segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Descobertas




Ontem li uma postagem do blog da Sheila, Passarinhos no Telhado, e fiquei pensando em muitas coisas que me aconteceram. Ela fala da necessidade de deixar ir pessoas e coisas que não mais se harmonizam conosco. Diz que, apesar de continuarmos amando e desejando o bem, quando não dá mais, é porque... não dá mais.

E eu concordo plenamente com ela. A gente vem para esse mundo sendo sempre condicionados a acreditar que alguns relacionamentos são cármicos, e que por isso somos obrigados a conviver com certas coisas. A gente tenta, e tenta, e tenta. Até que chega uma hora que a gente abre os olhos e percebe que vem sabotando a nós mesmos e nos submetendo voluntariamente a dores, decepções  e sofrimentos desnecessários, de gente que não gosta da gente de verdade, não nos admira e não nos respeita. Gente que só lembra de nós quando precisa. Gente que, quando a gente chega para uma visita, finge que a gente não está lá ou demonstra sua desaprovação e desprezo à nossa presença. Gente de íntimo convívio que dá festas em casa e posta as fotos no Facebook para você saber que estava todo mundo lá, e você não foi convidada. Gente que, ao ouvir um "não" de nossa parte, passa a nos ignorar e confabular contra nós. Gente que sente um prazer mórbido em demonstrar todo o seu desprezo pelas nossas conquistas, e que não é capaz de uma palavra ou gesto de alegria pelo que você conquistou. Gente que só gosta da gente se nos comportarmos como bonequinhos de controle remoto, dizendo "sim" a tudo o que eles querem.

Mas mesmo que seja depois de muitos anos, sempre é tempo para perceber e (mais difícil) admitir para si mesmo que não tem mais jeito, não dá mais, chegou ao cúmulo da falta de respeito próprio tentar ser aceito ou amado por gente assim, por mais próximos que eles sejam. E a gente deixa essa gente ir. Solta. A gente passa a ser ausente na vida dessa gente que constantemente se fez ausente nos nossos momentos importantes, e que não respeita ou aprende, nem mesmo através das maiores dores, que nós não somos nada!

E dói, dói muito. Mas de repente, nos vem aquela sensação de leveza. "Nossa," a gente pensa, "Como consegui carregar todo esse peso nos ombros durante toda  minha vida?! Como foi possível ouvir tantas coisas e calar tantas coisas? Como pude desviar das indiretas que sempre foram tão maldosamente diretas? Como foi possível viver tanto tempo fingindo que não percebeu e fazendo de tudo para aceitar os outros "como eles são", enquanto ninguém nunca fez o menor esforço para me aceitar como eu sou?"

E os passos da gente ficam fluidos de repente. As coisas melhoram, a gente começa a andar para frente e se acostuma com certas ausências. E vê que é muito bom não ter que aturar tanta coisa!




7 comentários:

  1. Feliz segunda-feira!
    Excelente postura sua de fazer essa postagem e citar sua inspiração, claro sua reflexão ajudou muito.
    Você é maravilhosa.
    Beijinho.
    Nicinha

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  2. Gostava tanto de ser assim.

    Creio que estás certa,mas há certas pessoas que teimam em me magoar mesmo sem contactos de anos.

    Sei que a culpa é minha, mas é-me dificil esquecer e talvez perdoar.

    Beijinhos

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  3. Olá Ana,

    Como seria bom morar numa casa assim, onde até a tristeza pula de alegria- rs.
    Particularmente, acho excelente essa filosofia de 'deixar ir' o que não nos acrescenta e até nos aborrece. Isso não implica que apaguemos o afeto, quando se trata de pessoas mais ligadas, principalmente com vínculo familiar. Contudo, se não dá para se ter uma convivência harmônica e gratificante, melhor mesmo afastar-se e não procurar saber de nada da vida de tais pessoas. Afeto, consideração e respeito são objeto de troca. Se damos e não recebemos não vale a pena insistir na convivência, ainda que fosse de nossa vontade. Muitas vezes a inveja se faz presente quando acontece procedimentos assim, como você relata. Também já ocorreu comigo e ainda ocorre, de pensar que certos relacionamentos são cármicos e que devemos nos esforçar para mantê-los por julgar que há um ciclo a ser concluído nesses relacionamentos. Todavia, estou chegando à conclusão de que manter distância é uma maneira de não se assumir novos compromissos cármicos. Creio que o certo seria estarmos disponíveis quando procurados e não virar as costas nesse momento. No mais, é seguir adiante, com a consciência tranquila. Afinal, paz de espírito é o que todos desejamos e precisamos.

    Beijo.

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  4. Ana, pensamos que vamos sentir falta de algumas pessoas, que a convivência é necessária, e vamos nos abaixando cada vez mais, sufocando nosso sentir em prol do benefício delas. Acordar para o fato é importante. O corte traz dor, pois nos acostumamos até com o que não nos faz bem. Mas a distância nos mostra o quanto precisávamos do desligamento e quanto peso tiramos dos ombros e do coração. Bjs.

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  5. Creio que deixar ir essas pessoas tb faz parte do nosso amadurecimento e exige certa coragem. O premio é essa deliciosa sensação de liberdade! Lindo texto! bjs e boa semana,

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  6. Eu estava precisando ler isso, aliás isso veio pra mim duas vezes hj rs..

    DEUS QUER TE ENSINAR A PROSSEGUIR COM QUEM ELE ESCOLHEU, NÃO COM QUEM VOCÊ GOSTA.

    A gente precisa abrir mão das pessoas, nem todas que estão conosco hj, vão poder caminhar para o nosso futuro, simplesmente pq não dá.
    E que Deus ajude a gente a enxergar,tire da nossa vida todos que não estão prontos para seguir conosco. Não precisamos de pessoas falsas, desleais ou aproveitadoras.

    bjokas =)

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  7. Ana adoro sua forma de encarar a vida, cada vez mais solta, aprendo muito com você, nesta minha fase de transição. Sempre fui muito preocupada com o que iam falar de mim, se não concordasse ou não aceitasse a pessoa, hoje percebo que nenhum deles faz falta e minha casa está mais aconchegante, mesmo vazia. Aqui, agora, é tudo alegria. Obrigada, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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