Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2014

Ela Estava Ali

Imagem
Ela Estava ali, No vácuo morno Daquele momento, E um por-de-sol vermelho Escorria, lento, Pelas primeiras rugas de sua testa.
Cenho franzido, Ela observava  E absorvia.
Ela estava ali... Mas e depois, Para onde ela foi, Onde ela estava?...
Uma outra flor se abriu, E um outro sol se pôs Para outros olhos Que ali chegaram.


A LUZ NA PALMA DA MÃO

Imagem
Branca, leitosa, macia A luz na palma da mão Singrando as linhas da vida.
Por entre estradas perdidas Caminhos vários, silêncios Um porto pra cada vida.
Mas se a luz não chega até O porto do coração, O brilho será em vão...
Palavras soltas, vazias, Os dedos duros que apontam, O fel da melancolia...
Perder-se na fantasia De pensar poder voar Sobre toda escuridão
Derramando certa luz Que morre ao tocar o chão Pois não sai do coração...
Ah, e o orgulho disfarçado De santa sabedoria Traz sob a manga, um punhal
Que golpeia, com certeza, Embora entre mil disfarces Sem piedade e sem arte!

A Flor Branca

Imagem
Parecia ser a alma De alguma princesa Há muito morta.
Derramava-se toda Sobre a verde folhagem Junto à porta.
Seu meigo perfume Era algo entre o velório E as rosas.
Uma flor branca, nasceu sem ser plantada, Sem ser querida...
Mais uma discrepância, Doce ironia Da vida.



Não Sei

Imagem
Não sei se é a carta marcada, Ou se é uma dor chorada, Teu semblante tão sem cor (Ou face escura do Nada?...)
Se foi a poeira da estrada, Ou fruto do desamor, Não sei se é pacto feito (Ou será puro despeito?...)
Não sei se a vida é bandida, Ou se é praga rogada A linha escrita da trilha; Eu já não sei de mais nada!
Mas sei do sol que ilumina Tua estrada amargurada A qual, tu pensas, é sina, Mas é bênção disfarçada!
Não sei se há uma saída, Talvez haja uma chegada Não te dou uma resposta; -A palavra é sempre vasta...




Crianças Quebradas

Imagem
Aqui, uns ouvidos, Ali, um sorriso, Acolá, um abraço -Mas sem braços.
Um grito calado Do lado de lá, No chão, espalhados Sonhos em pedaços...
Futuro? Passado!... Olhares quebrados Perdidos no caos De um mundo tão louco..
Crianças aos cacos, Destinos selados Nas dobras rasgadas De um breve presente Que já foi tão pouco...


Incerteza

Imagem
Na boca, um riso guardado Voando sobre as planícies, Pairando azul sobre os prados.
No coração, o silêncio Descansando no perfume Macio dos musgos e cravos.
No olhar, tantas paisagens Guardadas no coração Durante a sua viagem...
E na alma, a incerteza Bordando o pano da vida De magia e de beleza.


Eu e Minha Melhor Amiga

Imagem
Era tão bom, quando caminhávamos juntas no comecinho da noite, a lua e o céu estrelado como testemunhas. Ela me olhava, como quem agradece a companhia, e embora em silêncio, tanta coisa era dita! 
Quando pequena, precisei encontrar uma maneira de domar seu caráter voluntarioso e conseguir chegar até ela, para que ela me aceitasse. Foram tempos muito conturbados! Cheguei a dizer que não gostava dela, e que não desejava a sua presença em minha vida. Mas ela me ensinou que o amor verdadeiro e a paciência sincera podem transformar-se em uma ponte entre dois corações, e logo, ficamos inseparáveis; daquele tipo de amigas que se compreendem sem nada dizer.
Excelente ouvinte, ela prestava atenção... sabia esperar quando eu precisava me ausentar, e não importava quanto tempo eu ficasse fora: era sempre recebida com sorrisos e carinhos, comemorações e alegria pela minha volta.
Minha amiga não falava muito com a boca, mas dizia tudo através de um simples olhar.  Eu a amava, e ela me amava!
Tão …

Conversa Com a Vida - Resenha

Imagem
CONVERSA COM A VIDA Cenyra Pinto Editora Vecchi S.A – 1977

Este é um belíssimo livro, no qual a escritora espírita Cenyra Pinto convida várias pessoas a dar depoimentos sobre momentos difíceis em suas vidas nos quais elas poderiam ter mais de mil razões para desistirem de viver; no entanto, estas pessoas deram a volta por cima, reafirmaram sua força e sua fé, construindo um caminho de aprendizado que tornou suas vidas mais ricas e bem melhores. São histórias verdadeiras, reais e carregadas de emoção. Com toda certeza, elas farão com que os leitores pensem sobre seus problemas e façam melhores escolhas. Entre os belos trechos contidos no livro, escolhi alguns para transcrever aqui; o primeiro deles, é parte da história do escritor Fernando Jorge Uchôa, portador de paralisia, que começou a manifestar-se quando este contava três anos de idade: “Fui operado. Uma, duas, seis vezes. Meu fim neste mundo quase chegou. Tive tétano, grangrena, septicemia. Desastres cirúrgicos. Certas partes do…

Compreensão

Imagem
Ando pondo tampões de paz em meus ouvidos E mordaças de silêncio sobre a minha boca Para que eu não me perca, Para que eu não fique louca.
As flores escutam as minhas preces murmuradas, E as sopram com seu perfume no vento, para o céu... Caem os véus, E entendo que a vida, mesmo curta, jamais é pouca.



