witch lady

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terça-feira, 17 de abril de 2012

A MENTIRA




A MENTIRA


A mentira
Não é incolor;
Ela tem peso, cheiro e cor.

Seu cheiro permanece
Bem à volta de quem mente,
E o mentiroso, nem sente!...

Ela constrói uma névoa
Entre aquilo que és
E o que dizes ser.

Oh, inconsistência,
Falso gostar,
Fraco querer!...

A mentira só destrói:
A confiança, o amor,
A esperança.

Foi feita para ferir,
Enganar e afastar.
É tão triste, mentir!...

Triste, é olhar nos olhos de quem mente,
E vê-los brilhar, com aquele brilho estranho,
Inconfundível, medonho, tacanho!
Ouvir a voz vacilar, tortamente,
Sentir a lâmina das palavras que são ditas,
Repetidamente,
Em uma tentativa mórbida de convencer
Aquele a quem se mente!

Prefiro calar-me;
Tentar confrontar um mentiroso,
É inútil e cansativo...
É um jogo de palavras
No qual não haverá vencedor,
Pois todos perdem:
Quem mente, a quem se mente
E o amor...

Frases Sobre a Mentira






A mentira deixa sempre um rastro cinzento atrás de quem mente.




A mentira poderá ser sempre o caminho mais simples no início da estrada; mas jamais no final.




A mentira sempre usa a verdade como escudo.




O mentiroso às vezes acredita na própria mentira. Tanto, que ela torna-se parte dele.



Há sempre espinhos na mão de quem oferta mentiras.




Uma boa mentira pode convencer a humanidade; mas uma boa verdade pode desmascará-la a qualquer momento.




Quem mente, deve sempre tomar cuidado por onde pisa...



O mentiroso, apesar de dispor de boa memória, esquece-se de soar convincente.




O mentiroso pode angariar muitos amigos; todos tão mentirosos quanto ele.




Por trás de uma mentira, pode estar a inveja.




Quando a mentira é o alicerce, nada de bom poderá ser construído.




O prêmio do mentiroso é o descrédito.




segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu Sonho na Beirada



Eu hoje estou triste,
Pois vejo meu sonho
A pedir esmolas,
Na beira da estrada.

Meu sonho à beirada,
Morrendo, à míngua,
De sede e de nada...

Haverá resgate
Para um sonho tristonho,
Ou um  arremate
À vida esgarçada?...

Eu hoje estou triste,
Pois meu sonho seca
À beira da estrada...

Ao sol, de dia,
À lua de noite,
À vil letargia
O sonho agoniza
Sem sinal de brisa...

Ai, daquele, meu Deus,
Que esgana um sonho!
Não terá descanso,
Não terá guarida
Após a sua morte,
Ou durante a vida!...

EU NÃO ESCOLHI VOCÊ!











Ajudei-a a carregar as malas até o carro. Evitávamos nos olhar ou dizer qualquer coisa, pois nada mais havia a se dizer. No entanto, alguma coisa dentro de mim gritava de dor pelo que tinha acabado. Era como um luto. E tudo fora tão inesperado! 

Aconteceu logo depois que o He-Man – meu cão de dezoito anos de idade – finalmente morreu, após mais de uma semana de agonia. Porque eu me recusara a dar-lhe a injeção letal. Ela me chamou de egoísta. Olhou-me com desprezo. Não entendia minha dor.

He-Man foi meu presente de aniversário, dado por meus pais, quando fiz quinze anos. Era um pastor manto negro maravilhoso, um grande companheiro, um amigo de valor inestimável. Ele esteve em todos os acontecimentos importantes de minha vida; ele também estava lá, quando conheci Dorinha. Passeava com ele num final de tarde de sábado, e ela, passeava com Lulu, sua cadelinha Beagle.

Quando meus pais morreram no acidente de carro, He-Man me acompanhou durante meu período de luto. Ficamos morando sozinhos na casa de meus pais durante cinco anos, e fomos ajudando um ao outro. Era muito reconfortante chegar em casa, depois do trabalho, e saber que eu não estaria sozinho. 

