fácil dedicar-se quando se gosta do que se faz; quando não é assim é preciso um pouco mais de esforço pessoal e motivação.

Dedicação significa devotamento, entrega, sacrifício.. e não é isso que fazemos quando queremos atingir um objetivo? Não nos sacrificamos? Não deixamos de fazer coisas priorizando outras?

Dedicação também significa manifestação de amor, apreço, consideração... não é isso que sentimos quando queremos muito alguma coisa? Não tornamos alguns objetivos em nossa vida, aquilo que mais prezamos?





Pois é, sem dedicação não conseguimos nada, ou melhor nada que valha a pena pois tudo que é bom tem um preço para ser conquistado.

Tudo na vida para ser bom, precisa de dedicação.

No trabalho, nos relacionamentos, nos esportes, no lazer... dedicar-se com entusiasmo àquilo que se quer, que se gosta, que se tem por objetivo é o segredo para a conquista, para a vitória.


Mãos Vazias




Pra ser feliz, às vezes
É preciso uma gota
De egoísmo...

-Vês?

A dor do outro
Quando nada há
Que possa ser feito,
Queima o peito,
Cala a voz!

Ah, triste cenário,
Ver que o que deve ser feito
Não o será,

Pois falta um simples gesto
De vontade própria,
Que não cabe em minhas mãos!

E eles seguem sempre,
Ansiando pelo perfume de uma rosa
Que jamais plantaram!



Ainda Bem que Existe a Poesia!...





Ainda Bem que Existe a Poesia!...


É tanta coisa, tanta, todo dia!
Da mais profunda e límpida tristeza
À beira da mais louca alegria...
E o sol se deita, e se levanta,
Todo santo dia!

Enquanto isso, a lágrima de esperança
Escorre devagar por entre os dedos,
Formando imensos, densos, tristes rios
Da mais total e pura nostalgia!...

-Ainda bem que existe a poesia!

E é ela quem derrama, entre linhas,
O doce do alcaçuz, o fel das rinhas,
A vida traduzida em verso e prosa,

Da cega e escura noite
À singeleza da rosa!

-Ainda bem que existe a poesia!

E quando vem a chuva, em gotas lindas
Fazendo transbordar muitas saudades,
É ela quem nos salva e nos resgata:
Uma consolação de pura arte!

-Ainda bem que existe a poesia!

E quando na memória mais profunda
Insiste a dor mais forte, mais fecunda,
De repente, nos chega um passarinho,
E a mente assim se solta, de mansinho...

-Ainda bem que existe a poesia!


terça-feira, 9 de julho de 2013



Eu Menina na Menina dos Teus Olhos


Te olho;
E quando te olho,
Me vejo menina
Nas tuas pupilas,
A brincar
Com a menina dos teus olhos.

Nos damos as mãos,
Corremos, cantamos,
E vemos tudo,
Como cores de algo novo:

A nossa casa,
O céu, as plantas,
A lua açucarada,
Docinhos de estrelas...

De mãos dadas brincamos
Dentro dos olhos,
Até que rolamos
Nas lágrimas,
Aterrisamos
Na grama orvalhada.

Corremos em rios
Entre risos e lágrimas,
E o que nos une
É que nos vemos,
Eu, nos teus olhos,
Tu, nos meus olhos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Respiração - por Monja Coen






"Se quiser conhecer a si mesma, a respiração é a corda que leva ao fundo do poço" - ouvi essa frase repetidas vezes durante minhas aulas semanais de Yoga.

"Respirar é preencher espaços" insiste sempre minha professora Walkiria Leitão.

Ela foi aluna do professor Shimada, de dona Inês, do professor Garoti e de tantos outros mestres e mestras de Yoga, Filosofia, Espiritualidade, Fisiologia.

Para ser intrutor, instrutora de Yoga ou do Zen Budismo, é preciso conhecer corpo-memte-espírito com grande intimidade.

Estar em contato com a respiração é estar em contato com nossa maior intimidade, com a essência que nos faz ser. Interser.




