segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cidade Fantasma




Portas fechadas,
E as fachadas
Descascadas
Que a ninguém mais atraiam.

Cidade fantasma,
Profuso desfile
De miasmas
Colados às barras
Das saias rasgadas
Dos fantoches.

Archotes sem fogo,
O jogo perdido,
A ânsia em reter
Qualquer olhar,
Mesmo que inimigo.

Caminhos doridos,
A lama na sola,
A busca sem freios
Por esmolas.

Cidade fantasma,
As garras do tempo
Rasgando os momentos,
Puindo os bordados
Desmanchando as tramas
E manchando os véus.

Cidade fantasma,
Caminhos do inferno,
Via dolorosa,
As trilhas e curvas
Querendo chegar
Ao céu.





sábado, 28 de junho de 2014

Na Palma da Minha Mão

Aleph - meu querido amigo que se foi aos 14 anos, em 2011 - e Latifah - minha querida amiga que se foi aos 10 anos, em 2014. Graças a Deus que foram nossos, e que pudemos cuidar deles.





Ficou um toque vazio,
A pele sentindo frio,
A palma sem aplaudir...

Ficou um sol moribundo,
Brilhando sem muita força
Sobre o que restou do mundo...

Ficaram folhas caídas
No solo da minha vida,
Fiquei aqui sem você...

Na palma da minha mão
Ficou tudo o que não há,
Sem direito a ilusão...

Ah, toque que não virá,
Ah, dor plantada no chão
De raízes tão profundas!

E essa saudade, oriunda
De tanta felicidade
Que a lembrança não retunda!...



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Poesia








Pela greta da janela,
Amanhece o dia.

Uma estrela ainda brilha
No céu que já clareia,
Uma haste de folha balança
Ao vento que passeia.

E eu, olho,
Me desfolho...
Num esforço de recomeçar
Arranco, da pele, as traças.




segunda-feira, 23 de junho de 2014

Minha Vida Sem Você



Agora que você se foi, eu posso sair de casa sem sentir culpa e ficar na rua até tarde, sem precisar preocupar-me com sua solidão ou seus horários de remédios e comida. Também posso acordar mais tarde, e não às cinco e meia da manhã, pois não preciso mais limpar os cocos da grama e a casa antes de meus alunos chegarem – ritual que mantive desde que você passou a morar conosco dentro de casa. Também não haverá mais pelos de cachorro pela casa toda.

Agora que você se foi, minhas despesas com presentinhos, remédios, xampus, rações e petiscos, terminou. Sobrará uma boa grana no final do mês!



Agora que você se foi, poderemos, finalmente, pensar em voltar a viajar, e não teremos que nos preocupar com quem ficará tomando conta de você na nossa ausência. Nos finais de semana, podemos ir para onde quisermos, pois não há ninguém dependendo da nossa volta.

Agora que você se foi, eu posso dedicar mais tempo a escrever; posso passar mais tempo em minha varanda panorâmica, coisa que não fazia mais, com medo de que você despencasse lá de cima ao avistar o cão do vizinho. Posso almoçar e jantar sem sentir aquela patada em minhas costas, e deparar com seus olhinhos pidões reclamando um pedacinho de alguma coisa.

Agora que você se foi, eu não preciso mais passar noites e noites em claro cuidando de você. Não preciso levantar-me duas ou três vezes toda madrugada para ver se você está bem.

Então, será que alguém pode me responder por que eu não estou feliz?



A Tua Rosa Não Tarda







Se queres tanto escutar,
Então cala a tua voz,
Pois Deus não tem paciência
Com quem distorce a Ciência
De maneira tão atroz!

Se queres tanto entender,
Respeita a filosofia!
Pois ninguém há de enxergar
Arrotando tanta azia...
-Fingida sabedoria!

Aceita o negro da noite,
Abençoa a luz do dia!

Mergulha na escuridão,
Traz contigo uma canção,
Faz da vida uma alegria!

Ajoelha-te em silêncio,
Olhos fechados, rendidos,
Baixa as armas, sente o vento!

 Cavando em meio à tristeza,
Acharás mudas de rosas...

Deixa que essas mudas falem,
Planta-as com fé e aguarda:
-A tua rosa não tarda.



domingo, 22 de junho de 2014

LISTA DE LEITURAS: Cadê?!





Olá todo mundo!


Gostaria de pedir desculpas pela minha ausência nos blogs. Mas a minha lista de leituras simplesmente desapareceu, e não fico sabendo das novas postagens.

Tenho lido sobre blogueiros que também tem apresentado dificuldades com seus blogs, e também para comentar outros blogs. Acredito que o problema acabe se resolvendo por si mesmo, como sempre acontece...

Mais uma vez, lamento não poder acompanhar tanto quanto antes...



sábado, 21 de junho de 2014

ESSA DOR...




Essa dor que dói e passa,
Que passa e dói sem parar
Qual será a sua origem,
Para onde levará?...

Mil volteios, furacões,
Zangados redemoinhos...
Ventos que zumbem canções,
Flores que escondem espinhos...

Essa dor que me arremete,
Acariciando a alma
Quais luvas de leves espinhos
Arranhando a minha calma!...

Chega sempre de repente,
E de repente, se vai,
Sem saber o que a causa,
Sem saber o que a atrai.

Dor sentida, intermitente,
Estende-se sobre poemas,
Nem sabe bem o que sente,
Quando se vai, deixa tremas...

Dor que surge com a noite,
Enganchada em uma estrela
Corta a alma como foice
Dor cruel - hei de vencê-la!




terça-feira, 17 de junho de 2014

Espera Por Mim!




Espera por mim na casinha azul,
De janelas brancas e varanda aberta,
Espera por mim, entre aqueles que amei,
Espera por mim, pois um dia, eu irei...





