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Mostrando postagens de Junho, 2014

Cidade Fantasma

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Portas fechadas, E as fachadas Descascadas Que a ninguém mais atraiam.
Cidade fantasma, Profuso desfile De miasmas Colados às barras Das saias rasgadas Dos fantoches.
Archotes sem fogo, O jogo perdido, A ânsia em reter Qualquer olhar, Mesmo que inimigo.
Caminhos doridos, A lama na sola, A busca sem freios Por esmolas.
Cidade fantasma, As garras do tempo Rasgando os momentos, Puindo os bordados Desmanchando as tramas E manchando os véus.
Cidade fantasma, Caminhos do inferno, Via dolorosa, As trilhas e curvas Querendo chegar Ao céu.




Na Palma da Minha Mão

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Ficou um toque vazio, A pele sentindo frio, A palma sem aplaudir...
Ficou um sol moribundo, Brilhando sem muita força Sobre o que restou do mundo...
Ficaram folhas caídas No solo da minha vida, Fiquei aqui sem você...
Na palma da minha mão Ficou tudo o que não há, Sem direito a ilusão...
Ah, toque que não virá, Ah, dor plantada no chão De raízes tão profundas!
E essa saudade, oriunda De tanta felicidade Que a lembrança não retunda!...


Poesia

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Pela greta da janela, Amanhece o dia.
Uma estrela ainda brilha No céu que já clareia, Uma haste de folha balança Ao vento que passeia.
E eu, olho, Me desfolho... Num esforço de recomeçar Arranco, da pele, as traças.



Minha Vida Sem Você

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Agora que você se foi, eu posso sair de casa sem sentir culpa e ficar na rua até tarde, sem precisar preocupar-me com sua solidão ou seus horários de remédios e comida. Também posso acordar mais tarde, e não às cinco e meia da manhã, pois não preciso mais limpar os cocos da grama e a casa antes de meus alunos chegarem – ritual que mantive desde que você passou a morar conosco dentro de casa. Também não haverá mais pelos de cachorro pela casa toda.
Agora que você se foi, minhas despesas com presentinhos, remédios, xampus, rações e petiscos, terminou. Sobrará uma boa grana no final do mês!


Agora que você se foi, poderemos, finalmente, pensar em voltar a viajar, e não teremos que nos preocupar com quem ficará tomando conta de você na nossa ausência. Nos finais de semana, podemos ir para onde quisermos, pois não há ninguém dependendo da nossa volta.
Agora que você se foi, eu posso dedicar mais tempo a escrever; posso passar mais tempo em minha varanda panorâmica, coisa que não fazia mais…

A Tua Rosa Não Tarda

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Se queres tanto escutar, Então cala a tua voz, Pois Deus não tem paciência Com quem distorce a Ciência De maneira tão atroz!
Se queres tanto entender, Respeita a filosofia! Pois ninguém há de enxergar Arrotando tanta azia... -Fingida sabedoria!
Aceita o negro da noite, Abençoa a luz do dia!
Mergulha na escuridão, Traz contigo uma canção, Faz da vida uma alegria!
Ajoelha-te em silêncio, Olhos fechados, rendidos, Baixa as armas, sente o vento!
 Cavando em meio à tristeza, Acharás mudas de rosas...
Deixa que essas mudas falem, Planta-as com fé e aguarda: -A tua rosa não tarda.


LISTA DE LEITURAS: Cadê?!

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Olá todo mundo!

Gostaria de pedir desculpas pela minha ausência nos blogs. Mas a minha lista de leituras simplesmente desapareceu, e não fico sabendo das novas postagens.
Tenho lido sobre blogueiros que também tem apresentado dificuldades com seus blogs, e também para comentar outros blogs. Acredito que o problema acabe se resolvendo por si mesmo, como sempre acontece...
Mais uma vez, lamento não poder acompanhar tanto quanto antes...


ESSA DOR...

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Essa dor que dói e passa, Que passa e dói sem parar Qual será a sua origem, Para onde levará?...
Mil volteios, furacões, Zangados redemoinhos... Ventos que zumbem canções, Flores que escondem espinhos...
Essa dor que me arremete, Acariciando a alma Quais luvas de leves espinhos Arranhando a minha calma!...
Chega sempre de repente, E de repente, se vai, Sem saber o que a causa, Sem saber o que a atrai.
Dor sentida, intermitente, Estende-se sobre poemas, Nem sabe bem o que sente, Quando se vai, deixa tremas...
Dor que surge com a noite, Enganchada em uma estrela Corta a alma como foice Dor cruel - hei de vencê-la!



Espera Por Mim!

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Espera por mim na casinha azul, De janelas brancas e varanda aberta, Espera por mim, entre aqueles que amei, Espera por mim, pois um dia, eu irei...




Enquanto isso, eu te carregarei Para sempre, dentro do meu coração, Espera por mim, porque um dia, eu vou, Espera por mim, pois eu te esperarei...


