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domingo, 1 de setembro de 2013

EZRA POUND





O poeta, músico e crítico Ezra Pound, um dos mais significativos e polêmicos intelectuais do século XX, nasceu na cidade de Hailey, em Idaho, no dia 30 de outubro de 1885. Ele viveu boa parte de sua infância em Wyncote, lugarejo próximo da Filadélfia. Graduou-se na Universidade da Pensilvânia, em 1906, e por algum tempo ministrou aulas na Wabash College, em Indiana.

Em 1925, o poeta, ávido por novas possibilidades no campo da harmonia das formas, criará o Vorticismo, outro movimento estético, tornando-se definitivamente responsável pela formatação e promoção da estética moderna na poesia de língua inglesa, influenciando os principais nomes da literatura do século XX, compartilhando com muitos deles, generosamente, sua experiência literária.






Entre eles, há autores do gabarito de W. B. Yeats, Obert Frost, William Carlos Williams, Marianne Moore, H. D., James Joyce, Ernest Hemingway, e particularmente T. S. Eliot, que inclusive lhe dedicou sua obra-prima, The Waste Land. Pound configurou-se, assim, como um dos principais expoentes do Modernismo. Seu primeiro livro, A Lume Spento, foi lançado em Veneza, no mesmo ano em que ele fixou residência na cidade de Londres, em 1908.

Um ano depois, Pound lançou as obras Personae e Exultations, as quais logo dão espaço para a publicação de um volume de ensaios, The Spirit of Romance, de 1910. Em 1914 ele dá início à edição do veículo intitulado Blast, porta-voz do Vorticismo, escola muito semelhante ao Imagismo, com a diferença de incluir um novo estilo gráfico aos poemas do escritor, já anunciando o que virá a constituir a Poesia Concreta.


faleceu, no dia 1 de novembro de 1972, com sua obra Cantos premiada e eternamente inscrita no rol das obras polêmicas.




ENVOI

Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz


Diz a ela que espalha
Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.


Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora
Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.


(tradução de Augusto de Campos)







SAUDAÇÃO

Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;
E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir.

(tradução de Mário Faustino)








Pensamentos



"Toda a arte começa na insatisfação física (ou na tortura) da solidão e da parcialidade."





"Podeis reconhecer um mau crítico porque ele começa por falar do poeta e não do poema."





"Os homens só podem compreender um livro profundo, depois de terem vivido pelo menos, uma parte daquilo que ele contém."







De Manhã...






De manhã, antes do sol nascer, já estou de pé, abrindo janelas e pensamentos. Deixo a brisa fresca entrar e varrer para longe qualquer resquício de sonho mau. Depois, acendo um incenso, enquanto varro a casa e passo um pano úmido no chão.

Tomo meu café da manhã sentada - nunca gostei de comer apressadamente.

Após um banho, vou lá para fora providenciar a troca da água dos beija-flores e as frutas dos comedouros dos pássaros. Há três jacus que estão sempre por aqui, e já não fogem mais de mim. Esta manhã, surpreendi-me por ter conseguido chegar bem perto de  um deles. As aves acabam se acostumando com a nossa presença, mas isto não significa que confiam em nós. Acho que elas sabem de todas as histórias de pássaros engaiolados, apedrejados ou que tiveram seus pés colados à galhos de árvore nos quais posaram inocentemente.

É gostoso acordar cedo. Acho que acordar tarde é um grande desperdício de vida. Aproveito o tempo que sobra para pensar na vida, rezar pelos meus mortos e pelos vivos - acho que estes últimos necessitam bem mais de rezas. Quando a rotina começa, sinto-me pronta... a casa limpa e cheirosa para receber meus alunos, e eu, pronta para entregar-me a mais um dia que começa.




Uma Flor






Há uma flor na paisagem,
Onde o sol desmancha os raios
Cintilantes de vontades.

Há uma flor tão sutil,
Tão sem flor, sem dor, sem tom,
Nem bondade, nem maldade.

Ela brota no momento
Que se torna eternidade.

Ah, flor do meu pensamento,
Arauto da minha saudade!





sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Evidências







Evidências


Você traiu minha tristeza,
E o beijo quente do sol
Deixou suas marcas rosadas
Por sobre as suas bochechas.

Trançados nos teus cabelos
O acre perfume das ruas,
E mil reflexos da lua...

Acordes de uma canção
Ainda vibram em solfejos
No tamborilar alegre
Que escapa dos teus dedos!

Você traiu minha tristeza
Ao colocar sobre a mesa
Um vaso de flor do campo...

