Onde foi que eu deixei,
Em qual banco de praça,
Em qual sítio, em qual beira
De uma longa calçada?
Em qual rua deserta,
Em qual banco de trem,
Onde foi que esqueci,
Onde foi que eu deixei?
Onde foi que eu perdi,
Onde foi que eu larguei
Sob um negro capuz?
Onde foi que eu errei?
Onde está, onde pus,
-Em alguma gaveta
Ou no fundo do armário
Em um outro planeta?
Distraída, não vi,
Eu perdi no caminho,
Não notei a ausência...
Onde foi que eu perdi,
Onde foi que eu deixei
Não prestei atenção
Deslizou como anel
Minha doce inocência...


Que tudo seja por uma boa causa.
ResponderExcluirAbraço de amizade.
Juvenal Nunes
Ana, teu poema me deixou com aquela sensação de quem procura algo que não se perdeu no mundo, mas dentro do próprio silêncio. Há uma delicadeza dolorida nesse “onde foi que eu deixei”, como se a vida tivesse passado devagar demais para ser percebida, e rápido demais para ser segurada. E ainda assim, tua escrita não acusa o tempo, apenas o interroga, com essa elegância de quem sabe que algumas ausências também ensinam.
ResponderExcluirFiquei pensando que talvez não seja perda, mas transformação: o que parecia inocência pode ter apenas mudado de forma, escondida em algum gesto cotidiano, em algum olhar que já não é o mesmo, mas ainda é teu.
Teu poema não fala só de esquecimento — fala de humanidade. E isso, de certa forma, não se perde.
Abraços
Daniel
https://gagopoetico.blogspot.com/2026/06/junho.html
Perdemos a inocência quase sem dar por isso.... Gostei do poema.
ResponderExcluirUm beijo.