Depois, Dorinha e Lulu mudaram-se conosco, e vivemos um período de muita felicidade, acredito, o período mais feliz de minha vida. Eu e Dorinha nos casamos. E parece que He-Man e Lulu estavam se dando muito bem, embora fossem apenas bons amigos. E quando Lulu se foi, atropelada por um carro em frente à casa, He-Man foi o nosso consolo.

Assim, passaram-se quinze anos desde que He-Man nasceu. Neste período, perdi meus pais, casei-me com Dorinha, perdemos Lulu, Dorinha formou-se na faculdade de Direito, e eu, em Biologia. Demos muitas festas em casa, fizemos muitos amigos, e vimos muitos amigos irem embora da cidade, em busca de suas carreiras.

Mas há mais ou menos um ano, alguma coisa começou a acontecer, ou a deixar de acontecer, entre Dorinha e eu. Ela chegava em casa cada vez mais tarde. E eu, por meu lado, comecei a sair com outra mulher, embora ela nada significasse de importante para mim. E eu comecei assim que soube que Dorinha estava tendo um relacionamento com seu sócio. Eu simplesmente não conseguia abordar o assunto, com medo de perdê-la, e fomos nos distanciando cada vez mais.

E dois dias depois da morte de He-Man, cheguei em casa uma noite e ela estava sentada na sala, as malas prontas. Declarou que não me amava mais. Disse que estava se mudando para o apartamento de seu sócio. Ao mesmo tempo que eu me mantinha totalmente frio e indiferente por fora, sentia que uma boa parte de mim desmoronava por dentro.

Quando ela se foi, entrei na casa totalmente vazia. Nunca senti tanta tristeza...

Acordei de madrugada, com o choro de um cão. Cobri a cabeça com o travesseiro, e consegui pegar no sono de novo. Mas na manhã seguinte, quando saía para o trabalho, ao tirar o carro da garagem, lá estava ele: um cachorrinho branco, com manchas marrons sobre so olhos . Apesar de bonitinho e bem tratado, aquele cão sentado à beira da caçada era o retrato do abandono. Ele se parecia comigo. Suspirei fundo e entrei no carro.

Durante o dia, nem sequer lembrei-me dele, pois tive mil coisas a fazer. Mas quando cheguei em casa, ele estava ali, no mesmo lugar, e alguém tinha colocado um pouco de leite em um potinho de margarina para ele. Quando me viu sair do carro para abrir a porta da garagem, ele veio correndo desajeitadamente na minha direção, mas eu joguei-me no carro depressa e entrei em casa, fechando a porta da garagem. Ele ficou chorando do lado de fora.

Eu não estava pronto para ter outro cão. Sentia que precisava passar um tempo sozinho, pensando na minha vida, e que um cão poderia até atrapalhar-me, já que eu tinha em mente umas férias e uma longa viagem de carro, sem destino.

Jantei e, após assistir um pouco de TV, fui deitar-me mais cedo.

Acordei por volta das duas da manhã, e parecia que ia cair uma tempestade daquelas... os clarões dos relâmpagos cruzavam o céu, clareando o quarto, e trovões ribombavam assustadoramente. O vento uivava, entrando pela greta da janela, e fiquei um tempo prestando atenção, até que, entre o uivo do vento, percebi ganidos desesperados. Fui até a janela do quarto e vi o cão lá em baixo na calçada, sentado, as perninhas de trás esticadas na frente do corpo e a barrigona cheia de leite. Ele chorava e gania, e achei que não faria mal se o deixasse passar a noite na garagem. 

Assim, desci até a rua e peguei-o no colo, no exato momento em que a tempestade desabou.

Arranjei uma blusa de lã velha e coloquei dentro de uma caixa de papelão para ele, na garagem. Antes de apagar a luz, olhei para ele, e ele estava mordendo a beirada da caixa. Eu disse a ele: “Escute aqui, eu não estou adotando você! É só por uma noite, e amanhã, você vai embora!” Ele me olhou, a cara mais feliz do mundo.

Ganiu um pouco durante a noite, mas eu estava tão cansado, que continuei na cama.

De manhã, quando cheguei na garagem, havia pedaços de papelão por todo o chão. Ele dormia, no meio daquela bagunça, como se não tivesse nada a ver com ela. Quando me viu, veio correndo, abanando a cauda, sujando a pata em um montinho... 

