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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

JULGAMENTOS – OU LIBERDADE DE EXPRESSÃO?





Lygia Clark com Bicho projetado para um planeta, no MAM-RJ



JULGAMENTOS – OU LIBERDADE DE EXPRESSÃO?


Decidi que não escreveria sobre este assunto, pois ele já deu o que falar e minha opinião em nada mudará coisa alguma; porém, assim como os que se expressaram até o presente momento defendendo, acusando ou demonstrando neutralidade, sou apenas mais uma que tem o direito de se expressar, mesmo que minha opinião seja apenas uma voz clamando no deserto entre tantas outras.

Acima, está a obra de Lygia Clark, tão comentada recentemente após uma performance no MAM onde um ator nu era tocado por uma menina de cinco anos, incentivada pela mãe. Eu me pergunto o que a obra original tem a ver com a performance do ator. Admitindo que nada entendo sobre arte, deixo esta tarefa de explicar a semelhança a alguém que entenda. Mas vamos falar sobre a menina, a mãe e o artista.

Uma menina é convidada a subir ao palco, com a autorização da mãe, diante de câmeras e de dezenas de outras pessoas, a fim de tocar o homem-objeto que está lá. Isto é pedofilia? Alguns dizem que sim, e outros negam, já que a permissão da mãe foi dada à menina. Se este ou outro homem convidasse esta menina para ir até sua casa, incentivando-a a tocar o seu corpo sem o conhecimento da mãe, não seria pedofilia? E em que momento deixa de ser: no momento em que tal coisa foi feita em público, e com a autorização da mãe da criança?

Eu me pergunto quantas crianças estão sendo molestadas neste exato momento, com ou sem o consentimento dos pais (porque muitas vezes, ao tentar relatar o que está acontecendo com elas, os pais não acreditam, e elas se calam). Supondo que o que aconteceu no palco não seja pedofilia, esta performance não estaria pelo menos facilitando o caminho dos pedófilos? “Pode me tocar, é arte, é moda! Não tem nada demais.”

Algumas pessoas alegam que aqueles que se manifestaram contra o ocorrido são preconceituosos e fascistas, e não aceitam o próprios corpo; alegam que os índios vivem nus junto à natureza, e não têm pensamentos pecaminosos sobre o corpo. Mas eles se esquecem de que nós não somos índios, e que nosso contexto de vida é diferente. Não saímos nus por aí, pois vivemos em uma sociedade onde existem regras de comportamento, quer concordemos com elas ou não. E se tais regras precisam ser mudadas, estas mudanças não se darão de repente, não serão apenas “engolidas” por quem não concorda com elas através da imposição e da força bruta – isto também poderia ser considerada uma forma de fascismo.

Não vivemos em um mundo perfeito. Infelizmente, existem entre nós estupradores e pedófilos. Acreditar que o que aconteceu naquele palco é apenas arte e liberdade de expressão, é facilitar o caminho destas pessoas.

Também li opiniões de pessoas que defenderam a performance, alegando que a culpa de toda esta polêmica é da Rede Globo golpista, que espalha o falso moralismo, a intolerância e o preconceito. Creio que depois de postarem suas opiniões, tais pessoas foram para casa assistir aos programas da GNT, um canal de TV que defende a arte, a liberdade de gênero, sexual e de expressão. Só não sei se elas sabem que este canal pertence à Rede Globo golpista...

Uma outra alegação que encontrei, é que ninguém é obrigado a ir até lá e ver a performance. Concordo plenamente! Mas o que está sendo julgado nas redes sociais não é a performance em si, mesmo sendo ela de extremo mau gosto, mas o fato de que havia uma criança envolvida.

E houve quem dissesse que tal criança teve a autorização da mãe e concordou com o ato, e que por isso, não é da conta de ninguém o que aconteceu. Novamente, eu me pergunto: até que ponto esta criança tem maturidade o suficiente para decidir o que é certo e o que é errado?

E mães não erram nunca? Ela não pensou que havia câmeras no local, e que poderia estar expondo sua filha? Fico pensando o que esta menina pode estar vivenciando neste exato momento com toda esta exposição, na escola, no parquinho e nas ruas, além das redes sociais, e o que toda esta exposição poderá causar a ela agora e no futuro.

Não posso concordar que “não é da conta de ninguém o que aconteceu”, pois tudo o que acontece nos dias de hoje causa um grande impacto na sociedade, devido a divulgação nas redes sociais. E a cena com certeza chegou aos olhos de várias outras crianças, que não têm, assim como a criança envolvida, discernimento suficiente para decidir entre o certo e o errado. Elas olham as fotografias na internet (crianças raramente leem textos longos dirigidos a adultos, e se o fazem, não conseguem compreender seu teor), e podem concluir que se está na rede, é certo. Assim, elas abririam caminho a pedófilos e seus abusos.

