sexta-feira, 8 de julho de 2016

Basta







Basta uma brisa mais leve,
Perfume de flor,
O roçar de uma pena de passarinho
Caída do céu, por acaso,
Basta um olhar mais raso,
Atravessado,
Um cheiro de bolor dentro de um livro,
Ouvir um riso distraído,
Nem mal nem bem intencionado.

Basta uma palavra, um recado,
Um esbarrão acidental,
Uma música antiga tocando de repente,
Uma lembrança escondida que vem à tona,
Basta um ‘não’, por mais suave,
Um filme mais triste,
Um vento mais frio,

Basta ver um cão abandonado,
Mesmo que esteja feliz,
Um pedaço de jornal rasgado
Voando pela calçada,
Os sons de passos apressados
Passando por mim, sem me ver,
Basta, eu juro,
Fechar os olhos e tentar esquecer,

E eu não me esqueço,
E eu me despedaço,
Pois hoje, bastam apenas palavras ditas
Em um tom um pouco mais duro,
E eu arrebento a alma de encontro a um muro,
E choro, choro, choro
Até morrer...





8 comentários:

  1. Beleza de poesia, tri bem inspirada! Adorei! bjs, chica

    ResponderExcluir
  2. há momentos em nossas vidas que tudo vem com sutileza, mas basta sentirmos pra valer para cairmos na sensibilidade e para o choro convulsivo, ah, basta um segundo e tudo depois fica como se tivéssemos lavado a alma!
    Alma lavada é sensação de que se morrêssemos assim seria um lindo fim!
    Seu poema me tocou, tocou profundamente!
    Amei ler amiga querida Ana!
    Abraços bem apertados!

    ResponderExcluir
  3. Pois não será por mim que verterás uma pequenina lágrima. Ana !

    Uma beleza ( mais uma, claro ) este teu poema.

    Um beijo, Ana muito querida.

    ResponderExcluir
  4. Boa noite, querida Ana!
    Não tem como esquecer o que o coração não quer dar basta! Sinto daqui sua dor pelos versos poéticos...
    Bjm muito fraterno

    ResponderExcluir
  5. Sua sensibilidade nos toca, ao ponto de não querer dizer ou fazer algo que te despedace...
    Felizes dias, abraços carinhosos
    Maria Teresa

    ResponderExcluir
  6. Há dias na vida, que a gente pensa que vai explodir, que o roçar de um vento é agressão, o toque do pouso de uma borboleta é um supetão.
    Há dias assim e há gente belamente define estes em poesia, assim.
    Eu aplaudo.Lindo sempre.
    Bjs Ana.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Ah, os Italianos! - Parte II

Pôr do sol em Florença... jamais esquecerei. Continuação do texto anterior LIXO – Quando fui jogar o lixo fora pela pri...