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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Minha Casa

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A minha casa é meio-Frida Kahlo: As cores se misturam e se espalham Aleatoriamente nas paredes, Em verdes e azuis, roxos, laranjas, Em brancos, amarelos e vermelhos.
Cortinas não tem forros; esvoaçam Ao vento que adentra e as agita, E espalha o cheiro doce do incenso Que eu queimo pela casa todo dia.
A minha casa é simples, e aqui dentro Somente os objetos que amamos: Presentes e lembranças de viagens, E coisas que gostamos e compramos.
Por sobre a escadaria de madeira, As mãos dos marceneiros já idosos... A maioria deles já se foi, Deixaram suas presenças no meu chão.
Sob esta escadaria, hoje estão Os livros que mais amo, e que não doo; De vez em quando os leio, e então me entrego A branda realidade dos seus voos.
O meu jardim é uma parafernália De plantas que eu encontro pela rua, E ao plantá-las, raramente brotam Onde eu as plantei, mas onde querem.
E Burle Marx, acho, se revira Na tumba onde dorme, ao contemplá-lo! Pois nada nesse canto é ordenado, E nada obedece seus espaços!
Cr…

Vá Comprar Uma Laranja!

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Cheguei ao ponto de ônibus perto da minha casa, e encontrei novamente aquele senhorzinho, também esperando pelo raro evento de um transporte de passageiros aqui na minha rua – o que só acontece a cada uma hora. Nos cumprimentamos, como sempre, e ele começou a puxar assunto. Não sei por que, mas as pessoas geralmente puxam assunto comigo – mesmo eu tendo essa cara não muito amigável. 
Começamos a conversar sobre os problemas de água em Petrópolis e nas dezenas de condomínios de luxo que estão construindo em Itaipava, Corrêas, Nogueira e outros locais. Nos perguntávamos se haverá água para toda essa gente, se já está começando a faltar para nós. Falamos também das chuvas que estão rareando cada vez mais. Falamos do aumento de temperatura dos últimos anos.
De repente, ele apontou para a ladeirinha que conduz à minha rua, e perguntou: “Você mora ali?” eu disse que sim, e ele me perguntou se eu tinha conhecido um senhor que morava ali e que morreu recentemente. Respondi: “Sim, ele era meu…

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Há os que chegam em silêncio, Deitam os olhos sobre tudo E saem sem nada dizer, Sem nada sentir, Sem nada trazer.
Há os que chegam de repente, E trazem facas entre os dentes; Ferem sorrindo, Dão gargalhadas, Saem contentes.
Há os que chegam sem querer, São empurrados pela vida, Trazem sementes, Partilham almas, Saem mais sábios.
Há os que chegam por escolha, Bem conscientes, Preces nos lábios, Dentro do peito Um “Obrigado.”
Vem todos pela mesma estrada, Seguindo sempre as mesmas trilhas, Trazidos pelos mesmos ventos... Mas cada um vem diferente, E cada um vai diferente.




Nada me Disseram

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Nada me disseram os teus olhos, Naquele dia em que eu te revi. Havia um rio bem no meio, E nas margens, uma cidade.
Na cidade, ruas úmidas Pelas quais nunca andarei... Casas de janelas altas Pelas quais nunca olharei.
Nada me disseram os teus olhos, Quase não reconheci O estranho que eu fitava De quem nem me despedi.








É MEU

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É meu - tem meu cheiro, minha letra, Meu estilo, minha escolha, Minhas cores, meus olhares -E eu sou possessiva.
Piso firme  calcando os calcanhares Nesse solo que conheço, E que me pertence, -E é meu.
Danço sobre as linhas virtuais e inexatas Quase me arriscando a cair num abismo Sem começo ou fim De bits, megas, terabites, Entre blogs e sites.
São minhas - e me pertencem totalmente As palavras que aqui deito, e que deixo À míngua, para morrer Ou quem sabe, viver.
E se viverem, É porque, na verdade, Não mais me pertencem, Mas a quem as escolher.




O GRITO – EM PRIMEIRA PESSOA UMA REFLEXÃO

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O texto abaixo trata-se de uma reflexão baseada em meras observações – sobre mim mesma e sobre outras pessoas.






Por que eu grito?
Há vários motivos que podem fazer alguém gritar ao dirigir-se à outra pessoa. Cada um tem suas razões para gritar, mas estas razões tornam-se perdas logo após o grito: perda de bom senso, paciência, calma, autocontrole, justiça, caridade, compreensão, verdade, razão.
1- Eu grito porque me sinto frustrada. Alguém não está me escutando. Com certeza, quando chego a este ponto, já tentei várias outras formas de abordagem sem ter sucesso. Grito porque eu preciso que me ouçam, pois quem sabe, uma injustiça está sendo cometida contra mim, ou tenho algo muito importante a dizer que, se não for escutado, poderá trazer graves consequências para todos. Mesmo assim, quando eu grito por este motivo, perderei a razão e as pessoas virarão as costas para mim ainda mais rapidamente.
2- Eu grito porque eu fui ferido, magoado, machucado, e pretendo pagar tal pessoa na mesma m…

Estou me expondo?

