terça-feira, 17 de novembro de 2020

MORRI SEM MORRER






Morri sem morrer ao carregar tal peso,

Ao silenciar meu grito,

Ao pisar sem sapatos

Para não incomodar.


Morri sem morrer ao negar minha sede,

Ao fechar em meu peito

O rosto mais terrível,

O ardiloso olhar.


Morri sem morrer ao molhar minha fronha

Ao aguar pesadelos

Taciturnos, obscuros,

Ao negar, negar, negar...


Morri sem morrer; -Haverá ressurreição

Para minha triste alma

Cujo corpo insepulto

Se arrasta pelo chão?


Morri sem morrer - continuo morrendo,

Ao raiar dos meus dias

Ao entardecer soturno

Da palavra-cadeado

Que fechou meu coração...



(Poema baseado em um dos capítulos do livro MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS)





4 comentários:

  1. Boa tarde de paz, querida amiga Ana!
    Tantas mortes não morridas ao longo da vida...
    Ausências... Demoras... tardanças... Omissões...
    Ah! Muitos desfalecimentos e você enumerou alguns.
    Muito bom!
    Tenha dias abençoados!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. https://espiritual-marazul.blogspot.com/2020/11/leva-me-amor-inspirada-em-catulo-da.html
      Você está aqui...
      🏠😇🙏💐😘

      Excluir
  2. Muito belo, Ana! Ao silenciarmos, ao agir para não incomodar, ao negar o que sentimos... vamos aos poucos morrendo. Bjs.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Parceiros

VOZ

    Voz que viaja, se erguendo De sustenido a sustenido Mas nunca chega a um par de ouvidos.   Voz que se eleva, e que grita, Aflita, inflam...