segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sentindo na Pele




Na última sexta-feira, o Jornal Nacional começou falando das mudanças climáticas em curso no mundo. Enquanto eu assistia, parecia-me que estava fazendo parte de algum daqueles filmes de ficção que falam sobre o fim do mundo, da falta d'água no planeta. De repente, eu me dei conta de que não era um filme: está acontecendo.

Antes, quando escutávamos algo sobre este assunto, a maioria dos verbos estavam no passado. Atônita, percebi na última sexta-feira que eles estavam todos no presente. Um grupo de cientistas criou um gráfico que vai de um a quatro a fim de medir a intensidade das mudanças climáticas, sendo que o nível um é o nível mais ameno, e o quatro, o mais crítico, que implica extinção de espécies, aquecimento global e falta de água. Bem, como num pesadelo, descobri que estamos no nível quatro.

O ano de 2014 foi o mais quente da história, e parece que 2015 não vai perder o recorde. Vivo em Petrópolis, cidade serrana conhecida pelo clima ameno e pela boa qualidade de sua água; na minha varanda, neste exato momento - 11:38 da manhã - o termômetro marca trinta graus à sombra, e a água das minas que abastecem as casas em minha rua, está secando. Temos pouquíssima água. A chuva que estava prevista para cair por aqui na próxima quarta-feira, não está mais lá na previsão do tempo; foi substituída pelo anúncio de chuva leve na quinta-feira à tarde. 

Passeando em Itaipava no último domingo, nos sentamos para tomar um sorvete e beber água. Enquanto eu tomava a água mineral gelada, fiquei pensando se poderemos desfrutar deste prazer em um futuro próximo... porque as mudanças climáticas e suas consequências já não fazem mais parte de histórias que "cientistas loucos" como James Lovelock e Tim Flannery contavam sobre o futuro: elas estão aqui. Está acontecendo.





6 comentários:

  1. Ficção ?
    - Não, Ana, basta ver o degelo nos pólos para imaginarmos as consequências que terá na subida do nível das águas e na imensidão de sítios e terras habitadas que serão inundadas por esse mundo fora.

    Um beijo, querida Amiga.

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  2. É real Ana, as ficções anteviam nosso presente, infelizmente, posso errar, mas não tem mais como retroagir no tempo, porque as mudanças, agora, estão muito rápidas. Principalmente, pela extração e devastação da natureza. Já estamos em contagem regressiva, não há nada que possa interromper nosso fim. Moro na Serra, também, o clima à noite era friozinho, mesmo no verão, hoje é muito quente, quase se igualando à praia, insuportável. Abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  3. Minha querida amiga Ana, não é ficção, antes fosse, mas não, aqui em Sampa está muito crítica a situação, colaboro, tenho até o meu desconto na conta de água, reduzi tanto que nem fazia ideia que seria possível, gostaria que as pessoas todas pudessem entender a gravidade que há, ainda não podemos nem imaginar, pois mesmo que chova muito, não vai resolver tão depressa como as pessoas pensam.
    Aqui em São Paulo chove e dá enchentes, minha casa nunca foi invadida pelas águas, mas não posso sair de casa em dias de previsão de chuvas fortes, pois tenho medo de ficar presa no carro em meio as águas!
    Isso ainda nem é o pior, pois é, o pior ainda está por vir se não chover nos lugares certos!
    Meu filho é funcionário da Petrobras e foi transferido para Manaus, ele e a família, até me incentiva a ir morar lá, rsrs, lá tem água até demais, tanto que muitos nem pagam pelo uso! Quando fui lá em junho, fiquei surpresa pelo fato de desperdiçarem sem nenhuma preocupação.
    Bom texto reflexivo, pois há que nos conscientizarmos pra valer, não é ficção, não é!
    Abraços linda amiga!

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  4. É verdade, eu nunca pensei em ver o que está acontecendo em São Paulo; quando não há seca, há enchente. No Brasil afora vemos coisas semelhantes. Os homens estão destruindo o planeta, coisa que jamais passou pela minha cabeça em ver. Nossa "mão santa" chega nas ilhas mais remotas por não cuidarmos de nada. Vai-se a fauna, flora...vai-se a vida. Grande parte da África a água já é inexistente.
    Beijo!

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  5. A cada ano nos deparamos com um discurso diferente e mais grave de que faz anos que não tínhamos visto coisa assim. É a mudança brusca da natureza cobrando o que não se fez e o que se fez erradamente e continuamente. Ana eu tenho repetido para amigos, que na década de 70 li o livro do Inácio Loyola Brandão(Não verás país nenhum) ali uma ficção sobre a cidade de São Paulo num futuro longe 2020 penso e está aí o horror que se vive por lá. Se não leu leia e verás o que o que ele traça para a grande capital.

    Um abração amiga.
    Bju

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