witch lady

Free background from VintageMadeForYou

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dinheiro mata?





Dinheiro é apenas papel. O que fazemos dele, quando o temos, é que determina se ele será bom ou ruim em nossas vidas. Vejo casos de pessoas que fazem campanhas para arrecadar dinheiro para que possam tratar-se - ou a algum parente - em países como a China ou os Estados Unidos, pois elas não possuem condições financeiras para pagarem as despesas do tratamento ou da viagem. Neste caso, dinheiro salva.

Vejo muito dinheiro sendo usado para comprar armas e bombas, a fim de dominar outras nações e matar, de uma vez, o maior número de pessoas possível. Neste caso, dinheiro mata.

E até mesmo algumas instituições religiosas que vivem pregando aos seus fiéis que o dinheiro é o atalho mais rápido para o inferno, não recusam uma pequena ou uma grande doação às suas causas... fazem até propaganda sobre a necessidade do dízimo...neste caso, ajudam seus fiéis a livrarem-se da danação?

Acho muito cruel, diante da morte ou da doença de alguém muito rico, quando alguém se refere a eles, dizendo: "De que adianta todo aquele dinheiro? Está doente, e nada vai salvá-lo!" Mas e quantos pobres morrem, todos os dias, em filas de hospitais públicos porque não podem pagar por um tratamento? Acho este tipo de comentário não apenas maldoso e eivado de inveja, mas absolutamente cruel e desrespeitoso!


Acho que essa mania que as pessoas tem de dizer que o dinheiro é ruim, expressa apenas o desejo que elas tem de possuí-lo, mas como não podem fazê-lo, desdenham-no. Mas eu gostaria de ver se, de repente, um parente desconhecido deixasse para elas uma imensa fortuna,  elas fariam pouco caso!

Infelizmente, nasci bem pobre. Tive que ralar muito para conseguir uma vida um pouquinho melhor. Nunca fui rica, e talvez, nunca seja. Mas minha vida hoje é  melhor do que era, porque hoje, eu consigo pagar por coisas que durante grande parte de minha vida, não podia pagar. Graças a Deus! Não tenho e nunca tive raiva das pessoas por elas serem ricas ou pobres. Nunca fiz assepsia de gente por condição financeira.

Ah, a mesma velha hipocrisia que grassa sobre a humanidade...

Dualidade




Uma moeda tem dois lados. A lua tem o lado que podemos ver e o lado escuro, que podemos adivinhar. Existem o ying e o yang. O avesso e o direito. E sendo assim, uma estória sempre tem dois lados.

Quando julgamos os acontecimentos através de apenas um dos lados da estória, mostramos preconceito e corremos o sério risco de cometer uma injustiça. Porque quem conta uma estória, certamente tende a 'puxar a sardinha' para o seu lado, desfavorecendo o outro personagem. Nem creio que isto seja maldade, é apenas uma tendência natural. Fazemos isso quando estamos errados, e sabemos que erramos, mas não queremos admitir. Não adianta; sempre teremos tendência a justificar os nossos erros, em detrimento de quem está do outro lado da estória. É humano.

Geralmente, quando há uma discussão ou desentendimento, ambos os lados estão certos e errados de alguma maneira. Mas sempre há um lado que está 'mais certo' do que o outro. Reconhecer um erro é prova de coragem, humildade e maturidade, e também de solidariedade com o outro lado, que afinal, não merece levar a culpa toda sozinho.

Quando alguém que amamos vem nos contar sobre alguma injustiça sofrida, eu acho que devemos nos lembrar que naquele exato momento, o outro lado estará fazendo a mesma coisa: contando a sua estória a alguém que o ama e se dispôs a ouví-lo. E ele também estará certo. E também estará errado. Mas se não ouvirmos os dois lados da estória, jamais saberemos quem errou - ou acertou - mais. Mas, justamente porque aquela pessoa que nos está contando a estória é alguém a quem amamos, nós a defendemos e ficamos do lado dela, sem questionamentos. 

Isto é certo?

