witch lady

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tudo Passa




Tudo nessa vida vai passando
Em vertiginosa velocidade:
Acontecimentos que se entremeiam,
Se transpassam,
Passam.

A dor mais aguda, a alegria,
A felicidade, a juventude,
A hora e o minuto, a noite, o dia,
Pessoas, lugares, e paisagens...

Tudo nessa vida vai passando
Em vertiginosa velocidade:
Lágrimas que caem, secam, marcam,
Risos brancos que amarelecem,
Dentes caem...

E as carnes vão ficando moles,
E os músculos vão perdendo a força,
E assim passam todos, a criança,
O jovem, o adulto, passa a moça...

E dentro da poça
De repente, o vislumbre
Do céu que fica, e jamais passa,
"O Sempre Céu" de Richard Bach,
Debaixo dele, os ossos ficam brancos...

E tudo passa, a dor, o medo, e a vergonha,
Memórias passam, tornam-se poeira,
E até mesmo as estrelas envelhecem,
E o pó da vida caído nas beiras
Será soprado pelo bafo do tempo
Que não tem piedade ou sentimento.

***
O tempo é como uma religião, pois ouve todas as orações que passam por ele, e sua única certeza, é o final.


Fôlego






Uma linda tarde, a de ontem. Minha irmã me telefona, convidando-me para passear pela cidade. Marcamos de nos encontrar na avenida, próximo ao Museu. Minha mãe veio com ela, e está animadíssima para começar o passeio!

Seguimos pela Rua Dezesseis de Março, e subimos a Nelson de Sá Earp. Almoçamos no Liberty Garden, e depois atravessamos a Praça da Liberdade, caminhando pela Koeller e a Ypiranga, em direção ao Parque Municipal. Paramos para descansar alguns minutos na pracinha em frente à Catedral, onde um grupo de turistas da terceira idade fazia um lanchinho: frutas, iogurte e sanduíches.

Percebo o quanto minha mãe tem fôlego... na volta, ela reclama que o sapato está machucando um pouco. Foi a sua única reclamação durante a tarde toda, e mesmo assim, porque eu perguntei - notei que ela estava meio-calada. 

Paramos no posto de gasolina da Treze de Maio para tomar um sorvete no McDonald's, e depois, por insistência minha, tomamos um ônibus até o centro da cidade - ela queria ir andando, mesmo com o sapato machucando o calcanhar!

Ao chegar no centro, eu já estava bem cansada... e descubro uma greve parcial dos rodoviários... o maior tumulto na avenida, e decido tomar um táxi para casa, enquanto ela, ainda toda serelepe, vai fazer compras com a minha irmã. Ufa! Graças a Deus ela é tão forte e saudável.... 

Só para lemrbar: ela tem 85 anos.




Descanso






Só queria um lugar para descansar,
Proteger-se do vento, pois estava triste,
Ofereci-lhe meu dedo em riste.

Só queria parar por alguns instantes
Para descansar suas asas doridas
De tanto perder-se a voar pela vida...

Dei-lhe tudo o que tinha; um aeroporto,
Um pouso seguro, um pouco de tempo
Mas ela se foi, pois era do vento...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dúbia




Seu sim, não;
Seu não, sim;
Talvez, jamais;
Seu nunca, sempre...

Dúbia, dúbia, dúbia,
Deveras mente!

Sorriso amarelo,
No peito, um degelo,
Olhar que observa,
Fixando-se inteiro
Na luz e na treva,
Caminho do meio,
Por cima do muro,
Metade ou inteiro...

Dúbia, dúbia, dúbia...
Se cala, grita,
Se grita, é rouca,
Se sóbria, insana,
Se sã, é louca!

Metaforando,
Observando,
O bote armando,
A língua ardendo
Dentro da boca...

Dúbia, dúbia, dúbia,
Não compreende, 
Ninguém a entende,
Se diz, não sente,
Se sente, cala,
Distorce a fala
Deveras, mente!

A Grande Transição da Terra - Resenha





Hoje em dia, qualquer um que erga a cabeça acima do próprio mundinho e veja, com olhos críticos, o caminho que estamos seguindo - tirando óbvias conclusões sobre aonde ele vai dar - é chamado de fanático, pessimista e até mesmo, louco.