Eu tinha que ir trabalhar. Não poderia deixá-lo na garagem, e nem queria um cão. Dei-lhe um pouco de ração com leite, e depois que ele comeu, abri a porta da garagem e, sem que eu fosse visto, coloquei-o no quintal do vizinho. Entrei no carro e saí, sem olhar para trás.

Quando cheguei de noite, ao me aproximar de casa, vi uns adolescentes em volta de alguma coisa. Eles riam alto. Quando eu encostei o carro perto deles, eles pareceram meio sem graça ao me ver, e um deles veio perguntar: “Esse cachorro idiota é seu?”

Quando olhei para o chão, vi que eles tinham raspado o pelo do cão em algumas partes do corpo, e um dos garotos o estava pintando com as cores de um time de futebol. O cão parecia muito assustado. Lembrei-me de que haveria final de campeonato naquela noite, e fiquei imaginando o que aqueles garotos pretendiam fazer com o cão. Sem pensar mais, respondi: “É meu sim! E se vocês não derem o fora agora mesmo, vão se ver comigo, seus moleques!”

O pelo de Flaflu demorou um pouco a crescer, mas hoje, ele está bonito de novo. Estou saindo em viagem de férias, e em uma caixinha especial que coloquei no banco de trás, Flaflu, todo contente, já se sentindo o dono do pedaço, olha a paisagem pela janela.

Eu não o escolhi; ele me escolheu.

LETAL









E ela era a bailarina


De longos braços delgados


Tão leves,


Como pescoços de cisnes...


Não tinha culpa, se eles sufocavam.






E ela era a borboleta


De asas finas, cobertas


De um pó leve e perolado,


Asas coloridas e rarefeitas...


Não tinha culpa, se elas cegavam.






E ela era a flor azul, tão rara,


Tão delicada,


De perfume inebriante


E tão caro...


Não tinha culpa se o seu aroma


Envenenava.






Pois ela era a bailarina,


A borboleta,


A flor-menina


Que só vivia,


Que só dançava,


Não tinha culpa se morria,


Não tinha culpa se matava!




Voo Narrado





Imagine só, você, voltando de Brasília para o Rio de Janeiro, após cansativas palestras e reuniões chatas das quais teve que participar, em um avião que mais parece um ônibus (na classe econômica, na qual seu joelho está a poucos centímetros das costelas de quem está à sua frente, e os joelhos de quem está sentado atrás de você, descansam confortavelmente sobre os seus pulmões); imagine você, em um voo no qual você tem que pagar pelo catering, se quiser comer alguma coisa - um sanduíche com gosto de borracha ou uma barra de ceral meio-amolecida.



Pois é. Este é o voo no qual meu marido voltou de Brasília no sábado passado. Era tão parecido com os ônibus que circulam pelas cidades, lotados e sem conforto, que na hora de sair, as pessoas ficavam procurando pela campainha.


Agora, imagine que, perto de você, está um senhor meio-gordinho, com um cavanhaque enorme e um par de óculos que lhe emprestam um certo ar intelectual, contando histórias de desastres aéreos a um amigo que o ouve atentamente, ansioso pelos detalhes mais sutis. Pois é... e a cada minuto, esta criatura estranha narra, em voz alta, tudo o que está acontecendo durante o seu voo; tipo: "Agora deve estar mais ou menos trinta e cinco graus negativos lá fora..." "O trem de pouso acaba de subir..." "Agora estamos em área de cúmulos nimbus e melhor manter o cinto afivelado..." E na hora do pouso: "O trem de pouso já deveria ter sido descido. Deve ter acontecido alguma coisa, e talvez precisemos fazer um voo forçado. Vou contar até dez, e se até lá não tiverem descido o trem de pouso..." 


A vontade de qualquer um, seria mandá-lo tomar um arzinho lá fora, no cúmulus nimbus... ou então, agarrar aquele cavanhaque horroroso, e , arrastando-o até a porta, abrí-la e chutá-lo para fora sem páraquedas, causando uma despressurização - termo que ele fez questão de descrever em detalhes, com direito a case history e tudo. É incrível a capacidade que algumas pessoas tem de despertarem sempre o pior em nós!