Todos nós somos mocinhos e bandidos em várias circunstâncias da vida. Ninguém é sempre bonzinho, e ninguém é sempre malvado. Todo mundo está aqui para aprender: quem conta a estória e quem a escuta.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uma Mensagem Para Vocês




Meus caros amigos de blog:

Minha internet está horrível, lentíssima... não consigo abrir os blogs de vocês, e mal consigo abrir os meus.

Assim que melhorar, retribuirei comentários, visitarei amigos, e entrarei como seguidora das pessoas que começaram a seguir-me recentemente. Sorry...

Abraços,


Ana Bailune

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Rosa do Sertão





A paisagem seria bonita, não fosse tão seca. O céu era de um azul profundo, límpido, total. O azul mais azul do mundo. Contrastava com o vermelho do chão coalhado de rachaduras, e o mato seco e morto que deixava tudo ainda mais desolado.
Mariinha, seis anos, morava com a família – mãe, pai, cinco irmãozinhos – em um casebre de dois cômodos, no meio do nada. Menina magrinha, de cabelos loiros tão ressecados quanto palha fina prestes a pegar fogo ao sol escaldante. Rosto sempre sujinho, pés descalços como seus cinco irmãozinhos. Tinha dois vestidos: um inteiro, de ir à missa na vila, e outro com a manga rasgada – ficara presa em um espinho de Mandacaru – que usava para ir à escola. Em casa, Mariinha andava quase nua, vestindo apenas uma calcinha feita pela mãe, de saco de estopa.
O pai trabalhava na horta... isto é, quando Deus mandava chuva. Naqueles últimos dois anos, Deus andava um tanto econômico com a água, e a plantação de feijão e mandioca, há muito, morrera. Só havia um poço de água cada vez mais barrenta, há alguns quilômetros da casa onde Mariinha vivia com sua família. Eles iam até lá três vezes por semana, cada um carregando uma vasilha para encher d’água. As vasilhas sempre chegavam com água pela metade, que as crianças deixavam entornar ou que o sol fazia evaporar.
Mariinha e seus irmãos iam à escola. Não iam todos os dias, pois às vezes, o sol estava tão escaldante, que ficavam com preguiça de andar pela estrada barrenta. Mesmo de manhãzinha, o calor já envolvia a todos com seus dedos quentes e pegajosos. Na escola, eles às vezes merendavam: um copo de café com leite fraquinho, um pedaço de pão, ou um prato de sopa.
Tia Marinalva – a professora – fazia o que podia. Tinha vindo da cidade grande para ensinar as crianças. Mariinha simplesmente a adorava! Queria ser professora, como ela.
Sonhava com o dia em que ela estaria de pé na frente da sala de aula, escrevendo no quadro com o giz. E todas as crianças prestariam atenção ao que ela dizia, e seus pais diriam, com orgulho, que tinham uma filha que era professora.
Na sala de aula, Tia Marinalva tinha uma roseirinha plantada em um vaso. Todos os dias, ela punha um cadinho d’água, um tiquinho de nada, o suficiente para que a mirrada roseira crescesse um pouquinho só. Ela mostrava às crianças, dizendo:
-Vejam, meus pequenos: a gente deve ter sempre fé na vida, e mesmo que a fé da gente seja um tiquinho, como esse golinho de água que eu uso para molhar a roseira todos os dias, um dia Deus ajuda, e a roseira da vida floresce. Não se esqueçam disso!
As crianças ouviam com atenção, os olhos esbugalhados de curiosidade e fome.
Mas um dia, Tia Marinalva foi transferida para uma outra escola, bem longe dali. Todos ficaram muito tristes, mas nada podiam fazer. Antes de ir embora, ela ergueu com a mão o rosto de Mariinha (sua preferida) e entregou-lhe o vasinho com a roseira, dizendo:
-Cuide dela para mim, pois quem sabe, um dia eu volto?...Que esta seja a nossa Roseira da Esperança.
Lágrimas sujas escorriam pelo rosto da menina.
E Mariinha levou a roseira para casa, carregando-a com dificuldades pelo caminho, sob o sol escaldante do meio-dia. As lágrimas deixavam a paisagem ainda mais baça.
A mãe e o pai conversavam no alpendre. Diziam que a seca não acabava nunca. Reclamavam, cismando sobre como alimentariam as crianças no dia seguinte, já que a comida – um pouco de farinha e melaço – só daria para mais aquele dia. O pai resolveu ir à cidade, ver se conseguia alguma coisa. Voltou ao cair da tarde, trazendo algumas batatas, que comeriam no dia seguinte.
Conseguir água estava ainda mais difícil, já que o poço mais próximo finalmente secara. Tinham que andar pelo menos quatro horas, ida e volta até o próximo vilarejo.
Um dia, a mãe viu quando Mariinha bebeu da metade de sua caneca d’água, jogando a outra metade no vaso da roseira. Imediatamente, a mãe ralhou com ela:
-Ô menina abestada, jogando água fora? Num sabe o trabaio que dá pra carregá? De hoje em diante, nada de jogar água na terra!
-Mas mãe, é a roseira que a tia Marinalva pediu pra cuidar! Ela disse que a roseira é para ter esperança...
-Que roseira que nada! A gente num pode cuidá nem da gente mesmo, ainda inventa de cuidá de roseira... eu proíbo de jogar uma gota que for nesse vaso! Esperança... que esperança que se tem nesse fim de mundo, minina?
Dizendo isso, a mãe pegou o vaso, jogando-o pela janela. A terra ressecada caiu no chão. Mariinha chorou durante muito tempo, mas à noite, quando todos dormiam, ela foi lá para fora e recolheu tudo no vasinho de novo. Só a lua viu.
Escondeu a roseira atrás do tanque seco, onde ninguém nunca ia. E todos os dias, ela ia lá, escondidinha, levar um pouquinho de água para a roseira.
Mas Deus decidiu que a roseira não precisava de cuidados, pois levou embora Mariinha. Os pais a enterraram em uma cova rasa, atrás do casebre. Não teve padre, nem missa; apenas o choro dos pais e dos irmãos, que amedrontados, olhavam fixamente, enquanto o rosto de Mariinha sumia sob as pás de terra.