Muito se ouve sobre o fim do mundo. Há pessoas que exageram nas cores, com o mero intuito de causar pânico e sensacionalismo, mas há também aquelas que, baseadas em uma visão crítica, trabalho de pesquisa e até mesmo, uma previsão de futuro que tem suas raízes na lógica, e não no misticismo exacerbado, podem chegar a tristes quadros sobre a nossa jornada aqui neste planeta que tanto maltratamos.

O mais incrível de tudo isto, é que somos a todo momento expostos às notícias, que nos mostram catástrofes ecológicas, crises financeiras, guerras e violência ocorrendo logo ali, na calçada de nossa casa, e após nos indignarmos por alguns breves instantes, logo saímos para o trabalho e esquecemos o fato. Nós não nos lembramos de tirar alguns minutos de folga para recostar a cabeça no coração do planeta, e ver que ele está batendo mais fracamente...

Uma destas pessoas que tem visão crítica (que passa bem longe do fanatismo e do sensacionalismo) e que tenta alertar-nos sobre o que está por vir, é Denis Moreira, em sua obra "A Grande Transição da terra," livro lançado em abril deste ano, e portanto, contendo as mais atualizadas pesquisas científicas, sócio-culturais e religiosas. Com muita sabedoria e bom senso, Denis Moreira fala-nos não do fim do mundo, mas do fim dos mundinhos. O fim dessa mania pervertida que temos de enxergarmos apenas os próprios umbigos e de nos preocuparmos apenas com o que vem ao encontro de nossos interesses pessoais e bem-estar momentâneos, sem darmos a mínima para as outras criaturas e para o planeta em que vivemos - como se pudéssemos viver sem ele!

Citando autoridades mundiais em meio-ambiente, como o cientista James Lovelock e o ambientalista Tim Flannery, Denis Moreira nos conduz a repensar nossas atitudes, alertando-nos de que a Grande Transição não está para começar a qualquer momento, mas que já estamos passando por ela, e que o doloroso desfecho, que está mais próximo do que se pensa, e que será visto ainda em nosso tempo de vida, já é irreversível. A alternativa? Preparar-nos para ele.

Quando acontece uma infecção bacteriana, para livramo-nos dela, é preciso que tomemos fortes medicamentos para matar as bactérias e re-estabelecer o equilíbrio do organismo. E foi exatamente nisto que nos transformamos: perigosas bactérias planetárias, de poder altamente destrutivo. O que virá daqui por diante, será apenas uma cura para o planeta.

Não haverá um fim do mundo, e sim, o fim dos mundinhos e o extermínio de grande parte da população da terra. O que, em minha humilde opinião, será uma graça para o planeta.

Com toda certeza, daqui a pouco, todos os que riem de homens como Denis Moreira, Tim Flannery, Stephen Hawking e James Lovelock (que foi ridicularizado pelos seus colegas nos anos sessenta) estarão chorando lágrimas amargas! 

Agora podem voltar aos seus mundinhos.






quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Apostas






Apostas sobrepostas
Nas bancas da vida:
Umas vencedoras,
Outras, vencidas...
Estradas fechadas,
Fontes ressequidas,
Palavras erradas,
Almas corroídas... 

Nem sempre, haverá
Faixas pintadas,
Muitas vezes,
Não há nada!...

Ninguém na chegada,
Apostas perdidas,
Silêncios pesados,
Cassinos fechados...

Quem sabe, a derrota
Seja bem mais fácil
Do que a vitória?...

E o esquecimento
Te traga mais paz
Que um dia de glória?

Faixa de Gaza





Faixa de Gaza

Enfaixados, um a um,
Os cadáveres e as almas
Lado a lado, empilhados
Desterrados, enterrados.

Amarrados aos escombros
Pelas faixas do rancor
Podridão, destruição,
Consumados no terror.

Dia e noite, noite e dia
Fuzis, bombas, rebeldia
Numa terra de ninguém
O algoz feito refém.

Todos rezam para Deus
A pedir que sejam salvos
E que sejam protegidos
De transformarem-se em alvos.

Deus retira-se, cansado
Ele mesmo , indiferente
Aos pedidos absurdos
Desta raça de dementes

Que não vê que em uma guerra
Não há nenhum vencedor
Nem vencido, apenas vítimas
De um constante desamor.

