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Mostrando postagens de Setembro, 2015

NUVEM

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Eu sou uma nuvem que passa, Por sobre uma rica paisagem. O silêncio é quem me segue Inconteste, na passagem. 
Nasci de um vapor soprado Muito inesperadamente Por um vento já tardio, E quem sabe, indesejado.
Cresci sempre pelos cantos, Inventando meus azuis Sem que ninguém desse conta, Achei, nas trevas, a luz.
O que eu tinha a dizer -Quase sempre, ignorado Por ouvidos sempre surdos E olhos sempre fechados.
Tentaram cortar minhas asas, Relegaram-me a um chão Por onde eu só me arrastava Sobre os joelhos e as mãos.
Por muitos e longos anos, O meu nome eu assinava Sobre as linhas pontilhadas: -Nada, Nada, Nada, Nada!
Alguém bateu à minha porta, E pegou-me pela mão, Ergueu-me daquele chão No qual eu vivia morta.
Apontou-me um céu azul, Soprou-me em nuvem tão leve, Ensinou-me a flutuar, A pairar sobre o que é breve.
E os que sempre me negaram Continuam pelo chão Os olhos sempre fechados: -Não me viram, nem verão...



A gente passa metade da vida se iludindo a respeito de pessoas e coisas, da…

50

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Quando eu era criança, eu escutava todo mundo falando que o mundo deveria acabar de vez no ano 2000. Lá pelos idos de mil novecentos e setenta e poucos, o ano 2000 era algum lugar improvável em um futuro distante que talvez nunca chegasse. Lembro-me de um dia em que minha irmã - uma delas - chegou em casa na hora do almoço, dizendo que o mundo acabaria quando o planeta Marte se chocasse com a Terra. Naquele momento, eu, que nem sequer sabia o que era um planeta, imaginei uma bola caindo do céu e se espatifando de encontro ao solo de terra batida do nosso quintal. Não entendi como aquilo poderia fazer o mundo acabar. Nem sabia direito o que significava 'acabar.'O mundo deixaria de existir, e ficaríamos todos suspensos no espaço?
Bem, mas só por curiosidade, perguntei a minha mãe: "Mãe, quantos anos eu vou ter no ano 2000?" Ela fez as contas e respondeu: "35. Por que?" Não respondi, e fiz outra pergunta: "35 é nova ou velha?" Ela, que já passava do…

OCASO

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O ocaso, não por acaso, É um momento inevitável, Que torna o raso, profundo, E torna o profundo, raso.
O céu fica avermelhado, As nuvens, em finas camadas, Ganham cores encrustadas Entre as dobras de suas rugas.
Quando o céu amadurece, Cores tingem o horizonte Com seus tons inadiáveis, -Mas o azul, este, fenece!
E surge a primeira estrela, E logo, outra, e mais outra A brilharem sobre as telhas, Salpicadas nas esquinas.
E não se vê mais o céu, Apenas as cintilantes Estrelas, quais diamantes Numa caixa de veludo Cheirando a naftalina.

"Ocaso" fará parte de meu próximo livro, que contém apenas poemas inéditos. Não sei ainda onde vou lançá-lo. Falará sobre a maturidade e sobre o envelhecer.

SOBRE VELHAS CANÇÕES E NOVAS ABERRAÇÕES

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O festival de rock Rock in Rio me trouxe algumas reflexões. No palco, bandas e cantores dos anos 70, 80 e 90, que hoje em dia, até os adolescentes que não eram nascidos ou os  jovens que eram crianças na época em que tais artistas fizeram sucesso, sabem cantar algumas canções e conhecem um pouco da história de muitos deles. As pessoas ouvem as músicas e logo se lembram de momentos de suas vidas que, de alguma forma, estão associados a elas, como se fossem trilhas sonoras do viver.
Hoje em dia, 46 anos após a separação dos Beatles, nunca encontrei alguém que não conhecesse pelo menos uma ou duas de suas canções. Todo mundo sabe quem foram John Lennon, Paul McCartney, Ringo Star e George Harrinson. Todos se lembram do Queen e de Freddie Mercury, dos Rolling Stones e dos Pet Shop Boys.
Ao ligarmos o rádio, vemos que muitas das canções de ontem ainda tocam e são apreciadas pela geração atual. Há várias canções antigas regravadas em novas versões.
No Brasil, temos os Paralamas do Sucesso,…

GIZ

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Cada lição Anotada à giz no quadro negro, O pó branco acumulando-se no chão.
-Copiávamos, Repetíamos em sabatina Todas as lições, Todas as tabuadas e verbos Até que descessem pela garganta, Circulassem pelo sangue E chegassem ao cérebro.
Passávamos (ou não) nos testes, E hoje, Nos esquecemos de tudo, Dos pronomes e equações, Até mesmo Do que ficou anotado nos cadernos amarelos.
E o que guardamos Nos silêncio dos olhos fechados? -O pó de giz acumulado sob o quadro, Os sorrisos, Os anseios, E as imagens dos sonhos que voaram pela janela...