Mas o tempo passou, e veio a chuva. E veio forte. Aos poucos, o solo rachado foi sendo consertado pelas correntezas de água. A paisagem voltou a ser verde, e o Mandacaru floriu. Certo dia, a mãe foi até o velho tanque lavar a pouca roupa, enquanto o pai replantava algumas sementes de feijão. Foi então que ela viu, com os olhos cheios d’água, uma mancha vermelha e perfumada, que brilhava ao sol. Era a roseira da esperança.

Existe


Existe uma vontade
Além da minha,
Que obriga-me a continuar
Movendo-me,
Apesar de tudo.

Existe uma alegria
Que me abarca,
E se insinua,
Através de minha tristeza,
Mostrando que vale a pena,
Lembrando-me que há beleza.

Existe um sentimento
De conforto
Nesse passado, há muito, morto,
Pois ele me trouxe aqui,
Até este momento
No qual eu me reinvento.

Existe uma asa de borboleta
Que passa, depressa
Sobre a crisálida seca.

Existe uma paz que me guarda
Onde eu caibo toda,
Embora arda.

Existe um amanhecer
E enquanto eu anoiteço,
Ele me aguarda.

sábado, 15 de setembro de 2012

Não é Nada!...



Essa nuvem nos olhos
Não é nada!...
Vem da chuva fininha,
Vem da tarde nublada...

Esperanças caíram
Na calçada.

Não é nada, esse medo
Que por hora me abraça!
Talvez seja, em segredo,
Uma dor que não passa...

Mas não há de ser nada,
Pois a noite se alonga,
E os fantasmas e as sombras
Amanhecem...

Depois, me esquecem.
Por isso,
Não é nada.

Eu e os Bichos







Tenho uma empatia muito grande com  quase todo tipo de bicho . 

Nesta época do ano, alguns pássaros vem fazer seus ninhos nas árvores do meu jardim. São rolinhas, sabiás, cambaxirras. Quando eu os vejo entrando e saindo das casinhas de passarinho, ou carregando galhinhos secos e restinhos de algodão de paineira nos bicos, eu já sei: vai começar tudo de novo!

