INGRATIDÃO







Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido.

Bateu à porta, contrita,
Um fiapinho de vida,
Os olhos postos no chão.

Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido.

Viu a estendida mão,
Pegou-a, sem cerimônias,
Colocou no coração.

Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido.

Deitou a necessidade
Que assolava sua vida,
Derramou sua saudade.

Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido.

Recebeu seu lenitivo,
Encontrou uma saída,
Reviu a felicidade.

Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido.

E depois, virou as costas
Saindo através da porta
Sem nem mesmo olhar para trás.

Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido.

Relegou ao esquecimento
Aquele que lhe salvara,
E não voltou nunca mais...

Precisava de um vestido,
Precisava de um ouvido...



Comentários

  1. A vida é assim, por vezes só queremos alguém que nós escute e um abraço, nada mais...
    Porém as pessoas cada vez mais egocêntricas, deixam de lado o companheirismo e focam só em si mesmas.

    bjokas =)

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  2. Ingratidão ... coisa típica do ser humano ... e o pior, sempre alidada à hipocrisia ...

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  3. Texto muito bom, Ana... Falta de gratidão é terrível!!
    Não basta o suprimento, precisamos de um coração agradecido!
    Abraços

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  4. Para mim uma das virtudes mais belas é a gratidão, infelizmete nem sempre ela está presente no coração das pessoas.
    Gostei da poesia e da beleza primaveril do seu blog.
    Beijos, Élys.

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  5. Olá, querida Ana
    Muitas vezes, temos o material e o que mais conta não o temos...
    Bjm fraterno

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  6. Ana, há verdade rotineira nos seus versos. Depois que conseguem alento e ouvidos atentos, muitos se vão sem olhar para trás. Domina-os o esquecimento do que lhes foi dado com amor. Bjs.

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  7. Achei muito interessante este seu poema, sendo o principal motivador do mesmo
    "precisava de um vestido".
    Desejo que esteja bem.
    Bj.
    Irene Alves

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  8. Ana tudo virou interesse, não há mais sentimento. Gostei, ficou leve esse grave defeito, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  9. Ingratidão... até o som da palavra é pesado...Como também o é, todo gesto exprimido desta forma.
    Muito bom Ana os teus versos.
    Um beijo amiga!!

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