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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Estrelas





Estrelas que há muito se foram
Emitem seu brilho lá de cima
E distraídos, apontamos para elas...
Como pode ser possível
Que elas estejam lá, sendo que não mais estão?

O vento passa, arrancando as folhas,
E elas sempre voltam  a brotar, 
Soltam-se sem reclamar,
E nenhuma delas, nenhuma,
Tenta segurar-se.
Quem são essas folhas, em quem tanto confiam?

As águas de um rio passam sobre as pedras,
Tantas e tantas vezes, que as tornam lisas,
Limosas, arredondadas,
Pedras formatadas em vida...
Como podem as pedras saberem mais do que eu?

Como pode o mesmo céu ser azul e ser breu,
E o dia ensolarado de repente virar chumbo
Numa tempestade que arrasta mundos?
Como pode, meu Deus, eu conversar contigo
Sem nem sequer saber de que o teu rosto é feito?

Eu me olho no espelho, e de relance
Rapidamente, em um breve lampejo,
Vejo dentro dos meus olhos estrelas que brilham,
Que estão aqui, mas que já se foram.

Eu deixo que o vento me arranque as memórias,
E as espalhe pelo chão, sem que eu tenha certeza
De que um dia elas voltarão...
O rio passa, e carrega consigo
Tudo o que foi meu, e o que tem sido.
Sobre a minha pele, um musgo antigo,
Escorregadio e muito, muito liso...








6 comentários:

  1. Boa noite de paz, querida amiga Ana!
    Que postagem bem formulada e poetada com reflexão pelos versos e fui perpassando cada um fazendo as mesmas perguntas: Como pode o azul se transformar em breu?
    Só mesmo uma Força muito maior do que nós para responder tais mistérios aqui poetado.
    Adorei passar nesse post.
    Tenha dias felizes!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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  2. Profundidade e muita beleza juntas aqui! beijos, tudo de bom,chica

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  3. Ah! As estrelas ... já se foram mas continuam com sua luz resplandecente ... lindo ...

    Beijão

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  4. OI Ana, como sempre seus poemas conversam com nosso âmago.
    Quero te pedir uma gentileza: Você autoriza postar esse teu poema em meu Diário dos 4 elementos? Porque ele fala dos e elementos de uma forma tão ampla que ilustraria lindamente meu livro.
    Não sei ainda aonde ele entrará, mas seus créditos, certamente lá estarão.

    Fico no aguardo, obrigada!

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  5. ANA ! Que analogia perfeita no final, nossa do início ao fim belo, fazendo-nos pensar, a última estrofe fechou com chave de ouro. bjos

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  6. Um poema intendo... Lindo demais,:))

    Hoje:-Por vezes existem dias sem cor.

    Bjos
    Votos de uma óptima terça - Feira.

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