witch lady

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quinta-feira, 14 de março de 2013

Passarinho Triste





Sua minúscula gaiola ornamentada ficava em um suporte móvel de ferro, no canto mais escuro da sala de jantar, onde a luz da pequena janela mal chegava. Era apenas uma criaturinha de aparência frágil,  um canarinho à toa, mas quando abria o peito para cantar... ah, até mesmo os vizinhos chegavam ao muro para admirar a beleza de seu canto! Como podia sair assim, um som tão maravilhoso e perfeito daquele peito tão magrinho? 

Quando chegou àquela casa, causou alguma comoção; as pessoas paravam para brincar com ele, estalando os dedos em volta da gaiola e assoviando. Ele se empertigava todo de espanto, esvoaçando e batendo contra os arames da gaiola. Com o tempo, acostumou-se à presença das pessoas, e tornou-se mais calmo. Também com o tempo, a sua presença foi se tornando cada vez menos notada, principalmente nas épocas de muda de pensas, quando ele não cantava.

Antes, sua gaiola era colocada lá fora de manhã bem cedo pela empregada da casa, e ele podia abrir as asinhas ao sol e pular de um poleiro ao outro, piando baixinho; mas um dia, alguém viu o gato do vizinho olhando a gaiola atentamente. A partir daquele dia, ele nunca mais foi levado para fora,  nem viu a luz do sol. Sua existência limitou-se àquele canto obscuro da sala de jantar, onde as pessoas passavam por ele já sem perceber que ele estava ali.

À noite, quando seus donos chegavam em casa, acendendo a luz,  ele ainda cantava alto, como a dizer: "Vejam, eu estou aqui! Eu existo!" mas como o canto atrapalhasse o som da TV ou das conversas, alguém apagava a luz, e ele ficava quieto.

Às vezes, esqueciam-se de cuidar dele - nos finais de semana e nos dias de folga da empregada. Então, sua água ficava tão suja de fezes, e seu alpiste, tão cheio de cascas, que ele mal podia comer ou beber. Suas unhas eram tão longas, que enrolavam-se em volta do poleiro.

Assim, a vida daquela pobre criatura ia passando. Anos e anos de solidão e sofrimento. Havia festas, reuniões de família, conversas à mesa. Mas ninguém notava que ele estava ali, e ele nem sequer cantava mais. Só ensaiava um canto quando, de manhã, a empregada abria a porta da cozinha e uma luz de sol infiltrava-se até a metade da sala de estar, e ele se lembrava que era um pássaro e que estava vivo.

Mas seus piores momentos, eram quando a família viajava, e a empregada não precisava ir... ficava sozinho por dias à fio, sem ter quem lhe trocasse a água e o alpiste, sem uma nesga sequer de luz que lhe chegasse, sem um som sequer na casa vazia, a não ser o do relógio da sala, marcando as horas. Antes da viagem, eles enchiam-lhe duas ou três vasilhas de alpiste e água, esperando que durassem o tempo que ficariam fora, colocando-as no chão da gaiola, mal deixando-lhe espaço para mover-se. Ao fazer suas necessidades, era obrigado a fazê-lo sobre a água e a comida.

Esta era a vida daquela criatura miúda e insignificante: não passava de um acessório que não servia mais para ninguém, com o qual ninguém se importava. 

Um dia, uma menina chegou à casa de visita. Ela começou a andar pelos cômodos, curiosa como toda criança, e deparou com a gaiola no canto escuro da sala de jantar. Caminhou em volta dela, olhando o passarinho, que a olhou de volta com tanta tristeza, que os olhos da menina encheram-se de lágrimas. Ela olhou para os lados, e de repente, num impulso, abriu a porta da gaiola. Pensou que o passarinho sairia voando porta afora, mas ele apenas continuou onde estava, sem mover uma pena sequer. 