Lembrei-me de um famoso ator da Globo que teve um piripaque durante um voo... será que ele viajava perto deste nobre senhor?

OK, a vida tem dessas coisas. Se estamos mau-humorados, é certo que atraímos para nós ocorrências pouco favoráveis. E quando estas ocorrências acontecem durante um voo, ou seja, em um espaço confinado do qual é impossível sair, só nos resta respirar fundo quantas vezes forem necessárias, e aguentar firme.

Mas ter que aguentar as risadas de tirar o fôlego do amigo que está viajando com você e conseguiu um lugar em outra fileira, é revoltante. Enquanto você sofre, ele te olha e se contorce de tanto rir da sua cara. E quando a tortura finalmente termina, e vocês já estão no aeroporto, você tem que aturar as gozações dele dentro do carro, enquanto sobem a serra...

Ao ouvir essa história, digo ao meu marido: "Bem, querido, um dia é da caça, e outro, do caçador!"

Parabéns, Carlos Fontes!



domingo, 15 de abril de 2012

ESTRADA











Um caminho comprido, de uma só mão,
Caminho sem volta,
Sem olhar para trás.
O que ficou perdido, perdido estará,
Caído no asfalto
Pedaços doloridos
Daqueles e daquilo que amei.

Ficam para trás
Mudos, parados, esperando,
Ou talvez, quem sabe,
Seguem outros caminhos...
Mesmo assim, outros caminhos
Não são o que hoje sigo.

Na estrada, só existe uma certeza:
Seguir em frente,
Surpreendendo-me a cada curva,
Sem saber o que me aguarda,
E talvez seja melhor assim.
O que caiu e ficou para trás,
Não tem mais volta.

O futuro é para frente,
Viver é para frente,
Amar é de hoje em diante,
Ser feliz, é mais adiante.

Respostas?...
Não me atrevo a perguntar.

HISTÓRIA - frases







"A história dos famosos continua sendo escrita, depois que eles morrem."


****

"Escrever a própria história é saber que não seremos nós quem colocaremos o ponto final."



*****


"Se história contada é história aumentada, no final, todos teremos muitas histórias mirabolantes a contar."


****


"A uma história escrita, existem muitas interpretações. Estas, a deturpam."


****

"Após muito tempo, as histórias viram lendas. E as lendas, histórias."


****

"Quando alguém diz: 'Vou te contar uma história,' imediatamente, enquanto a ouve, você se prepara para recontá-la de maneira diferente, recriando-a com seus próprios detalhes. Por isso, toda história contém inverdades.'


****

Diferentes Momentos da Minha Esperança





A Esperança

Em um mundo de homens que caminham
Trôpegos,
Buscando sonhos que se alongam
Sôfregos
Há uma janela bem no alto
Erguida
D'onde nos olha, a Esperança
Frígida.

Ah, Esperança caprichosa, 
Cínica,
Ria de nós, mulher maldosa,
Cítrica!
Estende o teu tapete longo
E rôto
Que passaremos por sobre esse
Esgoto!





A esperança não é a última que morre, mas a última que deve nascer. Antes dela, precisamos da ação. 

Muitos confundem esperança com esperar, e acabam não agindo quando devem agir. É como naquela piada, em que, durante uma enchente, uma pessoa reza para que Deus lhe salve, e apesar de passarem alguns botes que tentam resgatá-lo e um helicóptero, ele sempre responde dizendo: "Não! Ficarei aqui, Deus vai me salvar!" Acaba morrendo, e ao chegar ao céu, indaga a Deus: "Por que não me salvaste?" No que Deus responde: "Mas em mandei dois botes salva-vidas e um helicóptero!" 

Isso não é esperança; é comodismo.

É engraçado, mas é assim... algumas pessoas vivem dizendo: "Eu tenho esperanças de que um dia, minha vida vai melhorar!" Mas o que elas fazem para que isso venha a acontecer?...

A esperança é o nosso último recurso, que deve ser usado apenas quando não há mais nada a ser feito. Ela é a beirada de um riacho, cujas águas, são o milagre. Quando recorrermos à esperança, que saibamos acreditar em milagres. Alguém já disse que o mais incrível a respeito dos milagres, é que eles acontecem!

