Postagens

Mostrando postagens de Março, 2015

Minha Roseira

Imagem
Inspirada em um poema de Luiefmm, "CARAMUJO", publicado no Recanto das Letras



Minha Roseira

Minha roseira anda triste, Debruçada sobre o muro... Pendem rosas sem perfume, Quase sem cor e sem lume,  Transidas, num canto escuro.
Não tenho tempo de vê-las, Cheirá-las, amá-las, colhê-las...
Elas se abrem de manhã Desfolhando-se  à beira Do mais triste anoitecer...
Roseiras da minha vida... Sem a luz do meu olhar Morrem tristes, ressequidas, Esquecidas em um canto De jardim, onde ninguém Se lembrará de voltar!



POR UM TRIZ

Imagem
Se te deixa tão feliz Acreditar nas minhas mentiras, Que seja assim; (Deixo-te crer Que creio nas tuas).
A tranca da porta não tem trava, Quebrou-se o cadeado, Invade teu quarto o cheiro das ruas... Mas te sentes protegido Ao fingir que estás trancado.
Da bala perdida ao esconjuro, Teu coração, malogrado, Se arrasta no escuro Em busca da luz - que eu te juro Ainda brilha em mil vidrilhos.
Por um triz, Antes do trem, tu sais dos trilhos, Mas erras a letra e o estribilho, Tropeças na trave dos teus olhos, Mas vês os ciscos nos meus.
Por um triz, Te crês feliz, E eu te abençoo.



É sempre a mesma coisa...

Imagem
É Sempre a Mesma Coisa...

Acordo cedo, pois minhas aulas começam, geralmente, às sete da manhã. Gosto de ter tempo suficiente para tomar meu banho com calma, tomar café da manhã sentada e sem pressa, abrir a casa, cuidar dos meus cães e meditar alguns minutos. Portanto, eu geralmente me levanto às cinco e quarenta.  
Meus cães – Mottley e Leona – dormem na área de serviço, e mal escutam meus passos pela casa, começam a bater na porta de madeira. O dia começou, e eles estão ansiosos para brincar lá fora. Assim, abro a porta da cozinha que dá para o jardim e depois, abro a porta da área de serviço aonde eles dormem – as duas portas ficam bem em frente uma da outra. Os dois passam voando por mim, direto para o jardim, mas eu espero; sei o que vai acontecer logo em seguida: Mootley volta correndo, apanha um de seus brinquedos – geralmente, um caranguejo laranja – e com ele na boca, volta correndo para o jardim. Segundos depois, os dois voltam para me fazer muitas festinhas. Só então, par…

Sombrio

Imagem
Num canto escuro da casa Os fantasmas aguardam sentados, Os rostos na sombra, As mãos nos joelhos, Os olhos velados Por sob os chapéus.
As mulheres murmuram Debaixo  dos  véus, Os lábios cerrados, Os rostos em sépia, Os pés calejados Descalços e frios.
Os homens aguardam, De olhos fechados; Sonhando com o dia, Se perdem na noite Sonhos desbotados, Da Terra do Nunca, Da Terra do Nada Jamais voltarão.

Não há nada errado, É que eles se foram, Eles já morreram, Não são nem lembrança, Pois não há ninguém Que chore por eles, Que chame seus nomes, Que olhe os retratos!




Num Instante

Imagem
Pedaço quebrado de tempo, O instante; Jazendo entre a palavra, O silêncio E o livro na estante.
O tempo não perdoa, Ele anda depressa, E para quando bem quer: Segura, entre os dedos, O mister.
À janela, Um pássaro bobo Deixa um canto descuidado, Caído, Escorrendo sobre o reboco. 
Vem o tempo, e o silencia, Vem o tempo e o ressuscita.  Acende a luz da esperança E assim, ao mesmo tempo, Apaga as velas da vida.
O tempo não tem paciência, Não perdoa o desperdício, Não perdoa a nossa pressa, Ele passa como quer, Se encolhe, se estica, Mas jamais fica.