De repente, a menina ficou com medo de que descobrissem a sua arte, e tentou fechar a porta da gaiola, mas esta emperrou-se. Não se movia. Ela saiu de fininho, ainda olhando para os lados, e foi embora, esquecendo-se de seu triste amigo. Como a empregada da casa estivesse de férias, ninguém nem sequer viu que a gaiola estava aberta, e assim ela ficou.

Até que, retornando das férias três dias depois, a empregada percebeu a portinhola aberta, e ao fechá-la, deparou com o passarinho caído, morto, no fundo da gaiola.


Sarcófagos





Os altos chapéus 
Escondem os chifres...
"À benção, senhores,
Beijo as santas mãos!"
Sob o ouro brilhante, 
Toda a podridão
De anos e anos 
De perseguições.

As mãos levantadas,
Os dedos cruzados...
A bênção forjada
De ritos fingidos
E ultrapassados.

A face do Cristo
Pisada e cuspida,
As suas palavras
Sem pena, torcidas,
Usura , ambição,
Pseudo perdão
O doce na boca,
As pedras na mão.

Dedos sobre lábios,
Pedindo silêncio
Sobre tudo aquilo
Debaixo dos panos...
Uma história torpe
Bem alicerçada
Sobre montes de ossos
Ao longo dos anos.


BUSCA







BUSCA


Eu busco sentidos
Para o que está vivo
Entre o que está morto.

Só acho uma curva
Em forma de ponto
De interrogação...

O sim e o não
Descansam, rendidos,
Num imenso talvez.

E o dia amanhece
Refazendo os nós
Que a noite desfez.



quarta-feira, 13 de março de 2013

Sempre Aqui





Estive sempre aqui,
Descansando entre as asas das borboletas,
Enquanto te perdias de ti mesmo.
Fiquei aqui, sem qualquer expectativa
Ou tristeza.

Coração envolto num véu frio e úmido,
Olhar pregado nas montanhas ao longe...
O rosto parado, erguido adiante
Esperando a tua volta.

Estive sempre aqui neste jardim suspenso
Entre a eternidade e o tempo,
Totalmente imóvel, em pose de estátua
Para não despertar nenhuma mágoa.








Êxtase





"Êxtase", de Cecília Meireles - do livro Viagem



Deixa-te estar embalado no mar noturno
onde se apaga e acende a salvação.

Deixa-te estar na exalação do sonho sem forma:
em redor do horizonte, vigiam meus braços abertos,
e por cima do céu estão pregados meus olhos, guardando-te.

Deixa-te balançar entre a vida e a morte, sem nenhuma saudade.
Deslizam os planetas, na abundância do tempo que cai.
Nós somos um tênue polo dos mundos...

Deixa-te estar neste embalo de água gerando círculos.

Nem é preciso dormir, para a imaginação desmanchar-se em figuras ambíguas.

Nem é preciso fazer nada, para se estar na alma de tudo.

Nem é preciso querer mais, que vem de nós um beijo eterno
e afoga a boca da vontade e seus pedidos...


Alma Penada





Ele vaga pela casa
Sabendo não ser lembrado.
-Que destino malfadado
O de saber-se esquecido!

Vem um vento desabrido
Leva o que ficou marcado...
Entre o tilintar das taças
Um desejo malogrado

Pois que anda pela casa
Sabendo não ser lembrado...
De toda a vida vivida,
Nenhum sonho foi guardado!

Veio a morte, e carregou
O que havia se orgulhado,
E a memória se fechou
Sobre quem havia amado...

Ele chora pela casa
Sabendo não ser lembrado...
Entre os risos de alegria
Ele se queda, chocado!

Tantos anos de ilusões,
Tanto amor desperdiçado
Entre os frios corações
De quem havia adorado!

E ele assombra aquela casa
Sabendo não ser lembrado...
E o que restou de si
Sob um túmulo, fechado!

Não houve vela, nem missa,
Nem mesmo um canto chorado!
Apenas o esquecimento
Sobre o espírito calado...

