CADA VEZ MAIS







Cada vez mais,
Haverá mais ontens nos amanhãs,
E o passado se esticará
Pesando sobre o futuro
E fazendo sombra ao presente.

Façamos da vida uma leve caminhada,
Que a saudade fique bordada apenas
Nas bordas do que foi levado...

Deixemos que o pano que nos cobre
Esteja rasgado,
Para que o céu possa ser visto,
O firmamento, vislumbrado,
Quando o vento ameaçar levar nossos telhados!

Cada vez mais,
As flores que morreram à míngua
Espelharão seus perfumes fantasmagóricos
Pelos jardins que nos esquecemos de cuidar.

Deixemos que ao menos as sementes
Que caíram dos miolos destas flores
Tenham a chance de brotar!

Sejamos nós, entre o céu, as montanhas e o mar,
Caminhemos devagar, mas sempre em frente,
E se houver correntes a arrastar,
Que elas sejam de fantasmas mais contentes...

Cada vez mais, a nossa pele
Há de cobrir-se com as rendilhas do tempo,
Que não impedem o vento de passar,
Mas nos emprestam a ilusão do aquecimento!

-Esquecimento! Abra as asas sobre nós,
Leve consigo, da maneira mais veloz
A vozes temidas do rancor e desalento,
Para que a pele não se enrugue sem motivos,
Para que a morte não se torne, ao fim de tudo,
Apenas o fim dos nossos ressentimentos!


Comentários

  1. Olá,Ana...a "conta" da vida é assim,no tempo que passa,mais ontens,menos amanhãs,menos futuro,mais passado, menos sonhos ,mais realidades ,menos início,mais final...que possamos ter vivido intensamente, passo a passo, esta bela caminhada,com saudade de tudo que realizamos e não do que deixamos de fazer!Sem nenhum ressentimentos!Bom finde,belos dias,abraços!

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  2. Que lindo Ana!!! Que assim seja sempre, nossa alma leve e sem ressentimentos, apenas amor nos nossos corações e bons pensamentos..."Esquecimento abra as asas sobre nós"... Perfeito! Feliz domingo! Abraços...

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