Estas sabiás da foto foram minhas hóspedes há algum tempo. Assisti quando seus pais começaram a construir o ninho, e até achei estranho, já que o fizeram em um local realmente baixo, tão baixo, que pude fotografar o ninho várias vezes sem precisar sequer esticar o pescoço. Eu ajudava a tomar conta delas, quando os pais estavam fora, pois às vezes, elas caíam do ninho. Acompanhei todos os seus estágios, desde quando eram apenas ovinhos, e ao nascer, coisinhas cor-de-rosa muito feinhas, até o ponto que chegaram nesta foto. 


Um dia, acordei e encontrei o ninho vazio: elas se foram. Ainda as vi algumas vezes aqui pelo jardim, ensaiando vôos, e confesso que ao ver o ninho vazio, senti uma certa melancolia...

As mais difíceis de lidar, são as rolinhas. Elas sempre acabam expulsando algum filhote do ninho. Isso já aconteceu várias vezes. Uma vez, consegui colocar o filhote de volta, mas a mãe o expulsou novamente, e após ele cair no gramado, ela foi atrás dele, bicando-o. Peguei-o novamente. Como já era bem grandinho, achei que conseguiria criá-lo. Todos os dias pela manhã, eu o soltava no gramado, e ele ficava piando pela mãe, mas quando ela o avistava, caía de bicadas em cima dele. Acabou morrendo, acho que de tristeza.



As cambaxirras são as mais engraçadas: elas começam a encher todas as casinhas do jardim com gravetos e tudo o mais que encontram por aqui; depois, escolhem apenas uma delas e fazem seus ninhos. Elas não tem medo de nós, e também escolhem, geralmente, um local muito baixo aqui na varanda. Uma vez, um filhote fugiu do ninho, e quando tentei pegá-lo para devolvê-lo ao seu lugar, ele entrou pela porta da sala - imaginem, aquela coisinha mínima se escondendo dentro de casa! Vi quando ele entrou no meio das toras de madeira da lareira, e tive que retirar uma a uma cuidadosamente, até conseguir pegá-lo. Foi uma dificuldade...

Este ano, vi que as sabiás fizeram seu ninho no pé de tangerina. Desta vez, não será tão fácil fotografá-las. Mas terei que ficar de olho, já que o ninho está dentro do local do canil, e se um dos filhotes cair, a Latifa não vai perdoar...

Esta época é muito bonita, mas também um pouco triste, pois sempre encontramos alguns filhotinhos de pássaros mortos pelo jardim. Eles caem - ou são expulsos de seus ninhos durante a madrugada, e não temos tempo de chegar até eles antes das formigas. Mas a gente vai fazendo o que pode.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Passear



Não costumamos passear durante o dia, pois Latifa, minha cadelinha, é um tanto agressiva com outros animais. Esperamos que a noite chegue, e passeamos (quase sempre, tranquilamente) pelas ruas vazias da vizinhança.

Mas hoje decidi levá-la a passear mais cedo, temendo que à noite chovesse, como ontem, e não pudéssemos ir. Notei que sua cabecinha se virava constantemente, olhando tudo o que não está acostumada a ver... a paisagem com uma outra cor, mais movimento, mais ruídos... às vezes, ela parava para observar um carro ou uma pessoa que passava.

E meus olhos, atentos a cada virar de esquina, para tentar evitar algum encontro bombástico com outros animais. Mas felizmente, somente vimos os passarinhos pousados nos fios dos postes e nas árvores. Tarde fria, nublada, tranquila...

Respirei profundamente o ar gelado, sentindo meus pulmões se encherem de vida. Latifa já está um pouco idosa, e andamos devagar. Posso apreciar a paisagem. 

Chegamos em casa, e ela, tomando uma grande quantidade de água,  deita-se nas lajotas da garagem para descansar do passeio. Percebo que ela me olha com alegria. E eu penso que a vida é tão curta... lembro-me do Aleph, meu outro cão, que já se foi . Lembro-me de quando os dois sentavam-se no gramado, de quando ele ainda era jovem, e ambos brincavam, fingindo rosnar um para o outro. Agora, ele já não está mais aqui.