Sob o Céu

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Sob o céu Tudo continua Sob o mesmo véu...
Seja de sol ou de chuva, De açúcar ou fel, É sempre o céu.
Mas sob ele, Movem-se as criaturas Em léus de descompostura.
Nada se purifica. Nada se aprende. Nada se apura.
Nada me surpreende.
Não há nada que me fira.
Faço de um canto desafinado Alguma coisa que me ergue E que me inspira...




Feliz da Vida!!!

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Acabo de receber esta mensagem da amazon.com:

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Eles estão dizendo que meu livro, junto com mais quatro mil outros, foi selecionado para uma promoção no Brasil que durará quatro dias, começando em 16/09. Isto significa que ele será divulgado por e-mail pela amazon não só no Brasil, mas no mundo todo!
Feliz da vida!

QUEM QUISER DAR UMA OLHADIN…

É Só o Começo

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Nossos passos ainda hesitam, Claudicantes, No meio de uma gigante estrada Que não se sabe onde vai dar, Ou se vai dar em nada.
Seguimos de mãos dadas, A mente nas nuvens e nas estrelas, As almas separadas Por quilômetros e quilômetros De palavras mal-cuidadas.
Mas dizem que é só o começo, E que as pernas já maduras, Acostumadas às duras E intensas caminhadas, Aprenderão o caminho Para não mais se ferirem Ou ferirmos uns aos outros Entre tantos espinhos.



O MAPA ENGANOSO DOS TEUS OLHOS

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O mapa enganoso dos teus olhos Conduziu-me a um caminho enegrecido Onde nada brotaria do estolho Que eu tentei, por muito tempo, cultivar.
E aquilo que eu pensava ser o mar, Não passava de uma poça, um lamaçal, E o sol que me apontavas, comovido, -Luz mortiça, brilho artificial!
A palavra que encantava meus ouvidos Era apenas um feitiço que passou; Nada existe de profundo ou abissal, Nesse pântano que a vida me mostrou.



STILL LIFE - UMA VIDA COMUM - RESENHA

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STILL LIFE – UMA VIDA COMUM Ano: 2013 – Reino Unido / Itália Direção: Uberto Pasolini Com: Eddie Marsan

John May é um simples funcionário público inglês, sem família e sem amigos, cujo trabalho consiste em tentar encontrar amigos ou familiares de pessoas que morreram sozinhas. Ele tem um grande coração e muito respeito pelas pessoas, e por isso, tenta saber um pouco mais a respeito delas a fim de escrever um obituário decente. E ele o faz com competência, mesmo sem jamais tê-las conhecido em vida, cuidando também dos seus velórios, cremações ou sepultamentos – aos quais ele assiste respeitosamente, sempre sozinho, pois nas raras vezes em que ele consegue contatar algum parente ou conhecido do morto, estes não demonstram qualquer interesse em comparecer ao velório.
Após dedicar-se por 22 anos ao seu trabalho, John May recebe a notícia de sua demissão, e sente-se perdido; passa a pensar em sua vida solitária, e acredito que talvez descubra que ele mesmo poderá ter um fim igual ao das p…

IRONIA

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À beira do mar, uma estrela branca, Que se apagou, e tristemente, sangra, Jaz, entre o descaso e a desesperança, Bem longe do céu que tentou alcançar.
E enquanto isso, mil estrelas negras Que jamais ousaram voo tão longínquo, Morrem sem piedade, sobre um solo seco Sem que ninguém venha, por elas, chorar...




Imagens: Google da vida




SE EU SOU FELIZ?

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Se eu Sou Feliz?
Me perguntaram se eu sou feliz.
Esta é uma pergunta difícil de responder, pois a felicidade é algo diferente para cada pessoa. Alguns passam a vida em uma busca incansável por esta personagem de mil faces, e estão tão concentrados em encontrá-la, que acabam não a vendo passar bem diante de seus narizes nas várias oportunidades em que cruzam com ela. Outros, mesmo diante das coisas mais tristes, conseguem erguer os olhos de repente de suas dores, e mesmo que por um breve instante, capturam nas retinas a sua passagem.
Não acredito em felicidade escandalosa; isto é alegria passageira. A felicidade não é de falar muito de si, nem sente necessidade de propagandear a si mesma. Ela não cabe nas fotografias, e nem sempre está em um sorriso – que muitas vezes pode ser falso.  A felicidade é tão simples, que abomina a perfeição. Ela é fugaz quando intensa, e duradoura quando leve. Mesmo assim, fugaz ou duradoura, toda felicidade é válida.
Eu às vezes olho pela minha janela e a…