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sábado, 28 de fevereiro de 2026

SOLIDÃO

 




 

Há de haver uma razão

Para que alguém exista

Na vida de outro alguém.

Se não há, que não insista;

Quem aceita por carência,

Entrega mais do que tem.

 

Conviver pela metade

Negligenciando a dor

De não receber apoio

Nos momentos mais difíceis...

- Isso jamais foi amor!

 

É melhor a solidão

Do que vida a dois vazia...

Do que controlar a azia

De um silêncio que é constante,

De um insistente “Não.”

 

Mas então, eu me pergunto:

O que é estarmos juntos

Quando alguém se nega a ver

Que a cada atitude

De descaso ou de desleixo

O amor fica mais frouxo

Começando a fenecer?

 

Quem nos olha de soslaio

Tentando não perceber

Aquilo que nós calamos,

Não nos ama de verdade,

Apenas também tem medo

Da solidão que arrastamos.

 

 

 

 

 

 

 

Ana Bailune


NINGUÉM MUDA



 

 

Se existe uma coisa que aprendi na vida,

É que narcisos não são margaridas,

E os mares jamais correm para os rios

Verões escaldantes são imunes ao frio.

 

Nada muda, ninguém muda, enfim;

Cada pessoa será sempre assim

Como nós as vemos, como as aprendemos...

Cumpramos nós o que nos prometemos.

 

A ajuda só vem quando há a comodidade

De oferecê-la sem necessidade,

Pois quando é preciso, a mão estendida

Se encolhe toda; assim é a vida!

 

E finalmente, eu já me convenci:

O que quer queira, faça-o por si!

Não dedique muito do seu curto tempo

A quem só profere palavras ao vento.

 

 

 

 

 

Ana Bailune

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

GELO

 






GELO

 

Camada fina que me cobre os olhos

E parte do coração.

O frio alivia cada corte,

Mas não traz perdão.

 

Gelo, por onde deslizo

Lâmina fina e cortante

Onde meus pés imprecisos

Tornam-me distante

 

De cada falso andarilho,

De estar amarrada aos trilhos

Dos caminhos dos meus versos

Sem brilho e sem estribilho.

 

Cabeça erguida, eu deslizo

Para cada vez mais longe,

Para cada vez mais frio.

 

Se indagam onde estou,

Ou por onde eu vou, eu fluo,

Me afasto na correnteza

Do Eu Rio.

 

 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A JANELA

 





 

Um dia, abri a janela ao Leste

E pela primeira vez, vi de onde vinha o sol.

Foi incrível descobrir que ele nascia

Todos os dias, à mesma hora,

Mas que nunca nascia igual.

 

Às vezes, havia nuvens em volta,

Noutras, uma laje de chumbo pesada

Que o encobria totalmente,

De forma que a gente pensava que ele nem estava lá.

Mas também havia dias

Cheios de cores, e um céu vermelho fenomenal!

 

E olhem que aquela janela havia permanecido

Hermeticamente fechada por tanto tempo,

Que eu já nem lembro mais quem a fechou

Escondendo de mim o nascer do sol.

 

Só sei que me disseram a vida toda,

Que o sol só nascia se eu me calasse

E ficasse bem quieta, quase inexistente,

Guardando a minha esperança entre os dentes

Na frente de uma janela fechada.

 

 




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    Sou portadora de diabetes, doença que descobri há cinco anos. Me sentia sempre muito cansada, indisposta, tendo que parar para desca...