domingo, 12 de abril de 2015

O ROSTO SOB A FACE







O rosto não mudou; mudou o espelho,
Quando eu nasci, as rugas já estavam lá.
Dormia sob a face de bebê, o velho,
E sob o encantamento da primeira vez
Uma alma já antiga, em desassossego.

Não sei de onde eu vim, não sei quem me fez,
Mas sei, sou ferramenta em algum emprego;
Meu ferro foi malhado por martelo prisco,
Alguém me espeta pregos para ver se eu sinto
E o disco da memória se esqueceu de mim.

Mas sou tal substância; subsisto assim,
Emerjo sempre limpa das imensas fossas.
Minha alma verdadeira se revela aos poucos
Sob as camadas finas que se tornam grossas
E as marcas dos chicotes sobre as minhas costas.


7 comentários:

  1. Muito forte Ana nas figuras perfeitas que ilustram o sentimento, do que não se vê e se sabe.
    Aplausos.
    Bom domingo de alegrias.
    Abraços

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  2. Construído fortemente e muito reflexivo! Bonito poema!
    Nossa alma é complexa e ama se expressar...
    Bom domingo... Obrigada pela visita...

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  3. Ana Bailune, achei um olhar positivista da vida, senão vejamos: "o rosto não mudou; mudou foi o espelho". Uma maneira muito peculiar de ver a vida avançar.
    Beijos

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  4. É mesmo, Ana. Seus versos dão que pensar, provocam, são como a face mais realista de seu lado mais lírico, para mim. Simplesmente gostei.

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  5. Oi Ana,
    Seus poemas são sempre, emocionantes, e reflexivos.
    Parabéns, por mais um belo poema!
    Beijos
    Amara

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  6. Sempre será o espelho que mudará...Uma poesia feita para se refletir.
    Tenha um bom fim de semana

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