domingo, 21 de fevereiro de 2016

ASSINATURA









Tenho, de cada gesto e palavra,
A escritura,
E dou gargalhadas
Daquilo que normalmente constrange.

Diante de tudo, um único rosto:
Seja alegria, dor, ironia, desgosto.
Estar inteira, e por completo
No meu céu ou inferno predileto.

Não , não há qualquer necessidade,
De desvelar o que está claro,
De encobrir o que é gritante
Se até meu ódio é diletante.

Piso com patas de elefante,
E espio com olhos de lince
Tudo aquilo que me cerca,
Tudo aquilo que me atinge.

Fascinam-me deveras
Enigmas e esfinges,
Olhares de fera
Palavras de estilingue.

E sob tudo o que permeio,
Do começo ao fim, e no meio,
Da lucidez à loucura,
Deixo, inconteste, hoje, e sempre,
A minha velha assinatura.



Ana Bailune


11 comentários:

  1. Ana, seus poemas e contos são de inigualável beleza e fonte de saber, como gostaria de mostrar a sua "Assinatura" em meu blog!
    Perdoe meu atrevimento, mas você é de um talento que jamais pensei existir, te admiro, obrigada pela partilha, tenha uma excelente semana, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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    Respostas
    1. Obrigada, Maria Teresa!
      Você pode levar meus poemas com você para onde quiser, republicá-los, imprimi-los, ler e reler. É para isso que eu os coloco online, fique à vontade!

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  2. Um poema veemente, escrito com muita perícia. Não sei porquê, me fez lembrar uma marca registrada, tipo aquele Z de Zorro. E a imagem, então, ficou show! Muito bom mesmo, Ana!

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  3. Bom dia, querida Ana!
    Encobrir o que é gritante não dá em bom resultado... mais tarde aflora...
    Bjm muito fraterno

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  4. Voltei a blogar. Estou com espaço novo. Aguardo visita dos amigos!!!

    http://momentosbrancoepreto.blogspot.com.br/

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  5. Gosh...this is so beautiful...it takes my breath away! :))

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  6. Um lindo poema onde a personalidade marcante aparece em sua assinatura.
    Um abraço.
    Élys.

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  7. Mais que autobiográfico, o seu texto é radiográfico, no sentido em que através dele exterioriza o seu ser por inteiro, através de toda e qualquer manifestaçao.
    É uma postura muito frontal, muito corajosa.
    Beijo, Ana!
    Nina

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  8. Mais que autobiográfico, o seu texto é radiográfico, no sentido em que através dele exterioriza o seu ser por inteiro, através de toda e qualquer manifestaçao.
    É uma postura muito frontal, muito corajosa.
    Beijo, Ana!
    Nina

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