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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

AGORA

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Se eu pudesse dar-te algo, Dar-te ia meu agora, Puro, Simples, Sem passado, Sem futuro, Sem memória.
O agora É o único instante Que o tempo não carrega, Não macula, Não governa.
É o ponto de equilíbrio Entre as ilusões de ontem E o medo do amanhã.
É a linha que segura E ampara O amor que sempre dura.
É a eternidade rara, Sem crenças, Sem respostas E sem perguntas.




No Rosto da Flor

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Todo o céu, Beijos de vento, Pegadas de joaninhas...
Raios de sol, Grãos de terra, Pólen, pólen, pólen...
O bem-me-quer, O mal-me-quer, A chuva despencada...
Lágrima caída, Distraidamente, De um par de olhos tristes...
Tudo ali, murchando, Secando, caindo, sumindo, Junto com o rosto da flor...
Sementes soltas no vento.




Convido-os a visitar e seguir:


anawindown.blogspot.com .

Novo blog, todo em inglês.

ERROS

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Todos erramos - e esta é uma das principais características que nos identificam como seres humanos. Porém, quando somos advertidos sobre um erro e não damos ouvidos, vem à luz uma outra característica, menos elogiável, da nossa humanidade: a arrogância. Fruto de um ego extremamente inflado.
Aqueles que consideramos nossos piores inimigos, podem, muitas vezes, nos dar dicas importantes sobre como não cair no ridículo. Eles conhecem nossos defeitos melhor do que nós mesmos, muitas vezes.
Ouvir com atenção e separar tudo o que nos for dito com humildade e sabedoria (a verdade  das afirmações mentirosas) é uma receita infalível para o nosso próprio aprimoramento. Mas é preciso ouvir com o coração, e não apenas com os ouvidos.
Acabei de ler um livro interessante, que pretendo resenhar, onde um dos personagens afirma que ele procura viver de forma a não se irritar com o que lhe dizem - contanto que não seja verdade. Aquilo me balançou bastante. 





Poema Bonito

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Eu quis escrever  Um grande poema  Que fosse bonito, Sonoro e dourado, Pra dizer de mim Do começo ao fim, Em poucas palavras...
Peguei na caneta, Calcando com força  A ponta, nas asas Da imaginação Sobre a branca página... -Somente rabiscos Da mente, da mão...
De poema, nada!
Soltei a caneta, E mais um suspiro, O corpo caído Na rede, no vento... Os olhos se foram Perdidos no tempo, Singrando colinas, Sem qualquer intento.
Eu quis escrever  Um grande poema Que fosse bonito, Cheio de arabescos, Bem metrificado, Rimado, dosado, Rosado, suave...
Mas sempre que tento, Vem a minha alma E estraga tudo, Manchando as palavras, Misturando as rimas, Desmetrificando, Dizendo bem mais Do que eu desejava.



CERTEZAS

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Ninguém chega à Estrada da Certeza sem antes passar pela Estrada da Dúvida. E quando estamos quase chegando lá, percebemos que a Estrada da Certeza  é  apenas uma miragem no caminho da Estrada da Fé.




Descansam

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Descansam meus mortos, no frio, Por trás dos sorrisos que minto; Descansam, os rostos nas flores, Os olhos nas pedras dos rios.
Descansam, querendo escutar As preces que  não mais lhes digo Pois as palavras não são pontes, São estradas que eu não sigo.
Descansam meus mortos, espero, Na paz que não me deixaram, Descansam nos lábios cerrados No adeus que não me disseram...
Descansam, sonhando com o tempo De morrer completamente Quando forem esquecidos Pelos que ainda sentem.




UM DESAFIO - Encontrei no blog do Bratz

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O Paulo foi convidado pelo Mark que foi convidado pelo Mikel para participar de um desafio (acho que foi assim). Vi no blog do Paulo Bratz, e ele deixou a participação livre, e como gostei, decidi participar. Como ele diz, "Basicamente, temos de completar as frases que se seguem com, e cito, "a primeira coisa que nos vier à cabeça". Uma publicação para descontrair, que muito pode dizer de cada um de nós."



