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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

SEM

 




SEM

 

Eu vim 

E vou

Sem.

Nada trouxe, 

Nada levo,

Nada quero.

Meu momento

É já, 

Daqui a pouco,

Passou.

E nada fiz,

Nada sou.

Na verdade,

Sequer sei

De onde vim,

Para onde vou.

Eu só sei,

Eu só sinto

Que eu vim

E vou

Sem.

 

Às vezes, sol,

Às vezes chuva,

Às vezes monstro, 

Às vezes zen.

 

Às vezes olho

E compreendo

Que todo mundo

Veio sem

E vai Sem,

Só que não sabem,

Sequer notaram

E isso, é hilário.

 

O que se tem

É o que se deixa,

O que se encontra

É o que se perde,

O que se faz

Se desfaz,

É esquecido,

É apagado...

 

E isso é paz.

 

 

Ana Bailune


RASH




RASH

 

Café servido frio,

Sorvete derretido,

Refrigerante morno

Na hora do almoço.

 

As portas entreabertas,

Olhares enviesados,

Palavras recortadas

Que só trazem desgosto.

 

A chuva que não pára

Sobre a calçada lisa

Exatamente quando

A sola já está gasta!

 

Segundas de manhã

E domingos à noite,

Visita inesperada

Atravancando a sala.

 

Mensagens de “bom dia”

Enchendo a nossa caixa,

No meio do meu sonho

Um carro acelerando.

 

Um rash que não pára,

Quando vem a lembrança

De tudo que está gasto,

De tudo que está morto.

 

As mesmas velhas cores

Há muito desbotadas

Sorrisos amarelos 

De puro desconforto.

 

Funk rolando solto

Rachando o nosso sono

Naquela ataxia

Que eles chamam de dança.

 

Os mesmos velhos fogos

Que explodem no ano-novo

E um povo que não muda,

Mas diz ter esperança.

 

 

Ana Bailune


 

PROJEÇÃO




PROJEÇÃO

 

Era só um rosto de pedra

Impassível

Sem pupilas.

 

Fitava o infinito

De um mundo longínquo

Que eu jamais alcançaria.

 

Foi um susto perceber

Que a tristeza que eu via

Naquele rosto de pedra,

Não era dele,

Era minha.

 

 

 

Ana Bailune

 

O QUE EU QUERO


 





O que eu quero – aprendi

É não querer demais.

É jamais trocar qualquer desejo

Pela minha autonomia,

Pela minha paz.

 

O que eu quero, é não morrer de sede

Enquanto eu me afogo,

É perceber que  a minha grama é verde

E o céu sobre a minha casa

É o mesmo que cobre o mundo inteiro.

 

O que eu quero, é ver que as flores mais bonitas

Podem ser cultivadas aqui, no meu canteiro,

O que eu quero é estar presente

No aqui e no agora,

É tornar-me resiliente

Sempre que a alma sorri,

Sempre que a alma chora.

 

 

 

Ana Bailune

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