Mas até mesmo a esperança não pode ser arrastada atrás de nós a vida toda, ou ela se torna um fardo. Existe o momento de olhar para trás e dizer: "Fiz tudo o que eu podia. É hora de desistir e tentar outro caminho." 

Nessa hora, devemos esquecer a esperança e procurar outras certezas.


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'A esperança é a mãe de todos os milagres, mas sofre muitos abortos espontâneos.' - Ana Bailune

CADA UM...











Alguns, só calam e consentem,


Outros, entendem.


Alguns, escutam e se esquecem,


Ou rezam preces.


Alguns só fingem que escutam,


Outros, se ocultam.


Há quem se tranque no banheiro,


Sob o chuveiro.






Uns, preferem as cavernas,


Cegos de medo...


Alguns aceitam, outros negam,


Fazem segredos...


Uns ferem, outros se perdem


Em seu degredo.


Alguns matam, outros morrem,


E eu, escrevo.



sábado, 14 de abril de 2012

EU SOU











Eu sou a luz que brilha


Que te ilumina


E que te cega,


Centrada no alto


Da tua treva.






Eu sou o chão que te falta


E o abismo que te acolhe


E que recolhe


Teus passos claudicantes.






Eu sou aquele que te leva


Ao limiar da tua queda


E que te empurra


Quando tu medras.






Eu sou a voz que tu sufocas


E o medo que te derrota,


Eu sou a faca que te corta


E o teu sangue, quando jorra.






Eu sou a dor, na agonia


Da esperança que tu tinhas


E que te deixa


Sentado à beira de uma estrada


Diante do teu nada.






Eu sou o sol no horizonte


Que banha a tua fronte


E que te salva


Da escuridão da tua alma.






Eu sou aquele que te fala


E que declara


Que o amor que tu sustentas


Nem sempre vence.






E quando a dor chegar, te ergas,


Vá à janela


E grite alto, muito alto,


Quando a esperança estiver morta,






Pois é tolice tentar ser


Demasiadamente forte,


Conter o grito que te nasce


Depois do corte.

O OUTRO LADO DO AMOR










O teu amor não garante

Sequer a sobrevivência

Até o final do dia.

O teu amor, quem sabe, até

Nem te traga alegria...




O amor não oferece

A promessa de uma vida,

Pode trazer sofrimentos

E no final, nem sempre vence...




E quando amamos, nem sempre

Será sem qualquer interesse,

O amor ideal, altruísta.




Pois às vezes, o amor

Esconde uma necessidade,

Amamos por pura maldade,

Amamos por sermos artistas,




Amamos sem nem mesmo sentir,

Um amor feito de ausência,

Anestesiadamente autista...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

JANELAS







Deixo abertas as janelas
Para entrar a luz do sol
E o vento, que varre para longe
Energias malfazejas...

Deixo abertas as cortinas,
Para entrar a claridade,
Borboletas, Joaninhas,
Um odor de Margarida...

Da janela, vejo a moça
Que tem algas nos cabelos,
E uma outra, elegante,
Que passa, e derrama poemas...

Vejo a moça de Brasília,
E de longe, uma que guarda
O amanhecer no nome.
Assim, elas passam, em cenas,
Derramando seus poemas...

Deixo abertas as janelas
Para ver e para ser vista
Por aqueles a quem amo
E que me amam também.



LAMPEDUSA






Cruzamos o mar, em busca da vida
E a vida arriscamos tentando viver
Mas ninguém nos quis, aqui, em Lampedusa...

Chegamos à ilha cheios de esperança,
Trouxemos famílias, trouxemos crianças,
Mas fomos lançados de volta ao mar...

E assim te deixamos, adeus, Lampedusa!
De volta ao destino, seremos lançados
E pereceremos em breve, entre os braços
Da guerra cruel, a Terrível Medusa!



ÁGUA









Água boa, de mina

Limpa, cristalina

Que desce, em sussurros

Por entre as pedras

Lá na mata,

Sobre o limo,

Entre as folhas,

Sob as asas...




Água cheia de vida,

Gotas cheias de luz

Que cintilam ao sol

E refletem o céu,

E se jogam

Por inteiro

Nas cascatas...