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"Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida." – Graciliano Ramos




Quem não deseja expor-se, jamais poderia pensar em escrever alguma coisa. Todos que escrevem correm vários riscos, entre eles: cometer erros de gramática, parecer ridículo para quem lê, ser mal interpretado - e o mais mortal pecado de todos, expor a si mesmo. Porque quem escreve e não expõe a própria alma por medo do que os outros pensarão, nunca produzirá nada que valha a pena.
Em cada poema, em cada personagem de contos, em cada crônica, passeia o escritor. A grande confusão, é que muitas vezes a alma dele está ali, naquele personagem ou no eu-lírico de um poema, mas muitas vezes, o leitor pensa, equivocadamente, que a história daquele personagem é uma autobiografia. 
O personagem e o eu-lírico, como os filhos, carregam traços do escritor, mas não são ele, e nem sempre significam uma reprodução de sua vida pessoal. 
Imaginem se Stephen King, escritor de contos de terror, tivesse sua v…

Às vezes

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Às vezes,  Quando abro os olhos sobre a tela, Um ranço deixa tudo definido: As mesmas rusgas de sempre, As mesmas rugas nos Faces, A palavra sempre à esquerda Tentando chegar à direita.

Às vezes,  Quando os olhos passam sobre as linhas, Elas cortam como cerol, Despedaçando as minhas frases, Partindo em mil pedaços O verdadeiro sentido De todas as mensagens.

Às vezes, O mundo inteiro me cansa, Então vou lá para fora; fecho os olhos, Escuto os pássaros nos galhos, E sinto o vento no rosto Para trazer de volta o gosto E matar o desgosto De tanto esgoto.




“Tão Certinha que Dá Nojo!”

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Alguém cuja foto de perfil no Facebook era a de Bob Marley solicitou-me amizade  e eu a adicionei; alguns dias depois, ela me fez este elogio através da minha caixa de mensagens: “Parabéns, Ana! Há profundidade em seus textos.” Agradeci, e ficou por isso mesmo. Dias depois, sem mais nem menos, a pessoa, que não sei se era homem ou mulher, voltou e passou uma mensagem em letras garrafais – cujo conteúdo não reproduzirei aqui, pois era cheio de palavrões, mas a coisa mais suave da qual ela me acusou, foi ser ‘certinha demais’ e de ter ‘Uma dignidade prussiana’ (tive que pesquisar para saber do que ela estava me acusando, e descobri eu ela queria dizer “Fascista.”). Acrescentou uma dúzia de palavrões, um comentário mal-educado em uma de minhas postagens – que deixei lá, para que todo mundo tivesse a chance de ver que tipo de pessoa ela era – e então bloqueei o seu perfil.
O motivo de toda essa agressão? Não sei, e nem quero saber. Acho que se essa coisa de carma de vidas passadas existe…

Te Vi Criança

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Sonhei contigo, te vi criança, A mesma que há tanto tempo conheci. Estavas nua, e entre as andanças De pessoas que iam e vinham na calçada, Sem te verem, naquela tarde alquebrada, Eu te reconheci.
Parei, olhando em volta, Te dei a mão, dizendo: "Vem comigo, menininha,  Vou te levar daqui! Mas antes, vamos àquela loja Achar um pano pra te cobrir!"
E tu sorriste, tranquilamente, Desvencilhando-se do meu abraço E me dizendo, bem calmamente: "Eu estou bem, está tudo bem, Não sinto frio, nem fome ou sede, Eu estou bem..."
E na inocência da tua nudez Sem frio ou dor, ou falsa polidez, Senti o cheiro dos teus cabelos, Um cheiro doce, que há muito tempo, Um dia, eu senti, E depois, conforme os anos nos separavam, Dele eu me esqueci.
Pedi perdão por não despedir-me, Por não ter sido tão corajosa Para encarar os milhões de erros Que nós, tão tolos, E tão cruéis, contra ti cometemos.
Deixei-te em paz: pois naquela noite, Me visitaste, e o que ficou, Foi o perdão daquele sorr…

CADA VEZ MAIS

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Cada vez mais,Haverá mais ontens nos amanhãs,E o passado se esticaráPesando sobre o futuroE fazendo sombra ao presente.
Façamos da vida uma leve caminhada,Que a saudade fique bordada apenasNas bordas do que foi levado...
Deixemos que o pano que nos cobreEsteja rasgado,Para que o céu possa ser visto,O firmamento, vislumbrado,Quando o vento ameaçar levar nossos telhados!
Cada vez mais, As flores que morreram à mínguaEspelharão seus perfumes fantasmagóricosPelos jardins que nos esquecemos de cuidar.
Deixemos que ao menos as sementesQue caíram dos miolos destas floresTenham a chance de brotar!
Sejamos nós, entre o céu, as montanhas e o mar,Caminhemos devagar, mas sempre em frente,E se houver correntes a arrastar,Que elas sejam de fantasmas mais contentes...
Cada vez mais, a nossa peleHá de cobrir-se com as rendilhas do tempo,Que não impedem o vento de passar,Mas nos emprestam a ilusão do aquecimento!
-Esquecimento! Abra as asas sobre nós,Leve consigo, da maneira mais velozA vozes temidas do ranc…