E ele não vê consolo
Algum, em não ser lembrado...
Em cada canto da casa,
Um retrato retirado!

E ele chora, vaga, assombra
Pelo seu morto passado
Em cada cômodo, a sombra
daquele que foi levado!






terça-feira, 12 de março de 2013

Humildade





Como veio, foi-se,
Em anônima grandeza,
De quem vem trazendo a paz,
E não cultiva aspereza.

Quase ninguém o viu,
Mas quem o viu, agradece...
Não pediu para ser lembrado,
Mas dele, ninguém se esquece...

Como veio, foi-se
Sem fazer qualquer alarde,
Caminhando lentamente
No silêncio de uma tarde...

Deixou um rastro de amor,
De luz, e muita beleza,
Fica a nossa porta, aberta
Na varanda, a luz acesa.


Fernando Pessoa






As Ilhas Afortunadas - de 'Mensagem'


Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
E a voz de alguém que nos fala
Mas que, se escutarmos, cala,

Por ter havido escutar.
E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir, ouvimos
Que ela nos diz a esperança.

A que, como uma criança
Dormente, a dormir, sorrimos.
São ilhas afortunadas
São terras sem ter lugar,

Onde o rei morre esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz. E há só o mar.





segunda-feira, 11 de março de 2013

De Mim Para Mim






A jornada do autoconhecimento é uma estrada longa e tortuosa, cujo destino ninguém jamais poderá dizer que alcançou. Mesmo assim, só nos resta segui-lo, entendendo que às vezes, o ritmo será lento, e noutras, mais acelerado. Haverá pontos de estagnação, de descrença e de retrocessos. Mas o mais importante, é perceber estes pontos e continuar em frente.

Recentemente, percebi que mais exigimos dos outros no momento em que menos podemos dar a nós mesmos. Alimentamos a tendência de culpar os outros pelas nossas próprias falhas. É exatamente no momento em que estamos cobrando e apontando as faltas alheias, que precisamos respirar fundo e olhar para dentro de nós: o que eu estou tentando obter do outro, que não estou conseguindo, eu mesma, prover-me? Por que tento apontar as faltas, ao invés de ressaltar o que há de melhor em cada pessoa? Descobri que quando faço isso, estou apenas descobrindo o que me falta.

Sei que jamais chegarei a um ponto no qual poderei dizer: "Esta sou eu!" Houve momentos, no passado, em que eu achava que isto era possível. Houve até momentos em que eu pensei que tinha chegado 'lá;'  e foram momentos que precederam uma grande queda. Precisei deles a fim de perceber o quanto eu ainda me encontrava longe desse destino que eu ainda não sei qual é, e que pretendera alegar que alcançara.

Hoje eu percebi que todo o caminho resume-se a apenas um passo de cada vez.



O Amor





O amor
É todos os dias testado,
E esteja certo ou errado,
Considera o coração.

O amor
Está bem além do beijo,
E descansa, inalterado,
Sob arroubos de desejo.

O amor
É o perdão açucarado
Concedido, sem alardes
A quem quer ser perdoado.

O amor
É um querer que não se cansa,
E que mesmo adormecido,
Sempre mantém a aliança.

O amor 
Prevalece no final,
Acima do bem e do mal,
Pois amar é compreender.

O amor
Mora dentro do olhar,
O amor é tudo aquilo
Que eu mais preciso aprender.


domingo, 10 de março de 2013

Promessas Quebradas





Em volta, cacos cortantes
De promessas quebradas.
Migalhas de vidas,
Sobras... mais nada.

Um carinho magro,
Raquítico e seco,
Tentando emendar
O logro fadado.

Um beijo anêmico,
Fraco, doente,
Tentando selar
O trato rompido.

Promessas, só promessas...
Melhor não prometer nada!

Voltas e voltas
Em torno de si,
Vertigens e náuseas,
Um sangue de água...

Palavras sem força
Que são repetidas
Numa tentativa
De enganar a vida...

