quinta-feira, 19 de maio de 2016

ÉPICO








Subiram as cortinas:
Começa o espetáculo!
Apupos e cuspidas,
Fazendas invadidas,
Bezerros arrancados
Das vacas indefesas
E mil tochas acesas
Homens coisificados
Em massas de manobra
De uma certa cobra.

No Champs-Élysées
Sentados às suas mesas
Debatem os artistas
Sem nem ver a dureza
De um cotidiano
Ao qual abandonaram...
-Cafés e chocolates
E a fome do outro lado!

Os ricos e os pobres,
Políticos e elites,
No tapete vermelho,
Atores e suas grifes.
Vermelhos de um lado,
Do outro, os ‘estranhos’
Que clamam por clemência
Na roda desses anos.

E ninguém se adianta
E aponta os hospitais,
Os gritos de angústia
Gemidos e os ‘ais’
De quem morre sem ter
O mínimo cuidado:
O que importa é o palco,
Interesses marcados.

E à roda de tal mesa,
A graça e a nobreza,
Vestidos muito caros,
-A fama que sonharam!
Partilham dividendos,
(E o país, morrendo)
Pedaços arrancados
Por dentes afiados.

Não querem enxergar
A morte do partido,
Os ideais, sem dó
Pra algum lugar, varridos...
Os sonhos de igualdade?
-Mentiras deslavadas
Que já apodreceram
Na beira da estrada!

A Pátria dividida;
Nas redes sociais
Dois povos, que já foram
Um só, e bem iguais...
E o Foro de São Paulo
Bebendo todo o sangue
Alimentando a gangue
De falsos ativistas:
Hienas disfarçadas
Em peles socialistas!





4 comentários:

  1. Vivemos momentos complicados, uma divisão no país.

    Há uma passagem na bíblia que diz:

    E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir. (Marcos 3.25).
    Vamos aguardar!!

    bjokas =)

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  2. Ana Bailune
    Dizes bem, "Épico".. poema épico. Em sim o poema, numa toada belíssima, é o paradigma do que estamos a assistir. Será depois da tempestade vem a bonança?
    Beijos

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  3. Muito apropriado...
    Estamos de mãos atadas,
    aguardando a última cartada!
    Abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  4. E se no final não dar em nada do que pensávamos encontrar, acho que só falando com Deus minha amiga. Estamos atados entre dois nós cegos.Nossa garganta seca e o nó aperta. Sabe que parece que ninguém gosta desta nação, que todos só querem se dar bem e manter seu status. A pobreza será sempre uma palavra para se galgar o poder. Eu tenho desilusão.
    Seu texto expressa bem este momento.
    Mas como brasileiros vamos esperar e esperar ainda que lambendo o chão, onde eles passam sorrindo de nossa cara.
    Um abração.
    Bju

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