Em Breve




Em breve será noite,
E a brisa leve que transporta as nuvens,
Trará meus sonhos de volta,
Leves e macios,
Bastará que eu feche os olhos,
Entregando-me ao sono tardio.

Em breve, tudo será quieto,
Tudo em volta, um só mistério,
E apenas o velho relógio
Há de ser ouvido,
Marcando o compasso
Dos meus fracos passos
Até aquele sonho perdido...


Em breve, um negro abraço
Há de embalar o que resta
Dos meus tênues desejos,
Trocando-os pela promessa
Que ninguém nos prometeu,
Mas que da morte, cobramos,
Como quem nem sequer viveu...

Em breve, estarei sozinha,
E todos terão ido embora,
Deixando cair, pela última vez,
A última lágrima de saudade que restar...
Serei esquecida, varrida,
Com tudo o que ficar de mim 
Em outras vidas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Diante de um Olhar Vazio







Diante de Um Olhar Vazio


Diante de um olhar vazio,
Perdido nas ondas agitadas de um copo,
A vida passa, e não retorna.

Cada momento sendo bebido, tragado,
Virando ressaca
Dentro do teu olhar frouxo e dormente...

Olha, que a vida passa,
Ela passa, e não retorna
Para buscar quem não foi com ela!...
Olha, que a vida morre,
E ela se esconde, de repente,
N'algum buraco de terra,
Negro, frio e indigente!...

E mesmo que, ao reabrir dos olhos,
Tu lá estejas novamente,

A vida que passou mornamente
Não voltará atrás; é vida ida,
Perdida, largada e escorrida
Pelos esgotos da indiferença...

domingo, 5 de agosto de 2012

Flores Pelo Chão






As flores soltas voaram
Dos galhos pendentes
E pousaram suaves
No chão de cobalto...

Antes, lá do alto,
Contemplavam a vida,
Desejando o vôo
Liberdade
des
a
bri
da...
Que
da
li
vre...

O Vôo foi mágico,
O sentir da brisa...

E no fim,
O murchar da vida...

...Ou?...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Olhos Secos







OLHOS SECOS

Um homem sentado ao alpendre
Com seu olhar de boi manso
Contempla um fio de nuvem
Que some no azul do céu.

Aos seus pés, a terra seca
Onde brincam os seus filhos
De pés descalços e secos,
De olhos baços e secos,
Cabelos de arame seco,
E risos secos de fome.

"Quando será?..." um pergunta,
Estendendo-lhe a cuia vazia.
E o homem, com olhos de boi,
Aperta o chapéu contra o peito
Diz só: "Quando Deus quiser..."

Aos poucos, morrem-lhe os filhos,
Um a um, ele os sepulta.
Mas os olhos de boi manso
Há muito não choram mais...

Quem sabe, se Deus quiser,
Eles voltam a nascer
Do chão seco do sertão
Quando Deus mandar chover?

Ao Abrir dos Olhos










Angústia
Abrir os olhos
Dia chegou
Mais uma vez.

Descer ao mundo
E ver
Sem saber
O que me espera.

Bem lentamente
Me aproximo
E vejo
Teu olhar

Angústia
Olhas em volta
Fechando os olhos
Anoitecendo.

****


Texto escrito na época em que Aleph, meu cão (foto) estava despedindo-se deste mundo. Todos os dias pela manhã, eu acordava e descia as escadas para vê-lo, sem saber se o encontraria. Amei demais este cão, e hoje, existe em meu jardim uma pedra onde escrevi o nome dele.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Introspecção




Dentro da noite
Onde as horas dormem
A espera do dia,
Na chama da vela
Que bruxuleia
Na incerteza
Da lua cheia,
No cansaço
Das pálpebras
Que pesam,
Querendo adormecer

Para poder te ver,
para poder te ver...

Repousa, serena,
A minha esperança,
Que aos poucos, despede-se
Da minha certeza.

A nuvem que passa
No céu da madrugada
Carrega consigo
Um breve pedido:
"Amanheça!"

Abismo

Foto: Praia da Pipa, Natal-RN




O mar é lindo,
E assustador!...

Matizes de azul,
De verde, de espuma,
Que forma uma bruma
Quando as ondas morrem...