Promessas vazias,
Palavras vazias,
Arrasta-se a noite
Num triste arremedo
De amanhecer.

Como crer?...

Promessas que saem
Da boca dormente...
Nem sequer pretende
Cumprir o que diz!

Ah, vontade fraca,
Ah, peito abafado!
Ignoto futuro
Que nunca decola!
Presente fechado...

Por que se agarra, assim,
Ao passado?
Palavra de esmola,
Intento frio,
Riso malogrado.

*

A Ciência Secreta






Trecho do volume II do livro A Ciência Secreta, publicado em 1926 - por Henri Durville - 


Obs: mantive a grafia do texto original

Certamente, as pedras tem uma alma, a alma daquelles que as reuniu, daquelles que viveram na sua sombra doce ou cruel. E essa alma, nessas horas meditativas, penetra a nossa. Sentimol-a no fundo de nós mesmos, despertar todo um mundo de pensamentos deliciosos. Encontramos de novo essa alma, diversa e profunda, segundo os seres que a formaram.

É a mesma cousa em toda parte e a alma que encontramos nas pyramides do Egyto differe, em sua calma religiosa e funeraria, da paz reclusa do convento dos monges occupados a instruir os homens, abencôal-os, sob a guarda dos cavalleiros sem cessa preoccupados em os defender, em uma epocha em que só a espada protegia aquelles que faziam florescer, á margem dos manuscriptos, as mesmas flores que a sombra, cahida das rendas de pedra, traçava sobre os muros dos corredores acinzentados.

Nos livros, encontramos o pensamento daquelles que os escreveram.

Os auctores desappareceram, mas o seu pensamento vive nas suas obras, mais poderoso pelo seu recuo do que pelo tempo em que a palavra vibrava no ar. Lemos, e os pensamentos saltam de dentree as paginas do livro, adejam-nos como grandes passaros, tocam-nos, entram em nosso cerebro, e ahi se vão combinar, em profundezas ignoradas, com as nossas acquisições anteriores.

Tal quadro nos commove. Primeiramente o assumpto que representa attrahe o nosso olhar attento. Examinamol-o, porém, mais seriamente. Então, a alma do pintor nos penetra. Sentimos a sua magua ou a sua alegria e se, como o Vinci, por exemplo, elle pôz um symbolo profundo em sua obra, descobrimol-o e a nossa impressão artistica é sublimada.

Vibramos em unisono com seu pensamento. A alma do artista está alli, presente na sua obra. 

O pensamento, é , pois, um elemento capital na base da nossa vida mental. A influência de tudo o que nos rodeia é uma verdade da maxima evidencia e é por que somos accessiveis a essa suggestão do pensamento dos outros que somos capazes de suggerir em torno de nós.

Certamente, o pensamento é uma formidável potencia.

sábado, 9 de março de 2013

OUTONO






Dias cinzentos,
O frio, gris intenso
As folhas tombam.

Nos recolhemos;
As lareiras acesas,
Os sonhos dormem.

Além do muro
Os pássaros cansados
Esperam verão.

Mata fechada,
Outono se derrama
Com folhas secas.

*

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sobre as Mulheres









"As mulheres existem para que as amemos, não para que as compreendamos." - Oscar Wilde





"Quem não sabe aceitar as pequenas falhas da mulher, não aproveitará suas grandes virtudes." -Gibran





"O coração da mulher, como muitos instrumentos, depende de quem o toca." - Saint Prosper





"A mulher que se preocupa em evidenciar sua beleza anuncia ela própria que não tem outro maior mérito." - Julie lespinasse





"A mulher mais idiota pode dominar um sábio. Mas é preciso uma mulher extremamente sábia para dominar um idiota." - Rudyard Kipling







"Não se nasce mulher; torna-se." - Simone de Beauvoir





"A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem. - John Lennon





"Nenhuma situação é tão complicada que uma mulher não a possa piorar." - Tom Jobim







quinta-feira, 7 de março de 2013

O Quarto







Abriu ambas as janelas, deixando que o sol da manhã entrasse e que a brisa refrescante circulasse pelo quarto. Aproveitou e abriu também gavetas e armários, para que fossem arejados pelo frescor da manhã. Dentro, suas roupas e sapatos, cuidadosamente arrumados e separados conforme eram considerados 'para sair' ou 'para ficar em casa.'