MInha superiora no Japão, a Abadessa do Mosteiro Feminino de Nagóia, Aoyama Shundo Docho Roshi costumava dizer que são necessários dez anos para se formar uma monja, vinte anos para se formar uma professora monja e trinta anos para se formar uma mestra zen. Não é assim mesmo? Muitas vezes queremos transpor etapas, procuramos atalhos, mas essa ansiedade apenas nos afasta do próprio Caminho, que náo é curto nem longo. É apenas, assim como é.

Inspirar e expirar conscientemente. Pausa. 
Inspiração. Pausa. Expiração longa, lenta, devagar.
Vai-se tornando sutil e profunda. Leve.

Não significa apenas que durante o Pranayama respiremos mais oxigênio. Pode ser o contrário. Mas criamos condições para que durante todo o dia possamos respirar melhor e oxigenar melhor as células de nosso corpo.

Vontade de respirar e não vontade de respirar.
Vontade de pensar e não vontade de pensar. Diferente de vontade de não pensar. Diferente de vontade de não respirar.

Depois de alguns exercícios de Pranayama, Marcos Rojo me surpreendeu com essas frases. Estávamos no encontro anual de Yoga e Budismo, em Ubatuba, nos feriados de Corpus Cristie.

Com que simplicidade profunda os ensinamentos sagrados eram transmitidos.

Suas palavras esclareciam aquilo que o fundador da minha ordem religiosa no Japão, Mestre Eihei Dogen (1200-1253) escreveu há tantos séculos:
"Existe o pensar, existe o não pensar e além do pensar e do não pensar."




Sempre achei difícil explicar em palavras o que isso significa. De repente, na aula de Yoga, lá estava, palpável, a experiência pura.
Inspirávamos, retínhamos o ar e expirávamos lentamente. E onde estavam os pensamentos? E a vontade de respirar ou de pensar?
O som da sala era o som das ondas do mar.

Muitas pessoas acreditam que meditar é silenciar a mente, evitar todo e qualquer pensamento, e assim se esforçam para não pensar. Quanto mais se esforçam mais difícil fica a meditação verdadeira, o samadhi profundo. Cria-se uma idéia, um conceito de samadhi. Há muitas pessoas que desistem de meditar porque não conseguem passar a barreira sem barreira, o portal sem portas do Zen.

Fiquei me lembrando de um retiro que fiz há cerca de trinta anos. Um dos meus primeiros sesshin (retiro zen silencioso). Eram muitas horas por dia sentada em zazen. O corpo reclamava da postura, a mente tentava romper a torrente de pensamentos, reclamações, resmungos. Estávamos já no terceiro ou quarto dia do sesshin. A dor nas pernas era insuportável. Resolvi seguir uma partícula de oxigênio. Estaria mesmo a seguindo? Respirei suavemente pelas narinas, percebi essa molécula entrando nos pulmões, passeando pelas artérias, chegando a meu pé direito, dobrado sobre a coxa esquerda. Depois fazendo a troca e o gas carbonico saindo, lenta, suavemente pelas narinas. Foi um momento mágico. Onde estava a dor? Onde ficaram os pensamentos?



Noutro momento aconteceu algo também extraordinário: percebi que se inspirasse e retivesse o ar e depois o soltasse lentamente, o abdomen se contraia e havia momentos em que parecia não precisar respirar. Sem esforço.
Como se meu próprio corpo me ensinasse princípios do pranayama.

Naquela época eu não conhecia nada do Yoga.
Continuo conhecendo muito pouco.
Mas, desde a minha primeira aula senti que havia encontrado um caminho maravilhoso. Caminho que completa e se ajusta à vida monástica, aos ensinamentos de Buda, ao conhecimento de mim mesma.

Mestre Zen Eihei Dogen (1200-1253) também escreveu:

"Estudar o Caminho de Buda é estudar a Si mesmo. Estudar a Si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado(a) por tudo que existe. É abandonar corpo e mente- seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e essa iluminação é colocada a serviço de todos os seres, de toda a existência"(do texto chamado Genjokoan- A realizaçao na vida diária)




Inspirando. Não inspirando.
Expirando. Não expirando.
Pensando. Não pensando.

Além, muito além, o yogui e o budista se encontram no topo da montanha mais alta, no mais profundo dos oceanos.
Parecem apenas pessoas simples, comuns. Mas, como são leves...

Mãos em prece

Monja Coen




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