Nos teus ouvidos, sussurros...
Ainda ecoam os risos
Partilhados com amigos!

Nas tuas palmas, aplausos,
No teu olhar, o espetáculo
De um iluminado palco
Aonde deram-se as danças
daquele alegre teatro!

Você traiu minha tristeza,
E nem adianta negar
Diante de tantos fatos!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A FLOR






A Flor


Há um botão de flor
Dentro de cada peito,
Desde que nascemos.

E sem sabermos nada
Sobre sua natureza,
Nós muito o tememos.

Aos poucos, desabrocha
Este temido botão
Vagarosamente,

Ansiamos, contritos,
Por outros assuntos
Que aliviem a mente.

Mas o botão existe,
Seguindo sua missão
De abrir-se em negra flor,

E quando isto acontece,
A árvore fenece,
E tomba sobre o chão.

O Retrato de Dorian Gray



Trechos de "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde

Tradução: Ana Bailune

"A diversidade de opiniões sobre um trabalho de arte mostra que o trabalho é novo, complexo e vital. Quando os críticos discordam, o artista está de acordo com ele próprio. Podemos perdoar um homem por fazer algo útil, contanto que ele não o admire. A única desculpa para fazer algo inútil é que o admiremos intensamente. Toda a arte é totalmente inútil."





"Há apenas uma coisa no mundo pior do que ser falado, e ela é não ser falado."




"Escolho meus amigos através de sua aparência, meus conhecidos por seu bom caráter e meus inimigos por seu bom intelecto."




"Um artista deveria criar coisas bonitas, mas não deveria colocar nada de si mesmo em suas criações. Vivemos em uma época em que o homem trata a arte como se ela fosse uma forma de autobiografia. perdemos o senso abstrato da beleza."



"Em nosso esforço selvagem pela sobrevivência, queremos ter algo que dure, e então enchemos nossas mentes com lixo e fatos, na tola esperança de manter nossa posição."




"O homem completamente bem informado é algo terrível. É como uma loja de refugos, toda cheia de monstros e de poeira, com todos os artigos acima do seu devido valor."



"Hoje em dia, as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada."




"Há muitas coisas que jogaríamos fora se não tivéssemos medo de que outros pudessem pegá-las."




Sobre conselhos: "As pessoas gostam muito de doar o que eles mesmos mais necessitam. É o que eu chamo de profundidade da generosidade."




"Os bons artistas existem simplesmente naquilo que eles fazem, e consequentemente, estão perfeitamente desinteressados no que eles são. Um grande poeta, um realmente grande poeta, é a menos poética de todas as criaturas. Mas poetas inferiores são fascinantes. Quanto piores forem as suas rimas, mais pitorescos eles se parecem. O mero fato de terem publicado um livro de sonetos de segunda classe faz com que um homem se torne irresistível. Ele vive a poesia que não pode escrever. Os outros escrevem a poesia que não podem realizar."



"Experiência não representa nenhum valor ético. É apenas o nome que os homens dão aos seus erros."




O Pio da Juriti





Hoje é uma daquelas tardes que nos convidam a ir lá para fora. Ante o cancelamento de uma aluna, foi exatamente o que eu fiz: peguei meu livro e fui deitar na rede, debaixo daquele sol de inverno, encimada pelo azul absurdamente lindo do céu. As cores estavam mais vivas. O verde parecia brilhar, e ao olhar a paisagem, tive a impressão de visualizar uma leve aura de vida sobre todas as coisas. Quase imperceptível.

De repente, pousa uma juriti - espécie de pombo selvagem - sobre o cedro. Seu pio levou-me para trás. Não sei bem como. Mas uma memória ficou cutucando a minha mente, querendo sair. Olhei para o muro coberto de hera, as folhas minúsculas brilhando ao sol. Havia no ar uma cor de alegria.

Senti cheiros de minha casa de infância, e pensei que naquele momento, eu estaria sentada à mesa da cozinha, tomando café com leite e comendo pão com manteiga. Talvez pudesse estar em frente à TV, assistindo a um filme de Elvis Presley mostrado na velha Sessão da tarde. Transportei-me para lá, e visualizei minha mãe na cozinha lavando a louça. Pude ouvir os latidos dos cães no quintal. É incrível o quanto a mente nos faz viajar!