Passou os olhos sobre as pilhas de blusas bem dobradinhas nas gavetas, e escolheu uma preta, bordada com borboletas douradas. Separou também uma saia jeans. No aparelhinho de CD, sua música preferida.

Olhou em volta: como adorava aquele quarto! Tudo era tão seu... a estante com os os livros e Cds, sua televisão sobre a cômoda, seus pequenos bibelôs, as bijuterias guardadas em suas inúmeras caixinhas.

E as fotografias antigas. Havia uma caixa e uma velha bolsa de couro, cheias delas. Havia documentos antigos - carteiras de trabalho, suas do seu pai e do falecido marido. Ali, a história de suas vidas, desde que eram ainda bem jovens: todos os lugares onde trabalharam, quanto tempo ficaram, quando recebiam de salário. Olhou-os, suspirando. Recordou-se dos tempos em que era aquela mocinha da fotografia. Achou também uma velha fotografia de seu falecido pai, dentro de um dos livros. Lembrou-se dele com carinho.

Olhou seu reloginho de pulso, e constatou que estava quase na hora. Foi fechando as gavetas, passando as mãos sobre as roupas para que elas assentassem direitinho no lugar. Fechou o armário e guardou com cuidado as fotografias. Passou os olhos sobre as lombadas dos livros.

Fechou as janelas e cerrou as cortinas.

Pegou a bolsinha florida, que continha algumas mudas de roupa que usaria enquanto estivesse no hospital, aguardando a cirurgia.

Antes de fechar a porta atrás de si, olhou para tudo aquilo mais uma vez, demorando-se um pouco. Depois, fechou a porta bem devagar, e saiu.

Para nunca mais voltar.

Ficaram nas caixas, armários e gavetas tudo o que restou da passagem daquela vida por este mundo. Ficaram traços de sua fisionomia em seus filhos, que vivem, cada qual, uma história de vida  própria que ela ajudou a construir. Ficaram os registros em documentos e as imagens, que provam que ela existiu.

Olhando aqueles documentos, relendo as histórias daquelas vidas - meu pai, meu avô, minha mãe, meu sobrinho, minhas tias - eu fico pensativa... tento adivinhar o que ia na cabeça de cada um deles no momento da foto. Fico me indagando o que cada um sentiu quando aquelas carteiras de trabalho foram assinadas pela primeira vez, e penso nos anos e anos que eles estudaram, trabalharam, viveram, aprenderam e ensinaram. Penso nos momentos felizes e nos momentos tristes que se derramaram sobre aquelas vidas que eu conheci (ou pensava ter conhecido) tão bem.

Fico especulando o que cada um pensou no dia em que morreu, ou um dia antes; tiveram medo? Sabiam que nunca mais voltariam para casa, na última vez que partiram? E quando olharam por cima de seus ombros, no momento em que fecharam a porta, o que sentiram? Será que a gente tem algum aviso, algum mecanismo implantado no nosso subconsciente que nos avisa quando a hora de ir está chegando?

E o que fazer agora, com todos aqueles documentos, fotos, cartas, livros, objetos? Simplesmente jogar fora? Mas como jogar fora vidas inteiras? Como desfazer-se daquelas coisas que foram guardadas durante tantos anos com tanto cuidado e carinho, tão amadas, tão protegidas?...

Penso que devo fazer uma seleção e guardar apenas  o que for mais significativo. Mas o que é mais significativo, dentro de caixas cheias de lembranças?

Santa Ignorância, a Minha...




