terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Mil Mortes








Ah, a dor de morrer mil vezes,
Sob o peso dos mesmos pés,
Que pisam, inclementemente
As asas mais distraídas!

Destruir a própria vida
Após o mais longo inverno
Pensando já ter cumprido
Uma estadia no inferno!

Segunda morte, que mata
Mais forte, e profundamente
Aquilo que está por dentro
Apodrecido, demente!

Ah, a dor de errar de novo
Brandindo uma vara curta
Contra os tentáculos fortes
Do mais destemido polvo!

Morder a flor entre os dentes
Até que se quebre o galho,
Amordaçar fortemente
Silenciando o ato falho!

Mistério, é tudo mistério,
Do começo até o fim
Pois quem morreu, retornou
E passa a zombar de mim!

Ah, a dor de morrer de novo
Sob as rodas mais pesadas
Da carruagem, que passa,
E dela, não fica nada...

E o cão só ladra, só ladra,
Uivando, às vezes, à lua
Que observa, refletida
Na suja poça da rua!

Na poça da mais vil lama,
A imagem refletida
De quem almejava o céu
Mas perdia a própria vida...





6 comentários:

  1. Boa tarde, parabéns pelo maravilhoso poema que partilha, é profundo, morder a flor entre os dentes, é como saborear o mistério do começo até o fim.
    continuação de feliz semana,
    AG

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  2. Lindo poetar por aqui, viver é simples, mas entre o simples e o complexo há muitos mistérios!
    Abraços linda amiga,Feliz Natal e Ano Novo, junto aos seus!

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  3. Amiga, hoje, venho especialmente
    desejar a si e sua Família um
    Feliz e Santo Natal.
    Bjs.
    Irene Alves

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