Se a física quântica estiver certa, aqueles momentos continuam existindo em algum lugar no tempo, e eu sou ainda aquela menina, multifacetada, dividida entre muitas épocas e idades diferentes. E com certeza, serei também a mulher já idosa, vivendo no futuro, e também estarei morta em algum lugar que ainda não conheço. Quem sabe, revendo e abraçando todos aqueles que se foram antes de mim?






Em Uma Terra de Homens





Em Uma Terra de Homens


Vivemos todos em uma terra de homens, e portanto todos somos da mesma espécie: a humana. Mas alguns acham-se deuses - por terem estudado mais, por saberem de coisas que a maioria das pessoas não sabem, por desfrutarem de uma posição social mais privilegiada, enfim, por se acharem com mais direitos do que os demais. Mas a história tem provado que em uma terra de homens, aqueles que se acham deuses cedo ou tarde encontrar-se-hão com o espelho da verdade.

É exatamente assim que eu vejo a chegada dos médicos cubanos no Brasil. 

Sou totalmente favorável, pois faço parte do grupo das pessoas que vivem no mundo real; o mundo onde alguém chega a um hospital e espera horas por um atendimento que nem sempre acontece, e muitas vezes, é olhado 'de cima' por um profissional da saúde que se acha um deus; isto, quando eles se dignam a erguer os olhos para olharem para nós. Em ocasião da internação de minha mãe em um hospital público, lembro-me que conversei com alguns médicos que olhavam para mim como se eu fosse um inseto.

Não estou aqui fazendo generalizações, e tenho certeza que existem muitos profisisonais éticos e dedicados. Vivemos em um país livre, e aqueles médicos que se sentem de alguma forma prejudicados pela chegada dos médicos cubanos tem o direito de expressar seu desagrado; mas de nada adianta uivar debaixo da arvore errada. Destratar estes médicos apenas porque eles aceitaram vir até aqui para fazer um trabalho que a maioria deles recusou não resolverá o problema; que reivindiquem seus direitos junto ao governo, sem que precisem desfazer-se de seus colegas de profissão ou humilhá-los publicamente como eles tem feito.

A melhor forma de entender a posição de alguém, é colocar-se no lugar dele. Tenho certeza de que estes médicos que fizeram piquetes, reagindo violentamente à chegada dos médicos cubanos, não gostariam de serem tratados da mesma maneira. Não vejo de que forma a chegada destes últimos poderá afetar o trabalho dos que já estão aqui, já que eles irão para aqueles locais onde ninguém mais quis ir. Porém, eu não sou uma profissional da saúde, e portanto não sei de todos os lados da história; mesmo assim, achei uma tremenda falta de educação e civilidade a recepção que os médicos brasileiros deram aos seus colegas cubanos.

Estes médicos são como propriedade do governo cubano, e seus salários serão pagos ao governo de Cuba, que repassará a eles apenas uma pequena parte do que o governo brasileiro pagará. Mas são profisisonais experientes, e dizem, a medicina cubana é uma das mais avançadas. Quanto a passar pelo teste que todos os médicos estrangeiros precisam fazer para trabalhar no Brasil, tenho certeza de que a maioria dos que estão exigindo isto, eles mesmos, não passariam, caso a ele submetidos.

Esta manhã fiquei sabendo, através de um de meus alunos, que uma repórter postou um comentário no Facebook referindo-se à aparência de uma das médicas cubanas, alegando que esta parecia uma empregada doméstica; ofendeu não somente à médica, mas também à classe das empregadas domésticas! Foi absurdamente grosseira, inconveniente e preconceituosa. Esta, com certeza, é mais uma que um dia vai encontrar seu espelho da verdade.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vai Ficar Tudo Bem







"Vai Ficar Tudo Bem"

Segunda edição em e-book - reeditado


Este livro é especial para mim e para a minha família. Os poemas nele inscritos falam da trajetória de meu sobrinho Ricardo em sua luta contra o câncer. Os poemas foram a minha forma de entender o que estava acontecendo. Um desabafo e uma tábua de salvação. Muitos já leram e gostaram, pois encontraram nestes poemas palavras que descrevem sua própria dor e seu próprio medo diante das surpresas da vida. "Vai Ficar Tudo Bem" é o que todos nós afirmávamos diante daquele longo corredor que percorríamos junto ao nosso Ricardo. Um livro inesquecível.


