quinta-feira, 1 de maio de 2014

Esquecimento





Que eu seja em tua vida
Como a gota que evapora
No espelho das tuas águas,
Primeira dor que se cura
Na lembrança das tuas mágoas.

Que eu seja a flor já seca
Que de manhã, jogas fora,
Que meu tempo em tua vida
Não tenha ontem ou agora,
Que a imagem que restou
Naquela fotografia
Não te faça recordar
Da mulher que fui, um dia.

Que eu seja em tua vida
O último raio de sol
Do último dia que reste,
O botão que cai, perdido,
Da beira das tuas vestes.

Que não recordes de mim
Nem sequer, do nome, a letra,
Que a minha voz resvale
Como a chuva nas valetas
E escorra para longe...

Que não fique um "quê", um "onde"
De mim, no teu pensamento,
Que a nossa vida inteira
Seja qual breve momento
Onde o encontro e o desencontro
De dois perfeitos estranhos
Por sua desimportância
Foi levado pelo vento...



2 comentários:

  1. Olá,
    Meus desejos de um bom feriado, para você.
    Abraços.

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  2. Olá Ana,
    Pois é, o "Momento" tem imensas vantagens, não há memória, portanto não há dor, nem tristeza, saudade ou desilusão.
    Gostei... Há momento em que precisávamos viver só o momento, sem memórias, sem sonhos, sem nada...
    Abraço

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