Sou muito ... ainda, e infelizmente, crítica. De mim mesma, principalmente, e também dos outros.  Não suporto ... mentiras Eu nunca ... pratiquei esportes perigosos, e nem praticaria. Já me zanguei ... com muita gente, mas embora eu consiga odiar intensamente por cinco minutos, logo depois o ódio transforma-se em indiferença. Quando era criança ... tinha dificuldades em aceitar as brincadeiras impostas pelas outras crianças, e por isso, passava muitas horas brincando sozinha. Sempre gostei de tocar meu próprio trombone e viver segundo minhas regras. Morro de medo…

LOBOTOMIA

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Me ensina, Me asperge, Me guia!
Fazei, com cuidado, A lobotomia Que poupe o trabalho De fazer escolhas, Pensar, decidir, Varrer, do quintal As folhas e frutos Que eu mesma derrubo Ou deixo cair!
Me mostra o caminho Durante a viagem, Me diz quando eu devo Falar e calar, E ter a fé cega Que poupa o olhar Mais meticuloso, O olhar de entender, O olhar de julgar O que é bom ou mau, -Me manda um sinal!
Eu fecho meus olhos, Abaixo a cabeça, Eu tapo os ouvidos, Eu faço oferendas Que custam-me o pão Que a vida me dá Pela salvação, Por pura preguiça De apenas pensar...



Talvez eu Morra

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Talvez eu morra, E há de ser  Um ato de fé, Não de vingança...
E a minha morte Não vai ser nada, O mundo vai girar E o dia vai raiar Como sempre.
Talvez eu morra, sim, Mas não há de ser Por você - e nem por mim; A minha morte Não será nem Um golpe de sorte, Mas uma prova Da misericórdia Da vida.
Talvez eu morra, Quem sabe, hoje, E tu descubras Que a tua vida Ficou vazia, e no teu peito Ficará sempre O meu vazio,  A tua azia...




O Espelho das Coisas

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Estive pensando (e quando isso acontece, questionamentos estranhos podem surgir): Qual é a maneira mais confiável de nos vermos refletidos? Imediatamente, você pensou: "Em um espelho!" Mas... será mesmo?
Quando eu me olho no espelho, vejo o meu lado de fora. Talvez, se eu insistir um pouco, possa enxergar uma outra pessoa que me olha, lá de dentro das minhas próprias retinas. Ela tenta ser ouvida, ela quer existir e ser real, mas nem sempre, quem se olha no espelho quer ver a pessoa que está do lado de dentro, e sim, a casca que a encobre.
A melhor maneira de enxergar a si mesmo, é fechando os olhos e os ouvidos. Por que? Quando abrimos os olhos e os ouvidos, enxergamos as aparências, as ilusões e os rótulos que a sociedade e até nós mesmos criamos sobre nós. Podemos passar horas preocupados com a impressão que causamos nos outros, e dependemos do aplauso alheio para que nos sintamos alguém... e isto é desastroso! Quem se espelha nos olhos alheios escraviza a si mesmo. 
Cer…

O PODER DO VERBO PODER

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Nossas almas são campos vastos, e não conhecemos todos os seus caminhos. Por isso, nos perdemos durante a caminhada. Não conhecer a si mesmo faz com que apontemos para o outro, quando ele cai, batendo no peito e dizendo que se fosse o caso, se estivéssemos na mesma situação, faríamos diferente deles. Este é justamente o caso das pessoas comuns que observam os que estão no poder. Falam de seus desmandos e erros, promessas não cumpridas e corrupções, como se fossem, eles mesmos, isentos de culpas. Juram que teriam feito bem melhor, ou que fariam bem melhor, se a chance lhes fosse dada, mas não conhecem o suficiente as suas próprias almas para saber se teriam sido mais fortes do que aqueles que se corromperam.
O poder conjuga o verbo poder: poder acima de todas as coisas, acima de tudo, abrir a mão e pegar, tomar para si o que não lhe pertence, usar como bem entende o dinheiro público, pois afinal de contas, “Se eu não pegar, outros o farão, é dinheiro perdido, é muito dinheiro... serei…

Música é Magia

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Marido acompanhando as letras de Simon & Garfunkel; achei esta imagem poética.







