sexta-feira, 23 de outubro de 2015






A solidão não me assusta,
O silêncio me agrada.
Ouço o farfalhar das folhas
E junto aos pés, os sussurros
De mil vidas tão pequenas
Entre as lâminas da grama.
Não posso sentir-me só
No solo de minha amada!

A escuridão me oferece
Milhões de estrelas à escolha!
E a luz do sol que me banha
Não me deixa desistir
Quando o medo me sorri.
-Não há nada que me tolha!
Não posso sentir-me só
No solo de minha amada!

Como eu poderia ousar
Sentir-me desamparada
Se em mim está meu destino
E as estradas, e as chegadas?
Não posso dizer-me só
No solo da minha Terra,
Minha terra, minha amada...

Minha casa me acolhe,
Banhando-me em suas águas,
Vestindo-me com suas folhas
Encantando meus olhares
Com miríades de cores,
E suas flores perfumadas!
Não posso sentir-me só 
No solo de minha amada!

Como posso querer mais
Do que ela me oferece?
Se é ela que me abraça,
Me acalenta e me aquece?
Não posso dizer-me só
No solo da minha mãe,
Minha Terra, minha amada!

E um eu dia, serei toda
Por minha mãe, abraçada,
E o que sou tornar-se-há
O que ela mesma já é.
Minha crença, minha fé,
Não me deixam desgarrada,
Não posso sentir-me só
No solo da minha amada!








11 comentários:

  1. Sou um amante do estar só. Não me aflijo com a solidão momentânea e desejada.

    ResponderExcluir
  2. So wonderfully deep and touching, Ana...brilliant writing! :))

    ResponderExcluir
  3. Amo estar só, já estou incentivando o meu marido a tirar mais umas férias sem mim, fazemos isso eu sem ele e ele sem mim, assim podemos avaliar a força do amor que nos une!
    Amei ler aqui amiga Ana, uma linda colocação dos versos!
    Abraços bem apertados!

    ResponderExcluir
  4. Uma beleza de cordel de alto libertação e clareza de espirito.
    Show Ana na inspiração e construção expressiva do sentir.
    Carinhoso abraço amiga e bom fim de semana.

    ResponderExcluir
  5. Oi Ana querida


    Que lindo poema...
    Uma homenagem delicada e singela...

    Beijos
    Ani

    ResponderExcluir
  6. Muito linda, Ana, a declaração de amor por sua terra!
    A ternura que expressa, por ser acolhida por ela.
    Criamos raízes que nos mantém confiantes no futuro.
    Feliz e abençoado final de semana, abraços carinhosos
    Maria Teresa

    ResponderExcluir
  7. Ana, compartilho seu sentir e aplaudo a forma como o traduziu em versos. Belo! Bjs.

    ResponderExcluir
  8. Ana Bailune, que poema interessante e bem ritmado!
    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Que belo poema! Estava pensando nesta temática hoje de manhã. Beijos e boa semana!

    ResponderExcluir
  10. Belíssimo!
    Realmente, não há como se sentir só, observando tanta beleza.
    Adorei!
    Abraços e ótima semana.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...