Meus olhos percorrem
Navegam, naufragam,
Percorrem o sob
Das ondas do mar...

Um vento sinistro
Faz arrepiar...

O mar é lindo,
E assustador!

A vida é pequena
Diante do mar!

Que Bobagem!





Eu às vezes penso:
"Que bobagem!
Se tudo isso o que vivemos
Não passa de uma viagem
E logo, logo,
Onde estaremos?"

E a vida de repente
Passa a ter outros valores,
Vejo algumas outras cores
Sobre tudo o que fizemos...

E o que importa, na verdade,
Se, enfim, nada sabemos?

Caminhamos, um a um,
Em direção a um destino
Que se estende, caprichoso,
Entre as flores e os espinhos!

E a única certeza
Nesse vale dividido
Entre prazeres e dores,
É que nem sequer sabemos
Em que porto atracaremos...

Quebrar-se-hão os espinhos,
Murcharão todas as flores.



Mulher Sem Saudades





Não tenho saudades, tenho lembranças.



A saudade é a vontade 


(Tresloucado sentimento) 


de reviver as vivências 


Que se perderam no tempo. 



A lembrança é o lembrar-se 


Do que de bom se viveu 


Sem querer emaranhar-se 


A um passado que morreu. 



Não tenho saudades, tenho lembranças.



A saudade dói, 


A lembrança faz sorrir. 


A saudade escraviza, 


A lembrança deixa ir. 


A saudade adoece, 


A lembrança apenas cura. 


A saudade contagia, 


A lembrança é sempre pura. 



Não tenho saudades, só tenho lembranças.



Pois o que se foi, ido está. 


O que acabou, se perdeu. 


Quem disse adeus, já partiu. 


E a lembrança é o que ficou 


Depois que a saudade morreu.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Abissal







Abissal


Escolhi do mar
As lembranças
Que desejei ter...
Quase afogada,
Pés atados pelas algas
Que tentavam me reter.

Um cavalo marinho,
Para cavalgar em meus sonhos salgados,
Uma estrela do mar,
Para fazer um pedido,
Uma tartaruga
Para eu, distraída, vir a perder,
Três peixes,
Que me ensinem a nadar sem morrer
E que me levem aonde está você.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Fé na Pedra - conto









Um dia, caminhando por um jardim público, em um momento no qual passava por uma imensa tristeza e muitas dificuldades, Julia vislumbrou através da nuvem de lágrimas que encobria seus olhos, alguma coisa que faiscava de brilho, no chão, alguns passos adiante. Secou as lágrimas com as costas da mão, e inclinando-se até o chão, pegou o objeto.

Era uma estranha pedra branco-azulada, com alguns veios dourados que mais pareciam estradas tão finas quanto fios de cabelo em seu interior. O mais incrível, é que ela tinha a forma perfeita de uma pirâmide.

Julia tinha lido, há algum tempo, que pirâmides eram objetos que continham muito poder e magia, e considerou seu achado como um presságio de boa sorte. Levou a pedra para casa, e colocou-a em seu pequeno altar, onde já moravam a imagem de São Jorge, em uma estátua, um vaso com flores sempre frescas e uma fotografia de seu falecido pai.

Naquela noite, ela acordou e foi olhar a pedra. Ao acender o abajur, a luz fez com que ela brilhasse intensamente. Era mesmo uma linda pedra! Ainda um pouco entorpecida pelo sono, Julia viu-se fazendo um pedido à pedra: que lhe ajudasse a ter sorte na entrevista de emprego que faria na manhã seguinte.

Quando amanheceu, ela vestiu-se muito bem, maquiou-se levemente e, confiante, sentou-se à mesa para o café. A mãe e a irmã comentaram que Julia estava com uma aparência radiante! Foi para sua entrevista, e foi imediatamente selecionada, entre muitos candidatos!

Depois de  apenas algumas semanas, recebeu uma promoção e um bom aumento de salário. Os colegas a olhavam com admiração, dizendo que não era comum que funcionários novos fossem promovidos tão rapidamente. Julia sorriu, lembrando-se de seu amuleto da sorte.