Olho para minha cadelinha novamente. Deslizo a palma da mão na maciez do seu pelo, de uma maneira bem mais carinhosa.

Galhos de Ipê



Finos galhos de Ipê
Tramas de cama-de-gato
Seguram, nas pontas dos dedos,
Flores macias e frágeis

Que se desprendem e caem
Entregues ao seu destino
De murchar e  fenecer
Sobre uma verde ramagem.

Caem ao anoitecer,
Derrubadas pelo vento
Mas é lindo o seu morrer,
Manchas de cor ao relento.

Não Quero Conversa!



Eu hoje não quero papo. E por favor, vê se para de me fotografar, pois eu vou acabar cobrando pelos direitos autorais! Acordei mau-humorada, pois ontem à noite, eu senti o cheirinho de bife vindo da cozinha, e fiquei muito esperançosa de ganhar um delicioso filé; mas o meu jantar foi apenas aquela tal de ração para cachorro super sem-graça, só com o caldinho do bife! O que é que vocês pensam que eu sou?

E já estou cansada de que falem comigo como se eu fosse um bebezinho! Pela idade cronológica canina, eu já sou bem mias velha do que vocês, e exijo respeito! E meu nome não é Tatá, Lindinha, Bebê, Tifinha, Tifitita, 'Gotosinha,' Gorduchinha, Cosquenta, Fofinha ou essas outras dezenas de nomes que vocês me chamam: meu nome é Latifa! Entenderam bem? Senhora Latifa!

E tem mais: a partir de hoje, eu quero passear todos os dias, e não apenas quando vocês estiverem a fim! E se chover, eu não tô nem aí: quero ir do mesmo jeito! E vou lutar pelo meu direito de circular por dentro da casa a hora que eu bem entender. E por falar em casa, estou precisando de um cobertor novo. Já viram o meu, como está cheio de buracos?

Eu hoje quase mordi aquele moço de branco que veio aqui em casa; fiz a maior festa nele e no outro rapaz, e como foi que eles me pagaram? Colocando-me uma mordaça que eu mal podia respirar, e dando-me duas espetadas na pele! E ainda pior: tiraram meu sangue! Nunca mais eu falo com eles!

Se vocês não me tratarem melhor, eu juro que um dia desses eu arranjo outras acomodações e outros donos. 

Está feita a minha reclamação... por enquanto!



Preste Atenção...







Preste atenção...
Neste exato momento
Acontece um milagre
Perto de você!
Basta abrir os olhos
E querer ver...

Abra bem a mente,
E o coração...
Não há um jardim,
Ou uma pequena flor?
Uma árvore no caminho,
Ou um passarinho?

Quem sabe, um riacho,
Uma nesga de céu,
Um pouco de chuva,
Ou mesmo um trovão?
Apure os ouvidos,
Abra o coração!

Mas se mesmo assim
Você não achar
Nada que lhe valha
Chamar de milagre,
Olhe para o lado
E se estiver só,
Procure um espelho
E nele se mire:

Você é um milagre...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Fim






Todos especulam,
Teorias pululam
Voam como podem
Nos sites e blogs...

Falam de buracos
Negros como a morte,
Falam de estrelas
Amargas, no infinito,
Estrelas falantes
Tão embriagantes
Quanto  o absinto!

Preveem grandes ondas,
Aprazem-se tanto
De abalos sísmicos,
Cismando, cismando,
E o tempo, passando,
E o tempo, chegando...

Sonham com profetas,
Profetizam sonhos,
De um triste epílogo,
Um final medonho!

E alguns, em seus seios,
Aguardam, ansiosos,
A última trombeta
Que abalará
Os mais ociosos!

Será previsão,
Louca pretensão,
O fim, afinal,
Ou obsessão?

Enquanto for Preciso





Sempre que amanhece,
Apaga-se uma dor,
Mas um sonho fenece...

Cada vez mais longe
Do amanhecer:
Caminho do dia,
Que ao primeiro raio, principia
A morrer!

