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terça-feira, 16 de junho de 2026

ONDE FOI QUE EU DEIXEI




Onde foi que eu deixei,

Em qual banco de praça,

Em qual sítio, em qual beira

De uma longa calçada?

Em qual rua deserta,

Em qual banco de trem,

Onde foi que esqueci,

Onde foi que eu deixei?


Onde foi que eu perdi,

Onde foi que eu larguei

Sob um negro capuz?

Onde foi que eu errei?

Onde está, onde pus,

-Em alguma gaveta

Ou no fundo do armário

Em um outro planeta?


Distraída, não vi,

Eu perdi no caminho,

Não notei a ausência...

Onde foi que eu perdi,

Onde foi que eu deixei

Não prestei atenção

Deslizou como anel

Minha doce inocência...








3 comentários:

  1. Que tudo seja por uma boa causa.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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  2. Ana, teu poema me deixou com aquela sensação de quem procura algo que não se perdeu no mundo, mas dentro do próprio silêncio. Há uma delicadeza dolorida nesse “onde foi que eu deixei”, como se a vida tivesse passado devagar demais para ser percebida, e rápido demais para ser segurada. E ainda assim, tua escrita não acusa o tempo, apenas o interroga, com essa elegância de quem sabe que algumas ausências também ensinam.

    Fiquei pensando que talvez não seja perda, mas transformação: o que parecia inocência pode ter apenas mudado de forma, escondida em algum gesto cotidiano, em algum olhar que já não é o mesmo, mas ainda é teu.

    Teu poema não fala só de esquecimento — fala de humanidade. E isso, de certa forma, não se perde.

    Abraços
    Daniel
    https://gagopoetico.blogspot.com/2026/06/junho.html

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  3. Perdemos a inocência quase sem dar por isso.... Gostei do poema.
    Um beijo.

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