terça-feira, 11 de agosto de 2015
CHORA!
CHORA!
Chora, copiosamente
Pela dor de ter perdido
O que nunca foi real,
Fruto da mente carente,
O que não foi possuído!
Chora, por desilusão,
E nem sabe que implora
Pela volta impossível
De um personagem lúdico,
Que foi sem nunca ter sido!
Chora, pelo que amou,
E diante do tal vazio
Que ficou, quando as cortinas
Se fecharam, de repente,
E a luz se apagou!
Chora, urrando de saudade
Ao ver morrer sua libido,
Por jamais ter conseguido
Satisfazer a vontade...
-E hoje, o sonho acabou!
Chora, e segue derramando
Pelo chão lúgubre e frio
Rios de lágrimas quentes
Mil preces benevolentes
Sobre um túmulo vazio...
Arthur Rimbaud
Canção da Torre Mais Alta
Mocidade presa
A tudo oprimida
Por delicadeza
Eu perdi a vida.
Ah! Que o tempo venha
Em que a alma se empenha.
Eu me disse: cessa,
Que ninguém te veja:
E sem a promessa
De algum bem que seja.
A ti só aspiro
Augusto retiro.
Tamanha paciência
Não me hei de esquecer.
Temor e dolência,
Aos céus fiz erguer.
E esta sede estranha
A ofuscar-me a entranha.
Qual o Prado imenso
Condenado a olvido,
Que cresce florido
De joio e de incenso
Ao feroz zunzum das
Moscas imundas.
"O poeta se faz vidente por um longo, imenso e pensado desregramento de todos os sentidos. todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; ele busca a si mesmo, ele exaure em si mesmo todos os venenos, para então guardar apenas as quintessências. inefável tortura na qual necessita de toda a fé, toda a força sobre-humana, onde ele se torna entre todos o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito, – e o supremo sábio! – pois ele chega ao desconhecido! uma vez que ele cultivou sua alma, já rico, mais que todos! ele chega ao desconhecido, e quando, enlouquecido, ele acabaria por perder a inteligência de suas visões, ele as viu! que ele estoure em seu sobressalto pelas coisas inaudíveis e inomináveis: virão outros horríveis trabalhadores; eles começarão pelos horizontes onde o outro se abateu!"
Jean-Nicolas Arthur Rimbaud foi um poeta francês. Produziu suas obras mais famosas quando ainda era adolescente sendo descrito por Paul James, à época, como "um jovem Shakespeare". Wikipédia
Nascimento: 20 de outubro de 1854, Charleville-Mézières, França
Falecimento: 10 de novembro de 1891, Marselha, França
Obras: Une saison en enfer, Uma temporada no inferno, mais
Álbuns: Poètes & chansons: Arthur Rimbaud
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
UMA VASSOURA
Gosto de deixar limpas e perfumadas todas as casas das quais eu me mudo. Costumo acender um incenso, percorrer os cômodos e ir me despedindo. Penso que a nova família que irá ocupá-la, gostará de encontrar a casa limpa, sem poeira ou lixo, o chão brilhando, os banheiros lavados. Mas eu nunca levo panos de limpeza usados ou vassouras velhas; jogo tudo fora.
A única vassoura que me acompanha desde que me casei é uma antiga, feita de crina de cavalo (naquela época, era comum que colchões e vassouras fossem feitos dos pelos desses pobres animais, e ninguém parava para pensar no assunto...). Só sei que a vassoura tem quase vinte e cinco anos hoje, e está perfeita. Dela, eu não me separo. Ela já viu muitas vassouras novas chegarem cheias de pompa e circunstância, se achando as tais, e irem embora, jogadas no lixo ao se tornarem inúteis, enquanto ela permanece firme e forte, as cerdas perfeitas, o cabo de ferro pintado de vermelho já descascando aqui e ali, mas firme no lugar. Ela foi a única que eu trouxe comigo do apartamento onde moramos quando nos casamos e mais tarde, da antiga casa.
Ainda na casa antiga, em ocasião na qual fazíamos obras no banheiro, me lembro de um dia em que antes de sair de casa, avisei ao pedreiro: "Se precisar varrer pó de cimento do chão, por favor, use a vassoura de piaçava. Não use minha vassoura de pelo para varrer sujeira de obra, OK?" Ele concordou comigo, e fui sair, tranquila.
