sexta-feira, 28 de agosto de 2020

PALAVRAS QUE ESCORREGAM

 



 

AS PALAVRAS DERRETEM NA SALIVA

SUFOCADAS, NÃO EXPRESSAS.

TORNAM-SE PORTAS FECHADAS

NUM PEITO ALUCINADO.

AS PALAVRAS QUE FALAM DO PASSADO.

 

AS PALAVRAS ESCORREM DAS NUVENS

CAEM DAS ASAS DOS PÁSSAROS

E CHEGAM ÀS ROSEIRAS,

SE ENTRELAÇAM NOS ESPINHOS,

SANGRAM SOBRE A TERRA.

AS PALAVRAS QUE FALAM DAS GUERRAS.

 

AS PALAVRAS ESCORREM DAS MONTANHAS

BROTAM DO ORVALHO E PINGAM

DA CUMEEIRA DO TELHADO

QUAIS LÁGRIMAS DE DOR.

AS PALAVRAS QUE FALAM DE AMOR.

 

AS PALAVRAS NÃO SABEM O QUE DIZEM,

ROLAM SOB O ESPELHO

DE UM RIO CONGELADO,

CAEM EM UMA CORREDEIRA SEM FIM.

AS PALAVRAS QUE FALAM DE MIM.





 

4 comentários:

  1. Boa tarde de paz, querida amiga Ana!
    Não tem palavras mais lindas do que as saídas do próprio coração.
    Saem personalizadas, sem barreiras, escorregam doce e livremente.
    Tenha um ótimo final de semana abençoado!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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  2. Poetisa / Escritora, ANA BAILUNE !
    As palavras tem efeitos polivalentes.
    Depois que abandonam os lábios, não
    voltam mais.
    Acima de tudo, este belo poema traz,
    nas suas entrelinhas, esta sutil
    recomendação.
    Parabéns, um ótimo final de semana
    e um fraternal abraço.
    Sinval.

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  3. Ana, mais um poema encantador. Ambas abordamos as palavras, mas com sentidos diversos. As que falam de nós são mais confusas e merecem uma atenção especial. Bjs.

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  4. As palavras pesam, denunciam os sentimentos, exaltam a Natureza, falam da dor das pequenas coisas. Tão cúmplices, as palavras. Um belo poema, Ana.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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