Enquanto for preciso,
Direi o que tenho a dizer.

Eu às vezes choro,
Noutras, eu gargalho...
Ora passarinho,
Ora espantalho...

Bem longe do ninho,
Bem perto do céu...
Entre o choro e o riso
Haverá um véu.

E enquanto for preciso,
Direi o que tenho a dizer.

O que mais, me digam,
Se há de fazer?...

A Ansiedade do Querer








Muitas pessoas perdem tudo por desejarem ansiosamente, indo 'com muita sede ao pote...' é como o homem que armou uma arapuca para pegar um pássaro, e quando o pássaro se aproximava, não pode conter sua ansiedade e saiu desembestado de trás da moita aonde se escondia, espantando o pássaro. 

Acho que precisamos aprender a controlar a nossa ansiedade, e a jamais depositarmos a nossa felicidade na realização de alguma coisa. Antes de obtermos o que queremos, precisamos estar felizes e tranquilos. Então, e só então, estaremos prontos para colher o que plantamos. Agora veio-me uma outra ideia que li em algum texto, não me lembro de quem: a menininha que, na ansiedade de ver brotar  a semente que tinha plantado, todos os dias tirava-a do vaso. Resultado: a planta não crescia nunca!

Eu acredito que o segredo está em:

1) Definir, com certeza, aquilo que se quer. Ninguém terá alguma coisa se, secretamente, luta contra ela! Muitos querem ter algum bem material, mas ao mesmo tempo, vivem afirmando que o dinheiro é coisa do diabo. Ora, então, como obter alguma coisa que depende dele?

2) Tendo definido aquilo que se quer, começar a 'mexer os pauzinhos.' Ou seja: correr atrás. Nada cai do céu, a não ser chuva, bomba, cocô de pombo e aeronave. 

3) Acreditar em um resultado positivo. Não subestimar-se, achando que não merece. Parece óbvio, mas tantas e tantas vezes, ouço pessoas dizendo que não são dignas disso ou daquilo. Por que não? Por que achar que a felicidade é produto de luxo, e que só algumas poucas pessoas a merecem?

4)  Se não estiver dando certo, mudar a estratégia; também vale analisar: "Estou prejudicando alguém? Alguém sofrerá, para que eu obtenha o que desejo?" Se a reposta for positiva, mesmo que você obtenha o que deseja, no fim, não será feliz.

5) Estou sendo sincero comigo mesmo, ou estou apenas seguindo aquilo que a maioria acredita? Muita gente pensa que só pode ser feliz se tiver alguém do lado, como uma muleta.  Que a resposta está no outro. Mas eu acho que primeiro, a gente precisa se amar e sentir-se feliz e agradecidos pela vida que temos; isso fará com que outras pessoas se aproximem, e quem sabe, o cara-metade não estará entre elas?... Mas conheço pessoas solteiras, independentes e felizes.

6) Lembrar-se sempre de agradecer. Com sinceridade. E frequentemente, se possível, várias vezes ao dia.

7) Não deixar que acontecimentos tristes contaminem todos os aspectos da vida. Posso estar muito triste, imensamente triste por algum motivo, e mesmo assim, encontrar prazer nas outras coisas, por exemplo, minha vida profissional pode não estar indo muito bem, mas a vida amorosa vai às mil maravilhas. Ou, de repente, não tenho o lugar que desejo para morar, mas tenho muitos amigos que sempre me alegram. Se formos esperar até que tudo esteja perfeito para que sejamos felizes, chegaremos à velhice como pessoas frustradas e vazias. Ninguém é feliz o tempo todo, em todos os aspectos. Aproveitemos as boas marés da vida, e aprendamos com as ruins.

8) Desligar-se do passado. Dele, que só possamos trazer conosco as boas lembranças, jamais as angústias e mágoas. E mesmo as boas lembranças devem ser deixadas de lado a maior parte do tempo.

9) Acreditar que aquilo que nos pertence, que é nosso, acabará vindo a nós, se fizermos um esforço. Se não veio ainda, é porque não estamos preparados.