Peço-lhes desculpas. Porque as pessoas me escrevem, dizendo que não conseguem comentar meus blogs, e eu não tenho a menor ideia do porquê disto estar acontecendo. Todos os meus três blogs estão configurados para receberem comentários de qualquer pessoa, embora os mesmos estejam moderados.

Peço-lhes desculpas também porque meu blog de contos não aparece no meu perfil do Google, e eu também não sei como mudar a situação. Já mexi nas configurações, ativei e desativei coisas, rezei para São Jorge, fiz promessa para São Longuinho, e nada; ele continua lá, quase incógnito, não fosse pelos meus fiéis quatorze amigos que, de alguma forma, conseguiram acessar o botão de 'seguidores.'

Peço desculpas aos blogs que eu não tenho visitado; as postagens de vocês nem sempre aparecem nas minhas listas de leitura, e também não sei o motivo. De vez em quando, eu vou lá, olhar blog por blog (quando dá tempo) e descubro que houve várias postagens das quais eu nem fiquei sabendo. Sorry... não que eu esteja com tempo disponível para seguir tudo, mas pelo menos, uma visita de vez em quando...

Desculpem-me porque eu não coloco selinhos nos meus blogs, apesar dos convites; não o faço por dois motivos:

1) Minha internet é meio-lenta, e coisas demais nos blogs faz com que eles fiquem pesados e demorem demais para abrir.

2) Eu não sei como colar aquelas coisinhas em meu blog.

Algumas pessoas me disseram para pedir ajuda ao senhor Google,  Administrador dos Blogs , mas ele é tão poderoso e distante! Não acho que ele - O Todo Poderoso - vai dar ouvidos a minhas humildes súplicas.

Enfim, ainda estou aprendendo e acho que vou ficar assim a vida toda: aprendendo. Mas peço por favor  que, se você deseja colocar comentários por aqui e não está conseguindo, entre em contato comigo. E afinal de contas, eu ainda me divirto fazendo os blogs, e espero que gostem.

Ilusões de Padrões e Padrões de Ilusões- O Andar do Bêbado




Trecho do livro "O  Andar do Bêbado", de Leonard Mlodinow


(...) Quando estamos diante de uma ilusão - ou em qualquer momento que tenhamos uma nova ideia - em vez de tentarmos provar que nossas ideias estão erradas, geralmente tentamos provar que estão corretas. Os psicólogos chamam esta situação de viés da confirmação, e ela representa  um grande impedimento à nossa tentativa de nos libertamos da interpretação errônea da aleatoriedade. (...) Como afirmou o filósofo Francis Bacon em 1620, "A compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada."

Para piorar ainda mais a questão, além de buscarmos preferencialmente as evidências que confirmam nossas noções preconcebidas, também interpretamos indícios ambíguos de modo a favorecerem as nossas ideias. Isso pode ser um grande problema, pois os dados muitas vezes são ambíguos; assim, ignorando alguns padrões e enfatizando outros, nosso cérebro inteligente consegue reforçar suas crenças mesmo na ausência de dados convincentes. Por exemplo, se concluirmos, com bases em indícios instáveis, que um novo vizinho é antipático, quaisquer ações futuras que possam ser interpretadas dessa forma ganharão destaque em nossa mente, e as que não possam serão facilmente esquecidas. Ou então, se acreditarmos num político, damos-lhe mérito pelos bons resultados que obtiver, e quando a situação piorar, jogamos a culpa no outro partido, reforçando assim nossas ideias iniciais.

(...)

O viés da confirmação tem muitas consequências desagradáveis no mundo real. Quando um professor acredita inicialmente que um de seus alunos é mais inteligente que outro, ele se concentra seletivamente em indícios que tendam a confirmar esta hipótese.
Quando um empregador entrevista um candidato a emprego, sua tendência é formar uma rápida primeira impressão do sujeito e passar o resto da entrevista buscando informações que a corroborem. Quando um profissional da área clínica é informado previamente que o paciente a ser entrevistado é combativo, ele tende a concluir que o paciente é combativo, mesmo que não seja mais combativo que a média das pessoas. E quando as pessoas interpretam o comportamento de alguém que seja membro de uma minoria étnica, tendem a interpretá-lo no contexto de estereótipos preconcebidos.