DEPOIMENTO

Já faz um tempo que recebi de presente, o livro de Ana Bailune. Após ler de uma única vez, quis escrever algumas linhas sobre a obra. Porém, a minha limitação em usar as palavras certas para descrever tal obra e sua importância me paralisou, tornando-me indelicado com quem tanto admiro.
Hoje, procurando algo na estante deparei-me novamente com o livro “Vai ficar tudo bem” e acabei relendo salteado algumas poesias. O livro emociona a cada página, a cada estrofe, ao falar da dor da perda de um ente querido, coisa que é a prova mais dolorosa que uma pessoa enfrenta em sua passagem pela Terra.
Ana Bailune conseguiu dar aos seus versos um sentido profundo sem fazer deles uma angústia existencial. Como superar algo que parece nos fechar todas as portas? Foi na poesia que autora encontrou uma forma de manter vivas as lembranças, apesar das saudades. Sem dúvida esse livro foi um dos mais comoventes que li nos últimos anos.
O que dizer dessa grande escritora, poetisa, contista? Com certeza sua linguagem é densa de emoção, sem usar de artifícios. Sua poética está nas palavras simples do cotidiano, sua arte está na maneira de compor seus versos, revelando através deles sua alquimia de poetisa singular, que sabe impressionar e comover seus leitores.

Carlos Lopes, do blog Gândavos

PS: Este livro estará disponível hoje no final da tarde, no link acima; basta clicar, e chegando na loja, digitar Ana Bailune

. Preço: $2,00

Fábulas Chinesas - Esperando um Coelho / O Pássaro de Nove Cabeças






Duas fábulas do livro Fábulas Chinesas, de Sérgio Cappareli & Márcia Schmaltz









Esperando um Coelho


No reino de Song existia um camponês que tinha uma árvore dentro de sua propriedade. 

Ele não gostava de arar a terra e mantinha a esperança de que caísse do céu alguma coisa boa. Um dia, enquanto estava lavrando, viu um coelho que vinha correndo afoito, e, não conseguindo parar, bateu no tronco da árvore, quebrou o pescoço e morreu.

O camponês ficou feliz da vida, pois não precisou fazer nenhum esforço para conseguir um coelho para comer. Decidiu então não trabalhar mais, ficando embaixo da árvore à espera que outro coelho fizesse a mesma coisa.

Passaram-se muitos dias e nada de um coelho afoito correr na direção da árvore. As pessoas começaram a rir dele, dizendo que era um folgado, nessa espera por um coelho.

Uma boa oportunidade deve ser aproveitada, mas não fique de braços cruzados esperando a sorte.













O Pássaro de Nove Cabeças

No monte Nieyao existia um pássaro de nove cabeças. Quando uma cabeça queria comer, as oito restantes disputavam com ela a comida. Elas lutavam, bicando-se mutuamente e ensopando de sangue as penas. No fim, as nove cabeças estavam machucadas e o pássaro não havia conseguido comer nada.

Um pássaro marinho, assistindo à cena, começou a rir:

-Não percebem que a comida que entra pelas nove bocas enche a mesma barriga? Não há razão para que nove cabeças vivam brigando umas com as outras!





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

E é Por Isso Também que eu Escrevo!





Já faz um tempo que recebi de presente, o livro de Ana Bailune. Após ler de uma única vez, quis escrever algumas linhas sobre a obra. Porém, a minha limitação em usar as palavras certas para descrever tal obra e sua importância me paralisou, tornando-me indelicado com quem tanto admiro.
Hoje, procurando algo na estante deparei-me novamente com o livro “Vai ficar tudo bem” e acabei relendo salteado algumas poesias. O livro emociona a cada página, a cada estrofe, ao falar da dor da perda de um ente querido, coisa que é a prova mais dolorosa que uma pessoa enfrenta em sua passagem pela Terra.
Ana Bailune conseguiu dar aos seus versos um sentido profundo sem fazer deles uma angústia existencial. Como superar algo que parece nos fechar todas as portas? Foi na poesia que autora encontrou uma forma de manter vivas as lembranças, apesar das saudades. Sem dúvida esse livro foi um dos mais comoventes que li nos últimos anos.
O que dizer dessa grande escritora, poetisa, contista? Com certeza sua linguagem é densa de emoção, sem usar de artifícios. Sua poética está nas palavras simples do cotidiano, sua arte está na maneira de compor seus versos, revelando através deles sua alquimia de poetisa singular, que sabe impressionar e comover seus leitores.


Carlos A. Lopes - blog Gândavos 




Obrigada pela força, Carlos!


Em breve, uma nova edição virtual deste livro estará disponível na amazon.com. Preço: $2,00. Tirei alguns poemas, e acrescentei outros que tinham ficado de fora na primeira edição. 