Ilusão

Imagem
A ilusão Tem voz tão doce, Tez  perfumada, Olhares lânguidos, Suaves palavras...
A ilusão Tem passos leves, Brilho de estrela Quase apagada, Rosto de santa, Mas dedos agudos...
E as mãos pesadas...


Saudade

Imagem
Saudade, Palavra solúvel No acre das lágrimas.
Agudas pontas Que descem ferindo O céu da boca E a garganta.
Náufraga fragata No fundo azul Do peito.
Rio sem leito, Só correnteza Que embora corra, Não passa.




Via Dolorosa

Imagem
Ela notou (olhos no chão) Que cresciam flores Pelos cantos, Notou as cores, E o perfume das rosas...
E tudo isto Ao contar os passos Em sua Via Dolorosa.
Ela escutou Os cantos doces Sobre as árvores, Sentiu os raios Mornos do sol Tecendo carícias Sobre suas costas...
E tudo isto Ao contar os passos Em sua Via Dolorosa.
Ela encontrou Mãos estendidas, Sorrisos amigos, Amizades antigas, Ouviu conselhos, Palavras  fortes E consoladoras.
E tudo isto Ao contar os passos Em sua Via Dolorosa.
E as sombras foram Rareando, As cores dos dias Voltando, A esperança Rebrotou E abriu-se Na face das flores.
As dores Foram tornando-se Lembranças, Lições valorosas.
E tudo isto Ao contar os passos Em sua Via Dolorosa.



Feito Cegos em Tiroteio

Imagem
Embora muitos possam considerar a minha abordagem um tanto cínica - e na verdade, é mesmo - eu acho que a derrota vergonhosa e humilhante do Brasil contra a Alemanha foi mais que merecida. Acreditam alguns que tudo o que nos acontece é merecido e enviado a nós conforme as nossas obras. Não concordo muito com tal coisa, mas quem desejar tecer-me críticas devido a minha opinião, deveria pensar nesta possibilidade.
Há algum tempo, vimos  pessoas nas ruas protestando contra isso, contra aquilo, sem na verdade ter uma plataforma coerente sobre a qual organizar seus protestos. A ordem era: 'Somos contra, e pronto." Cada um naquelas passeatas protestavam por alguma coisa que lhe dizia respeito em nível pessoal - professores queriam melhores salários, alunos queriam melhor educação, usuários de transportes coletivos queriam passagens grátis, homossexuais queriam mais liberdade e respeito. Como eu previa, tais passeatas não deram em nada, pois cada um pensava apenas no que seria melh…

Ciclos

Imagem
CICLOS


As ondas batem na areia, Trazendo espumas de mar Que se desmancham na praia.

O galho brotando a folha, O trem apitando ao longe... -Som de encontros cruza o ar.

Ergue-se o sol de manhã Cobrindo o mundo de cores: Esperança a despertar!

Cada um que chega e parte Tem seu tempo e sua arte, Mas nada há de ficar!

Chega o sol ao seu ocaso E brilha a primeira estrela -Antes do dia acabar...
Tudo que chega e que vai Cumpre um tempo e uma missão Que ninguém sabe explicar..

Tudo é lindo, tudo é arte: As partidas e as chegadas Num constante renovar-se!

Cai a folha sobre a relva Sem pesar e sem escolha, Outro apito: o trem parte.




Toda Canção

Imagem
Toda canção nasce de um motivo, Talvez da ânsia De algum par de ouvidos.
E quando nasce, Alcança voos sustenidos E é apreciada, Mesmo que em silêncio contido...
Assim, eu canto, E nem sempre penso No que eu lanço;
E o que canto, é fruto nascido Da semente de algum desejo, Seja meu ou seu, Lançada na terra, Num gesto desabrido
Para nascer em flor, E ter abrigo Em algum coração que a sonha E está sofrido, Bordando ânsias  Em uma branca fronha.



MEU POEMA

Imagem
Meu poema não se prende Sob a sombra dos telhados Ou o cerco das paredes.
Voa livre, corre solto, Não se aquieta, não se cala Nas tramas finas das redes.
Descansa ao sol da manhã, E se põe ao arrebol; Volta num rastro de estrela, Renascendo de repente No miolo de um girassol.
Meu poema cai com a chuva, Ficando nas poças d'águas... Reflete o brilho da lua, Contém a lama das mágoas... De repente, se desmancha Em fileiras de sorrisos...
Meu poema sobe aos céus, Vislumbrando o paraíso... Mas às vezes, ele desce Chegando até o inferno, Ressuscita no verão, Dá seus frutos no inverno...
Meu poema não tem cordas Que o prendam a um estilo, Meu poema é vagabundo, E não precisa de brilhos. Voa solto com o vento, E não corre sobre trilhos.
Meu poema é alegoria, Revela aquilo que eu sinto, O que vejo pela vida, O que calo e o que minto.



DESESPERO

Imagem
Na beirada de um penhasco, Os pés hesitam; Percorrem a barra escarpada Mantendo os olhos fechados, Sentindo as pedras do solo E o perigo do abismo.
Um vento mais forte sopra -Ah, o suicídio!... Adrenalina nas veias, E um medo prisco!
(Vontade de mergulhar Ou de ser salvo? De mirar, de atirar, Ou de ser alvo?)
Caminho escorregadio E perigoso, Um espírito se arrisca No chão lodoso...
Brinca de se equilibrar Num precipício, Será loucura, pavor Ou será vício?