Quase tive um ataque de nervos quando, ao voltar, encontrei-o varrendo cimento úmido com minha vassoura de estimação! Já quase gritando, me lembro de dizer: "Mas eu não avisei para não usar a minha vassoura para fazer este tipo de serviço?!" Ele nem se abalou: "Era a que estava mais perto no momento." Arranquei minha vassoura das mãos dele, e "cantando pneus," fui para o tanque lavá-la antes que o cimento secasse. Nunca mais ele tocou na minha vassoura.
Hoje, aos quase cinquenta anos de idade, eu às vezes penso se esta será a nossa última casa, se nós moraremos nela até o fim da vida ou se acabaremos nos mudando para um apartamento menor, sem escadas ou jardim e mais fácil de limpar e cuidar quando ficarmos mais velhos. Bem, seja qual for a resposta, a vassoura estará conosco, e será com ela que varrerei meu alpendre pela última vez - esteja onde estiver.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
O JARDIM
De repente,
Largou os brinquedos e os enredos,
Abandonou, sem medos, seu cowboy
Seguindo a estranha moça até o portão.
Disseram que eles foram de mãos dadas,
Deixando, no quintal, abandonadas,
A infância, as esperanças, a ilusão.
De repente,
O vento trouxe a chuva sobre tudo,
Enferrujou gangorras e balanços,
E apagou os passos pelo chão.
Disseram que ele não deixou bilhetes,
Mas a voz de criança, num falsete,
Ecoa, às vezes, entre a solidão.
UMA HOMENAGEM A TODAS AS CRIANÇAS ROUBADAS, DAS QUAIS NINGUÉM NUNCA MAIS TEVE NOTÍCIAS.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
VOAR E VIVER
Lembro-me de que quando voei pela primeira vez, ao decolar, tive uma sensação de vazio por dentro, como se tivesse soltado tudo o que me segurava à terra de repente; todos os medos, apegos, raízes. Pensei, enquanto olhava pela janelinha do avião e via a terra ficando pequenininha: “Estou no ar! Estou totalmente dependurada no ar, e ninguém, a não ser as leis da física, estão me segurando! Como pode, algo tão pesado, pairando desse jeito?”
Algumas pessoas podem dizer que é Deus quem está segurando o avião, e talvez seja mesmo; porém, se pensarmos um pouquinho, saberemos que mesmo que Deus segure o avião no ar -com a ajuda e a habilidade dos pilotos - se houver uma falha mecânica ou humana, ele despenca. Acidentes de avião acontecem quase todos os dias, e a maioria deles é fatal para todos os ocupantes. Mas, mesmo sabendo disso, nós voamos. Despachamos nossas bagagens e entramos no avião como se fosse a coisa mais normal do mundo, e não sabemos se decolaremos e pousaremos de maneira segura. Confiamos no piloto. Confiamos na mecânica e na física. Confiamos na nossa boa estrela.
Confiamos em Deus.
Mas os aviões caem, e às vezes, com pessoas que amamos dentro deles, ou quem sabe, conosco.
Viver é como voar: não sabemos o que nos espera, e por isso, contamos com a fé na vida, tentando acreditar que tudo ficará bem. Vivemos e voamos, pois ficar parados, com medo do que possa acontecer, não leva a lugar nenhum. A única chance que temos de chegar a algum lugar, é nos arriscarmos a entrar no avião, e fazer planos para um futuro que não sabemos se teremos, e mesmo conscientes de que um dia tudo termina, agirmos com a fé de quem flutua na eternidade.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
SOBRE A POESIA
Sobre a poesia, algumas visões poéticas:
"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti..."
Mario Quintana
Poeminha Amoroso
"Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."
Cora Coralina
"Árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as
transformamos em papel para registrar todo nosso vazio."
Khalil Gibran
"O que eu odeio é que algum dia tudo se reduzirá a nada, os amores, os poemas. Acabaremos recheados de terra como um taco barato. Que coisa mais triste, tudo é tão triste - a gente passa a vida inteira feito bobo pra depois morrer que nem besta."
Charles Bukowski
NA SERRA
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Vista da BR 040, antes da devastação |
Ontem, ao descer e subir a Serra - BR 040 - para um passeio, fiquei um tanto triste; não vi mais a água que escorria das pedras. Não vi as minas e fontes que costumavam jorrar na estrada Rio/Petrópolis. Devido às obras de duplicação, milhares de árvores foram cortadas, e seus tocos permanecem ainda, como prova do verdadeiro assassínio do qual foram vítimas em nome da mobilidade e da praticidade..
