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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Vandalismo

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Derrubei os muros do teu coração, E pichei de vermelho o que sobrou. Nada ficou de pé, Sequer uma simples ilusão.
Pisoteei palavras, Rompi as aldravas, Entrei de repente, sem medo ou vergonha, Sob tuas narinas, sem qualquer cerimônia, Pus um algodão embebido em amônia
Para que tu acordes, Para que tu despertes.
Violei os lacres que ainda faltavam, Rasguei teus cartazes de "Não perturbar" Joguei-os no fundo viscoso de um lago E bati os pés, para me veres passar.
Nada jamais será o mesmo, Abaixo o teu comodismo! Dedico-te a fúria  Do meu vandalismo!

A Beleza e a Idade

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O conceito do que é belo tem se modificado ao longo da História. Desde que a humanidade existe, as pessoas são guiadas através de um pequeno grupo representativo que define para elas o que é considerado belo e o que não é – e o que quer que esteja fora deste padrão pré-estabelecido, é descartado como feio.
Assim, grande parte das pessoas definem seu tipo físico, sua maneira de vestir e de comportar-se, de acordo com o que está “na moda” ou do que é feito pela maioria – e o curioso, é que quem define estes padrões é um pequeno grupo de pessoas consideradas “experts” de beleza e moda, e muitas vezes, eles mesmos estão totalmente fora das regras que pregam, mas mesmo assim, são considerados autoridades no assunto. Infelizmente, muitos que os seguem  nem sequer param para pensar se realmente seus gostos se encaixam no padrão geral; o que importa, é estar “por dentro” e “ser aceito.”
Antigamente, o artista plástico Fernando Botero (Medellin, 19 de abril de 1932) retratava pessoas gordas, …

SURREAL

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Deito meus sonhos inertes Sobre a esteira do dia Para que eles despertem, Sem perder a fantasia.
Um pássaro chega, e pousa, Traz nas asas a magia E os meus olhos sonolentos Voam com ele em seu dorso.
Busco um sonho sem remorsos, Ainda úmido e inocente Recém-nascido, parido Da boca aberta de um deus.
Teço as cobertas da noite Com fibras dos sonhos meus... E perfumo com incensos, O meu taciturno silêncio.

ASAS QUEIMADAS

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Caem as cinzas Asas queimadas De passarinhos Por toda a casa...
Voam com os ventos Pousam suaves Sobre os telhados, Sobre o gramado...
Cantos calados, Voos perdidos Ar ressequido Amarelado...
Noite ferida Folhas caídas Carbonizadas Na tarde cinza...
Sobre a montanha Vermelho-sangue, Caem no fogo Os passarinhos Agonizantes...
Triste destino, Não voam mais! Cruéis demônios, Cruéis meninos, Risos cortantes!


E aqui na região serrana, continuam as queimadas... A breve chuva dos últimos dias ajudou um pouco, mas os imbecis continuam existindo.
Acho que a punição mais adequada a essa gente que promove queimadas causando a morte de milhares de plantas e animais, deveria ser a seguinte: ajudar os bombeiros a apagar o fogo, entrando nas mata onde há um calor superior a 50 graus, arriscando suas vidas  para resgatar animais feridos e sepultar os mortos. Depois, deveriam ficar um ano dando palestras em escolas sobre a sua experiência, o que viram, o que sentiram, como foram punidos e o que apren…

O que Você Viu Naquele Dia

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O que você viu, naquele dia, Foi meu peito aberto, a sangrar, Foram as veias que se arrebentavam E eu não conseguia mais segurar...
O grito saiu, rasgando tudo, Tudo o que eu vinha tentando calar, O pino da força rompeu, finalmente, E a forte corrente se pôs a jorrar.

O que você escutou naquele dia, Foi a voz do que eu tinha tentado calar, E eu sinto não ter conseguido ser forte Para te segurar, e estancar o teu corte...
E o que se deu naquele dia absurdo, Salvou minha vida, e me aliviou, Abriu-me a garganta, e aquela pressão Que me sufocava, cedeu, finalmente...
E foi tão de repente, como você viu, Inesperadamente, te causando a mágoa De ter testemunhado o que menos esperava: Um coração ferido, enquanto se rasgava.



ps: Sei que estou em falta com minhas leituras, e peço-lhes desculpas; internet ruim e outros motivos me mantiveram um pouco afastada nos últimos dias, mas em breve, retornarei com força total, pois adoro ler - tanto quanto escrever.

Eu Não Sou Nada

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Eu não sou nada. Ou mais um carro parado Nesse imenso engarrafamento Seguindo  o mesmo caminho.
Caminho onde eu não sou nada.
Alguns ocupam-se tanto Com o brilho da lataria, A gasolina aditivada, E os frisos dos pneus.
Não sabem que não são nada.
E com ou sem GPS, Ninguém sabe onde vai dar O final dessa jornada.
Jornada onde eu não sou nada.
Talvez valha a pena a paisagem Que passa pela janela Ante meus olhos dormentes, Se eu ao menos pudesse Dar-me ao luxo inusitado De um dia, contemplá-la...
Mas de fato, ela só passa, Só passa pela janela E fica em algum lugar Esquecida nessa estrada.
Estrada onde eu não sou nada.




Linhas

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Há ainda tantas coisas Que eu quero escrever Nas linhas da minha vida, E no entanto, é tão pouco O que eu desejo, o que eu preciso!...
Às vezes, eu sinto que logo Alguma coisa vai rasgar Meu peito sempre fechado, E ao transbordar de repente, Vai me matar!
E eu morrerei tão feliz, Tão tranquila, Tão sem medos!... Nem sequer me lembrarei O que significam palavras Como dor ou arrependimento!