ESPECTADORA

Imagem
Eu ando pelo mundo feito espectadora, Eu vejo a dor e o riso nas esquinas, Nas calçadas, os sonhos caídos, As bandeiras e os hinos, Os destinos.
Me sento na praça, as pernas doridas, Desencantada da vida, Desejo o horizonte que ninguém anseia, Pontuado de marés vazantes E cheias.
Eu levo comigo um pequeno caderno, Que me abre as portas do céu, E as portas do inferno, E nele eu escrevo as minhas impressões (Que a ninguém interessam) -Reflexões...
Eu ando pela rua como quem se perdeu, E perdida, encontrou novos caminhos, Alguém para quem as ausências  Tornaram-se novas presenças, As certezas absolutas,  Meras crenças.
Eu fico cansada de tanto enxergar De tanto fechar os olhos, De tanto dizer e calar, Pois sei que no fim, No fundo, nada fica, Nada vai sobrar...
Eu sou andarilha que não deixa marcas, Meus pés pisam o chão sem desenhar pegadas, Minha voz, o vento apaga, Meu olhar deita-se sobre as paisagens Sem deixar manchas, Minhas mãos tocam o vazio das coisas, O pó da estrada.
Um dia,…

SILENTE

Imagem
Manhã dourada de névoa Pousada na relva, Na selva fechada Ecoam os pios Dos pássaros: As vozes trincadas Caídas sem susto Por sobre os arbustos No fundo azul.
As gotas silentes As tímidas gotas Poeira de chuva, Pousando nas folhas, As flores, escolhas Das joaninhas, Das andorinhas, Nos galhos finos, Longas passarelas, Lagartas.
Bem dentro da mata Os olhos se perdem, Os olhos vislumbram Mistérios, O peito pesado, Coração fechado, A voz do passado Passando com o vento Pousando no rosto Molhado.


Melancolia

Imagem
Como pode ser bela,  A melancolia! É um raio de sol Secando uma dor Ao final do dia, Chuva na vidraça, Pensamento longe, Os olhos perdidos, Tempo que não passa...
-Mas há graça! Está no silêncio, No beijo solene De um colibri Na tarde silenciosa, No canto embutido Na mata fechada Na voz das cigarras!
A melancolia Que súbito, explode Em cores miúdas Na pele das flores, O olhar caído Sobre a poça d'água Que mostra, no céu, A nuvem que passa...
E assim, de repente, Uma brisa cálida, Qual sopro divino Em nossos ouvidos... Ah, melancolia, Que chega de noite, Que amanhece o dia...
E ela se cala, Bem presa na ponta De uma caneta, E ela se liberta E sangra da pena, E sangra dos dedos Por sobre o teclado Virando poema...



seda

Imagem
Conceda-me um corte Da tua seda Para que eu teça Um longo vestido Para minha alma.
Prenderei as partes  Com lindos botões,  Pequenos feitiços De madrepérola nacarada.
Pedirei às fadas Que bordem teu nome, Pedirei a Baco Que sirva-me o vinho Da tua sede.
Dá-me uma medida De fita dourada Tirada das beiras Da tua vida E cetim branco, Para minhas anáguas...
Pedirei à Yara, Rainha das águas, Que molhe o vestido, Que o deixe ajustado, Colado em meu corpo.
E mais um pedido Eu hei de fazer Soprando-o no vento À Nossa Senhora Das Graças:
Que poupe o vestido  Tecido das sedas Que tu me cedeste Dos dentes ruidosos Das famintas traças.



Abandono

Imagem
No alto da colina esquecida, A casa sonhava.
Ninguém mais ficava à janela, Ninguém batia,  Ninguém entrava!
Por dentro das paredes Das quais caiam cores desbotadas, A casa sofria, A casa chorava...
Sonhava com outros dias: Havia passos pelos corredores, Nos quartos, os amores, As flores nos canteiros, A chuva pelas calhas...
Uma linda música Que sempre tocava, E  a mulher que a encerava! -Por onde ela andava?
A lida na cozinha, Crianças correndo, Brinquedos espalhados Pelo chão da sala...
"Por que," a casa pensava, "Deixaram-me assim, abandonada?"
Mas entre as colunas  Que o tempo gastava, Ninguém mais passava, A não ser o vento...
E até as memórias Há tanto guardadas, Morriam, Amareleciam Entre as paredes Da casa abandonada...