Água purificada

Onde moram Ondinas

Sereias e Iaras

E botos rosados

Peixes falantes

De corpo nacarado

Que atraem

E afogam

Meus olhares...




Água, vem pelos canos,

Cai na minha torneira,

Encha copos e cântaros,

E escorra no alpendre

De minha casa,

No telhado

De duas águas...



Trazendo os Bichos Para Fora





Quem me conhece, sabe o quanto eu adoro escrever... se pudesse, passaria a maior parte do meu tempo me dedicando a esta atividade! Acho divertido, além de espiritualmente enriquecedor, pois quantas coisas descobri sobre mim mesma através da minha própria escrita!...



Mas tanto quanto eu gosto de escrever, eu gosto de ler. Saber o que as outras pessoas pensam, quais as suas opiniões e experiências de vida, pois a gente também aprende muito assim. Ler, para mim, significa entrar na mente de outras pessoas, e olhar o mundo através dos olhos dela. Mesmo que eu não concorde com seus pontos de vista, é bom trocar idéias. E é isto o que fazemos ao ler e escrever: trocamos idéias. Aprendemos e ensinamos. Concordamos e discordamos, e muitas vezes, mudamos de idéia. Passamos a pensar diferente.



Jamais quero colocar um ponto final nas minhas idéias e crenças. Desejo estar sempre aberta ao novo, e sempre disposta às mudanças. Não quero estagnar: quero entender! Quero aprender a ser inteligente o suficiente para dizer: "Eu estou errada," quando for o caso. E nem sempre é fácil. Mas escrever me ajuda bastante.




As religiões sempre falam na importância de perdoar e amar aos inimigos, mas o que eu acho que ninguém entendeu até agora, é que o maior inimigo que nós temos, o que mais precisa de perdão e compreensão,somos nós mesmos! Há certas partes em nós que negamos e tentamos sufocar, partes que talvez não sejam tão 'politicamente corretas' ou que não seguem aquilo que os outros determinaram como O Certo. Temos que desmistificar o medo que temos de trazer estas coisas para fora. Faço isso quando escrevo. Por isso, tenho alguns poemas que podem ser considerados bastante negros... e alguns deles falam de mim mesma.



Uma vez, ouvindo um sermão de um religioso, fiquei pasma ao ouví-lo dizer o quanto é necessário que sufoquemos o mal dentro de nós, fazendo todo o possível para deixar apenas o Bem vir à superfície, e que a única maneira de fazer isto, seria seguir a religião dele. Ora, tudo o que sufocamos, um dia fica tão acumulado, que explode! Daí, as grandes catástrofes emocionais, como depressão, ataques de raiva e até assassinatos. O mal tem que ser aceito, entendido, educado.



Também por isso, eu escrevo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

TRISTEZA












Uma alma triste, um pesar, no peito




Ao cozer, sorrindo, o farnel do dia...




A cabeça, à mil, preparando um jeito




De tentar sorrir, viver, desamar...




Uma triste alma, a almoçar sozinha,




A jantar sozinha, a dormir sozinha,




Com tempo de sobra para chorar...










Ah, que pena eu tenho do seu penar!




Pois a alma triste só quer um jeito




De ter para si o que não terá!...










Pois a vida passa, o momento passa,




Vão-se todos, e ela, lá na cozinha,




A comer sozinha, a chorar sozinha...

CARTA SOB O VASO








Quando era pequena, escrevia cartas para si mesma e colocava-as dentro de um saco plástico, sob um grande vaso que ficava na varanda de sua casa. Era um tanto difícil, para ela, levantá-lo, pois tratava-se de um vaso pesado. Plantado nele, uma miniatura de Ficus, as raízes atrofiadas tornando-o uma árvore anã. Bem, como era difícil erguer o vaso, juntava as cartas (escrevia uma por semana) e colocava-as sob o vaso apenas no final de cada mês. Aos poucos, a menina foi crescendo, e abandonando seu ritual de infância. O tempo passou, ela casou-se e mudou-se para uma nova casa. Mas o vaso ali permaneceu, na casa dos pais, até que eles faleceram e ela tornou-se herdeira da velha casa. E foi andando por ali, cheia de lembranças, que de repente ela recordou-se de suas cartas. Ergueu o vaso, coração aos pulos, sem saber se ainda estariam lá... mas... sob o vaso, apenas os ladrilhos umedecidos. Para onde teriam ido suas cartas? Para onde tinham sido levadas, e por quem ? Nunca mais soube delas, assim como também nunca mais teria de volta os momentos que vivera naquela casa.