A ampliação da estrada trará à Petrópolis o famigerado "progresso." Mais pessoas virão para cá. Algumas delas começarão a morar, quem sabe, em um dos mais de trinta enormes condomínios que estão sendo construídos em áreas antes preservadas de Corrêas, Itaipava e Nogueira. Se já há a falta d'água para os que aqui estão, fico me perguntando como será quando a população for quase duplicada. Penso nos engarrafamentos que estas pessoas enfrentarão todas as manhãs ao se dirigirem ao trabalho e ao voltarem para suas casas.
Muitos vem morar aqui em busca de uma vida mais calma e de um espaço mais verde e fresco; alguns vem em busca de água pura de boa qualidade. Acho que se decepcionarão quando perceberem que estas coisas estão cada vez mais ausentes. Quase não houve inverno em Petrópolis em 2015. Os verões estão cada vez mais quentes e a água, cada vez mais rara.
Dentro do carro, lembrei-me do alívio que eu sentia quando, ao voltar das férias na região dos lagos, começávamos a subir a serra e abríamos as janelas do carro para sentir o perfume da floresta e o frescor do anoitecer. Assim que fazíamos a curva em Duque de Caxias e começávamos a subir, a mudança no clima era sentida. Ontem, ao percorrer a estrada e ver as marcas ressecadas sobre as rochas, onde antes escorria água de mina, senti muita tristeza. Estava tudo seco. Seco e quente.
Eu entendo que as coisas precisam mudar. Entendo a necessidade do progresso. Mas também entendo que deveria haver mais controle e menos especulações financeiras controlando o progresso. As encostas de Petrópolis, invadidas, desabam nos períodos de chuva - e por isso mesmo, não sei se a diminuição drástica das chuvas é um fator positivo ou negativo. O que vale mais: preservar as encostas e minas d´água, a flora e a fauna, ou as construções irregulares onde moram milhares de famílias? Decisão complicada e dolorida, pois qualquer que seja a conclusão, saímos perdendo.
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BR040 - em obras... |
MAGIA
Magia é aquilo que se deita sobre a relva
Bem cedo, de manhã,
E depois se ergue em um fio
Pelo bico do passarinho,
Transmuta-se em canto.
Magia é aquilo que nos olha de dentro da neblina,
Entre a densidade branca e úmida
Que envolve os caules e as folhas,
Escondendo os picos das montanhas
E transformando, por instantes,
O mundo em Avalon.
Magia é aquilo que viaja com os ventos,
Entranhando-se em nossos cabelos,
Eriçando nossos pelos,
Fazendo cantar as frestas das janelas.
Magia é aquilo que se esconde atrás do luar,
No lado mais escuro
Onde nenhum astronauta jamais há de pisar.
domingo, 2 de agosto de 2015
UMIDADE
Rolam sobre a pedra
As gotas de chuva,
Tecendo macias estradas
De veludo verde.
A folha goteja
A vida,
Entregando à terra
Sua esperança.
Barulho de água
Na mata fechada
Ecoa mensagens
De lagos de luz.
A nascente abre
Seu ventre entre as folhas
Parindo umidade.
As gotas de chuva
Na teia de aranha
Parecem minúsculas
Uvas de vidro.
Eu peço que chova
Sobre as cabeceiras
Onde sonham as nascentes
E os rios.
ACENDA UMA VELA!
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Iluminarium, em Itaipava. |
Nada mais romântico que um jantar à luz de velas. As pupilas ficam mais dilatadas, tornando os olhares mais intensos, e a iluminação suave torna tudo bem mais romântico e aconchegante.
Quando eu era criança, havia períodos de falta de luz quase todas as noites em meu bairro, e nós sempre tínhamos velas em casa. Era acabar a luz e minha mãe acendia as velas pela casa, que de repente se transformava em um universo paralelo e mágico onde tudo era possível! Poderia haver fadas, duendes ou monstros descansando entre as sombras, e minha imaginação de criadora de histórias, que aflorou bem cedo, começava a funcionar a todo vapor.
As primeira velas das quais se tem notícia remontam aos tempos primitivos, segundo pinturas encontradas em cavernas, e eram feitas de gordura animal. De acordo com o site A ORIGEM DAS COISAS, "As primeiras referências às velas datam do séc. X a.C. e vêm referidas em textos Bíblicos. Essas velas eram nada mais que simples de juncos besuntados com sebo. Descobertas arqueológicas encontraram no Egito e na Grécia velas com formato de bastão. Para os gregos as velas simbolizavam o luar e constatou-se que na Grécia as velas eram usadas ao 6º dia de cada mês como adoração a Artemisa, a deusa grega da caça."
