quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um Andarilho











Eu vago pelo mundo
Sem ter um mundo.
Procuro, em outros olhos, 
A minha substância,
Mas eles não me veem,
Apenas me assistem.

Eu morro esmagado
No encontro das palmas,
Em busca do que me falta,
No calor dos aplausos.

Fabrico sonhos mortos,
Divirto a multidão;
Sou fruto dos anseios
Que eu mesmo crio
Ao subir no picadeiro
Deste imenso circo.

Eu sou um caminhante,
Palhaço, o rosto borrado
Pelas lágrimas que eu disfarço,
Errado, perdido, errante...

A falácia que eu propago
Poderia ser honrosa
-Não fosse pelo embargo
Da minha própria palavra.

Ah, estive sempre tão próximo
Daquilo que eu mais combato,
E a distância que nos separa
Está ao alcance de um braço!

Do alto da montanha,
Contemplo um vasto campo
Vazio de sentidos,
Meu rosto decaído,
Onde meus monstros estão
Tristonhos e perdidos,
Lá, onde eu escondo
A minha solidão.





Um comentário:

  1. Ana, tantas vezes me senti uma palhaça, em meio à multidão que se divertia.
    É triste quando não nos veem, estamos sozinhos!
    Obrigada, feliz e próspero Ano Novo,
    abraços carinhosos
    Maria Teresa

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REFLEXÃO

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