witch lady

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

GELO

 






GELO

 

Camada fina que me cobre os olhos

E parte do coração.

O frio alivia cada corte,

Mas não traz perdão.

 

Gelo, por onde deslizo

Lâmina fina e cortante

Onde meus pés imprecisos

Tornam-me distante

 

De cada falso andarilho,

De estar amarrada aos trilhos

Dos caminhos dos meus versos

Sem brilho e sem estribilho.

 

Cabeça erguida, eu deslizo

Para cada vez mais longe,

Para cada vez mais frio.

 

Se indagam onde estou,

Ou por onde eu vou, eu fluo,

Me afasto na correnteza

Do Eu Rio.

 

 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A JANELA

 





 

Um dia, abri a janela ao Leste

E pela primeira vez, vi de onde vinha o sol.

Foi incrível descobrir que ele nascia

Todos os dias, à mesma hora,

Mas que nunca nascia igual.

 

Às vezes, havia nuvens em volta,

Noutras, uma laje de chumbo pesada

Que o encobria totalmente,

De forma que a gente pensava que ele nem estava lá.

Mas também havia dias

Cheios de cores, e um céu vermelho fenomenal!

 

E olhem que aquela janela havia permanecido

Hermeticamente fechada por tanto tempo,

Que eu já nem lembro mais quem a fechou

Escondendo de mim o nascer do sol.

 

Só sei que me disseram a vida toda,

Que o sol só nascia se eu me calasse

E ficasse bem quieta, quase inexistente,

Guardando a minha esperança entre os dentes

Na frente de uma janela fechada.

 

 




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