Era um vestido de malha preto, simples e sem qualquer tipo de adorno. De comprimento um palmo abaixo do joelho, ele tinha decote em "V" profundo mas sem sem ser vulgar, mangas três quartos justas e descia colado no corpo até o início do quadril, onde a saia se abria pouco a pouco em uma roda fluida que dançava em volta das pernas quando eu andava.
Comprei-o pronto por volta de 2007 em uma loja daqui da cidade chamada DIMPUS, onde eu era cliente assídua - infelizmente, ela não existe mais. Comprei-o para ir a uma festa informal.
Posso dizer com segurança que foi a roupa mais bonita que já tive, pois aquele vestido era especial: tinha poderes mágicos. Transformava meu corpo em um corpo de bailarina, afinando a cintura, torneando as pernas e braços e criando uma aura de mistério em volta de mim. Era muito difícil sair com aquele vestido e não perceber o quanto as pessoas me olhavam. Algumas mulheres me perguntavam onde eu o tinha comprado. Não importava aonde eu estivesse, eu me tornava o alvo das atenções. Às vezes chegava a ser constrangedor ser abordada em filas de bancos, padarias e pontos de ônibus por mulheres curiosas.
Enfim, o vestido era um fenômeno inexplicável.
Eu o usava tanto no inverno quanto no verão, pois ele era muito versátil. Ficava lindo com um par de botas e um casaco por cima. Também era muito bonito com sandálias e um colar colorido. É uma pena que ele acabou desbotando, de tanto que eu o usei, mas durou uns bons anos.
Ainda procuro por um vestido parecido - e cheguei até a possuir um do mesmo modelo, mas o efeito não era o mesmo: era apenas um vestido preto de malha. Não tinha poderes mágicos e nem me deixava com corpo de bailarina. Ninguém olhava para mim quando eu o usava e nemnhuma mulher jamais me perguntou onde eu o tinha comprado.
Quem sabe a magia não estivesse no vestido, afinal...


Quando gostamos de um vestido, parece ele é especial mesmo.
ResponderExcluirAna, adorei te ver novamente e fazia tempão! beijos, tudo de bom,chica