quinta-feira, 26 de março de 2015

É sempre a mesma coisa...







É Sempre a Mesma Coisa...


Acordo cedo, pois minhas aulas começam, geralmente, às sete da manhã. Gosto de ter tempo suficiente para tomar meu banho com calma, tomar café da manhã sentada e sem pressa, abrir a casa, cuidar dos meus cães e meditar alguns minutos. Portanto, eu geralmente me levanto às cinco e quarenta.  

Meus cães – Mottley e Leona – dormem na área de serviço, e mal escutam meus passos pela casa, começam a bater na porta de madeira. O dia começou, e eles estão ansiosos para brincar lá fora. Assim, abro a porta da cozinha que dá para o jardim e depois, abro a porta da área de serviço aonde eles dormem – as duas portas ficam bem em frente uma da outra. Os dois passam voando por mim, direto para o jardim, mas eu espero; sei o que vai acontecer logo em seguida: Mootley volta correndo, apanha um de seus brinquedos – geralmente, um caranguejo laranja – e com ele na boca, volta correndo para o jardim. Segundos depois, os dois voltam para me fazer muitas festinhas. Só então, partem alucinados para o jardim, Leona com sua bola, e Mootley com seu brinquedinho. Parecem dizer: “Oba!!! Começou mais um dia para sermos felizes!”

E eles não desperdiçam um só segundo. Olho para os dois brincando de correr, e a alegria deles me contagia. Vou preparar a sala de aula, e meia hora depois, ponho os dois de volta na casinha, pois está na hora de começar a trabalhar... o primeiro aluno logo vai chegar, e não vai ficar muito contente ao ser recebido por patinhas sujas de terra em sua roupa de trabalhar. Volto a soltá-los na hora do almoço.

ainda bebês


Toda vez que eles me veem, parece que é a primeira: a alegria com que me recebem é sempre a mesma, esfuziante, maluca, cheia de lambidas e carinhos, mesmo que tenham se passado apenas cinco minutos desde a última vez que nos vimos. 


Às vezes, quando eu os deixo soltos no jardim sem supervisão, chego na cozinha e os encontro sentados lado a lado, os narizes sujos de terra, feito dois anjinhos que nunca pecaram: é claro, sei que vou chegar no jardim e encontrar um buraco do tamanho do mundo... portanto, já vou munida de vassoura para tentar varrer a terra de volta para o buraco, mas ela nunca é suficiente para enchê-lo. Deixo a maior parte da tarefa para o jardineiro, especialista em tapar buracos de Mootley e Leona.

Hoje eu estava sentada à mesa da cozinha almoçando, quando escutei as patinhas de alguém chegando devagarinho. Senti que algo esbarrava em meu pé, e quando olhei, deparei com a bolinha verde da Leona. Era ela, me chamando para brincar. E vamos lá para fora. Eu jogo a bolinha e ela corre atrás, numa alegria tão grande e tão absoluta, arfando, trazendo a bola de volta para mim até cansar. Mootley só fica observando de longe... de repente, ele sai correndo, as orelhas enormes balançando, as patinhas curtas ganhando o gramado. Corre, apenas. Uma corrida sem razão, sem propósito. Alegria pura, prazer de viver. Derrapa nas curvas, os olhinhos arregalados, a língua para fora, e quando eu menos espero, ele vem na toda e pula sobre o meu colo! “Ainda bem que ele é pequeno,” penso. Deixa atrás de si tufos de grama arrancados.



Olho para o gramado, e vejo os brinquedinhos espalhados: uma bola amarela e uma verde, um caranguejo laranja, um elefante verde, uma meia velha, um pedaço de galho. Pontos de cor que falam da presença alegre dos dois. 

Minha cozinha e minha área de serviço nunca mais foram as mesmas. Tem sempre marcas de patinhas no chão, por mais que eu varra e limpe tudo várias vezes ao dia. O puxador do armário está roído, o jardim pede misericórdia. A porta de vidro da sala de estar está cheia de marcas de lambidas e patas enlameadas, e já desisti de querer vê-la sempre imaculadamente limpa. Limpo quando dá.

Mas mesmo assim, a casa é bem mais alegre quando a gente tem cachorros.




8 comentários:

  1. Sempre tive cães e acho o mairo barato, mas hoje ando totalmente arredio a criação em casa ... não os tenho mais ... rs

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  2. Amiga Ana, delícia de começar o dia assim, eu digo aqui, que delícia poder começar o meu dia lendo isso tudo que com amor nos mostra, eu por mim, amo isso tudo, não tenho mais meu amado cão Dálmata, ele se "foi", mas tenho uma linda iorque share que é uma coisa maravilhosa, inteligente, mais do que gente,rsrs, eu acho!
    Amo ler aqui, sinto que entro em sua casa e percebo sua linda alma, seu lindo mundo, sua linda vida, pois viver é mesmo isso, fazer tudo o que nossa alma quer e deseja!
    Abraços bem apertados linda amiga, continue a nos presentear com essas maravilhas!

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  3. Todos os dias é um dia novo para quem convive com essas belezuras.

    bjokas =)

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  4. Oi Ana
    Só pelos títulos que vc coloca tenho curiosidade de visitá-la, e mesmo falando de um dia corriqueiro seu, é muito gosto de lê-la. O modo como escreve sempre me toca, parece que estou ouvindo sua voz narrando o texto, parece meio maluco, mas é assim que me sinto kkk.
    bjos.

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  5. Gostei muito dese teu post, pois também me encanto com estes verdadeiros amigos que só trazem alegrias.
    Beijos, Élys.

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  6. Oi Ana
    Fiquei com uma baita inveja de você( no bom sentido rsrsr). Adoro cachorros e não posso tê-los, pois moro sozinho , Viajo muito, e não gostaria de deixá-los em hotelzinho. Quando criança, cheguei a ter 13 ao mesmo tempo.
    Bjux

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  7. Que bom a amiga ter os seus amigos de quatro patas. A sua vida tem outro sentido.
    Não importa o que eles sujam, porque dão muito mais em troca sabe eles são lindos.
    Toda a sorte para eles e para si.
    Bj.
    Irene Alves

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  8. Ana, você descreveu os seus cachorros e é como se fossem os meus, cada um com seus hábitos e todos giram em torno de nós. São os anjos que a todo momento nos lembram que temos muita razão para viver, precisamos cuidar desses anjos, que vivem pra nos amar e defender. Obrigada, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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REFLEXÃO

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