Espera por mim, na casinha azul Que construí, na minha imaginação, Aonde eu coloquei as coisas mais bonitas, Aquelas que amei, amo e amarei.


Espera por mim, acalma a minha dor De não te ver, jamais, aqui, perto de mim, A saudade é uma dor física, tísica, Que nos faz sufocar quando puxamos ar.


Espra, por favor, pois eu estarei indo Na cauda de uma estrela, te rever de novo! E será tão feliz, ah, tão feliz pra mim Quando este dia chegar -  você estará lá.

POEMINHA

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A vida é todinha feita De cores e de sabores. A vida é feita de risos,  A vida é feita de dores.
A vida é cheia de graças,  E de desgraças também... Tão rápido quanto passa, Ela às vezes se detém
Nas memórias que ficaram Na lembrança dos amores... A vida é feita um jardim Onde, às vezes, faltam flores.
Mas dos sabores da vida, Das graças que a vida tem, Guardo versos e palavras Que ouço, e digo também.
Algumas nos edificam, Outras querem derrubar... Mas nestas, não me detenho, Pois a vida quero amar!
Mergulho o braço na vida, Traço um círculo no ar Arco-íris,  onde os anjos Se sentam pra me guardar.
A vida tem seus segredos, Não nos cabe especular As coisas que a vida guarda E as que deixa passar.
E o verso cresce, se estende Por páginas virtuais... Podendo ser esquecidos, Mas apagados, jamais,
Pois é a vida quem escreve O que ela quer dizer Até que tudo se encerre Sob selo do viver.


HAIKAIS

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Gotículas gris A chuva na janela Com cheiro de aniz.


Penas molhadas Passarinho no muro Sacode as asas.


Cheiro de terra Entra pela janela Trazendo chuva.


Poças de espelho Passam rostos de nuvens Pela memória.



Dia cinzento As cores se esconderam No pensamento.


DESPEDIDA

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Tudo o que cabe no olhar Ensaia uma despedida.
Há folhas secas demais Na relva da minha vida,
Varridas dos seus momentos, Nascidas pra não ficar...
...
Tua pele é tão efêmera, Fugaz é o teu olhar!
E cada toque, é de adeus, Cada encontro cria estradas Por onde te perderás...
Não existem permanências, Somos criaturas sós... Faz parte da nossa essência Transformar laços em nós.


A Capa

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A capa do livro era azul, Da cor do céu invernal Em um dia sem lembranças De noites ou nuvens brancas.
Ranhuras de linho gris Sob as pontas dos meus dedos; A capa embrulha as palavras Como balas de anis...





Nada é Para Sempre

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Às vezes, As coisas permanecem, Mas os olhares mudam.
Tu passas  (E nem percebes) Pelas mesmas praças, Ruas e calçadas...
A mesma cor desbotada Nas paredes da tua casa Que tornou-se tão pequena Para tuas cenas.
E nada mudou, Nada! Apenas o teu olhar Que se demora e se perde Para além dessas vidraças...
No quintal, a mesma árvore Faz sombra sobre o telhado, O tempo traça caminhos Sob a pele que já pende Sob o olhar amargurado, Mas é dentro que se encontra Aquilo que está passando, Aquele que foi mudado...
É que às vezes,  As coisas permanecem, Mas os olhares mudam, E se perdem Nas ilusões do mundo.



Certezas

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Só sei que nada deu certo... Meu desejo, minha voz, Foram colhidos pela bruma.
Tudo perdeu-se na brancura, Germinou dentro da umidade E de manhã bem cedo, Brotou em gotas sobre as flores, Gotas que o sol apagou.
Te estendi as mãos vazias, E vazias permaneceram. Te entreguei meu coração, Que congelou na madrugada...
O dia hoje está desfeito, O sonho acorda, rarefeito, Só sei que nada deu certo, Só sei que não tem mais jeito...




Tristeza

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A luz não me ilumina... escuridão! O rosto inexpressivo e amargurado, O olhar resvala aos poucos, sem cuidado, Não olha mais a vida; cai ao chão...
Um louco, intimidado coração, A voz quase sem voz - peito calado, Colado à vida, o peso de um 'não' Tal qual uma corrente que eu arrasto!...
Mas tudo nessa vida tem um fim, E após o fim, um novo recomeço, Ao que se perde ou ganha, há sempre um preço...
Espero que haja cura, que haja um bálsamo, E um mais reto caminho, sem percalços, Por onde siga o que restou de mim.



MEDO

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Já não tenho medo; E nem sei se é tarde Ou cedo Pra confessar.
Mas já não há Segredos Sob a espuma branca E o sal do mar.
Na escuridão Abissal Agonizam os monstros Que eu temia...
E nem mesmo o oposto Da vida (Que é a alforria) Já me causa medo...
Não existem monstros, Nada é tão fatal... Real, Só mesmo o desgosto De saber mentiras A assombrear O teu velho rosto...