A evolução do cérebro humano o tornou muito eficiente no reconhecimento de padrões. Porém, como nos mostra o viés da confirmação, estamos mais concentrados em encontrar e confirmar padrões que em minimizar nossas conclusões falsas. Ainda assim, não precisamos ficar pessimistas, pois temos a capacidade de superar nossos preconceitos. Um primeiro passo é a simples percepção de que os eventos aleatórios também produzem padrões. Outro é aprendermos a questionar nossas percepções e teorias. Por fim, temos que aprender a gastar tanto tempo em busca de provas de que estamos errados quanto de razões que demonstrem que estamos certos.



quarta-feira, 6 de março de 2013

Meu Amigo Charlie Brown



Há muito tempo,
Cantou-te Benito:
"Meu amigo Charlie..."

E ele nem sabia
Que era você!

*

 Se você quiser,
Vou lhe mostrar
Que a sua vida
Podia ser boa...

Se você quiser, 
Vou lhe mostrar
Que a poesia
Não há de acabar.

Se você quiser
Vou lhe mostrar
Que as águas passam
Qual rios chorados...

Se você quiser
Vou lhe mostrar
Que a morte não cura
Um peito fechado.

Meu amigo Charlie,
Descanse em paz
Deitado, feliz
Sobre o teu telhado.

(Ficamos Snoopies
De rabos cortados.)


Para Chorão



Eu Não Sou o Diabo!





Arranco as correntes
Que me prendem.
Causa-me asco
Esse cheiro de alho
Nos hálitos quentes!

As bocas frementes
Murmuram,
As bocas famintas,
No escuro...

Ando pela vida
Cercada de flores
(Algumas, murcharam)...
Canteiros de dores,
Pétalas de risos,
Sons de cigarras
E de guizos...

Às vezes, eu voo,
Às vezes, viajo
E me perco,
Me engano,
caio...

Nasci em setembro
De dentro de maio
Que foi-se em dezembro.

Por vezes, eu grito,
Parece que bebo,
Parece que salto
Ao som de um apito...
E o motivo?
-Pode ser um vento,
Um rito.

Quem olha, me vê
Sobre a superfície,
E julga com os olhos,
Bocas e ouvidos...
Não vê as entranhas,
E não faz sentido!...

Não sou o diabo,
Pois gosto do vento,
Do frio, e o inferno
É quente demais.
Não uso tridentes,
Não me delicio
Com ranger de dentes...
Eu prefiro a paz.

Não sou o diabo,
E esse discurso
Que me apresentas,
Eu já sei de cor!
Vê se te emenda,
E passa direto,
Corre, vá de retro,
Pois não sou o diabo,
Mas posso ser pior!

*






 

A Simplicidade da Complicação









Viver e morrer é tão simples,

Tão fácil
Tão natural...
É quase como ir ao banheiro,
Lavar as mãos,
Fazer uma refeição,
Virar uma esquina...

A moça pula do prédio
Se esborracha lá no chão...
Enquanto isso,
Nasce o bebê da vizinha,
Agoniza um velho,
Morre um cão.

Velório e chôro de um lado,
Compras no shopping e MacLanche Feliz,
Luto e tristeza,
Festa, luzes, Música sertaneja.

Viro outra esquina,
Entro na contra-mão.
Viver e morrer é tão simples,
Só que nem sempre é bom...




*

Parceiros

SEM PERDÃO

  Já é tarde, muito tarde, Para o cão e sua dor, O desamor que ele sofreu Por quem perdeu o coração. No chão, o sangue espalhado, A crueldad...