Até hoje, a maioria das religiões tem as velas como parte de seus rituais. Acendemos velas aos mortos, acreditando que elas podem iluminar-lhes os caminhos. Também as usamos para agradecer por uma graça alcançada e para pedirmos iluminação e proteção aos nossos anjos guardiões. E durante os aniversários, quem não gosta de cantar "Parabéns à você" e apagar as velinhas?
Acreditava-se, antigamente, que a chama das velas, quando fixadas insistentemente, possibilitava a visão de espíritos e a previsão do futuro. A antiga dinastia chinesa costumava usar relógios de velas para contar o tempo.
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Iluminarium, em Itaipava |
Hoje, utilizamos velas não apenas para iluminar ambientes quando a luz acaba, mas também como ornamentos decorativos. Algumas são tão lindas, que a gente tem pena de acender os pavios! Tenho aqui em casa minha pequena coleção de velas, que eu geralmente adquiro em Itaipava, no Shopping Vilarejo, em uma lojinha que é um encanto só, chamada "Iluminarium." A página no Facebook:https://pt-br.facebook.com/IluminariumVelasEDecoracoes. Lá, além das velas, tem coisas lindas para decorar a casa e presentear os amigos. É tanta coisa bonita, que a gente não sabe para onde olhar!
As velas podem ser temáticas, comemorativas; eles tem velas para todas as ocasiões e datas especiais! Conhecer esta loja é algo que eu recomendo.
Aqui em casa, temos velas enfeitando o espaço em volta da lareira, espalhadas em cachepôs que pendem do telhado da varanda, enfim, enfeitando quase todos os espaços da casa. Eu adoro!
sexta-feira, 31 de julho de 2015
ONDE A SAUDADE MORA...
A saudade
Mora nos retratos,
Debaixo das camas,
Dentro dos armários,
No fundo espelhado dos pratos.
Tem pés que pisam duro,
Fazendo barulho,
A saudade.
Não perdoa a noite,
E é quando ela vem
Ainda mais forte,
Invadindo os sonhos...
E pela madrugada,
Antes que alguém dê conta,
Desce ruidosamente
Se senta na poltrona,
Aguarda-nos na sala.
SE EU FOSSE...
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o luar aqui em casa, ontem... |
Olhando para trás,
Buscando a vida na memória,
Vejo os restos que ficaram nos trilhos
Depois que o trem passou,
E penso:
- Ah, se eu fosse me importar!
Espadas e dentes,
Navalhas e pentes,
Os caules sem flores,
As contas caídas
Dos colares arrebentados
Da vida!
Só ossos e restos,
Que já nem mais cheiram,
Que já nem mais falam,
Bocas ressequidas,
Dedos desmanchados,
Peles carcomidas,
Almas que voaram,
Outras que ficaram
E que se perderam
Nas tramas furadas
Dessa estranha vida...
terça-feira, 28 de julho de 2015
A Saudade que eu Sentia
A saudade que eu sentia
Passou,
Como um trem que vai pra longe
Levando dentro dele
A dor que me apertava.
Eu vi você,
À janela desse trem,
E me despedi
Sem medos ou sustos,
Sem apegos ou suspiros
Da mão que me acenava...
segunda-feira, 27 de julho de 2015
ECLESIASTES

Um dos capítulos mais interessantes da Bíblia, o Eclesiastes, que é tão antigo, mas tão atual. Diz tudo! Aqui, algumas passagens.
Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito.
O tolo cruza as suas mãos, e come a sua própria carne.
Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito.
Outra vez me voltei, e vi vaidade debaixo do sol.
Há um que é só, e não tem ninguém, nem tampouco filho nem irmão; e contudo não cessa do seu trabalho, e também seus olhos não se satisfazem com riqueza; nem diz: Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem? Também isto é vaidade e enfadonha ocupação.
Eclesiastes 4:4-8

Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.
Eclesiastes 1:1-11

Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará.
Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas.
Eclesiastes 11:3-6
No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.
Eclesiastes 7:14

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.
Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.
Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?
Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?
Eclesiastes 3:1-22
Maçã
Da carne branca, o sumo doce,
No coração, suas sementes
Que são cuspidas entre os dentes.
