quarta-feira, 5 de abril de 2017

Exposição







As cores da aquarela eram cores magoadas,
Havia imensos nãos entre a palheta seca
E as tintas aguadas.
O pincel tocava as cores que dormiam, caladas,
Entre as nervuras rachadas.

Não havia água.

O sonho e o desejo permaneciam mudos
Sobre a tela branca que ninguém pintava.
Quadros jaziam sobre as paredes nuas,
O anseio dos olhos não passava pelos corações,
Não transportavam as emoções caladas.

Havia um grito preso que queria ser,
Havia a ansiedade de nascer...
-Mas como, sem um berço, sem caminhos, sem estradas,
Sem cores – só as telas brancas, que não traduziam
A dor presa no ventre, que quase matava?





2 comentários:

  1. Olá Ana.
    Quem poderá saber o que sente o pintor diante da tela branca, desafiadora?
    Pincéis e tintas servirão para o que quer criar? Quanto desatino na criação!
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  2. Diante da tela branca , aguardando a inspiração.
    Um abraço.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Contas

Eram contas de um colar pesado, Sem brilho, um tanto funesto Que alguém usava em volta do pescoço Como uma forma de p...