As Palavras Dela na Minha Boca

Imagem
As Palavras Dela na Minha Boca
Trecho do livro "Tudo Vai Bem Mas me Sinto Mal, de Lucia Canovi

"De acordo com os gurus da Nova Era, seríamos nós que criaríamos de A a Z nossa própria realidade, controlando o desenvolvimento de nossa existência a um nível  sobrenatural e metafísico. Segundo eles, seríamos nós que, antes de nascer, decidiríamos ter nariz arrebitado ou pés chatos. Escolheríamos desembarcar nesta ou naquela família porque saberíamos que com aqueles determinados pais aprenderíamos a ter compaixão, ou tocar berimbau, ou acertaríamos nosso Karma. A única coisa que nos impediria de saber que absolutamente todas as circunstâncias de nossa vida foram escolhidas por nós, seria o esquecimento. Seríamos não apenas águias que se creem galinhas, mas seres  todo-poderosos usufruindo de uma liberdade ilimitada, cuja chave foi perdida. Em outras palavras, deuses amnésicos sofrendo de complexo de inferioridade. 
Francamente...um deus cuja existência começou como uma gota de e…

SOLIDÃO

Imagem
A imagem pertence ao site segundaguerra.org - o poema é baseado nela

Eu sou daquela rua de casas sem telhas, Janelas banguelas, vidraças quebradas... Fantasmas passeiam, se prendem nas teias Que tecem memórias por entre as fachadas.
Eu vou de casa em casa sem ser acolhida, Ando contra o vento, perdida de mim... Eu sou daquela rua onde a vida se cala À porta da sala de um dia infeliz.
Na poça, o luar em estranho matiz Projeta suas sombras por sobre a calçada Por onde eu caminho, na rua deserta... Sem eira nem beira, mendiga, descalça!
Estrelas de absinto, ah, luzes amargas! Prenúncio do fim que me aguarda na esquina... Nem Deus nem demônios trataram-me as chagas, Andar nessa rua é minha dor e sina...
Eu sou daquela rua, silenciosa e nua, Coalhada de espectros de tez infeliz...  Partem sem bagagem, a esperança não estua, Eu sou daquela rua onde  ninguém me quis...

VERDADE

Imagem
O que é a verdade?
Quantas faces ela tem?
Quantas línguas ela fala?
De onde ela vem?




BOLHAS DE SABÃO

Imagem
As promessas São como bolhas de sabão, Lindas, coloridas, cristalinas, Refletem a paisagem Na frágil superfície.
Singram os céus, Levam consigo os nossos sonhos E esperanças.
As promessas Feitas de palavras doces E incontroláveis, Não conhecem os limites Das mentiras voláteis!
-Ah, tolo de quem nelas crê! O destino de toda promessa É sumir, aos poucos, Estourando no ar Qual bolha de sabão!



Viver a Vida Plenamente

Imagem
Sou adepta do silêncio e dos pequenos grupos de pessoas. Gosto de escutar música, caminhar, brincar com cachorros, ler e escrever. Minha personalidade é mais para introvertida. Gosto de viajar, mas não faço questão de estar sempre viajando, pois adoro a minha casa, o meu cantinho. Amo estar no meu jardim, ou em lugares próximos à natureza, gosto de cuidar da casa, e quando tiro fotografias, prefiro retratar paisagens. Resumindo: ser assim, é considerado ser chato pela a maioria das pessoas, mas eu não me importo.
Hoje se fala muito em viver a vida plenamente; e isto seria: sair muito, ir para a balada todo final de semana, comparecer a e dar muitas festas, viajar pelo menos duas vezes ao ano, ter centenas e centenas de amigos em redes sociais e postar dezenas de fotos com amigos posando de braços abertos, dando gargalhadas,  e tirar muitos "selfies" sorridentes.
Acho muito válido para quem realmente aprecia tais coisas. Se a gente está fazendo aquilo que gosta, está vivendo…

A Vida de um Professor - Além da Sala de Aula

Imagem
Há muito tempo, dei muitas risadas ao ler na revista Seleções um curto texto na seção "Rir é o melhor remédio;" naquela época, eu ainda era uma aluna adolescente que nem sequer suspeitava que um dia seria professora, mas até hoje eu me lembro perfeitamente daquele texto, pois ele me vem à cabeça várias vezes ao longo dos anos em que tenho ensinado Inglês. É mais ou menos assim (o autor era um dos leitores da revista, e não me recordo do seu nome):
Mãe e filha de oito anos faziam compras no supermercado, quando a menina avistou sua professora primária. Surpresa, perguntou à mãe: "Mãe, então a professora come a mesma coisa que a gente?" Para a menina, a professora deveria ser alguma espécie de ser com botão de liga e desliga, que era ligado pelo diretor da escola pouco antes da aula e desligado logo em seguida.
Mas há pessoas que ainda pensam assim. Se esquecem que um professor é apenas uma pessoa com suas limitações e problemas, igualzinho a elas. E quando ele faz …