Um dia, após o trabalho, ela estava indo para casa, em uma tarde quente de verão. Suava em bicas dentro do coletivo lotado, e ao chegar em casa, olhando para a pedra, pensou: "Gostaria de poder ter um carro para ir ao trabalho e voltar para casa..."  No dia seguinte, ficou sabendo que a companhia ceder-lhe -ia um de seus carros.

Desde que encontrou a pedra, a vida de Julia mudou radicalmente, e para melhor! Passou a ter mais confiança em si mesma, e coragem para ir atrás das coisas que desejava.  Sua fé aumentou consideravelmente, e embora ela atribuísse tudo à pedra que encontrara, não sabia que esta era apenas um objeto que a ajudava a acreditar em si própria. Um símbolo, através do qual ela projetava a si mesma.

Um dia, recebeu em sua casa a visita de uma velha amiga, que ao ver a beleza da pedra, perguntou a Julia do que se tratava. Animada, ela contou-lhe toda a história - da tristeza em que se encontrava ao achar a pedra, e da reviravolta que sua vida dera desde que levara a pedrinha para casa. A amiga, que era uma pessoa muito religiosa, quase beirando ao fanatismo, imediatamente retrucou:

"Jogue esta pedra fora, Julia! Com certeza, é um amuleto do diabo. Superstições não ajudam ninguém a melhorar de vida, apenas a fé pura em Deus e em Nosso Senhor Jesus Cristo."

"Mas... mas eu tenho fé em Deus e em Jesus Cristo!"

"Se tivesse, não precisaria de uma simples pedra. Prove que tem fé realmente, jogando-a fora agora mesmo!"

Julia hesitou bastante, mas finalmente, após a insistência da amiga - que teimava em descrever a Julia o que significava a verdadeira fé - ela pegou a pedra e atirou-a com força pela janela.

Na manhã seguinte, após uma noite mal-dormida, ela amanheceu adoentada, e não pode ir ao trabalho. No outro dia, quando apareceu no escritório, tinha a aparência cansada, e cometeu muitos erros. Semanas depois, foi demitida. Em pouco tempo, Julia voltou a ser a pessoa triste e derrotada que fora antes de encontrar a pedra.

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Moral da história: quem somos nós para questionar a fé de alguém? Talvez, para alguns, a fé em um simples objeto ou ritual,  as ajude a se tornarem mais confiantes, até que possam perceber, em seu próprio tempo, que na verdade, não necessitam dele.

Às vezes, Deus nos manda uma pedra quando precisamos de fé.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

RASTILHO





O rastilho lastra a pólvora
Fareja destruição
Fogo rasteia o pavio
Procura por explosão...

O chiado ciciando,
Pavio curto apontando
A pólvora se preparando
O rastilho rastejando...

A cobra acende o pavio,
A maldade aviva o cio,
Explode, queima, destrói,
E o veneno se espalha!

A palavra arrematou
O fio desta mortalha!
E o que restou da pólvora
Secou por sobre a cangalha...

DESCOBERTAS



Todos temos (ou tivemos) recantos em nós, estes, cheios de cantos e frestas que ninguém percorre, onde nenhuma luz ou facho jamais incide. São como estradas que ninguém - especialmente nós mesmos - deseja percorrer. São caminhos abandonados, onde a paisagem cinzenta e salpicada de ruínas parece-se com a de algum filme de terror.

Lá, deixamos nossos piores medos, nossos maiores fracassos e um ou outro arrependimento. Também ficam lá os sonhos que não realizamos, e deixamos Trancamos bem a porta.

Muitas vezes, vagam por lá os nossos mortos. Eles voltam a nós em sonhos, quando descuidadamente deixamos a porta entreaberta, e eles voltam para nos assombrar. Assombrar, sim, pois estão mortos, e assim permanecerão: fantasmas em nossa memória.

Muitas vezes, outras coisas escapam de lá, e nos obrigam a pensar sobre elas. Mas elas são tão inadimissivelmente terríveis, que preferimos trancá-las novamente, na esperança de que morram à míngua, mas elas não morrem, e no fundo, sabemos disso. Um dia, teremos que lidar com elas, mas não hoje, não agora...

Esquecer é um processo muito extenuante, pois para que ele dê certo, temos que lembrar-nos dele o tempo todo. Não é como simplesmente apagar uma luz. Não é o mesmo que fechar os olhos, ou virar de costas. Esquecer é aprender a ignorar.