Das Gavetas


Faturas de cartões de crédito antigas, pedaços de papel de presente, cabos USB de celulares e computadores que não temos mais, caixas de fósforos, botões sobressalentes cujas camisas já se foram há muito tempo, novelos de linhas apodrecidas, agulhas tortas e enferrujadas, manuais de instrução de produtos que já sabemos como usar, garantias de produtos cujas garantias já expiraram, notas fiscais de produtos antigos, bijuterias quebradas, enfim, trecos que não servem para nada. Enchi dois sacos de duzentos litros destas e de outras coisas.

Depois, três sacos de cem litros de roupas e sapatos para doação. É incrível constatar o quanto eu, que detesto guardar bagulhos, guardo bagulhos!

Mas mantive algumas coisas: cartas e cartões de meu marido. Alguns, dos tempos que namorávamos, outros mais recentes; cartões de minha mãe.

Aliás, a história dos cartões de minha mãe são engraçadas; ela não costumava escrever nos cartões que enviava, pois dizia que assim, poderíamos reaproveitá-los... quando escrevia, era apenas "Para Ana / de sua mãe Ruth" como se eu tivesse outra mãe... uma vez, ela encontrou com meu marido nas Lojas Americanas, onde comprava para ele um cartão de aniversário. Ao vê-lo, ela entregou-lhe o cartão, dizendo: 'É pra você mesmo! E assim, sem estar escrito, você pode aproveitá-lo para outra pessoa!" Dizendo isso, ela se despediu.


Só esqueceu-se de que não tinha pago pelo cartão, o que meu marido teve que fazer ao sair da loja... sogra é sogra!

Uma vez, em um momento muito difícil de minha vida, ela me escreveu uma carta bem longa... nela, dizia o que ela achava que eu deveria fazer para ser mais feliz; conselhos, observações (algumas me ajudaram bastante) e a certeza de que ela me amava. Acho que foi a única vez que ela disse isso. Tenho a carta até hoje. Recentemente, falei com ela sobre a carta, mas ela não conseguiu lembrar-se de tê-la escrito: "Você tem certeza de que fui eu mesma que escrevi esta carta?" Bem, ela tinha 85 anos...

Acabei desviando-me do tema desta crônica, que é sobre gavetas esvaziadas. Esvaziei muitas gavetas e armários. Coloquei roupas de cama, mesa e banho para doação. Ainda falta examinar livros, CDs e vinis. E tem a cozinha. Acho que tenho coisas demais por lá.

Depois, a principal gaveta: a do pensamento.




domingo, 25 de agosto de 2013

Mensagem




Meus Livros







Sempre Cada Vez Mais Longe é um e-book contendo 62 de meus melhores poemas. Disponível no amazon.com.br

Preço: 2,00








A Ilha dos Dragões contém 20 contos fantásticos, que flutuam entre a realidade e o mundo mágico das possibilidades. Preço: 7,15

Disponível no amazon.com.br

Querendo adquirir, basta acessar o link e digitar ana bailune. Os livros aparecerão em sua tela, e clicando no canto direito no botão laranja ("compre agora com um clique") você poderá  efetuar seu pagamento através de cartão de crédito e fazer o download rapidamente para o seu Kindle, Iphone, Ipad, computador ou Kobo.

Podem ser lidos em:


iOS (iPhone, iPod Touch e iPad)Android
Windows 7, XP, Vista
Windows 8 (PC ou tablet)
MacOS

Tenho certeza de que vocês vão gostar, pois o material foi selecionado com muito carinho e critério. 

Em breve: uma edição virtual de "Vai Ficar Tudo Bem," revista e ampliada.



Já disponível. Preço: 2,00




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Por Onde Andam os Anjos




Os anjos andam na lama,
Cobertos de trapos,
De pés descalços
E fingem-se loucos.

As asas cortadas
Insistem em crescer,
Mas os anjos
Não querem morrer.

Bebem da vida
Pelo gargalo,
Tropeçam  tontos
Pelas ruelas,
Perdem as penas
Pela avenida...

E quem os vê, os teme,
Não sabem quem são,
Não sabem que os anjos
Não tem auréolas,
Mas caem de bêbados
Pelas vielas.

E quando morrem,
É como se jamais
Tivessem vivido
Ou sido gente...

Nas covas rasas
Dormem os anjos
Como indigentes.


Parceiros

ESFORÇO

 A vida demanda esforços. Nem tudo vem fácil, mas tudo vai fácil. Começar nem sempre significa ter tudo prontinho, preparado, com todas as c...