O que Você Viu Naquele Dia




O que você viu, naquele dia,
Foi meu peito aberto, a sangrar,
Foram as veias que se arrebentavam
E eu não conseguia mais segurar...

O grito saiu, rasgando tudo,
Tudo o que eu vinha tentando calar,
O pino da força rompeu, finalmente,
E a forte corrente se pôs a jorrar.


O que você escutou naquele dia,
Foi a voz do que eu tinha tentado calar,
E eu sinto não ter conseguido ser forte
Para te segurar, e estancar o teu corte...

E o que se deu naquele dia absurdo,
Salvou minha vida, e me aliviou,
Abriu-me a garganta, e aquela pressão
Que me sufocava, cedeu, finalmente...

E foi tão de repente, como você viu,
Inesperadamente, te causando a mágoa
De ter testemunhado o que menos esperava:
Um coração ferido, enquanto se rasgava.




ps: Sei que estou em falta com minhas leituras, e peço-lhes desculpas; internet ruim e outros motivos me mantiveram um pouco afastada nos últimos dias, mas em breve, retornarei com força total, pois adoro ler - tanto quanto escrever.

Comentários

  1. Olá Ana,

    Seu belo poema retrata o que pode acontecer quando nos calamos sempre diante do que nos magoa, aborrece ou infelicita. Chega um momento em que cai a última gota e torna-se impossível segurar a explosão da alma. Daí, saem pela boca palavras há muito guardadas e que, inevitavelmente, ferem a quem se destina. Contudo, depois de lavada a alma e restabelecido o entendimento, a paz volta ao coração. Palavras sufocadas são um desastre para o nosso espírito e corpo físico. Sou daquelas que precisa aprender a deixar sair as palavras, pois para não magoar costumo engoli-las e meu corpo acaba sofrendo as consequências.
    Parabéns pelo poema intenso e lindo.

    Feliz semana.

    Beijo.

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  2. Intenso e profundo poema.Lindo! Tudo de bom! bjs, chica

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  3. Ana, corajoso esse teu esventrar da alma!
    Mas o poeta é um fingidor e finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente - Pessoa assim falou!
    Beijo

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  4. Uma explosão. Assim vejo o soltar do grito contido. Não pode tardar para não machucar ainda mais, quem liberta as palavras e quem as ouve. Sempre muito belas as suas construções. Bjs.

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  5. Ana é muito difícil guardar o que não nos agrada, forma um volume e uma pressão tão grande, difícil de controlar, mas ainda bem que passou. E, assim você criou mais um poema do que te aliviou, a sua arte com as palavras sentidas. Amei e agradeço, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  6. Olá! Muito gostoso de ler. Precisamos soltar o que pode expressar os nossos sentimentos! abração

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  7. Poema muito bonito e rasgante! Precisamos falar e expressar os nossos sentimentos...

    Um Bom Dia, Ana! Abraços

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  8. Beleza e inspiração profunda na raiz da dor.
    Um belo trabalho Ana.
    Abraços.

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