Enquanto isso, eu te carregarei
Para sempre, dentro do meu coração,
Espera por mim, porque um dia, eu vou,
Espera por mim, pois eu te esperarei...



Espera por mim, na casinha azul
Que construí, na minha imaginação,
Aonde eu coloquei as coisas mais bonitas,
Aquelas que amei, amo e amarei.



Espera por mim, acalma a minha dor
De não te ver, jamais, aqui, perto de mim,
A saudade é uma dor física, tísica,
Que nos faz sufocar quando puxamos ar.



Espra, por favor, pois eu estarei indo
Na cauda de uma estrela, te rever de novo!
E será tão feliz, ah, tão feliz pra mim
Quando este dia chegar -  você estará lá.


domingo, 15 de junho de 2014

POEMINHA




A vida é todinha feita
De cores e de sabores.
A vida é feita de risos, 
A vida é feita de dores.

A vida é cheia de graças, 
E de desgraças também...
Tão rápido quanto passa,
Ela às vezes se detém

Nas memórias que ficaram
Na lembrança dos amores...
A vida é feita um jardim
Onde, às vezes, faltam flores.

Mas dos sabores da vida,
Das graças que a vida tem,
Guardo versos e palavras
Que ouço, e digo também.

Algumas nos edificam,
Outras querem derrubar...
Mas nestas, não me detenho,
Pois a vida quero amar!

Mergulho o braço na vida,
Traço um círculo no ar
Arco-íris,  onde os anjos
Se sentam pra me guardar.

A vida tem seus segredos,
Não nos cabe especular
As coisas que a vida guarda
E as que deixa passar.

E o verso cresce, se estende
Por páginas virtuais...
Podendo ser esquecidos,
Mas apagados, jamais,

Pois é a vida quem escreve
O que ela quer dizer
Até que tudo se encerre
Sob selo do viver.



HAIKAIS






Gotículas gris
A chuva na janela
Com cheiro de aniz.



Penas molhadas
Passarinho no muro
Sacode as asas.



Cheiro de terra
Entra pela janela
Trazendo chuva.



Poças de espelho
Passam rostos de nuvens
Pela memória.




Dia cinzento
As cores se esconderam
No pensamento.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

DESPEDIDA




Tudo o que cabe no olhar
Ensaia uma despedida.

Há folhas secas demais
Na relva da minha vida,

Varridas dos seus momentos,
Nascidas pra não ficar...

...

Tua pele é tão efêmera,
Fugaz é o teu olhar!

E cada toque, é de adeus,
Cada encontro cria estradas
Por onde te perderás...

Não existem permanências,
Somos criaturas sós...
Faz parte da nossa essência
Transformar laços em nós.



terça-feira, 10 de junho de 2014

A Capa







A capa do livro era azul,
Da cor do céu invernal
Em um dia sem lembranças
De noites ou nuvens brancas.

Ranhuras de linho gris
Sob as pontas dos meus dedos;
A capa embrulha as palavras
Como balas de anis...






domingo, 8 de junho de 2014

Nada é Para Sempre




Às vezes,
As coisas permanecem,
Mas os olhares mudam.

Tu passas 
(E nem percebes)
Pelas mesmas praças,
Ruas e calçadas...

A mesma cor desbotada
Nas paredes da tua casa
Que tornou-se tão pequena
Para tuas cenas.

E nada mudou,
Nada!
Apenas o teu olhar
Que se demora e se perde
Para além dessas vidraças...

No quintal, a mesma árvore
Faz sombra sobre o telhado,
O tempo traça caminhos
Sob a pele que já pende
Sob o olhar amargurado,
Mas é dentro que se encontra
Aquilo que está passando,
Aquele que foi mudado...

É que às vezes, 
As coisas permanecem,
Mas os olhares mudam,
E se perdem
Nas ilusões do mundo.




quinta-feira, 5 de junho de 2014

Certezas




Só sei que nada deu certo...
Meu desejo, minha voz,
Foram colhidos pela bruma.

Tudo perdeu-se na brancura,
Germinou dentro da umidade
E de manhã bem cedo,
Brotou em gotas sobre as flores,
Gotas que o sol apagou.

Te estendi as mãos vazias,
E vazias permaneceram.
Te entreguei meu coração,
Que congelou na madrugada...

O dia hoje está desfeito,
O sonho acorda, rarefeito,
Só sei que nada deu certo,
Só sei que não tem mais jeito...





quarta-feira, 4 de junho de 2014

Tristeza




A luz não me ilumina... escuridão!
O rosto inexpressivo e amargurado,
O olhar resvala aos poucos, sem cuidado,
Não olha mais a vida; cai ao chão...

Um louco, intimidado coração,
A voz quase sem voz - peito calado,
Colado à vida, o peso de um 'não'
Tal qual uma corrente que eu arrasto!...

Mas tudo nessa vida tem um fim,
E após o fim, um novo recomeço,
Ao que se perde ou ganha, há sempre um preço...

Espero que haja cura, que haja um bálsamo,
E um mais reto caminho, sem percalços,
Por onde siga o que restou de mim.




segunda-feira, 2 de junho de 2014

MEDO



Já não tenho medo;
E nem sei se é tarde
Ou cedo
Pra confessar.

Mas já não há
Segredos
Sob a espuma branca
E o sal do mar.

Na escuridão
Abissal
Agonizam os monstros
Que eu temia...

E nem mesmo o oposto
Da vida
(Que é a alforria)
Já me causa medo...

Não existem monstros,
Nada é tão fatal...
Real,
Só mesmo o desgosto
De saber mentiras
A assombrear
O teu velho rosto...



A Minha Vida

Parada na esquina De pé,  Mas cansada, A bolsa jogada nos ombros Pronta para a viagem Há tempos planejada. And...