E o futuro cai no chão
De forma simples, displicente...
sábado, 25 de julho de 2015
GEENA
Tudo em vão:
O orgulho, a tempestade,
O pescoço esticado,
A voz de trovão!
Depois que a chuva caiu,
A terra bebeu as gotas
Que sumiram no solo...
A métrica desmedida,
A palavra torcida,
O asco, a presunção,
-Tudo foi em vão!
No colo de Deus
Sentar-se-hão todos,
Bons e maus poetas,
Os ricos, os pobres,
Os puros e os pecadores,
Os ateus, os ascetas,
Os que morrem de rir
E os que morrem entre dores.
-Eu morro de rir!
Já vi, tantas vezes, a montanha ruir,
Já vi rios caudalosos,
Ter caladas as suas pororocas
Virando lama nas margens
Onde dormem os caranguejos!
Já vi, entre as docas,
Cobertos de andrajos,
Bebendo da mesma garrafa
Os corvos e os espantalhos!
E eu,
Morro de rir...
E hei de rir de novo,
Ao nos reencontrarmos
No meio do povo
Que habita a Geena,
Na mesma cena!
OS BOLOS E OS TOLOS
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Imagem: Casa de Chá Benedicto, em Itaipava, onde as coisas são feitas e servidas com todo carinho. |
Faltam alguns minutos até a próxima aula. Ligo a TV para passar o tempo, e deparo com um reality show sobre aspirantes a chefes de cozinha, onde o desafio do dia é fazer o bolo mais saboroso e apresentável. Os candidatos, que se esforçam ao máximo, são divididos em equipes, mas ao final do programa, tornam-se rivais. Todos estão muito estressados, e apesar de trabalharem juntos, não conseguem esconder seu medo, sua insegurança e seu alto grau de competitividade.
O tempo é contado. Tempo é moeda forte no programa onde a tarefa é hercúlea, e talvez seja tão curto, apenas para aumentar ainda mais o estresse dos participantes. E de repente, alguém anuncia: "O tempo acabou!" Neste momento, todos tem que parar imediatamente, ou terão pontos descontados na avaliação.
Chega o momento da análise, onde amostras dos bolos são apresentadas para uma equipe de chefs já famosos: a equipe julgadora. Um a um, eles colocam os pedaços na boca, mastigando devagar, e algumas vezes, fazendo cara de nojo. No rosto do candidato, algo entre o desespero, a humilhação e a ansiedade, mas principalmente, a humilhação ao terem suas obras severa e sarcasticamente criticadas ao vivo e à cores. Eles torcem as mãos. Através da telinha, vejo seus rostos ficando vermelhos, e depois, pálidos, e novamente vermelhos. Alguns começam a chorar, enquanto outros cerram os lábios tentando se controlar.
Finalmente, ao final do programa, um deles é escolhido como o melhor e outro deixa o programa como se fosse um cão escorraçado.
Fico me perguntando: por que alguém se submete àquilo, meu Deus? Será que eles não sabem que cozinhar é uma arte que demanda paz de espírito, calma, bom humor e muito amor? Melhor seria se colocassem entre os juízes pessoas que os candidatos amassem, pois assim, cada um seria capaz de dar o melhor de si, pois cozinhar sabendo que alguém que amamos vai comer aquela comida, faz com que ela tenha o tempero certo na medida certa. Mas não; é uma competição - apenas mais uma entre tantas que existem no mercado de trabalho. Vejo essas coisas e penso: está tudo errado.
Em outro programa, vejo um chef de cozinha grosseiro e mal-educado, que grita o tempo todo e humilha os participantes enquanto berra suas ordens e ofensas, com a face vermelha feito uma pimenta malagueta adubada pelo ódio. Os candidatos correm de um lado para o outro, deixam as coisas cair, se desesperam. Quem consegue alcançar o sucesso, recebe apenas um tímido elogio cercado de críticas. Eu jamais conseguiria trabalhar em um lugar assim! Acho que deve ser como acordar todos os dias e encaminhar-se para um local onde pedaços das almas das pessoas são arrancados à dentadas. Preferiria continuar fazendo meu trabalho anonimamente, calma e relaxada, em minha própria cozinha.
Reflito: a pior coisa do mundo, o maior dos sofrimentos, é submeter-se àquilo que os outros exigem de nós, e depender de opiniões alheias para sermos felizes. O sucesso é sempre associado à luta, esforço, abnegação, dedicação total de tempo, competitividade, estresse. Ter sucesso não significa, de jeito nenhum, ser feliz.
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