segunda-feira, 9 de março de 2015

SOLIDÃO

cdf2.jpg



A imagem pertence ao site segundaguerra.org - o poema é baseado nela


Eu sou daquela rua de casas sem telhas,
Janelas banguelas, vidraças quebradas...
Fantasmas passeiam, se prendem nas teias
Que tecem memórias por entre as fachadas.

Eu vou de casa em casa sem ser acolhida,
Ando contra o vento, perdida de mim...
Eu sou daquela rua onde a vida se cala
À porta da sala de um dia infeliz.

Na poça, o luar em estranho matiz
Projeta suas sombras por sobre a calçada
Por onde eu caminho, na rua deserta...
Sem eira nem beira, mendiga, descalça!

Estrelas de absinto, ah, luzes amargas!
Prenúncio do fim que me aguarda na esquina...
Nem Deus nem demônios trataram-me as chagas,
Andar nessa rua é minha dor e sina...

Eu sou daquela rua, silenciosa e nua,
Coalhada de espectros de tez infeliz...
 Partem sem bagagem, a esperança não estua,
Eu sou daquela rua onde  ninguém me quis...


8 comentários:

  1. Ruas que guardam fantasmas e sofrimento. Um caminhar lindamente versado, Ana! Bjs.

    ResponderExcluir
  2. Que grande verdade minha querida... quantas vezes não percebemos o que está debaixo do nosso nariz, não é mesmo? Amei... AbraçO

    ResponderExcluir
  3. Tem coisas na vida que são esquecidas e perdem seu valor.
    bjokas =)

    ResponderExcluir
  4. Nasci em plena Segunda Guerra Mundial, a noção que tenho dela, da sua vastidão, é leituras e foram muitas. Vividas, apenas recordo o último racionamento, o do açúcar ainda sem saber porquê.
    Pelo que me apercebi, pelas leituras, conseguiste deixar no poema o panorama da devastação.
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Olá, querida Ana
    Como já me senti assim como a rua deserta!!!
    Gostei de todos os versos...
    Bjm quaresmal

    ResponderExcluir
  6. Que felicidade passear e encontrar um poema de alma, daqueles que a gente gostaria de ter escrito.
    Um viagem perfeita Ana, andei pelas ruas desertas, pisei na lama, senti o cheiro podre das carnes abandonadas, eu viajei no seu poema.
    Que belo ser escritora e mergulhar.
    Lindo trabalho Ana.
    Aplausos.
    Bjus

    ResponderExcluir
  7. Gostei de chegar aqui. Triste e realista seu poema.Quantos sofrimentos e solidões por essas ruas de amarguras. Abços

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

É QUE ÀS VEZES, O ADEUS PESA...

Não, não pude olhar para trás,  Atravessar aquela rua, Ir ao pé da tua janela E me despedir. Não, eu  não pude hes...