sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sobre Ayrton Senna





Ontem foi o vigésimo aniversário da morte de Senna. Ele morreu no dia do aniversário de minha mãe, e por isso recordo-me do acontecido com detalhes. Todos ficamos chocados. O país parou. Até mesmo seus inimigos declarados lamentaram (não sei se foi sincero, mas lamentaram). 

Ontem à noite assisti a um documentário sobre a vida dele, mais focado em sua carreira. Fiquei sabendo de coisas que eu nem imaginava, já que o mundo da Fórmula I é estranho para mim, e eu não acompanhava nem acompanho muito as corridas. Mas o que mais chamou-me a atenção, foi a oposição que Senna sofria. Tinha inimigos que faziam de tudo para prejudicá-lo, até mesmo tirando-lhe a melhor posição na Pole Position, conquistada com esforço, quando os dirigentes criaram regras de última hora que fizeram com que Senna tivesse que largar do lado ruim da pista, apenas para prejudicá-lo.

 Senna não compreendia e não aceitava a política dentro do mundo das corridas, e para ele, essa coisa de "Piloto principal tem que vencer" não existia - o que causou vários atritos com Alain Prost. Senna não via o francês como companheiro de equipe, mas como um adversário, quando ambos estavam na pista, e achava que o melhor venceria. E várias vezes, provou ser o melhor, o que irritou Prost.

Os métodos de Senna eram contestados, e os entrevistadores tentavam quase sempre colocá-lo em saia justa durante as entrevistas, acusando-o de direção perigosa - o que ele rebatia, afirmando que em corridas, todos praticam direção perigosa, e como se trata de uma competição, é assim que tem que ser. Vi, durante as reuniões com os pilotos, que ele recebia muitas indiretas e algumas diretas que muito o perturbavam. Sofreu grandes injustiças, mas jamais deixou de acreditar em si mesmo.

Ele foi forte. Teve a presença de espírito de combater seus oponentes onde era necessário - na pista - e muitos tiveram que render-se à sua capacidade superior. Ele era um predestinado. Acredito que algumas pessoas nascem predestinadas a brilhar, a mostrar que podem superar obstáculos. Houve uma Grande Prêmio no qual todas as marchas do carro, exceto a sexta, quebraram-se. Mas ele levou a corrida até o fim, e o esforço físico foi tanto, que ao final (após a vitória) ele sentia dores horríveis nos ombros. Mesmo assim, fez um último enorme esforço e ergueu a pesada taça.

Senna não era uma pessoa sutil. Dizia o que pensava, fosse a quem fosse, em qualquer lugar ou hora. Defendia suas ideias, se estivesse certo delas. Nada o desencorajava. Ele corria a corrida da vida sabendo que  qualquer curva poderia ser a última. Mesmo assim, não se deixava dominar pelo medo. Quantos de nós podemos dizer que fazemos a mesma coisa?

Antes da sua última corrida, segundo declarações de sua irmã Viviane Senna, ele abriu a Bíblia em busca de uma resposta (ele era muito espiritualizado) e encontrou uma passagem na qual Deus dizia que, naquele dia, Ele lhe daria um grande presente: o encontro consigo mesmo. Incrível, não?

Sem a menor sombra de dúvida, Senna foi e continua sendo uma das personalidades mais marcantes do Brasil e do mundo, não apenas na Fórmula I, mas na vida em si. 


7 comentários:

  1. Amiga Ana, cada pessoa nasce com um dom, ele teve esse lindo dom e com certeza sabia sim que iria naquele dia, pois há almas que sabem bem disso, pessoas íntegras, que não se deixam abater, que amam o que fazem, ele sempre sabia o que fazia, foi paixão pelo esporte, mesmo porque quem gosta de correr sabe do risco que corre, parece ironia, mas é assim, correr é correr risco!
    Almas elevadas nem se preocupam com isso, eu acho!
    Saudade enorme, sempre iremos sentir, sempre!
    Abraços linda amiga!

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  2. Ana, fui e sou uma dos muitos admiradores de Sena. Não somente por seu talento, mas pelo ser humano que era. E pelo orgulho de ser brasileiro que sempre fez questão de demonstrar. Quantas vezes, o seu gesto de levar a bandeira, não fez renascer a auto-estima em um povo menosprezado? Ainda bem que ele viveu um tempo em que bananas não eram jogadas em latino-americanos...

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  3. Um homem lindo por fora e mais lindo por dentro.

    bjokas =)

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  4. Me lembro até hoje deste dia, minha amiga chorava como se alguém da familia
    tivesse morrido , eu nuca entendi tal sentimento será que eu não tenho emoções.
    tenha um
    fim de semana.
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  5. Ana,saudade mesmo do Senna! Lembro que eu estava gravida e chorei muito quando soube pela TV! Que pena que perdi esse documentario,gostaria de ter assistido. Acredito tb que Senna é uma dessas pessoas especiais que vem ao mundo pra nos mostrar algumas coisas e parte logo. Ele deixou uma grande lição de persistencia e obstinação, coragem e trabalho! Texto excelente,adorei ler! bjs,

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  6. Olá, querida Ana
    Conheci um caso onde a moça disse que iria em busca da sua felicidade e morreu na estrada num acidente...
    Deus é um mistério em alguns casos mais...
    Gostei quando disse que não sabia se foi sincero o inimigo ao lamentar a sua ida... mas lamentou,mesmo assim...
    Seja feliz e abençoada!!!
    Bjm fraterno de paz e bem

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