MÚSICA É MAGIA

Tarde chuvosa. Dias de férias. Bom momento para colocar a memória em ordem, e resgatar momentos antigos. Subimos para  a varanda, espalhando os vinis pelo chão. Alguns deles eu já não escutava há mais de dez anos, e conforme a agulha levava o som dos sulcos aos alto-falantes, eu via velhos rostos conhecidos que se foram  há tantos anos - alguns por circunstâncias da vida (ela mesma junta e separa), e outros, por circunstânias da morte (que se pensarmos bem, é uma circunstância da vida). 
E lá estavam todos eles, apenas esperando uma chance de se mostrarem para mim novamente. Nenhum deles envelheceu ou modificou-se. E enquanto eu estendia meu braço e os tocava, eu me tornava como eles: jovem novamente.
A música é algo poderoso! Ela tem a magia de transformar pequenos momentos em eternidade. Ela traz de volta acontecimentos, lugares, pessoas, e também desperta antigos e novos desejos. Sempr…

O CONVITE

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Era festa brava,  Regada ao doce mel das favas, (Às favas, os motivos reais Para tal comemoração.)
As bandejas passando à altura dos rostos, Os olhos compridos, Os dedos ansiosos ao banquete posto: Ao provar... - o desgosto!
Os tais canapés, recheados de pedras, Quebravam os dentes de quem os provava, Desciam lanhando  as gargantas, sem dó, Tão inadequados à ocasião!
Mas era melhor mastigar e engolir, Sempre sorrindo, sempre bem gentil, Ignorando a brutal discrepância Do anfitrião que tão mal lhes serviu?




JANEIROS

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Janeiros nos chegam sempre
Com perfumes de esperança,
E segredos costurados
Às bainhas e às mangas.



Um olhar mais atrevido
Em direção ao futuro,
Pulo alto, que nos mostra
O que há por trás do muro.



Janeiros são sempre quentes
Deste lado do hemisfério,
Com mil fogos de artifício
Explodindo seu mistério.



Mas vem, então, Fevereiro,
De braços dados com Março,
Abril, Maio, Junho, Julho,
-E às promessas, um abraço...





VÁ VER A NEVE!

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Vá ver a neve, Colha um floco na mão E veja o quanto é lindo, O quanto é branco, O quanto é leve...
-O quanto é breve!
Erga o rosto para o céu, E receba o beijo frio Que te fará despertar Para a beleza mais simples Que está em tudo o que há.
Vá ver a neve, Abra a janela, bem cedo, E veja como ela cobre De branco, toda a paisagem...
E se olhar com cuidado, Verá pedaços da vida Voando nos ventos, Verá os sorrisos e os rostos Dos que de você, se lembram, Caindo sobre os beirais...
Colha outro floco, Olhe ainda mais perto, E verá que a tua vida Também se derrete Como esse floco de neve, Como uma bala de anis...
-E então, lembre-se sempre De ser total e absurdamente Muito feliz!




Para
Isabela
e
Leo





Para o Céu

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Para o Céu

A fim de chegarem ao céu, Muitos exercem a hipocrisia...
Se todos eles chegassem Ao céu, por tal heresia, O inferno um lugar bem melhor Com toda certeza, seria.






MORTE: UM CASTIGO?

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O que é a morte, qual o seu significado? Acho que ele é mais simples do que parece a todos nós. Morrer significa que se esteve vivo. Todos morreremos um dia, e portanto, a morte não é um castigo, ela é apenas o fluxo da vida desaguando em seu mar.
A minha fé é na vida, não na morte. O que dói não é a morte em si, mas a separação. Choramos pelo que não nos ficou, pelo que perdemos, pela distância que se estabelece; é como se a pessoa que se foi tivesse viajado de repente para bem longe, e a única certeza, é de que não a veremos mais enquanto estivermos aqui. Mas resta-nos a esperança de um dia, quando a nossa viagem chegar, reencontrá-la.
Não desejo a morte a ninguém. Isto é falta de fé, além de egoísmo. Todo mundo que está vivo tem o direito de estar vivo. Há momentos de fúria, quando fico sabendo de algum crime cruel contra alguma criatura inocente, em que desejo a morte, o desaparecimento desta pessoa que o cometeu, mas depois eu vejo que estou errada. A morte de uma pessoa não far…

UM PASSO

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Às vezes, toda uma vida Depende de um único passo Em direção a alguém Para dentro de um abraço.
Ou de ouvidos emprestados, Palavra dada de graça; -Poderão ser valiosos Para uma vida que passa!
Um olhar atencioso Mesmo que dure um minuto, Um pedacinho de tempo Poderá salvar um mundo!
Mas às vezes, assim penso, Uma vida toda pende Sobre a generosidade De um pouco de silêncio...