Quanto a liberdade de expressão, infelizmente existe uma regra nas redes sociais entre todos os que são extremistas, seja de esquerda ou de direita:

“VOCÊ TEM TODO O DIREITO DE SE EXPRESSAR, DESDE QUE CONCORDE COMIGO.”

E quem atravessar tal limite, estará se arriscando a ser criticado, apontado como fascista, coxinha, esquerdopata, preconceituoso e ignorante. Mas eu acho que quem está na chuva é para se molhar; caso contrário, o melhor a se fazer é desligar o computador e guardar seus pensamentos em uma gaveta.

Ana Bailune

Acima, "O Bicho", de Lygia Clark. Julguem por vocês mesmos o que a obra da artista tem a ver com a performance do ator.

15 comentários:

  1. Escrevemos mais ou menos igual, tirando um desvio aqui, outro ali, o que é válido e salutar. Pode até não ter pedofilia ou conotação sexual, mas longe de ser normal aquela criança estar ali. A presença da mãe não abona nada, pelo contrário, agrava. Ficam usando uma coisa pra justificar outra, isso é malandragem no mínimo. Isso é adultização da criança, erotizaçãO infantil. Criança tem é que brincar, não pode pular etapas. parabéns.

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    1. Penso também nas outras crianças que veem a fotografia na rede, e pensam que tocar e serem tocadas por um marmanjo é natural...

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  2. Acabei de vir do blog do Carlos, li lá a opinião dele e li aqui a sua, minha amiga Ana!
    Não vi o vídeo só as opiniões dos que viram, mas dizem que havia notificações do conteúdo da apresentação da arte do homem nu, a mãe se responsabilizou, enfim...
    Mas acredito na liberdade de expressão, sem julgamentos!
    Abraços apertados!

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    1. Oi, Ivone. Vi o vídeo, e dá para sentir que menina estava desconfortável, e que só fazia o que a mãe mandava, inclusive tocar as partes que ela indicava. O tempo todo, ela encostava a mão de leve e tirava logo. E é claro, dando umas olhadas constrangidas sobre o pingulim exposto do marmanjo.

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    2. oi, Ivone. Exatamente por haver uma notificação, na minha opinião, isto torna a atitude da mãe ainda mais injustificável. Se ela tivesse entrado ali com a menina sem querer... mas ela entrou sabendo o que encontraria. E levou uma menina de 5 anos para ver também, uma menina que não tem discernimento para tomar tal decisão.

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  3. Questionamentos perfeitos Ana.
    Uma coisa que poderia ser evitada por uma mãe mais prudente.
    Por que não ela e sim a filha?
    Vi a reportagem pela Globo inclusive chamando a atenção sobre uma placa aviso sobre a nudez. Parece-me um tiro no pé, uma contra-mão com todas as campanhas de violência contra as crianças,mulheres etc.
    Distante do Facebook posso imaginar o auê por lá com as opiniões em bravata, pois somente a opinião dela que vale.
    Enfim assino com você, o que uma coisa tem a ver com a outra?
    Um abração Ana.
    Bjs de paz amiga.

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  4. Ana querida assino embaixo, esta atitude abre tantas brechas e todas levam para o mal,uma pena expor a própria filha a tudo isso, abraços

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    1. Esta é a questão, e não o homem nu no palco. Não sou puritana nem moralista. Mas não posso concordar com o que fizeram a menina fazer.

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  5. Assino em baixo no comentário da Ivone. A mãe que levou a criança e acompanhou é a mãe dela e não nos cabe julgar. Não sei se ela agiu certo ou errado pois não sei como ela conduz a criação e a formação da criança. Talvez ela seja menos hipócirta que outras tantas por aí qdo suas filhotas se vestem como adultas, dançam como adultas, se expõe como adultas. Se ela permitiu isto de forma consciente e dentro da matriz de educação e formação da filha não só acho q ela está correta como aplaudo.

    No fundo é sempre a hipocrisia humana tentando prevalecer. Se não gosta não vá, não leve seus filhos ou seja lá o q for.

    Mas estes que pensam e agem assim desliguem as TVs, desliguem os sons, não levem as crianças aos Shoppings.

    Levem as pequenas para a igreja seja qual for para acabar com elas de vez ...

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    1. Assino por baixo! Concordo plenamente! ^^

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    2. Olá, Paulo. Acho que pela primeira vez, discordamos em algo. Mas sempre terei respeito e admiração pela sua pessoa, embora eu continue opensando da mesma forma.

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  6. Não estou a par dessa polémica, mas li o que escreveu. Só não entendo é o motivo da mãe da criança para tal atitude. Há pessoas que confundem tudo para se mostrarem originais...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Também não compreendo tal atitude, Graça. Mas mesmo se eu compreendesse, continuaria desaprovando. Abraços!

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