quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Lá, Onde eu Sou Poeta








Existe uma terra longe,
Lá, onde eu sou poeta,
Onde Bocage é asceta
E Pessoa se esconde
Por trás de seus codinomes.

Shakespeare está perdido,
Entre os sapos de Bandeira,
E Florbela não é triste:
Ri da dor que ainda insite,
Canta e dança a noite inteira!

Lá, onde eu sou poeta,
Augusto não é dos anjos,
Mas amigo de Neruda.
Quer beijar a boca muda
De Cecília, que segura
Pelo braço, seu marido
Mal comido e mal roupido.

Existe uma terra estranha,
Surreal, onde eles andam
Procurando suas memórias,
Esquecidos de suas glórias
Os poetas, já morridos
E os ainda não nascidos.

Lá, onde eu quero estar,
Nossas letras se confundem,
Somos alvos de mil setas,
Somos grandes e pequenos,
Entre amargos e amenos
-Mas somos todos poetas.





10 comentários:

  1. Belíssimo Ana Bailune. Felizes os que vivem ou almejam viver neste mundo de poesia. Abraços. Luiz Henrique Mignone

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  2. Que lindo,é assim, os poetas tudo podem, saem de suas almas todas as sensibilidades, encontram um mundo mágico, às vezes irreal, mas viver é isso, tem hora que penso, que em sonhos vivo e morro quando acordo!?
    Amei ler amiga poetisa, sua sensibilidade é ímpar!
    Abraços bem apertados!

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  3. Que lugar encantado você desenhou! Meus aplausos pelo belíssimo poema. Bjs.

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  4. Bonito poema.

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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  5. Olá Ana! Estou passando pra uma visitinha e me deparo com essa beleza de poesia! Vc sempre me encanta, sou sua fã! Estou dando uma pausa nos meus blogs pra tratar de assuntos pessoais, talvez um dia retorne, mas não abandonei o gôsto pelas leituras! bjs e obrigada pelo carinho,

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  6. Boa tarde Ana, passei para desejar um bom final de semana e acabei engolindo os sapos de Bandeira, visto o tamanho da boca que abri. Sensacional!!!!!!! Aplausos de pé. Luz e paz. Beijo no coração

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  7. Boa tarde Ana, passei para desejar um bom final de semana e acabei engolindo os sapos de Bandeira, visto o tamanho da boca que abri. Sensacional!!!!!!! Aplausos de pé. Luz e paz. Beijo no coração

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  8. Um espaço fantástico, que acabei descobrindo , por acaso... e que adorei!!!
    Um poema maravilhoso... passando também por tantos autores portugueses...
    Acho que a tenho visto no blog do João Menéres, no Grifo... mas só hoje tive oportunidade de passar por aqui... e constatar a boa poesia, que por aqui, tenho estado a perder...
    Se nos desejar descobrir, estamos em artandkits.blogspot.com e adoraríamos contar com a sua presença...
    Beijinhos! Bom domingo!
    Ana

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  9. Um poema fantástico, Ana!
    Tiro o chapéu para você e para a sua inteligente criatividade.

    Feliz semana.

    Beijo.

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  10. Lindo demais Ana.
    Que as setas não nos perfure a criação.
    Amei.
    Abraços

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