10) E se não vier de jeito nenhum, conformar-se, acreditando que nem sempre sabemos, de verdade, o que é melhor para nós, e que não recebermos aquilo que desejamos pode ser uma bênção disfarçada!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Mão e as Cabeças









A mão pesava 
Sobre as cabeças
Sempre bem baixas...

A mão mostrava
E apontava 
As direções.

A mão cortava
Cada cabeça
Que se erguia.

A mão matava,
E escolhia,
Manipulava.

A mão batia
E espancava
O que chamava
De rebeldia.

A mão punia
E esmagava
Cada cabeça
Que se erguia...

Cabeças burras,
Cabeças tolas,
Cabeças fracas!

Cada cabeça
Tinha a sentença
Que merecia.

*

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sempre Acontece em Setembro





Meu ipê amarelo está começando a florir. Isto sempre acontece em setembro. Lembro-me de quando nos mudamos para esta casa, no dia 4 de setembro de 2004, e ele estava carregado de flores amarelas. Para mim, estas flores anunciam o início de um novo ciclo - a primavera. 

Meu ipê está florindo de novo, meu velho e magrinho ipê. Até quando ele aguentará? Às vezes eu penso que ele deve ser muito velho... tão mirrado! Quando cheguei aqui, ele não passava de um tronco da grossura do meu braço, com dois - apenas dois - galhos na ponta, que se envergavam para lados diferentes. Apesar disso, parecia uma árvore velha. 

Começamos a cuidar dele, e hoje, já existem vários galhos que se espalham, se enchendo de flores. Mas galhos tão fraquinhos, que um vento forte os derruba.

Certo dia, ao chegar em casa após uma tempestade, vi que ele estava totalmente envergado em direção ao telhado da garagem, e que se não fosse pelo amparo do telhado, a árvore poderia ter caído com a ventania. Achei que ele morreria, mas aos poucos, ergueu-se e aprumou-se novamente.

Os pássaros vem alimentar-se de suas flores, que tombam, manchas amarelas amolecidas sobre o gramado, murchando  ao sol, tão frágeis! Meu lindo e pobre ipê amarelo...

Há um grande vaso de flores na entrada da casa, junto aos degraus que descem até a varanda. Há algum tempo, eu vinha notando que uma plantinha começara a crescer. Plantinha esta que eu não plantei. Confesso que eu quase a arranquei, mas decidi deixá-la crescer mais um pouco, para ver o que era. Alguns meses se passaram, e eis que numa manhã, eu me lembro da plantinha, e vejo que ela já tem alguns palmos de altura. É quando o vento derruba uma das folhas fraquinhas do meu velho ipê; comparando-a as da plantinha que está crescendo, vejo que é um novo ipê, um filhotinho!

Acredito que é um sinal. A velha árvore está deixando um herdeiro. Alguém que continue a sua existência quando ela se for. Porque se não for assim, como saberei que a vida continua?





DOBRADIÇAS




As dobradiças rangem,
Pesadas, rígidas
Ao nosso rude esforço
De reabrir as portas...

O ferrugem ruge,
Intenso ruído
De um sentimento em desmanche,
Carcomido.

Tentamos de novo,
Fazemos um esforço
Quebramos argolas
E correntes,

As dobradiças cedem,
Cada vez mais frágeis...
Ao abrir das portas,
Arrastam batentes...



Uma Nova Fobia: Medo de Crianças


Eu assistia TV, quando começou um programa sobre uma senhora que vai de casa em casa, contratada pelos pais, para ajudá-los a resolverem seus problemas com os filhos pequenos. Entendendo por 'problemas:' criá-los adequadamente, fazendo com que coisas que deveriam ser normais - ir para a cama na hora certa, fazer as refeições, obedecer - fossem cumpridas pelas crianças.

Naquele dia, mostravam a história de um jovem casal e seus três filhos pequenos, que não obedeciam, agrediam os pais fisicamente quando contrariados, gritavam e esbofeteavam uns aos outros. A casa, de classe média alta, uma verdadeira bagunça. Sobrava desorganização para todos os lados.