Esquecer é lembrar-se o tempo todo de que não devemos lembrar daquilo mesmo que tentamos ignorar. Até que um dia, conseguimos passar um longo tempo neste processo. Pensamos: "Conseguimos!" Mas só este pensar, é o suficiente para nos levar de volta àquele recanto funesto dentro de nós mesmos, e ao cutucarmos com o pé as lembranças moribundas, vemos que elas ainda respiram, e voltam para nós os seus olhos semicerrados, estendendo-nos as garras.

É melhor não ter estes recantos.

Não precisamos fazer nenhum esforço para nos esquecermos daquilo que um dia foi dor. Podemos transformar esta dor em outra coisa, em aprendizado, em experiência de vida, em poesia, em uma estória para contar. Podemos transformar essas memórias dolorosas em lindas pedras, e colocá-las à beira da estrada para embelezá-la, e dar aos outros viajantes um local onde eles poderão sentar-se para descansar.

A vida não precisa ser um processo triste. 

Aprendi a lidar com minha solidão e transformá-la em uma companheira. Aprendi a desfrutar de meus momentos de forma rica e satisfatória, e fiz de mim mesma minha melhor amiga. Hoje, a possibilidade de passar algumas horas a sós comigo mesma transformou-se em um evento muito feliz. 

Acho que é uma grande causa de sofrimento, a tentativa de querermos fazer parte de uma maneira forçada, só porque achamos que isso seria o 'normal'. Assim, procuramos estar o tempo todo rodeados de 'amigos', em meio a muita agitação e música alta, a fim de não ouvirmos os gemidos que vêm daquele recanto dentro de nós. Chegamos ao cúmulo de forçar nossa presença onde nem sequer somos bem-vindos. Apenas para sentir que "fazemos parte."

Não existe uma definição para 'felicidade', mas todos nós sabemos, instintivamente, o que ela significa para cada um de nós. O problema é quando se tenta estabelecer um padrão, onde toda e qualquer pessoa deva encaixar-se para considerar-se feliz. Daí, só podem nascer a frustração, a comparação, a ansiedade.

Sou feliz da minha maneira, e minha receita só serve para mim. Mas posso dizer que:
-Aprendi a desfrutar de minha própria companhia e posso passar muitas horas sozinha e sentir-me muito tranquila e feliz.
-Jamais me comparo a ninguém.
-Não tenho inveja.
-Não nego meus sentimentos, nem crio recantos cinzentos dentro de mim.
-Não nego a minha sombra - aquele lado demasiadamente humano, onde estão sentimentos como raiva, indignação, medo, fúria, desejo de estrangular alguém, ou de vingar-me. Ao contrário, procuro reconhecer esses sentimentos dentro de mim e transformá-los em outras coisas, aprendendo a dominá-los.
-Acho importantíssimo, aliás, a coisa mais importante do mundo, conhecer a mim mesma.
-Gosto de mim como eu sou, e procuro melhorar sempre, não pelos outros, mas por mim mesma.
-Aprendi a dizer não e estabelecer meus limites.
-Não deixo que ninguém tente pisar em mim ou manipular-me. 
-Procuro não ter preconceitos, e se eles surgem, trago-os à tona e tento entendê-los, mas jamais negá-los.
-Aprendi a desenvolver e usar a minha intuição, sentindo as energias que me cercam e trabalhando com elas, e estou aprendendo a proteger-me de energias nocivas.
-Sempre presto atenção a minha intuição, mesmo que a mensagem pareça absurda no momento. 
-Tento fazer de minha casa, um templo. Um lugar de paz e harmonia, descanso e recuperação.


Estas são as coisas que fazem com que eu me sinta bem. Não sou nem desejo ser perfeita, e nem gosto da palavra 'perfeição', pois ela não passa de uma quimera, algo imposto pelas religiões para que nos sintamos sempre inadequados e falhos, sendo assim dominados por aqueles que tem "A Verdade."

Eu tenho a minha verdade, e talvez ela não sirva para você.

Parceiros

ESFORÇO

 A vida demanda esforços. Nem tudo vem fácil, mas tudo vai fácil. Começar nem sempre significa ter tudo prontinho, preparado, com todas as c...