segunda-feira, 14 de junho de 2021

MIRANTE





Ela olha as cores mortas

Nas flores do seu vestido,

Prende os cabelos molhados

Para que seus dois ouvidos

Possam ouvir as palavras

Que um deus cansado tem dito.


Lá fora, um mundo distante

Que há muito ficou para trás.

Sua alma diletante

De tanto viver, não quis mais...

Passou o tempo; o passado

É só um presente embrulhado.


Ela olha, indiferente,

Sem tentar querer saber

Para onde foi tanta gente

Que antes, estava ali...

Um dia, quem sabe ela

Também há de sucumbir.


Seu olhar é tão sereno,

Seu coração só flutua

Em um lago de veneno

Onde ela não se situa.

Batidas atordoadas


Que o silêncio acentua.






3 comentários:

  1. Tão lindo que chega a doer...Maravilha de poesia e intensidade! Adorei! beijos, linda semana,chica

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  2. Muita dor que dilacera a alma neste megulho poético que traz para superfície o olhar da serenidade de um coração que não se deixa ficar no caos.

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  3. Gracias por su visita, fabuloso su blog, que tenga buena semana, Saludos

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