Dias de Vento









DIAS DE VENTO

Libra é um signo do ar. Eu sou de libra, portanto, amo o vento. Gosto de sentar-me no jardim em dias de vento e conversar com ele, que me responde através dos sons de meus sinos de vento.
Ontem - terça feira - foi meu dia de faxina. Enquanto varria, aspirava, tirava o pó e esfregava, abri todas as janelas e portas da casa e pedi ao vento que me ajudasse. Eu limpava a sujeira física, e ele percorria os cantos, sacudindo as cortinas e banindo energias negativas acumuladas, ocasionais espíritos das trevas e maus pensamentos. 
Pus cobertores, almofadas, edredons e travesseiros ao sol, na varanda, e o vento sacudiu-lhes a poeira e os prováveis ácaros.
Ele passava assoviando, levando consigo para bem longe todas as impurezas. Eu cantava, e ele respondia. Ficamos nessa pareceria por toda a tarde. 
Quando finalmente terminamos, acendi alguns incensos pela casa e pelo jardim, e ele soprou o cheiro pelos quatro cantos, ajudando a perfurmar tudo e acalmar as energias. 
Agradeci ao vento pela grande ajuda, enquanto ia fechando as portas e janelas, cerrando algumas cortinas e chamando São Jorge e meu Anjo Guardião para que Eles reenergizassem a casa toda.
O sol já ia se despedindo, e dentro da casa limpa e refrescada, paz e silêncio. Tomei uma chuveirada bem quente, coloquei uma roupa limpa e agradeci a todos os meus ajudantes.
Em resposta, o vento assoviou de leve pela greta da janela.



CAMPAINHAS






Campainhas anunciam chegadas, e por isso mesmo, jamais devem ter um som irritante. Adoro aquelas que fazem ‘dlim-dlon’ como os sinos, e que soam suavemente pela casa. Bem, a minha não é assim, pois tenho um moderno interfone, cujo som é bastante chatinho. Mas um dia, ainda vou ter uma campainha que faça ‘dlim-dlon!”


No apartamento onde morávamos quando me casei, a campainha era estilo ‘cigarra’, e o som me assustava toda vez que alguém apertava o maldito botão! O som era como de um sapo rouco amplificado. Meu sogro tinha a mania de pendurar-se na campainha, tocando-a prolongadamente várias vezes antes que eu abrisse a porta. Ah, como eu ficava furiosa! E ele parecia saber disso.


Em uma das casas que morei, havia uma campainha que fazia ‘dlin-dlon.’ Adorava quando ela tocava, e ia abrir a porta bem-humorada. O problema, é que naquela rua passavam muitas crianças... e as danadinhas adoravam , como meu sogro, pendurar-se na campainha! Até aí, nada demais, se fosse apenas irritante; o maior problema, é que a campainha vivia entrando em curto, pois quando este tipo de campainha não é soado através de um breve toque, ou seja, quando a criatura que está tocando a campainha enfia o dedo e fica apertando toda vida, ela entra em curto. É uma campainha feita para pessoas educadas.


Um dia, o curto circuito foi tão grande, que quase colocou fogo na casa! Começou a soltar faíscas, explodiu, o fogo acendeu e a caixa da campainha caiu no chão da cozinha, em chamas. Sorte é que tinha um rapaz trabalhando em minha casa, e ele conseguiu apagar o fogo antes que virasse um incêndio, e desligou a luz geral. Depois daquilo, mandei tirar a campainha, pois fiquei pensando no que teria acontecido se um daqueles pequenos demônios tivesse tocado a campainha em uma hora que ninguém estivesse em casa.

Gostaria de ter uma campainha que fizesse ‘dlin-dlon.’ Mas acho que o mundo ainda não está preparado para elas.


Parceiros

ESFORÇO

 A vida demanda esforços. Nem tudo vem fácil, mas tudo vai fácil. Começar nem sempre significa ter tudo prontinho, preparado, com todas as c...