ENTREVISTA DE MAURICIO AZEVEDO COM ANA BAILUNE

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Muito agradeço ao Maurício, que tornou-me membro da OPB - Ordem dos Poetas do Brasil - e fez de mim a primeira poetisa premiada. Obrigada! Quando você me disse que o prêmio era apenas simbólico, valorizei-o ainda mais.
Entrevista de Maurício de Azevedo com Ana Bailune
1- QUEM É A POETISA ANA BAILUNE? A poetisa Ana Bailune é a Ana Bailune gente. São exatamente a mesma pessoa, pois tudo o que está em meus poemas eu tiro da minha própria vida e das minhas próprias experiências, com poucas exceções. Mas até mesmo nestas exceções, onde escrevo sobre problemas sociais que não fazem parte do meu contexto de vida, por exemplo, é a Ana Bailune quem escreve. Não existem separações entre a Ana Bailune poetisa e a Ana Bailune. E quem é a Ana Bailune? Pergunta complexa... mas basicamente, sou professora de inglês, trabalho em casa, tenho uma vida simples e muito calma. Adoro minha profissão, pois ela me permite muito tempo livre para cuidar da minha casa, do meu marido e dos meus cães, que são pr…

Milagres

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Não fale - cale sobre os milagres Antes que os tigres Com seus dentes de sabre Os façam em pedaços.
Alguns passos não se contam, Em contas secretas, enfileirados, Formam um colar límpido e secreto A ser usado de encontro ao peito, Sob as vestes, Sobre o coração Calado.



INVEJA

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Introdução ao poema

Muito já foi dito e escrito sobre a inveja, neste e em outros espaços, em verso e em prosa. Alguns não acreditam nela e em seus efeitos. Mesmo assim, ela continua sendo o tema de tantos escritos, exatamente como outros temas sobre deuses, demônios, santos e anjos - que embora não tenham existência comprovada, povoam as mentes de quase todas as pessoas. 
Se a inveja existe? Existe, e é um artifício humano. Uma desculpa para odiar alguém que conseguiu ser aquilo que o outro não conseguiu - ou sequer tentou ser.  A inveja é um olhar voltado para o outro, mais do que para si mesmo e seus próprios potenciais.
Quem sente inveja não acredita em si. Vive em um mundo conturbado e triste, onde nada é o suficiente. Equilibra-se em uma corda de desespero e medo o tempo todo, e lá embaixo não há rede de segurança. Leva uma vida angustiante, sempre achando que deve competir com alguém a fim de vencer na vida. Precisa provar ser o melhor o tempo todo, e eu não consigo pensar em …

Descobertas

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Ontem li uma postagem do blog da Sheila, Passarinhos no Telhado, e fiquei pensando em muitas coisas que me aconteceram. Ela fala da necessidade de deixar ir pessoas e coisas que não mais se harmonizam conosco. Diz que, apesar de continuarmos amando e desejando o bem, quando não dá mais, é porque... não dá mais.
E eu concordo plenamente com ela. A gente vem para esse mundo sendo sempre condicionados a acreditar que alguns relacionamentos são cármicos, e que por isso somos obrigados a conviver com certas coisas. A gente tenta, e tenta, e tenta. Até que chega uma hora que a gente abre os olhos e percebe que vem sabotando a nós mesmos e nos submetendo voluntariamente a dores, decepções  e sofrimentos desnecessários, de gente que não gosta da gente de verdade, não nos admira e não nos respeita. Gente que só lembra de nós quando precisa. Gente que, quando a gente chega para uma visita, finge que a gente não está lá ou demonstra sua desaprovação e desprezo à nossa presença. Gente de íntimo …

UMA REFLEXÃO SOBRE O MUNDO DOS BLOGS

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Meus blogs, e seus índices até o dia de hoje:
-Liberdade de Expressão, aberto em Março de 2012 – 1278 postagens, 285 seguidores e 102.664 exibições de página.
-Passagem , aberto em dezembro de 2012 – 271 postagens, 263 seguidores e 99.463 exibições de página.
-A Casa & a Alma, aberto em julho de 2013 – 111 postagens, 63 seguidores e 26.111 visualizações de páginas.
-Histórias, aberto em fevereiro de 2013 – 200 postagens publicadas, sendo que muitas delas são contos em capítulos; tem 106 seguidores e 40.939 visualizações de páginas.
-Nada a Dizer, aberto em novembro de 2013 – blog apenas de imagens, com apenas 33 seguidores, 84 postagens e 4.984 visualizações de página.
Como vocês podem ver, mantenho meus blogs simplesmente porque gosto de escrever e ler, não tendo qualquer interesse além destes. Devido à pouca receptividade e pouquíssimos visitantes, considero meus blogs espaços quase anônimos no mundo virtual; mas meu objetivo é apenas registrar meus pensamentos, contos e poemas…

Intensa

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Ah, tarde vermelha que entra pela janela, Salpicada pelos cantos molhados dos sabiás E pelos cheiros doces das flores e do mel dos colibris! Ah, tarde, tuas vozes de velhos amores, Rostos derretidos de gris, na sépia do tempo, Que já nem aparecem mais nas fotografias!...
Ah, tarde, que me trouxe uma canção distante, Cheia de lembranças de almas errantes Que passaram, que se foram para sempre, e antes, E que nunca, nunca mais aqui voltaram!
Ah, tarde se eu pudesse!... - te prometo, e te juro, Mergulhava de vez nesse anoitecer escuro Cujas pontas seguras entre os dedos duros!