A 'babá' , após observar o comportamento da família, consegue captar o que os pais estavam fazendo de errado e bola um esquema para ajudá-los. Ensina aos pais que disciplina é uma coisa que se ensina, e se necessário, se impõe, e que quando os filhos não obedecem, devem ser punidos de alguma forma - com uma repreensão ou um castigo, mas que nunca devem apenas deixar para lá.

Feito isto, a família sai para um passeio no parque, acompanhados da babá. Logo que chegam, o filho menor sai correndo em disparada, deixando a mãe em maus lençóis com um bebê que empurra no carrinho e um outro menino que segura pela mão. Imediatamente, a babá a relembra das técnicas, e a mãe chorosa começa a chamar o filho para junto de si. Quando o garoto finalmente decide obedecer, a mãe, emocionada, o felicita, dizendo:

"Filho, a mamãe falou e você obedeceu! Muito obrigada, querido, muito obrigada por obedecer a mamãe!"

Congela tudo:

A mãe precisa agradecer a um filho porque ele a obedeceu? Na minha época, isto era obrigação da criança, e ai de quem discutisse as ordens dos pais! Que droga de educação moderna é essa, que faz os pais acreditarem que precisam ser gratos aos filhos por eles lhes obedecerem?! E o que tem levado as mães de hoje em dia a não conseguirem lidar com seus próprios filhos, a ponto de ficarem emocionalmente abaladas ao cuidar deles? Acho que existe aqui, além de uma imensa inversão de valores, muito exagero. Por exemplo, se um pai bate no filho que está fazendo pirraça em um shopping center, dezenas de pessoas o olham com olhos de condenação, e ele corre o risco de ser preso, responder processo e até perder a guarda do filho! Qualquer coisa que os pais façam, alguém aponta o dedo e diz que ele vai traumatizar a criança.  E qualquer distúrbio psicológico encontrado em um adulto, pode ser classificado como 'trauma de infância' ou 'culpa dos pais', principalmente, da mãe.Mas os adeptos da educação moderna não estão na pele dos pais.

Ninguém culpa uma sociedade de consumo que faz com que as mães tenham que ir à luta a fim de equilibrar a renda familiar, deixando as crianças aos cuidados de estranhos que, na verdade, não estão nem aí para elas. Ou o fato de que as crianças hoje em dia, já tem carreiras: saem de casa às sete da manhã e retornam às oito da noite, após escola em regime integral, aulas de inglês, espanhol, balé, natação, judô, computação... tudo para que possam continuar sustentando, no futuro,  a sociedade de consumo na qual estão inseridas, pois isto é ser bem-sucedido.

Certa vez, conversando com uma mãe, ela me disse: "Acho que meu filho está com algum problema... anda triste, amuado, calado..." perguntei se ela já tinha conversado com ele, e ela respondeu: "Não, mas eu vou levá-lo ao psicólogo."

 Bem, acho que não preciso falar mais nada. A não ser que escola e psicólogos não substituem os pais, e que a educação começa - ou deveria começar - em casa.

domingo, 9 de setembro de 2012

SERENO






SERENO


Passear bem cedo
Passos lentos
E apreciar o sereno...

Gotas que se formam
Choradas
Pela madrugada...

Parece que choveu,
Mas foi o frio
Condensado
Em lágrimas,
Orvalhadas
Sobre a rosa.

Suave sereno,
Lentamente sugado
Pelo sol da manhã!

Se Você Não Crê Em Deus...






Se você não crê em Deus,
Saiba que Ele não se importa...
E se um dia precisares,
Poderás bater à porta...

Mas se mesmo assim, insistes
Em jamais acreditar,
É um direito que te assiste,
Não precisa te zangar!

Mas a fé é necessária,
Seja ela em quê for:
Em si mesmo, em um amigo,
Ou quem sabe, no amor?...

E se um dia tu sentires
Fé numa nuvem que passa,
Sem que saibas, Deus rirá...
E em ti estará a graça!

Parceiros

ESFORÇO

 A vida demanda esforços. Nem tudo vem fácil, mas tudo vai fácil. Começar nem sempre significa ter tudo prontinho, preparado, com todas as c...